⌚️ 07:09 a.m. em direção à escola...



— "Bom dia, Nevinny! A época do ano mais aguardada chegou oficialmente! E a previsão para os próximos dias é de temperaturas mais baixas e possibilidade de chuva. Não se esqueçam de levar um guarda-chuva e um casaco bem quente ao sair de casa. Esse mês também é o mês do amor intenso, onde a bondade e caridade transbordam os corações. Vamos deixar as falações de lado e colocar o que você tanto prega em prática?" — diz o jornalista na rádio.


— E começamos. Entramos na última estação do ano. Passou rápido, não foi? — Lívia pergunta enquanto olha o semáforo.


— Bem rápido. E eu adoro a estação do inverno — você diz enquanto ajeita seu casaco por cima do uniforme.


— Eu prefiro o calor mesmo. Inverno me deixa muito entediada.


— Eu não. Prefiro sentir o frio e ver a neve descendo.


— Você tem planos pra esse inverno? Digo, você e o Joseph? Como está na sua escola? Normalmente nessa época os adolescentes estão doidos pelo baile de inverno.


— É, até que sim. Tem gente fazendo vestido pro baile adiantado, mesmo quando 'tava faltando semanas.


— Essa é a magia. Tudo tem que ser feito com antecedência pra ficar perfeito pro dia. Esse é o seu primeiro baile, não é? Eu me lembro muito bem do meu primeiro baile. Foi muito bom — ela diz dando um breve sorriso.


— Foi a rainha? — você pergunta.


— Não, eu não fui. Mas valeu a experiência.


— Esse é o meu primeiro baile. Mas na verdade eu nem sei se vou. Não é obrigatório, não é?


— Mas é claro que vai! Você não pode perder seu primeiro baile de inverno, S/N! — Lívia exclama.


— E por que não?


— Todo adolescente sonha com isso. É como se fosse um mundo encantando em que você passa a noite. Sempre tem coisas pra contar sobre o que acontece na noite depois.


— Não sei se quero isso tudo — você diz.


— Você só não quer ir porque não está em Atelis. Aposto que se fosse o primeiro baile de inverno na sua escola chique de lá você não pensaria duas vezes pra ir.


— Mas é claro que não. Eu estaria em casa. Ia ser outra coisa.


— Você tá em casa, S/N. A sua nova casa. Você tem que ir nesse baile. E vai. Não pode perder de jeito nenhum de viver essa experiência única.


— Vamos ver, então — você fala encostando sua cabeça na janela do carro, encerrando, assim, a conversa.




⌚️ Algum tempo depois já na escola...



— ... Então o doutor Renato disse que a enfermeira Mirella já não trabalha mais na clínica e que ela pediu pra sair pouco tempo antes da polícia ir atrás dela na clínica. Eu fiquei sabendo disso na última vez que eu fui me consultar na última semana.


— Você tá doente? — Max pergunta curiosamente.


— Não, eu não tô doente. Mas eu sou uma menina. Preciso me cuidar — Lavínia fala.


— Então ela pediu pra sair? E agora a polícia tá atrás dela? Isso já torna tudo mais suspeito ainda — Allison comenta.


— E o doutor Renato não disse pra que eles queriam falar com a Mirella? — você pergunta.


— Disse. Ele disse que precisavam conversar com ela sobre o caso da dona Amelita — Lavínia responde.


— A amiga de S/N — Allison diz.


— Espera. Quem é essa dona Amelita e essa Mirella que vocês tanto falam? O que elas têm a ver com vocês e S/N? — Max pergunta sem entender nitidamente confusx.


— Amor, eu já falei pra você que nós três estamos fazendo uma "pesquisa" sobre um caso que a gente descobriu. Eu já tentei explicar pra você, lembra?


— Explicou? — você pergunta.


— Explicou. Mas acho que não dei muito ouvido.


