Foi há muito tempo, não... Para ser exato foi há 3 anos atrás. O meu primeiro ano na nova escola, um calouro. Eu estava realmente ansioso e ao mesmo tempo chateado em saber que meus amigos não estavam na minha nova escola.

Depois da cerimônia de abertura nos dirigimos à sala, me sentei e assim esperei que a aula começasse. Pouco tempo depois, um garoto sentou ao meu lado. Tentei puxar conversa, pois não queria ficar sozinho.

- Eu me chamo Sugawara Koushi. Prazer em conhecê-lo! – Me abaixei ao cumprimentá-lo.

- Poderia só ter me dito seu nome. Eu me chamo Sawamura Daichi. Prazer em conhecê-lo – Ele também se abaixou.

O professor entrou na sala logo em seguida e se apresentou, no mesmo dia, elegemos o presidente de classe e também fizemos muitas outras coisas, eu estava exausto.

Ao fim do dia, eu me preparava para ir pra casa.

- Sugawara! – Ouvi uma voz distante.

Virei-me para onde vinha a voz e vi Sawamura Daichi correndo para mim, estranhei, mas esperei-o chegar até mim.

- Você não vai entrar em nenhum clube? – Ele perguntou meio ofegante.

- Eu estava pensando sobre isso... Acho que vou entrar no clube de vôlei. Eu jogava no fundamental e gosto bastante do esporte. – Respondi seriamente.

- Eu também vou entrar no clube de vôlei! Vamos nos inscrever amanhã! – Ele sorriu.

Inscrevemos-nos no dia seguinte e começamos a participar dos treinos da escola depois das aulas. Nossa escola era muito boa com o treinador da época, mas os treinos eram realmente difíceis.

- Esses treinos são realmente pesados. – Eu reclamava enquanto limpava o meu suor.

- Não tem jeito, afinal, queremos ganhar os torneios. – Sawamura jogou uma garrafa para mim.

- Obrigado. Bem, você é ótimo, Sawamura. – Eu ria. – É capaz de conseguir jogar no time, afinal, você é forte.

- Do que está falando? Você também é. E não vai valer a pena eu jogar sem você, Suga. Seus levantamentos são os melhores para mim! – Ele bateu em minhas costas e entrou em quadra logo em seguida.

- Suga, é...? – Sorri.

O pessoal do terceiro ano se formou logo após o torneio de primavera. Não conseguimos ganhar aquele torneio e nenhum de nós dois conseguiu jogar. Tornamos-nos titulares no nosso segundo ano.

Naquele tempo eu já havia me apaixonado por Daichi. Pelo seu jeito sério de ser na frente dos calouros, mas também do seu jeito criança de ser muitas das vezes. Eu não tinha coragem de contar meus sentimentos para ele, mas todas as vezes que ele se dirigia a mim meu coração acelerava.

- Suga! Você falou com Tanaka e os outros sobre hoje? – Daichi parecia sério.

- Sim. Hoje nós vamos para o primeiro jogo do torneio. Eles estão cientes disso. – tentei acalmá-lo.

Embora tenhamos treinado tanto, não conseguimos passar nem da primeira fase. Daichi foi o que mais treinou e mesmo assim ele manteve sua compostura na frente dos novatos.

- Não foi dessa vez. Treinaremos cem vezes mais e voltaremos aqui vitoriosos! Ergam a cabeça. – Nós andávamos para a porta, nos despedindo do intercolegial.

Quando voltamos e os novatos finalmente foram para casa, fiquei sozinho com Daichi.

- Não precisa mais se conter. – Olhei para ele seriamente.

- Eu não estava me contendo, Suga... – Sua voz ficou trêmula.

- Sinceramente, você não tem jeito. – Eu o abracei, escondendo seu rosto. – Vá em frente.

Daichi chorou em meus ombros, eu sentia suas lágrimas escorrendo e sua voz cada vez mais trêmula. Suas palavras e gritos de arrependimento e tristeza me consumiam, mas eu precisava ser o porto seguro dele, pelo menos essa vez.

- Vamos vencer no próximo ano, Daichi. – Eu acariciei sua cabeça e usei as palavras mais gentis que pude pensar na hora.

Ele se recompôs minutos depois e saiu de meus braços. Seus olhos estavam vermelhos, assim como seu nariz.

- Obrigado, Suga. – Ele tentou sorrir para mim.

- Não precisa se esforçar. Você não está em condições de sorrir agora. – Bati em suas costas e o esperei fora da escola.

Fomos para casa juntos e ele parecia bem melhor. Senti um enorme bem-estar em ser capaz de consolar ele, afinal, ele me fazia feliz a cada palavra e gesto, por mais bobo que fosse.

