Notas iniciais
Desculpe a demora, finalmente chegamos até aqui. Boa leitura!

— Eu gostaria de ir pra casa logo — Sakura resmungou.

A voz melodiosa estava uma oitava acima, aguda e de certa forma até travessa, ele não a ouvia falar tão despreocupadamente desde que eram crianças, era como música para os ouvidos.

— Você ouviu Tsunade, por mais que o procedimento tenha tido sucesso você ainda precisa ser acompanhada de perto.

— Eu sei, e nunca pensei que diria isso mas, cansei do hospital por um tempo — Ela suspirava insatisfeita mas ainda havia diversão em sua voz.

Sasuke não via a hora de deixar o hospital também, havia frequentado o lugar no último ano para compensar por toda uma vida. O cheiro do éter já não lhe incomodava mais e ele já tinha até um prato preferido dentre o cardápio da cantina, mas isso não significa que ele queira continuar a permanecer a maior parte do tempo alí.

— Hn — ele apenas concordou.

Ela se remexeu um pouco e os fios de seu cabelo fizeram cócegas no queixo de Sasuke, era uma sensação inebriante. Uma das coisas de que mais sentia falta em todo o tempo que permaneceu longe dela, deitar juntos, a cabeça rosada em seu ombro, seus braços ao redor da cintura dela, as mãos pequenas traçando inconscientemente círculos em seu pescoço, as pernas entrelaçadas.

Não havia nada de lascivo na forma como estavam, mesmo que para um observador não fosse o que parecia. Era mais uma forma de estar juntos, entrelaçados, inseparáveis, como se um fosse a âncora do outro no mundo, a própria gravidade que lhes segura na terra. E não que ele a desejasse, pelo Sábio, de forma alguma, a verdade era que mesmo quando acordava, com o cabelo despenteado e o pijama amarrotado, toda sonolenta e resmungona, não havia nenhuma mulher mais linda para ele.

Momentos assim, simples como esse, foram os que lhe mantiveram são, essas lembranças mais valiosas que qualquer riqueza. Sakura demorou trinta e seis horas para acordar após a cirurgia e ele segurou a mão de Sarada por todo o tempo. Foram os mais angustiantes momentos de sua vida, era sua única chance, depois daquilo não haveria mais nada, Sakura sairia daquela mesa com um ultimato, vida ou morte.

Quando Tsunade, depois de uma vida inteira, simplesmente entrou na sala de espera com uma lágrima presa entre os cílios, por um momento Sasuke achou que fosse o pior, e aquele momento foi tão longo como o infinito. Mas então, ela sorriu.

Uma semana depois Sakura ainda estava ali, vestindo o pijama cor de menta do hospital e resmungando que queria ter alta logo.

— O que você gostaria de fazer?

— Como assim?

— O que gostaria de fazer assim que eu tiver alta e você largar o pé da minha cama? — a risada presa entre seus lábios provocou o moreno.

Ele se remexeu fingindo se desvencilhar do corpo dela — Você gostaria que eu fosse agora?

De olhos arregalados e levemente boquiaberta, Sakura caiu em sua provocação e lhe puxou pelo colete para voltar a ser sua fonte pessoal de calor — Não seja rancoroso Sasuke-kun, nem sabe brincar.

Ele sorriu para ela, apenas o repuxar suave do canto dos lábios — Irritante.

Ela bufou contra seu peito como uma adolescente e isso fez seu sorriso aumentar um pouco.Tirado de seus pensamentos pelo questionamento dela, Sasuke se sentiu de repente ansioso. O que faria quando saíssem dali? Haviam tantas possibilidades, tantos caminhos para se tomar. Uma época, não muito tempo atrás ele sonhou em construir uma família com Sakura mesmo que a oportunidade lhe estivesse sendo negada, e agora que isso não era apenas uma possibilidade mas uma realidade, ele se sentiu bêbado com a felicidade.

