Oito anos antes...

Mágicos, era assim que o vampiro definia seus últimos dias. Desde que seu caminho cruzara com o da Bonnie que as coisas estavam diferentes, ele se sentia diferente. Stefan provavelmente ficaria surpreso se o visse daquele modo, como se todos seus problemas se tornassem coisas sem importância quando estava junto da morena de olhos verdes, de repente um aperto se apossou de seu intimo.

Aquilo era possível? Ele estava se apaixonando? Não, é claro que não. Apenas apreciava a companhia da garota, fazia anos que ele não tinha uma amizade sincera com uma humana sem interesses físicos, ainda que tivesse a beijado. Mas não fora nada de mais, estava fazendo um favor a menina que parecia receosa em beijar alguém, afinal era o primeiro beijo dela e ele queria que fosse perfeito, e onde mais ela encontraria um mestre digno de lhe ensinar a beijar que não fosse ele? É claro que Damon sabia que estava se justificando, buscando em seu histórico emocional uma resposta para aquela pergunta inquietante. Estava se apaixonando por Bonnie?

Talvez ele passasse alguns anos longe de Mystic Falls, faltava tão pouco para poder libertar Katharine, ele não ia se permitir magoar Bonnie quando partisse com sua amada Katharine. Precisava terminar com aquela amizade antes que partisse o coração da jovenzinha. Ao concluir isso ouviu a voz dela, a garota se despedira da avó que voltava para casa enquanto ela ia visitar os amigos, mas Bonnie não fora na direção da casa de nenhum deles, em vez disso passara por ele pedindo em voz baixa que a seguisse. A expressão dela o deixou incomodado, ela parecia atordoada.

— Salvatore – disse ela sem o cumprimentar e sem mudar seu ritmo de caminhada – Zack Salvatore que mora nas proximidades do bosque é seu parente não é?

— Boa tarde para você também, e de onde conhece o tio Zack?

— Sabia, sabia que você era um deles, apenas demorei a aceitar isso.

— Sou um deles, o que?

— Um membro das famílias fundadoras, os Salvatore, metidos á caçadores de vampiros. Fui visita-lo ontem, seu tio, perguntei a ele sobre você e lhe dei um arranjo de flores, verbena.

Damon suspirou pesadamente enquanto a seguia, pela direção que ela tomara estava indo para o cemitério, o caminho mais rápido para entrar no bosque. Cauteloso, mas sem rodeios ele questionou:

— O que sabe sobre vampiros?

— Tudo o que já escreveram ou filmaram, maioria invenção, mas algumas coisas são verdade. Por exemplo, vampiros não saem á luz do dia, bebem sangue e morre com uma estaca no coração. Mas acho que qualquer um que leve uma estaca no coração morre, não acha?

Damon concordou. Talvez ela não soubesse que ele era um vampiro, parecia tranquila demais. Perguntou então:

— O que perguntou sobre mim para o tio Zack?

— Coisas normais, por que você foi embora de Mystic Falls e por que voltou. Se vocês tinha mais parentes vivos por que até hoje achava que ele era o último da sua família. Esse tipo de coisa.

— Por que perguntou para ele? Podia ter me perguntado.

— E você poderia mentir. Zack disse que devia ficar longe de você por que você é perigoso, mas não me disse por que você é perigoso. Não tenho medo de você, não mais do que eu tinha quando te conheci.

— Tinha medo de mim?

— Claro, um estranho na floresta no meio da noite me espiando quando eu estava sozinha. Foi apavorante.

— Não me pareceu tão assustada com minha presença naquela noite.

— Damon, eu tenho quase catorze anos, se você me quisesse fazer mal teria feito e não importaria o quanto eu gritasse, corresse ou tentasse fugir. Não confiei em você, apenas aceitei a morte.

— Que mórbido. Voltando ao Zack, que mais ele te disse?

— Nada, tão pouco respondeu minhas perguntas ao seu respeito, ele me expulsou.

— É a cara dele, ser grosso com uma bela moça. Por que levou flores para ele? Não me lembro de ter visto flores quando estive esta manha em casa.