Nossos dias juntos continuaram passando e o meu amor por ele crescia, até que, no meu terceiro ano, decidi me declarar para ele.

- Daichi, quero falar com você depois do treino. – Sorri para ele.

- Depois? Tudo bem. Espere-me na sala de aula. – Ele parecia meio desconfiado.

O treino ocorreu como sempre, Kageyama e Hinata usando onomatopéias no lugar de palavras, Tsukishima e Yamaguchi implicando com os outros e o Daichi os repreendendo. Sem falar do Tanaka e Nishinoya atrás da Kiyoko-san.

Fui para a sala de aula esperar o meu querido, no momento fiquei um pouco ansioso e com medo de errar as palavras. Eu estava com medo de ouvir sua resposta, mas passei 3 longos anos alimentando esse amor, eu preciso saber se ele é correspondido!

Ele chegou à sala, ainda não tinha trocado de roupa e estava soado. Eu não esperava algo diferente.

- Não trocou de roupa? – Perguntei, embora já soubesse da resposta.

- Não queria te deixar esperando, você parecia estar sério.

- Eu sabia que você iria responder algo assim. – Sorri.

- Então não precisava perguntar – Ele reclamou.

- Bem, Sawamura Daichi... Como eu posso dizer isso? Você é a pessoa pela qual eu me apaixonei. Eu ainda acho estranho dizer isso, mas desde a primeira vez que eu te vi senti algo especial. Eu fui me apaixonando por você, pouco a pouco e acabei entrando numa situação onde eu sabia tudo sobre você. Quando você mente, quando você está sério, triste, feliz, chateado, todos os seus estados eram coisas normais para mim e eu senti que podia lidar com todos. Fui dando o meu melhor para treinar e poder levantar para você, poder jogar com você, poder passar toda a minha juventude contigo, pois eu te amo. Eu não sou bom com palavras... Mas o que eu sinto por você é algo maior que amigos e eu não fico para trás de ninguém quando o assunto é te conhecer e te querer bem! Você é o mais especial e o único para mim. Não sei o que vai achar de mim depois disso, pode me achar repugnante ou até mesmo idiota por nutrir sentimentos assim por você, mas acredite... São os sentimentos mais puros que já tive por alguém.

- Eu... você... – Daichi se abaixou.

- Você está bem? Daichi? – Abaixei para ajudá-lo. – Eu preciso chamar os professores! Fique aqui.

Ele me segurou no momento em que disse isso e me beijou. Seu beijo era gentil e fez com que eu ficasse mais vermelho que um pimentão.

- Obrigado.

- Obri...? – Não entendi a situação e olhei para o chão, tentando disfarçar minha vergonha.

- Eu não sabia que você também se sentia assim. Eu estou tão feliz que acho que posso morrer! E você é tão sincero – Ele ria, mas seu rosto também estava vermelho.

- Estamos namorando? – Perguntei, meio sem graça.

- Calma, ainda não. – Ele disse, olhando em meus olhos.

- Calma? – Eu já estava agoniado! O que estava acontecendo?

- Eu não quero começar a namorar desse jeito. Você diz coisas lindas para mim e do nada começamos a namorar? Eu quero retribuir, me declarar também. Nada mais justo.

- Ah, Daichi... Você não tem jeito mesmo. – Coloquei minha mão em seu rosto.

- Desde o começo, quando você me cumprimentou formalmente, eu te achei um cara interessante. Eu nunca havia me interessado por homens, aliás, eu nunca havia me interessado por ninguém. Quando eu corri para você, perguntando se não ia para algum clube, eu planejava ir para onde você fosse, queria ser seu amigo. Para minha sorte, você entrou no clube que eu queria e isso me fez pensar “Nossa! Só pode ser o destino.” Eu sei que é idiota, mas naquele momento eu pensei que nós estávamos destinados um para o outro, como acontece em mangás e coisas do tipo. Eu fui te conhecendo e vendo o seu lado gentil, sentia ciúmes quando você era gentil com os outros, mas não queria demonstrar isso. Embora eu não demonstrasse, meu desejo de te ter só para mim era enorme e eu também planejava me declarar, porém você foi mais rápido que eu. Eu amo todos os seus lados, Suga. Estar com você me faz tão bem e eu sinto que não importa qual seja o meu problema, se eu estiver com você, vai ficar tudo bem. Acho que é pelo fato de eu ser imensamente apaixonado por você.

- Você quer namorar comigo, Sawamura Daichi? – Perguntei, olhando em seus olhos.

- Definitivamente eu quero, Sugawara Koushi. – Ele sorriu para mim.

Abraçamos-nos e nos beijamos mais uma vez. Depois daquele momento, Daichi era somente meu, meu querido namorado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!