Ainda assim, haviam muitos espaços em branco, muito o que ser dito. Uma noite meses antes quando ele lhe pediu uma nova chance ela lhe disse que não podia, não tinha tempo, para incertezas, que ele era uma incerteza. Desde então eles tinham passado por tanta coisa, isso teria mudado? Ela lhe daria a chance de serem uma família? Havia ainda também o fato de que seus amigos da Taverna onde ela esteve durante todos esses anos ainda não tinham partido, estavam esperando por ela? Ela iria com eles?

O simples fato de eles estarem daquele jeito, entrelaçados e próximos e até mesmo brincalhões poderia ser uma resposta mas, da mesma forma que ele queria dizer a ela que lhe amava com todas as letras, ele queria ouvir dela seu perdão, que ele não merecia mas era egoísta o suficiente para desejar. Sasuke queria deixar a incerteza de lado e cimentar em palavras concretas o início ou o fim de sua vida e de sua família. Ele só podia torcer para que ela ainda lhe recebesse de braços abertos como fez tantas vezes antes, mesmo sem que ele merecesse.

Sasuke se levantou de sua posição confortável e sob protestos e choramingos trouxe Sakura consigo para sentarem de frente. Ela piscou preguiçosa e manhosa e ele lutou contra a vontade de beijar o canto de seus olhos como ela havia feito tantas vezes antes para lhe despertar.

— Há muitas coisas que eu gostaria de fazer — ele iniciou, não era um homem de palavras mas lutaria contra seu acanhamento se necessário — E todas elas envolvem você e Sarada.

A sonolência foi varrida de seu rosto com as palavras e ela sorriu ternamente, o tipo de sorriso que fazia Sasuke derreter secretamente. Sakura levou entrelaçou os dedos com o dele e levou as mãos unidas para seus lábios para depositar um beijo doce na dele — Que tipo de coisas?

Sasuke estreitou os olhos para a provocação dela. Havia um motivo para ele ser tão falante perto dela, ou tão falante quanto possível para ele, Sakura adorava provocar e ser vaga com ele, apenas para lhe forçar a falar. Depois de aprender essa tática ela havia sido abusada e Sasuke se deixou falar apenas para beber da imagem dela concentrada em suas palavras. Ele seria sincero então.

— Coisas que envolvem perdão, compromisso, confiança e certezas.

Ela piscou, ainda agarrada às mãos entrelaçadas — Que tipo de coisa precisa disso tudo? — sussurrou.

— Família — ela arregalou os olhos levemente com a palavra que ele deixou para trás — Eu não mereço seu perdão ou a sua confiança, eu nunca fui uma certeza além de dor e sofrimento pra você mas, se você puder me perdoar e me dar mais essa chance, se você me permitisse mentir dizendo que estarei me redimindo ao tentar todos os dias ser o pai e marido que Sarada e você merecem, quando na verdade seria a maior alegria do mundo, eu ficaria muito satisfeito.

Ela olhou para ele por um longo minuto, apenas olhou com seu sorriso terno e se a ansiedade por sua resposta não fosse tão grande Sasuke poderia querer que o mundo parasse bem ali. Lágrimas escorreram pela lateral da pele de porcelana e ela sorriu como se o mundo fosse um lugar perfeito, talvez fosse se ela sorrisse mais assim, ele pensou.

Sasuke piscou esperando pelas palavras que ela lhe daria, mas não foi isso que recebeu. Ela se inclinou para frente, para ele, passou os braços por seus ombros e colou sua testa na dele. Sasuke fechou os olhos sentindo o calor dela a seu alcance, era a sensação mais maravilhosa que ele podia imaginar, ter Sakura ali ao alcance de suas mãos. Ela deslizou os dedos pela lateral de seu rosto e os mais traiçoeiros arrepios cresceram no peito do moreno.

Ela beijou primeiro o canto de sua boca, tão suave e carinhosa e Sasuke sentiu a lágrima que escorreu pelo rosto de Sakura. Ele envolveu o rosto dela em suas mãos, o polegar acariciando a pele suave enquanto ela se lançava de vez nele. Os lábios carnudos pressionados contra os seus, o sabor doce e único dela lhe preenchendo todos os sentidos e todas as lacunas, uma resposta para todas as suas perguntas, uma certeza para todas as suas dúvidas.