— Segundo a história dos vampiros de Mystic Falls, eles têm algum tipo de alergia fatal à verbena. Como ele é um membro da família fundadora achei que ele entenderia a verbena, uma pena que ele tenha jogado fora, precisei perturbar a vovó para trazer para mim de Whitmore.

Damon não comentou aquilo, Zack não seria burro de jogar verbena fora, provavelmente estava escondido em casa. Bonnie sem querer entregara ao Zack uma arma contra ele.

— Por que acredita nessa bobagem de vampiros? – perguntou debochado

— Por que eles existem – disse ela sentando-se em um tronco quebrado – Eles levaram minha mãe.

Damon sentou-se ao lado dela. Haviam se conhecido há duas semanas, todas as noites eles se encontravam nas proximidades da casa da avó de Bonnie para conversarem, apesar de terem se beijado uma vez nenhum dos dois tocavam no assunto, era como se tivessem passado por uma situação constrangedora e feito um pacto de silêncio. Eram quase amigos, falavam sobre trivialidades, assuntos que iam de filmes e livros á passatempo e sonhos irrealizáveis, falavam muitas coisas ou não falavam nada apenas ficavam sentados olhando o tempo passar, mas nunca falavam sobre suas vidas pessoais. Damon não falava de seu passado assim como Bonnie não falava sobre sua vida. Aquela era a segunda vez que a garota mencionava a mãe, a primeira fora na noite em que se conheceram.

— Sua mãe seria uma... vampira?

Bonnie fez uma careta e riu.

— Não sei. Ela fora embora quando eu tinha quatro anos, me lembro dos corvos nas árvores, nos telhados e em todo lugar que eu olhava. Mas é só isso que me lembro. Uma vez ouvi a vovó e o papai falando sobre vampiros, ela dizia que Abby, minha mãe, tinha nos abandonado para proteger a cidade, por que era o dever da família e ele sabia disso quando se casou com ela. Eu tinha nove anos quando ouvi aquela conversa e pelo tom que eles falavam como se fosse o segredo mais importante do mundo eu sabia que era verdade, vampiros existiam e tinham levado minha mãe.

— E então você investigou sobre os tais vampiros e descobriu que eles existiam.

— Mais ou menos, li alguns livros e vi alguns filmes, mas foi mais fácil perguntar para a vovó. Perguntei para ela sobre mamãe e os corvos, ela me disse que os corvos eram sinais da presença de pessoas más, se eu visse muitos corvos pela cidade devia pedir ajuda á ela ou ao papai ou á um adulto pertencente as famílias fundadoras. É dever de um Bennet guardar pelos guardiões, ela me disse.

— Bennet? Você é uma Bennet?

Damon analisou a fisionomia de Bonnie, não podia ser, ela era uma bruxa Bennet?

— Meu nome é Bonnie Bennet, é uma tradição de família as mulheres herdarem o sobrenome Bennet, quando se casam renunciamos o sobrenome dos maridos. Não sei por que, papai disse que um dia a vovó me explicará sobre o legado da família.

— Você disse que um Bennet deve guardar pelos guardiões, o que isso quer dizer? – o vampiro estava confuso, um século e meio antes ele havia feito uma promessa a uma Bennet e ainda sentia-se em divida com Emily apesar de tanto tempo ter se passado.

— Não sei o que significa exatamente, sei que tem algo haver com as famílias fundadoras e com os vampiros.

Então ele compreendeu. Bonnie tinha sangue Bennet, uma das mais poderosas linhagens bruxas que ele conhecera, sua família estava em Mystic Falls á muito tempo e ao longo dos anos talvez tenham se tornado aliado das famílias fundadoras para defender a cidade contra os vampiros. Isso era ruim, quando libertasse Katharine e os outros vampiros da tumba teria que convencê-los a não se vingarem pelos anos aprisionados, não deixaria que ninguém tentasse machucar Bonnie. Decidiu também não ir embora, ficaria na cidade cuidando de Bonnie e ganhando a confiança do que sobrara das famílias fundadoras, caso ainda sobrasse alguma inimizade entre eles e os vampiros – algo da qual ele não tinha duvida – preferia que acreditassem que ele era amigo. Passaram resto da tarde falando sobre as lendas vampirescas que rondavam Mystic Falls e outras histórias de bruxas, Damon sondara de modo despreocupado sobre tudo que Bonnie podia saber e o quanto ela podia se colocar em perigo. A noite havia avançado rapidamente e era tarde quando notaram a passagem do tempo. o vampiro acompanhou a garota até a casa da avó que estava preocupada e zangada pelo sumiço da neta.

