Os vizinhos dos Simpsons
10 O parque
Era sábado e fazia sol. Andy dormiu até tarde, comeu besteiras que encontrou na geladeira, pôs alguns doces no bolso e foi pra rua no seu Skate. Anna só acordaria depois do almoço e Charlie estava de ressaca após ter passado a noite inteira no Bar do Moe.
Mary acordou bem cedo e arrumou a casa inteira. Deixou o almoço preparado pra quando acordassem tivessem o que comer. Em seus breves 10 anos de vida, aprendeu muito pouco de cozinha, mas o pouco que sabia era suficiente. Antes das onze deixou um bilhete na porta da geladeira e foi encontrar Nelson como havia combinado no dia anterior.
Nelson convidou Mary pra ir ao parque e estava tudo indo muito bem até as coisas ficarem estranhas.
Tomaram sorvete, conversaram, jogaram pedras no lago e deitaram na grama para ver as formas engraçadas das nuvens. Era como um sonho.
– Hey, quer namorar comigo? – Nelson perguntou de repente pegando Mary totalmente desprevenida.
Mary arqueou as sobrancelhas e perdeu o ar naquela expressão totalmente confusa. “Dã, é claro que isso ia acontecer alguma hora”, pensou Mary enquanto decidia o que fazer.
– Sabe, eu disse isso sem pensar, esquece, deixa isso pra lá. – Nelson disse e, ao se virar, deparou-se com o rosto triste da menina.
– Imbecil! – murmurou e esmurrou o próprio rosto para em seguida sair correndo.
Mary deixou-se estar deitada na grama até sentir uns respingos de água.
Chuva?
Então se levantou e viu a bebê Maggie jogando água para todos os lados com uma pistola de água de brinquedo. Ela não havia visto Maggie ainda, mas sabia que era ela. Quem mais pareceria tanto com Lisa? Olhou para todos os lados e nem sinal de Simpsons, então ouviu risadas ao longe. Pegou Maggie pela mão e foi andando (ainda com Maggie disparando água para todos os lados) em direção ao som.
Devolveu Maggie aos Simpsons – que nem notaram a ausência da pequena – e foi convidada a participar daquele momento de lazer. Marge lendo um livro no banco da praça, Homer bebendo cerveja conversando com Carl e Lenny e Lisa brincando de pistola d’água com Bart.
– Eu não sei... Acho que não estou no clima pra- *Splash!* Mary levou um jato de água gelada bem no rosto.
– Ora, seu! Falou Mary enchendo uma pistola d’água para ir atrás de Bart.
Foi uma tarde incrivelmente feliz a pesar do ocorrido com Nelson.
“Como pode?”, pensava Mary consigo mesma, “como pode eu estar tão triste e preocupada num instante e no outro todos os meus problemas sumirem da minha cabeça?”.
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Já escurecia quando Mary foi pra casa, seu estômago gritando de fome. Esbarrou em Andy no meio do caminho, que disse tê-la visto no parque brincando com os Simpsons.
– Eu me ofereceria pra entrar na brincadeira também, mas a loja de quadrinhos estava em promoção, se eu não corresse até lá ainda estaria na fila – explicou Andy.
Ao chegarem a casa, Anna tinha feito uma torta que viu na TV. Mary não pensou duas vezes, faminta que estava. Enquanto comiam, Mary falou com Anna do dia que havia tido com os Simpsons, sem mencionar, porém, o ocorrido com Nelson.
– Ah, por falar em Simpsons, por que não vamos todos até lá amanhã? Tem o número de lá, Mary, querida?
– Wooow, vamos ver os Simpsons de novo! Ay caramba! – Gritou Andy com os braços levantados.
– ANDY, olha o que você fez! Derrubou deu suco todo na mesa! – Berrou Mary em reprovação, afinal, era ela quem limpava as bagunças de Andy.
– Por que está imitando Bart? – Perguntou.
– Por que ele é legaaal! – Respondeu Andy levantando os braços mais uma vez.
– Puxa — disse Anna entre risos — estou curiosa para ver esses vizinhos tão interessantes. Ligue para lá, Mary, e pergunte se podemos ir amanhã.
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Nelson, naquela noite, dormiu muito tarde, se culpando por tudo no mundo. “Mas que droga!”, pensava ele, “eu nunca vou fazer nada direito!”.
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Mary, naquela noite, dormiu com um sorriso no rosto, a culpa no peito e um certo menino na cabeça.
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