Os vampiros que se mordam 2
31 Perdida
Notas iniciais
Silas tinha feito alguma coisa com as pessoas. Ao por do sol todos foram para suas casas e se trancaram, como que induzidos por um toque de recolher. Damon estava ciente de que estava sendo compelido, mas não era forte o suficiente para parar aquilo. Chegava até uma porta ou janela e voltava, como se a vontade de escapar fosse repelida instantaneamente. Pegou o celular para ligar para o irmão, para Elena, para Bonnie... mas era tudo o que fazia, pegar o aparelho e guarda-lo de volta. Estava impaciente e irritado por causa da incapacidade de sair daquela armadilha.
Por que Silas fez aquilo? O que ele estava querendo para fazer todos os moradores se recolherem? Qual era o plano? Pouco mais da uma hora da madrugada ele ainda estava sentando, lendo e bebendo uísque, quando o celular tocou o assustando. Hesitou um pouco ao atender:
— Donovan?! Sentiu minha falta?
“Está trancado em casa também?” – perguntou o humano.
— Óbvio. Como é que está ligando para mim? Achei que fosse impossível.
“Aparentemente quem estava fora de Mystic Falls antes do por do sol não foi afetado por Silas e vocês não podem fazer ligações, receber é outra coisa”.
— Parece logico. O que queria para me ligar?
Matt deu um longo suspiro e ficou quieto, Damon podia imaginar a expressão dele decidindo se valia ou não alguma coisa mantê-lo informado.
“Levaram a Bonnie” – disse.
— Quem? Para onde?
“Não sabemos ainda. A cidade toda está trancada em suas casas então não sobram muitas opções. Os Mikaelson estão procurando pistas e eu verificando se estão todos bem”.
— Os Mikaelson? Por que eles não foram afetados pela telepatia de Silas?
“Rebekah estava comigo fora da cidade. Elijah estava fora dos limites de Mystic Falls e Klaus disse que não era da minha conta o que ele fazia. E Bonnie eu não sei”.
— Como ela sumiu? Quando?
Matt contou o que sabia sobre o sumiço da amiga e Damon não ficou nada satisfeito em saber que ela estava com Klaus. Tentou sair novamente várias vezes, mas quanto mais tentava, maior era sua falta de vontade em querer estar fora de casa. Já era dia quando ele finalmente saiu. Mas estava apressado demais para notar que toda a cidade já estava acordando e que o toque de recolher acabou ao nascer do sol.
Tinham se reunido involuntariamente na casa de Matt por que era ele quem tinha passado parte da madrugada ligando de um para outro dando informações. A casa pequena estava mais cheia do que nunca e aquilo apesar de incomodo causava uma sensação de familiaridade, todos estavam ali para descobrir o que aconteceu com a amiga-bruxa.
“Klaus teve a estúpida idéia de pedir ajuda para Silas localizar a Bonnie” – dizia uma Rebekah muito irritada – “Elijah está argumentando sobre os perigos de se confiar no Silas”.
— Mas quando foi procura-lo, ele não disse que não tinha nada haver com o sequestro?
“Foi o que ele disse, mas mesmo que não tenha feito nada, ainda é um bruxo e não conseguimos pensar em nenhum outro bruxo capaz de localizar uma quadrilha de bruxas”.
“Eu conheço alguém que conhece uma bruxa poderosa e que deve um favor para Bonnie” – ouviram a voz de Tyler, á quem Matt atualizada dos recentes acontecimentos – “Mande os Mikaelson ficarem fora disso, ligo mais tarde para dar notícias”.
Quem? Essa era a pergunta que eles se faziam. Quem devia favores á Bonnie e por que Tyler conhecia essa pessoa? Convencer Klaus que devia esperar foi difícil, ele cedeu doze horas de espera para o híbrido ligar, se não tivessem notícias até o anoitecer ele ia atrás de Silas e faria tudo do seu modo.
◊
O lobisomem não estava blefando, ele realmente conhecia alguém que conhecia alguém. Esses alguéns localizaram a Bennett no Oregon e por isso que agora, um dia e meio, depois do sequestro da bruxa, eles se encontravam noutro estado, numa cidade estranhamente silenciosa que parecia esconder tantos segredos quanto Mystic Falls. Damon estava com o humor mais assassino que o de Stefan quando este desligava a humanidade, a razão do mau humor era o homem loiro dirigindo o carro onde estavam. Ele era absolutamente contra a presença de Klaus que nas últimas 24 horas parecia querer receber o Troféu Pai do Ano, contudo, não quis perder tempo discutindo sobre o que era melhor para Bonnie e resolveu simplesmente reprovar o hibrido em silêncio.
Quando chegaram ao endereço passado por Tyler encontraram um grupo estranho formado pelo Lockwood, uma lobisomem, uma bruxa adolescente e um vampiro que aparentemente Klaus e Elijah conheciam, pelo modo brusco com que parou o carro e o significativo olhar que trocaram. Problemas.
— Veja só quem retornou – disse o vampiro negro olhando com desprezo para os Mikaelson.
Klaus abriu um arrogante sorriso analisando o vampiro e com um misto de surpresa e deboche o cumprimentou:
— É sempre bom rever os velhos amigos.
— Quem são eles? – Damon perguntou para Tyler – E onde está a Bonnie?
A isso a adolescente respondeu:
— Pode perguntar para nós quem somos que podemos responder. E quem são vocês?
Tyler fez as apresentações e Hayley os recordou que estavam ali para fazer um resgate, depois que a bruxa estivesse salva os vampiros podiam lhe fazer o favor de se matarem. Davina explicou que o lugar d’o outro lado do muro estava protegido por um poderoso feitiço de ocultamento e que ela não estava conseguindo quebra-lo, mas que tinha certeza da presença de Bonnie.
Os minutos se arrastaram até virarem horas e a jovem bruxa já tinha desistido de conseguir quebrar o feitiço que escondia o lugar onde Bonnie estava. E quando ela tomou a decisão de anunciar isso para os vampiros e lobisomens que aguardavam se encarando uns aos outros como letais inimigos prestes á se atacarem, algo aconteceu.
Primeiro um puxão que todos eles sentiram, como se alguém tivesse ligado um aspirador gigante que estava sugando suas forças vitais, logo isso foi revertido e uma força invisível os empurrou tal como uma explosão faria. E um casarão surgiu onde antes nada tinha. Damon se adiantou á porta, mas não conseguiu abrir e ainda que conseguisse foi lembrado por Elijah que como vampiro eles não podiam entrar. Por isso todos se voltaram para Davina, mas foi Hayley quem arrombou a porta e como eram deles as únicas não vampiros, entraram. As horas se arrastaram para os homens do lado de fora, apuraram os ouvidos, mas nada escutaram...
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