— Conhece as regras Bonnie, nada de andar sozinha depois do por do sol, é perigoso – ralhou Sheila ao ver a neta.

— Não estou sozinha, vovó. O Damon estava comigo.

— Não tem mais idade para amigos imaginários, mocinha.

— Sou bem real senhora – disse Damon se aproximando – E posso garantir que Bonnie está segura na minha companhia.

Sheila olhou para Damon primeiro curiosa, depois desconfiada e ao se aproximarem mais um do outro ela ficou chocada.

— Bonnie vá para dentro – mandou

— Mas vovó eu...

— Estou mandando ir para dentro, agora.

A garota se despediu do vampiro com um aceno e correu para dentro. Sheila permaneceu olhando para o vampiro.

— O que quer com minha neta? – perguntou a senhora com autoridade

— Nada, somos amigos.

— Monstros da sua espécie não têm amigos, vampiro.

A expressão de Damon se tornou tão sombria quanto o possível, sabia que hipnose não funcionava contra bruxas e não queria matar a avó de Bonnie, mas o faria sem hesitar se ela o obrigasse a se defender.

— Se quisesse fazer mal á Bonnie teria feito isso á muito tempo, gosto dela e não machuco pessoas de quem gosto.

— Não me importa se vocês são amigos ou se você bebe sangue só de animais, continua sendo um vampiro e sua influencia pode corromper minha neta.

O tom de ameaça da bruxa deixou o vampiro irritado, arrogante disse:

— Mystic Falls também é minha cidade, não vou fugir por que uma bruxa velha está com medo da netinha gostar de mim...

Mal completara a palavra e se curvou sentindo dores profundas na cabeça, como se seu cérebro estivesse inchando igual á uma bomba prestes a explodir. A dor era tão intensa que ele caiu de joelhos, gritando. Sua visão escureceu, mas ele permaneceu consciente o bastante para ouvir Bonnie gritando para sua avó parar e a resposta de Sheila:

— Ele é um deles Bonnie, um maldito vampiro.

Damon se esforçou para olhar para a morena que se escondera atrás da avó com olhar chocado. Ele sabia que ela estava olhando para as presas e olhos vermelhos dele. Diante daquela expressão de medo ele parou de lutar e desmaiou.

Ele abriu os olhos fitando a cortina que tremulava devido a janela aberta. Era isso que havia acontecido com ele, às semanas que havia sido apagada se sua memória eram aquelas, ele e Bonnie já se conheciam e o sentimento entre eles já existia muito antes dele conhecer Elena e toda aquela bagunça causada por Katharine começar. Não havia se apaixonado por Bonnie, seu amor por ela estava apenas trancado por um feitiço... Sheila, fora ela quem apagara suas lembranças, mas por quê? O que havia acontecido entre ele desmaiar e ele acordar em um voo para Portugal? Precisava perguntar a Bonnie, ela devia saber o que acontecera entre eles. Então se lembrou. Bonnie se desligara da realidade, havia literalmente desaparecido de Mystic Falls e tanto ela quanto Q’rey não eram vistos á pelo menos dez dias.

— Onde foi que você se meteu bruxinha? – perguntou voltando a se deitar, onde ela estaria?

Notas finais
E essa foi a ultima parte das lembranças de Damon sobre seu passado com Bonnie, ainda resta a conclusão que a bruxinha irá contar a ele futuramente. O capitulo seguinte será dedicado apenas a Bonnie e o que lhe aconteceu depois que Matt saiu do Grill a deixando com Q'rey ^^