E por mais que ele estivesse com saudade dela, do gosto da sua boca e a textura de sua pele, o beijo foi gentil, delicado e doce, tão cheio de amor e carinho que quase fez seu peito doer. Ele não merecia tanto, mas Sakura lhe dava tudo e muito mais. Quando os lábios se separaram ele beijou sua bochecha, a testa bem sobre o losango de seu selo, o canto dos olhos para sentir o gosto salgado de suas lágrimas.

— Sakura, obrigado — ele disse quando eles se abraçaram para além de qualquer espaço, quando ele enterrou seu rosto na curva de seu pescoço e sentiu o aroma suave de seu cabelo. Gentilmente ela se afastou e aquilo quase doeu, mas ele queria vê-la, ouvi-la. Ele estendeu a mão e enxugou as lágrimas que molharam seu rosto.

— Você continua me agradecendo e me pedindo perdão como se fosse uma pessoa que não merecesse amor — ela fungou — pare com isso Sasuke-kun.

— Os meus erros são muitos e o seu amor é muito grande, como poderia ser diferente?

Ela tomou o rosto dele entre suas pequenas mãos e fixou os olhos verdes no ônix e ametista listrada, deixando o moreno cativo, refém das esmeraldas ardentes — Primeiro, eu já disse, isso não foi culpa sua, minha ou de Kakashi-sensei, foi Yoshiro. Ele armou isso desde o começo, não esqueça que todo o acontecido naquela vila foi planejado, ele sabia que eu seria enviada, ele levou ninjas treinados para lutar contra os enviados de Konoha, contra você, ele me queria lá, para ajudá-lo a desenvolver sua toxina. Era um teste, um em que eu passei.

— Vocês se conheceram? Antes da missão? — perguntou, de repente curioso. Em todo aquele tempo a ameaça de Yoshiro sobre a vida dela havia sido tão explícita e intrincada, mas ele nunca se perguntou se eles haviam se encontrado antes. Claro que sendo Skura pertencente a mais nova geração de Sannin ele provavelmente conhecia sua fama, mas poderia ter sido algo além disso?

Ela assentiu calmamente e diante da pergunta silenciosa continuou — Não tinha percebido até pouco antes da sua morte mas sim. Pouco depois do fim da guerra fui enviada em uma missão para curar o doente Daimyo do País do Chá, na época pai de Yoshiro. Tudo estava caótico e as missões médicas choviam então eu fui apressada mas havia um menino triste, não muito mais velho que eu que me seguia e perguntava sobre ninjutsu médico e sobre civis se tornando ninjas. Eu não tive muito tempo para reparar nele e ele estava muito diferente mas lembro de dizer que ele poderia ser qualquer coisa que quisesse desde que se determinasse a isso.

— O menino era Yoshiro.

Ela assentiu outra vez — Eu vi nele o desespero de quem está perdido como um dia eu estive e lhe dei esperanças. Desde aquele dia ele se tornou obcecado e teceu seu plano, eventualmente eu seria atraída para ele, mesmo se você estivesse por perto.

— Mas poderia ter sido diferente.

Ela sorriu melancólica — Talvez sim, talvez não, nunca vamos saber. O que eu sei é que você se arrependeu de ter me deixado.

— Profundamente — ele assegurou, olhando nos olhos lindos dela.

— E sei que jamais fará isso outra vez — ela estreitou os olhos para ele.

Seu tom continha uma divertida ameaça velada e ele de repente quis rir dela — que eu seja morto e meu nome esquecido se o fizer.

— Ótimo — ela sorriu — Segundo, eu confio em você Sasuke-kun — o moreno olhou para ela quase como uma criança que recebeu consolo — No passado eu não tinha tantos motivos para isso mas, todas as vezes que não pude ou não estive por perto, mesmo antes de saber que ela era sua filha, você cuidou de Sarada. Você a amou e lhe permitiu se aproximar, você foi capaz de despertar nela o amor de uma filha pelo pai e isso me diz muita coisa — ela sorriu emocionada e mais lágrimas escorreram por seu rosto — Você esteve longe por muito tempo, sozinho, e se antes eu não tinha você como um porto seguro agora, depois de tudo, eu me sinto segura com você além da sua capacidade como shinobi. Eu sei que você será minha casa, meu lar e dela como nós seremos o seu.