— Não adianta explicar tanto, você não vai saber quem é mesmo. Só sabe quem faz parte da pesquisa do trio de ouro — Lavínia dispara.


— Trio de ouro? É assim que vocês estão se chamando agora? — Max ri.


— É, pode ser. Mas como você sabe trio só é formado por três pessoas e nesse trio claramente eu sou mais parecida com a Hermione.


Max mais uma vez gargalha, porém dessa vez mais alto.


— Qual é a graça?


— Você se dizendo que se parece com a Hermione. Acho que você tá fantasiando demais.


— Você fala isso porque sabe que não se encaixa nos requisitos. Não tem nada nem pra discutir. Olhando daqui claramente você não tem nada que possa ser característica da Hermione, então aceite.


Ainda gargalhando Max vai se levantando da cadeira onde está e diz...


— Depois dessa eu vou até no banheiro fazer xixi. Você é muito engraçada, Lavínia. Como se eu quisesse fazer parte de um grupo de investigadores e ainda mais querer ser como aquela insuportável de Hermione.


— Onde você vai? — Allison pergunta para Max.


— Eu vou até o banheiro. Daqui a pouco volto. Senão faço xixi nas calças de tanta piada da Lavínia.


— Tudo bem. Não demora.



Assim que Max sai e se afasta o suficiente, Lavínia não perde tempo e na mesmo instante dispara, comentando...


— Você precisa largar de Max agora. Essa pessoa é extremamente venenosa.


— Mas por quê? Eu não tô entendendo o que você tá querendo dizer.


— Não ouviu? A pessoa fica com deboche na minha cara. Eu odeio isso.


— Você não acha que tá levando isso a sério demais? — você pergunta.


— Ora, S/N, vai me dizer que você também não acha Max chatx?


— Eu...


— Tá bom, tá bom, eu não quero saber p que vocês pensam a respeito de Max porque isso só diz direito a mim. Mas vamos aproveitar que elx saiu pra gente discutir sobre as pesquisas. S/N, você descobriu mais alguma coisa nos seus livros ou com a sua amiga? — Allison pergunta.


— Não, com a dona Ami eu só sei o que ela disse. Nos livros têm muitas coisas interessantes, mas nada que seja importante ou que seja pista pra alguma sequência de códigos — você diz.


— E você Lavínia?


— Bom, pelas páginas que eu li daquele enorme livro que eu peguei eu ainda não achei nada, mas acho que posso encontrar. Ainda tem bastante pra ler, então não é possível que eu não encontre nada — ela responde, confiante.


— Ele não é tão grande assim. São cem páginas, pelo tempo que você pegou já devia ter terminado ele. Quantas páginas você já leu?


— Dez.


— Eu não tô acreditando nisso. De cem páginas você só leu dez? Lavínia, você precisa levar isso a mais sério! — Allison exclama, desacreditadx.


— Calma, gente. Acontece que eu também sou uma dona de casa. Eu também tenho outros afazeres.



Você gargalha da resposta de Lavínia deixando Allison um pouco mais irritado.


— Tudo bem. Acontece que eu já li dois livros. Na verdade, quase. No primeiro eu não encontrei nada, mas só no segundo que eu li coisas que me chamaram a atenção.


— E o que foi? — você pergunta.


— No segundo livro existe uma linha do tempo de morte de cada um dos fundadores com a data específica de sua morte e também tem um fato de amuletos preciosos deixados por eles.


— Que tipo de amuletos? Tipo joias? — Lavínia pergunta.


— É. Existem algumas pedras preciosas e também coisas mais simples tipo uma caneta de pena dourada e uma cachoeira que parece ficar no fim do mundo.


— Interessante — você fala.


— É, e o mais interessante mesmo é pelo detalhe do fato. O detalhe é que nem todos os fundadores deixaram esse tipo, apenas cinco deles.


— Ótimo, então descobrimos a resposta pro enigma. São cinco espaços que tem naquela parede, não é? Nossa, foi mais rápido do que eu pensava — Lavínia fala dando um suspiro de alívio.


