Notas iniciais
Boa leitura!

"Quando ela se enrolou em seu colo balançando com respirações descompassadas, você vai saber como alguém parecido com ela carregava montanhas em seus ombros poderia desmoronar tão facilmente em seus braços, como o furacão em sua mente finalmente bateu e bateu fora de seus pés."

Quando Gray conheceu a Juvia, ele nunca imaginou que ela seria uma mulher forte e determinada, sua aparecia era de uma garota frágil e adorável, uma perfeita boneca de porcelana, porém com o passar dos sete meses em que se conheceram, ele percebeu que estava errado.

Ela vivia lutando internamente, mas ao contrário dele, não era para se manter forte aos olhos dos outros e sim para que ninguém precisasse se preocupar com ela, Juvia não queria ser um fardo para nenhuma pessoa, então ela vivia solitariamente em suas lutas.

Por algumas vezes, ele foi capaz de vê-la passar por situações que a machucou profundamente, como por exemplo, a trágica descoberta de um tumor na pata esquerda do mesmo cachorro que ele a dera como presente de seu aniversário há quatro meses, o Hachiko, e mesmo assim ela continuou firme e forte, ela continuou com sua caminha sem voltar atrás.

Ele estava, de certo modo, orgulhoso por saber que ela não se abalaria facilmente com nada, mas estava receoso por não saber o tamanho da pedra que ela vive carregando por uma longa estrada, sem fazer nem mesmo uma pausa. Ele gostaria de ajudá-la a carrega sua pedra, no entanto, Juvia conseguia ser mais cabeça dura do que ele em alguns momentos.

Mas bastou apenas um atraso para que ele percebesse que aquilo que ela carregava não era uma pedra e sim uma montanha.

Ao termino de suas aulas, Gray precisava resolver algumas coisas pendentes na secretária e pediu para que Juvia fosse caminhando em sua frente sabendo que não iria ser rápido e que logo ele a alcançaria e se não fosse o caso, era para ela embaraçar sozinha. E depois de muita insistência por parte da garota, ela finalmente decidiu que iria e que era para ele se apresar para não perder o metrô.

Ele estava trinta minutos atrasado para poder pegar o metrô no horário de costume, provavelmente Juvia teria o pegado ou esperava um pouco mais para ver se ele iria chegar a tempo, só que a essa altura ela já deveria ter ido embora. Quando chegou a estação, o metrô já estava lá e para que não o perdesse deu uma pequena corridinha até o mesmo.

Como o vagão estava um pouco cheio, ele se deslocou para poder achar um lugar melhor para ficar, sem que o incomodassem e o mesmo valia para as pessoas ali presentes. Andando mais um pouco, ele conseguiu avistar alguém como um longo cabelo azul ele sabia muito bem quem era esse alguém, entretanto o que o surpreendeu foi que um quarteto de garotos estava próximo a ela e um deles estava conversando com Juvia, mesmo sem saber o porquê ou entender o motivo, Gray sentiu uma pontada de raiva crescendo dentro dele.

Como não sabia se ela gostaria ou não que ele interrompesse a conversa, o moreno apenas ficou parado em um lugar que desse para observá-los sem que ele atrapalhasse, vendo que ela não parecia muito à vontade com essa conversa ele se moveu para interrompê-los, foi nesse momento que viu o garoto chegar perigosamente perto dela e a mesma bando um passo para trás e se encolhendo quando ele levantou a mão para tocá-la no rosto.

A raiva o consumiu por completo, em menos de um instante ele estava segurando a mão do garoto e a levando para longe dela, por sorte ou destino a porta do vagão se abriu e ele, para não fazer nenhuma besteira, simplesmente agarrou o braço da garota e a tirou daquele vagão, pisando duro no chão e com passos apresados ele só parou quando já estavam um pouco longe da multidão de pessoas saindo e entrando no transporte.

Sentindo o clima tenso que se formou, nenhum dos dois teve a coragem necessária para falar alguma coisa para o outro, o garoto andava de um lado para o outro para poder aliviar sua tensão e ela, ficou ali na mesma posição em que fora deixa com a cabeça baixa, sem olhar para ele. Em menos de um quinze minutos sem falar, outro metrô veio e ele teve que puxá-la pelo braço mais uma vez, eles seguiram pelo resto do caminho em silêncio profundo até a estação em que ela deveria descer. No momento que o transporte parou e ela se moveu para ir embora, de relance, Juvia pode ver que Gray estava vindo atrás dela.

"Eu vou te acompanhar até sua casa, e não adianta discutir." Se pronunciou antes que ela o questionasse.

Quando chegaram a sua casa foram recebidos por um chorinho animado vindo de Hachiko que estava deitado em uma almofada perto do sofá da pequena sala.

"Oi, amigão! Como você está?" Perguntou o moreno chegando perto do pequeno filhote.

"Ele esta indo bem, os veterinários disseram que ele ainda tem que tomar a medicação, mas que apresenta um quadro de melhora." Disse a garota se agachando ao lado dos dois.

"Entendo." O garoto se levantou e se sentou no sofá sendo seguido pela garota.

"Juvia agradece a Gray-sama." Falou em um sussurro. "Aqueles garotos queriam que Juvia saísse com ele, mas Juvia recusou a oferta e eles continuaram a insistir."

Sentindo que a voz dela estava sumindo o moreno a olho preocupado e percebeu que a azulada mantinha cabeça abaixada e as mãos no colo, por extinto, ele a puxou para um abraço surpreendendo-a, porém logo ela o retribui colocando a cabeça em seu ombro em apertando mais os braços em volta dele.

"Está tudo bem, Juvia..." Indagou baixinho. "Se eu não tivesse me atrasado nada disso teria acontecido, me perdoe."

"Não foi culpa de Gray-sama. Juvia que quis esperar por ele, só que quando ela viu que Gray-sama iria demorar mais Juvia decidiu entrar."

Em pouco tempo, o rapaz sentiu algo malhado em sua camisa e logo percebeu que se tratava das lágrimas da azulada. Gray se assustou com o choro abafado dela e acabou apertando-a mais ainda contra ele fazendo com que ela se sentasse em seu colo, essa era a primeira vez que ele a viu chorar de verdade, nem mesmo as poucas lágrimas que ela deixou escapar depois de receber o diagnóstico de Hachiko e o seu choro quando ela se declarou para ele poderiam ser comparados com esse choro.

Esse era um choro triste, desesperado e sem consolo. Aquelas lágrimas eram, não só de hoje, mas também de todas às vezes que ela queria chorar, mas não o fez, essas lágrimas o estava mostrando que ele se enganou de novo a respeito dela. Ela era sim uma mulher forte e determinada, mas também era uma garota adorável e frágil, que aguentava mais peso nos ombros do que podia realmente suportar e isso tudo de uma só vez.

Notas finais
Para quem não sabe: Hachiko é o nome do cachorro que dá origem a história do filme "Sempre ao Seu Lado". Por que eu escolhi esse nome? Porque amo essa história ♥ Espero que vocês tenham gostado dela e muito obrigada por lerem! Créditos: Reena Bakir