Sasuke passou os braços pelo tronco dela outra vez e lhe abraçou, trazendo ela para mais perto, mais perto e ainda era tão longe. Seu coração mal cabendo no peito. Por muito tempo ele se achou o mais amaldiçoado dos homens, estava errado, tão errado. Ele tinha mais do que podia suportar, mais amor do que poderia ser capaz de medir, ele tinha Sakura, ele tinha Sarada, ele tinha família e mais, muito mais. Perdão, redenção, compreensão, amizade e lealdade.

Por todas as dores e erros que teve em seu caminho, ele tinha a redenção e o consolo nos braços de seu amor, no sorriso de seu amigo, nos conselhos de seu professor e na mão entrelaçada de sua filha.

— E terceiro — ela passou as mãos gentilmente por entre os fios de ébano, sem nunca deixar seus olhos — Amar você nunca foi um fardo ou um desgosto, se eu pudesse escolher outra vez ainda teria escolhido amar você, se pudesse escolher outra vez ainda teria esperado. Um momento assim com você, um único dia em que eu pudesse segurar sua mão e te abraçar seriam um infinito de felicidade por mais passageiro que fosse. Obrigado Sasuke-kun, por existir pois só assim eu sou capaz de sentir todo esse amor que tenho por você, eu viveria mil vidas e em todas elas escolheria amar você.

Sasuke olhou para o rosto choroso, feliz que aquelas lágrimas não eram de dor e sofrimento, era por amor. Amor que era maior que todo o ódio que um dia caiu sobre ele, maior do que seu passado manchado, maior que seus erros, maior que o medo. Ele sabia agora, ele viveria todos os dias livre do medo de perder ela, livre do medo de sofrer, livre para amar Sakura como ela merecia, para compensar Sarada pelos anos de ausência, livre pois sabia que cada minuto com elas era um presente.

Ele não sentiu vergonha quando Sakura sorriu e limpou a lágrima que escorreu por seu rosto. Ele era um homem que sabia o que queria, que não se importava em dizer a ela isso, que tinha aberto seu coração, pra ser feliz, para fazer ela feliz — Obrigado Sakura, por me deixar amar você.

O sorriso no rosto dela era mais radiante que o sol, mais lindo que o amanhecer mais perfeito, era o primeiro de muitos.

Ela limpou uma lágrima fujona e arqueou a sobrancelha marota — Você disse marido então, isso foi um pedido de casamento?

Ele entrou em seu jogo, sorrindo de canto — Isso foi um sim?

Ela sorriu mais depois de um suspiro — Claro que sim.

O sorriso se alargou mais, mais do que ele se lembrava que era capaz — Então sim, foi um pedido.

Ela revirou os olhos e jogou os braços sobre os ombros dele, as lágrimas aos poucos secando em seu rosto, sorrisos elevando as maçãs do rosto — e se eu tivesse dito não?

Sasuke sorriu antes de lhe roubar um beijo rápido, se aproveitando da espontaneidade dela — Então eu pediria de novo amanhã, e depois, e depois, até você aceitar.

Ela se aproximou mais, as testas unidas, a ponta dos narizes se tocando — O grande Sasuke Uchiha iria negar seu orgulho a esse ponto?

Ele roubou os lábios dela pra si, primeiro recebido com surpresa, depois com o corpo derretido dela contra o dele, viver seria fácil assim — Não preciso de orgulho, preciso de você.



&



Uma fina camada de névoa cobria a manhã avermelhada de Konoha, folhas estreladas e perfeitas caindo das árvores como amantes suicidas, um seguido do outro. Sakura sempre achou o outono uma estação muito romântica e pitoresca, como se os cenários mais encantadores estivessem no virar da esquina. A primavera era linda e florescia com vida, mas no outono os mais secretos segredos pareciam estar sussurrando pela estrada.