— É. Realmente Allison nasceu pra investigação — você afirma comemorando com Lavínia.


— Calma, vocês ainda não deixaram eu terminar — Allisson inicia.


— Lá vem história — Lavínia fala imediatamente mudando rapidamente sua expressão de euforia para hesitação.


— Sim, existem cinco espaços vazios na parede que a gente encontrou naquela área proibida em Miríade e sim, o livro me deu a falsa e imediata resposta de que aqueles espaços correspondem respectivamente aos cinco fundadores que deixaram essa heranças.


— Espera, como assim falsa e imediata resposta? — você questiona.


— Ora, S/N, não lembra que além das imagens dos fundadores na parede existiam outras figuras como planetas, luas e sóis? A resposta é clara que devemos usar as imagens dos fundadores, mas e quanto às outras imagens? Qual delas nós vamos usar?


— Nossa, mas agora é mais uma coisa pra gente pesquisar. Como que a gente vai saber disso?


— Eu não sei, mas isso fica pra gente pensar outra hora. Agora vamos mudar de assunto porque Max tá voltando.



E então, com um sorriso estampado no rosto, Max logo volta e senta-se à mesa.


— Que demora, amor. Aconteceu alguma coisa?


— Não, não aconteceu nada. Eu só dei uma passada na rádio da escola pra pedir um favor pra Cynthia — Max diz.


— E o que você foi pedir pra aquela azeda? — Lavínia pergunta.


— "Atenção, alunos e alunas de Montreal. Mais uma vez é a digníssima Cynthia que vos fala e com mais um pedido especial de música de alguém que parece estar com uma pulga atrás da orelha. Ela se chama "Secret" da banda The Pierces. Eu dei uma pesquisada na letra da música e parece que diz muito sobre a cabeça da pessoa que pediu, porque as três pessoas com quem ela está sentada agora vivem andando pela escola de segredos de um lado pro outro. E eu queria muito, mas muito descobrir o que tanto conversam. Mas por enquanto o que posso fazer é observar seus passos. Bom, eu não escutei a música ainda, então, por favor Max, eu espero que ela seja boa porque senão vai ser a primeira e última vez que permito um pedido de música sua tocar aqui na rádio. Agora curtam a canção e beijinhos..."



A música começa a tocar e você pode ouvir alguns cochichos meio que debochando do ritmo da música que iniciara. Allison, mudando rapidamente de expressão nitidamente não gostando do que acabara de ouvir, no mesmo instante dispara:


— O que você fez, Max?


— Como assim? — Max pergunta.


— Ora "como assim"? Você não ouviu o que a Cynthia falou? Ela disse que está observando nossos passos e que eu, Lavínia e S/N temos um segredo.


— E vocês não têm?


— Er... Allisson, por favor, não fala tão alto. Eu não quero que chame foco pra gente — Lavínia solicita.


— O que você falou pra Cynthia? — Allisson pergunta ainda com a voz um pouco alterada.


— Eu só pedi pra ela colocar uma música que eu gosto. Não tenho culpa se ela disse que tá vigiando vocês.


— Eu acho que é uma boa hora da gente sair de fininho — Lavínia comenta em um tom baixo.


— Também acho — você concorda.


E assim, você e Lavínia se levantam e começam a sair devagar de perto do casal, porém Allison nota e ordena:


— Vocês ficam aí! Não vão a lugar nenhum.


— Mas a gente quer deixar vocês a sós pra discutir em paz — Lavínia fala.


— É — você concorda novamente.


— Não! Vocês sentam aí e vamos ficar até o final. Max não vai afastar vocês de mim desse jeito.


Então você e Lavínia se olham após checarem para os que estão em volta. Assim, decidem, então, se sentarem e ficar para desenvolverem o restante da história em meio ao constrangimento que Max acabara de criar por causa de uma simples música que ainda está tocando na rádio.