Os vampiros que se mordam 2
16 A morte do demônio
— Que olhos lindos você tem – ouviu uma voz familiar dizer em algum lugar – Me dê uma boa razão para não arrancá-los.
— Eles mataram a Katherine – rosnou o lobisomem furioso.
— Eu sei – o tom calmo daquela foz ocultava um perigo palpável – Mas ela é da família, da minha família. Se tocá-la eu te mato.
Mais vozes distantes, essas ela conhecia e bem. Ouviu o som de vento e uma porta batendo ao fundo. As vozes se aproximavam e aquela pessoa que a salvou murmurou perto dela:
— Em que foi se meter, prima?
— Quem é você? – perguntou a caçadora.
— Sou uma Bennett – respondeu a prima, então lembrou – Lucy.
Passos. Cheiro de sangue. Gosto de sangue. Alivio. Dormência em volta dos ferimentos. E conseguiu abrir os olhos para encará-los. Em retrospecto tinha acontecido assim:
Bonnie caminhava pelo jardim da mansão Lockwood quando reencontrou Elena sendo amparada por um Jeremy apavorado, a humana tinha marcas surgindo no corpo e se contorcia de dor. Explicou entre um gemido e uma careta sôfrega, sobre Katherine estar ligada a ela, tudo o que acontecia com a vampira a humana sentia.
— Se Damon matá-la... eu morro.
— Tentador – ela sussurrou sentando-se á mesa e segurando os pulsos de Elena se concentrando – Jeremy, eu fico com ela, atrase o Damon.
Estava se esforçando para bloquear a dor da amiga enquanto decidia o que faria á seguir. Pegou o celular e enviou uma mensagem para Vicki.
Damon e Alaric estavam cuidando da cópia-vampira de Elena, Caroline distraindo atenções de que quem ouvia ou percebia alguma coisa, Bonnie sumiu e ela estava caminhando ao lado de Enzo. Tinha ouvido uma série de elogios e olhares intrigados por sua aparente recuperação, ela sabia que a notícia de que estava em reabilitação tinha se espalhado pela cidade. E para ser franca com si mesma, era grata pela intervenção de Bonnie. Tinha inteira consciência de que estava sendo manipulada pela bruxa, Bonnie havia lhe dado a chave para voltar ao controle de si, mas temia usá-lo. Matt estava orgulhoso dela, Enzo adorava-a e ela estava feliz com as coisas como eram. Além de que caçar vampiros era divertido.
— Mudança de planos – disse mostrando ao namorado a mensagem da bruxa.
Mate Katherine.
— Até que fim, diversão.
Quando chegaram até a vampira, ela estava suja de sangue, mas sem nenhum hematoma e sorria triunfante entre Jeremy, Damon e Alaric.
— Mais amigos de Elena? – ela perguntou petulante ao ver o casal.
— Pior – respondeu Vicki atirando contra ela com a arma improvisada de estaca – Sou neutra.
A estaca atingiu a barriga da vampira que gemeu de dor, mas sem perder o sorriso de quem sabia de algo interessante. A caçadora preparou outra estaca, quando Jeremy entrou no caminho olhando-a com preocupação e fascínio, ainda era apaixonado por Vicki Donovan.
— O que acontecer com ela acontece com Elena que não pode se regenerar.
— Não segundo Bonnie – informou Enzo, tranquilo.
— Nesse caso, eu quero ter a honra – Damon exigiu e antes que alguém se pronunciasse ele já exibia o coração da vampira que piscou surpresa ao perceber que era seu fim.
☽⚫☾
Mason estava furioso, tinha destruído parte da casa onde Katherine se hospedara e agora estava sentado concentrado em alguma coisa, algo ruim o bastante para que a bruxa Bennett sentada na poltrona ficasse preocupada. Lucy só tinha estado na presença de Mason Lockwood uma vez junto de Katherine, agora que ela se fora, ele não se parecia mais com o príncipe charmoso que lhe sorriu sedutor ao se apresentar, parecia apenas a fera selvagem na qual se transformou depois de uma armadilha da vampira. Ela tinha planos de voltar para casa, mas queria garantir que sua prima estaria bem.