Um mar de árvores salpicadas com as cores quentes da estação se estendia por quilômetros após o grande portão da vila. Em sua mente infantil e curiosa por muito tempo, ela se perguntou por que o País do Fogo tinha a Vila da Folha como nome de sua aldeia oculta, parecia bem menos apropriado do que o País da terra e sua Vila da Pedra. Com o tempo, no entanto, ela compreendeu o significado por trás, das longas e infinitas florestas verdes da grande nação, do fogo que se acende vermelho nas folhas caducas em cada outono e que não era destruição, era renovação, da unidade que cada uma das folhas de uma grande árvore representava no todo, da vontade do fogo queimando em seus corações.

Foi ali, no coração das florestas da Terra do Fogo que ela cresceu, foi por aquelas árvores que ela mediu seu próprio tamanho, no céu azul sem fim com nuvens de algodão que lhe cobriu em sua conturbada juventude. Em todo o tempo que esteve longe a saudade de casa sempre lhe apertou o peito e um dos maiores desejos de Sakura era levar Sarada para conhecer o lugar que um dia foi seu mundo inteiro.

E é claro, o outono parecia a época perfeita para isso. Como as folhas se desprendendo dos galhos no fim de seu ciclo de vida para dar lugar a uma nova, um recomeço para ela, Sarada e Sasuke. Mas, mesmo o mais doce dos novos ou antigos sabores podia ter seu amargor, e era com a sensação dolorosa no peito que ela assistiu Jung, Kito e Shizuka-sama se preparando para voltar a Taki.

Com o levantar do sol e o vento outonal soprando do longínquo oceano na costa do país do fogo, o trio se levantou pronto para iniciar a jornada para casa, e por mais que ela amasse Konoha e todos alí, algo em seu peito se apertava ao vê-los partir sem ela. Como poderia ser diferente se nos últimos oito anos eles foram sua família?

Naruto falava eloquente como sempre, em seu próprio jeito é claro, ao se despedir das novas amizades, mesmo que breves. O comitê de despedida era pequeno, o Hokage em questão, Sasuke que observava tudo taciturno ao lado do loiro, e Sarada. Sua estada havia sido muito conturbada para permitir laços muitos difundidos por entre a vila, e de qualquer forma, Kito e Shizuka tinha passado a manhã do dia anterior se despedindo e estocando comida e coisas aleatórias nas barraquinhas do centro da vila em que frequentaram com mais frequência.

Mais a frente de onde ela estava podia ver o grande homem e a anciã engatarem uma de suas pequenas discussões, Sakura sentiria falta daquilo. Sarada estava meio encolhida no colo de Jung que sorria e conversava com ela em um tom baixo. Aqueles dois sempre tiveram sua própria linguagem e apenas pensar na dor da separação que sua filha sentiria agora fazia seu peito doer.

— Eles vão sofrer, mas vão ficar bem — a voz astuta da mulher mais velha lhe chamou a atenção e de repente ela percebeu que Shizuka tinha caminhado até alí silenciosa como a morte. Ela podia ouvir o pequeno fungar de sua menina marrenta e ver as mãos de Jung limpar sua face das lágrimas fujonas e como mãe foi impossível para ela não sentir a dor de sua filha.

— Ela nasceu lá, no alto das montanhas, no meio do inverno rigoroso de Taki, correu pelos bosques ao redor da taverna e se escondeu com Jung até que ele desistisse de procurar por ela. Por anos ela usou a parede do velho celeiro como seu alvo para shuriken e kunai e escalou as encostas das cachoeiras nas costa de Jung. Um mundo e uma vida completamente diferente, ela vai sofrer muito — Sakura lutou contra as lágrimas e contra o pensamento de que novamente estava dificultando a vida de Sarada, ela sabia que no fundo ficar em Konoha era melhor para elas, mas isso não diminuía a dor — Ele deu o nome dela, ensinou a nadar e se esconder, jogou a menina de uma cachoeira de quinze metros quando ela tinha seis anos e sempre trazia alguma coisa para ela de suas viagens. Jung também vai sofrer.

