Os setes assassinos da Inferno
2 O segundo assassino: Nariel
Notas iniciais
ANO: 06/12/1997
Uma série de assassinatos vem acontecendo, por mais incrível que pareça eu não dou bola pra eles.
O ‘modus operandi*’ é sempre o mesmo, famílias que sejam pobres. Eu sei que nunca serei morto, já que minha família é rica e vivemos longe da pobreza dessa cidade imunda. O que eu faço da vida? Nada, eu somente estudo e faço curso, estudo e faço curso é sempre assim.
Meu pai é um importante político e minha mãe uma importante estilista, é tudo simplesmente normal.
ANO: 10/12/1997
Eu estava me despedindo dos meus amigos da escola e vindo para casa, por algum motivo eu dispensei o carro e fui a pé, enquanto eu voltava tinha uma mulher parada em um ponto de ônibus ela olhava para o céu e por algum motivo eu senti que tinha que falar com aquela mulher, e eu fui.
– Oi. – Eu digo pensando ao mesmo tempo ‘POR QUE ESTOU FAZENDO ISSO?’
– Olá. – Ela responde sorridente.
– Po- Por que estava olhando o céu? – Eu pergunto envergonhado e pensando ‘O QUE DIABOS ESTOU FAZENDO?’
– É que ele me lembra... Que algum dia nunca mais poderei ver ele tão freqüentemente. – Ela responde com um rosto feliz, mas sua voz era triste.
– Você por acaso vai morrer? – Eu pergunto brincando e pensava ‘E SE ELA TIVER MORRENDO MESMO, MERDA O QUE EU FUI PERGUNTAR?’
– Não. – Ela fala sorrindo. – Eu não, mas e você?
– Eu? Se eu vou morrer? – Eu reperguntei e pensei ‘NUNCA SENHORA, NUNCA. ’
– Você me parece do tipo que vai morrer em breve. – Ela falou sorrindo e logo depois foi embora sem nem olhar para trás ou se despedir, somente me fazendo uma pergunta que não soube responder.
ANO: 13/12/1997
Estou dizendo tchau, novamente para meus amigos. E voltando para casa, como um dia normal. Dessa vez por algum motivo eu fui com o carro e por outro motivo aquela mulher veio em minha mente e sua pergunta também.
‘Você pretende fazer o que no futuro?’
NADA
Eu nunca pensei nisso, teve um tempo quando eu tinha 13 anos que eu larguei a escola por um ano inteiro e me tranquei no quarto, o que fazer do futuro? Eu escolheria ficar só no quarto, há!
Eu entrei na minha casa e era um dia especial, meus pais iam ficar do dia 13 até o natal comigo. E eu estava feliz, eles ficar em casa por tanto tempo é muito raro.
– Então, filho. – Minha mãe fala. – Já fez os deveres?
– Não. – Eu respondo. – Eu vou ir fazer.
No meu quarto eu estava deitado na minha cama lendo algo que não lembro, quando me veio novamente a pergunta da mulher.
‘Você pretende fazer o que no futuro?’
Minha resposta foi
NADA
Já eram dez horas e nada do jantar, não dei bola. Minha mãe sempre atrasa o jantar mesmo.
Dez e meia e nada do jantar, não dei bola.
ONZE E MEIA e NADA DO JANTAR. Eu dei bola.
Eu desci e fui ver o que estava acontecendo, logo nas escadas eu pude ver aquela cena... Essa cena nunca mais saiu da minha mente.
Três seguranças mortos, esquartejados. O corpo de um deles estava sem cabeça enquanto o de outro estava com os olhos arrancados e outro estava com as tripas expostas.
Eu corri até a cozinha e me deparei com AQUELA CENA
Minha mãe sem braços e pernas colocada gentilmente na mesa e membros do meu pai ao redor junto com as pernas e braços da minha mãe... Era como um BOLO HUMANO
Foi então que eu me lembrei dos assassinatos completamente
MODUS OPERANDI: Assassinato brutal de famílias, todos os cinco casos as famílias estavam totalmente irreconhecíveis. E o único membro vivo sempre eram os filhos.
Eu estava tão apavorado que comecei a vomitar e ao tentar sair correndo pela porta das frentes ali estava... Sorrindo e olhando com olhos frios e coberta de sangue, a mulher da parada de ônibus. Eu congelei perante ela, e cai no chão. Ela andou até mim enquanto eu gritava:
– Na- Não chegue perto! – Eu gritava alto ‘POR QUE ELA AINDA TA VINDO?’ – Por que você fez isso?
– Você falou que não tinha interesse na vida, Nariel. – A mulher falou sorrindo. – E eu estou dando um interesse pra você... Vingança é por isso que você é a primeira pessoa que eu não fiz assistir enquanto matava. Veja esse espetáculo eu criei um objetivo pra você. A partir de agora você vai me caçar e me desejar morta! Só viverá pro momento em que você colocar suas mãos no meu pescoço e me enforcar, então... Eu deixo pra você somente isso. Nariel, nosso reencontro será fantástico.
E assim ela saiu pela porta das frentes enquanto eu estava paralisado de medo como um covarde.
ANO: 07/08/2005
Eu nunca fui atrás daquela mulher e nunca fiz nada da minha vida, eu só ficava andando por ai bebendo. Foi quando aquela moça de cabelos brancos chegou pra mim e falou
MEU NOME É INGRID, VOCÊ... VOCÊ QUER SE JUNTAR A MINHA EQUIPE? VOCÊ QUER VINGAR SEUS PAIS E AMIGOS MORTOS? VOCÊ QUER ACHAR A ASSASSINA?
Eu por algum motivo, olhando naqueles olhos azuis, respondi... SIM... Mas por outro motivo eu respondi chorando e ela simplesmente me disse.
BEM-VINDO
Fale com o autor