Assim que Mason saiu, ela foi atrás. Ele seguiu para o Grill e depois de bêbado se encaminhou para o bangalô aonde Bonnie ia para descansar. Lucy fez uma anotação mental de pedir para a prima encontrar outro lugar para se abrigar ou enfeitiçar a casa para que ninguém entrasse sem devida permissão.
♀
Bonnie dormia. Em fim descansava daquele caos que era sua vida. Foi arrancada de um sono sem sonhos por um estrondo. Saltou do sofá olhando para o homem na porta. Mason Lockwood era a personificação da violência, a bruxa tentou impedi-lo, mas tinha algo errado com ela. Simplesmente não conseguiu causar um aneurisma do lobisomem que avançou contra ela arrastando pelo pescoço e a prensando contra a parede, as garras ferinas de Mason arranharam seu peito enquanto ele forçava a carne com intenção de lhe tirar o coração. Bonnie gritou desesperada sentindo a dor da carne sendo rasgada, mil vezes preferia que ele apenas quebrasse seu pescoço ou estrangulasse. Desmaiou no momento em que alguém entrava no bangalô e afastava Mason com um feitiço.
A dor era intensa, estava despertando aos poucos ou estava morrendo, ela não sabia a diferença. Ouviu sons de briga e a voz familiar que lembrou minutos depois pertencer á Lucy Bennett. Enzo foi de grande ajuda dando seu sangue para ela consumir, os encarou quando se recuperou.
— Onde está Mason? – perguntou para Lucy.
— Fugiu quando seus amigos chegaram, por que não se defendeu?
— Não consegui... Eu perdi a magia – confessou desolada.
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A notícia do ataque se espalhou entre os amigos da bruxa durante os quinze minutos que ficou trancada no quarto conversando com Lucy. Apesar de Vicki ter desaconselhado, Enzo avisou para Damon que avisou á Elena que contou á Stefan e Caroline, agora o grupo estava reunido na sala olhando para uma muito surpresa Bonnie.
— Não consegue guardar segredos? – ela perguntou irritada para Enzo, depois de perguntar quem contou.
— Era segredo?
— Agradeço que tenham se preocupado e vindo até aqui, mas quero ficar sozinha.
— Nem pensar que vai ficar sozinha – Caroline se meteu – Tem um louco querendo te matar, você vai para minha casa.
— Tem um louco querendo nos matar – ela corrigiu – Mason namorava Katherine, ele quer vingança.
— Mais um motivo para vir para minha casa, quero vê-lo invadir a casa da xerife e ainda lidar com uma vampira.
— Alguém contou para ela? – os olhares trocados responderam a pergunta e Bonnie explicou: – Mason é um lobisomem, Tyler é e o pai dele também era. Os lobisomens tem uma vantagem sobrenatural sobre os vampiros.
— Lobisomem? – Caroline tentou esconder a incredulidade – Do tipo Lupin ou Jacob?
— Uma mistura dos dois, em noite de lua cheia viram lobos.
— Certo. Horrível. Tyler vira lobisomem?
— Ainda não se transformou... Droga! – a exclamação da bruxa deixou todos em alerta – Eu quis poupar Tyler da maldição e agora Mason está vivo. Fiz tudo errado...
— Do que está falando?
—... Katherine está morta, eu não consigo usar magia. Klaus está vindo atrás da Elena. Está tudo errado por minha culpa, não devia ter interferido. Agora nem posso corrigir o que fiz, não sem causar a terceira guerra mundial ou destruir de vez a costa leste dos Estados Unidos.
Bonnie sentou no sofá chorando, chorava de raiva por ter causado tudo aquilo por um capricho idiota de querer salvar as pessoas ao seu redor.
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