— O inverno é frio e rigoroso, mas a cerejeira precisa dele para florescer linda na primavera. Você está viva e bem querida e isso é mais do que podiamos desejar a tão pouco tempo. Jung é forte, Sarada também e será feliz desde que você esteja com ela, além do mais, isso não é um adeus — os olhos pequenos se estreitaram ainda mais ao sorrirem para a rosada.

Sakura deu um passo na direção da idosa e lhe abraçou, mesmo ela baixa como era ainda era mais alta que Shizuka mas isso não lhe impediu de se sentir bem no abraço da velha espiã — Vou sentir falta disso, os conselhos e as metáforas — fungou incapaz de conter as lágrimas a essa altura — vou sentir falta até das terríveis cerimônias do chá.

Elas riram, a gargalhada repleta de experiências compartilhadas e se separaram, sorrisos ao invés de lágrimas entre as duas mulheres — Não se preocupe tanto querida, você tem toda a vida pela frente ao lado de seu amor e da nossa menina, você merece ser feliz e sua felicidade fará a todos nós felizes também.

— Obrigado Shizuka-sama — contra todo o seu esforço ela estava chorando outra vez — por tudo.

O chão lhe faltou e antes que Sakura pudesse retalhar qualquer coisa quando ela percebeu os braços grandes e fortes que lhe rodearam e tiraram do chão para envolver no abraço de urso de Kito. Ela riu calorosa para o gentil gigante grata por sua personalidade tão extrovertida.

— Não agradeça ainda querida Sakura-san — ele lhe pôs no chão e bagunçou todo o seu cabelo do alto de sua grande estatura — nos veremos em breve novamente para que possamos lutar outra vez, quero vê-la em seu potencial máximo para poder ter a honra de lhe acompanhar em uma luta.

Sakura agarrou o pulso forte dele e se valendo de sua saúde ainda em recuperação, forçou a mão grande para longe como se pertencesse a uma pequena criança — Não se preocupe grandão, vou fazer questão de ir chutar sua bunda, mais uma vez.

Ele gargalhou e ela não pode deixar de rir também, a alegria de Kito era contagiante.

— Oh cara, não fique tão feliz, você nunca viu Sakura-chan com raiva em todo o seu potencial — Naruto arregalou os olhos como uma criança — acredite, eu era seu alvo preferido.

— Se não fosse um idiota a maior parte do tempo ela não precisaria socar juizo na sua cabeça oca Dobe.

— Quem você está chamando de cabeça oca seu Teme desgraçado!

Sakura observou a conversa, lê-se insultos, fácil deles e logo em seguida Sarada correr para os braços de Kito em um pedido nada discreto de afago. Sob o olhar doce de seu pai e amigos a moreninha foi encharcada pelas lágrimas de Kito que estava começando a preocupar Sakura, se continuasse desse jeito ele quebraria as costelas de sua filha com a força de seu abraço ou afogada em seu pranto.

— Você sempre se preocupou atoa sabe, sobre Sarada não ter contato com crianças, Jung a preparou para a vida entre elas.

Sakura se virou para o ruivo sarcástico que sorria de canto ao seu lado, braços cruzados e olhos atentos à despedida da menina. Ela sorriu de seu comentário, sua preocupação era válida mas todos na Taverna sempre se esforçaram ao máximo para que Sarada não se sentisse só, ela havia amadurecido mais precocemente do que a maioria das crianças mas não foi por falta de tentativa da parte deles.

— Você sabe como ela pode ser direta e arrogante, aposto que será capaz de questionar o instrutor da academia na primeira oportunidade.

— Ela já fez isso — revelou o ruivo, Sakura disparou o olhar para ele com as sobrancelhas quase tocando a linha do cabelo — na primeira semana, você estava em coma, então nós concordamos em não contar nada.

— Sasuke também? — perguntou incrédula.

— Foi ele quem sugeriu.

Sakura suspirou profundamente — Parece que todos os homens ao redor da minha filha são maus exemplos.

— Eu nunca prometi nada — ele levantou as mãos em defesa — ao menos ela tem você, e isso é uma constante bem mais certa agora.

Sakura se voltou totalmente para o ruivo, o sorriso que ele carregava sempre no canto dos lábios vacilante agora, ela definitivamente não estava pronta para isso — Você sempre vai ser uma constante pra ela também, por isso tem que me prometer que vai ser cuidadoso.

O sorriso dele se alargou um pouco e ele deu um passo em sua direção — Não se preocupe Nikuya, sei me cuidar.

— Eu sei que sim, mas eu não vou estar lá para te remendar sempre que quiser. Tem que me prometer, que vai se cuidar e que se as coisas estiverem muito sérias vai me avisar, vai me chamar — seus olhos já estavam banhados outra vez, a simples possibilidade de não estar lá para ele, de não poder curar qualquer ferida sua, isso lhe cortava em sua própria carne.

— Você iria até Taki pra me curar? — o sorriso havia ido de vez, a voz mal passava de um sussurro.

— Eu iria até o fim do mundo Jung — ela sussurrou de volta, seu peito mal contendo a dor da separação, ele era seu amigo, seu confidente, seu ombro, a mão que lhe segurou quando ela mais precisou, ele era um pedaço muito grande do coração de Sakura para não doer — Não pense nunca, em nenhum momento que você não é importante pra mim, mesmo que não seja do jeito que você quer, eu ainda te amo.

Ela estava dentro do abraço dele no segundo seguinte e de repente as lágrimas escorreram desenfreadas. Tinha sido essa pessoa que por oito anos esteve com ela, havia coisas que apenas ele sabia, haviam segredos e faces dela que só ele conhecia. Por tanto tempo ela se odiou porque tudo o que mais queria era retornar os sentimentos dele, ama-lo da forma que ele merecia. Mas ela não podia ser mesquinha e usa-lo pra curar seu coração doloroso, ela jamais faria isso com ele.

Sakura sabia que Jung a amava de uma forma diferente da que ela o amava, ela não era uma tola, mas ela não queria machucá-lo, não podia lhe dar esperanças que jamais seriam cumpridas. Ela não podia fazer muito por ele, mas isso ela faria, porque se havia algo que Sakura conhecia, era a dor de um coração partido.

— Não se culpe Nikuya, você me deu mais do que pode imaginar, você e Sarada são um presente que eu sempre vou guardar no fundo do coração — ele se afastou para limpar as lágrimas que encharcaram sua face, a delicadeza e cuidado que por anos a ajudaram a seguir em frente, o sorriso que se estampou no rosto do ruivo era genuíno mesmo que modesto — não importa o quão longe estejamos, você sempre vai ser a garota que mesmo em sua fragilidade me deu forças.

— Não — ela devolveu seu sorriso e arrastou a lágrima que correu pelos olhos violeta — essa força já estava aí, e um dia, vai haver uma garota que vai te dar muito mais.

Ele sorriu e lhe beijou no topo da testa. Sakura sentia o coração se apertar com a saudade iminente mas também sentiu o laço que os unia se tornar mais forte com a certeza de que nem o tempo ou a distância poderia separar o que a vida sozinha uniu.

— Quando o dia se tornar mais longo que a noite e o verão estiver no auge em Taki, eu e Sarada estaremos esperando na varanda para o chá.

— Vou me certificar que o matcha esteja bem amargo.

— Reserve uma xícara para mim — A voz de Sasuke era calma e serena quando ele se aproximou dos dois. Não havia animosidade ou intriga em seu rosto, nem no de Jung quando os olhos de ambos se sustentaram em uma conversa silenciosa que Sakura poderia morrer para ouvir.

— Um forasteiro não compartilha da cerimônia do chá de Shizuka — o ruivo respondeu arrogante para logo em seguida abrir um sorriso — mas acho que ela pode abrir uma exceção.

— Será uma honra — Sakura foi incapaz de controlar a própria reação, as sobrancelhas se elevaram sozinhas com o tom amigável que Sasuke ofereceu a Jung, e apesar da surpresa ela não pode deixar de se sentir feliz com isso. Eles eram, ambos, importantes para Sarada, e importantes para ela também.

— Cuide delas Uchiha — Jung disse depois de um tempo — vou estar esperando a oportunidade de rouba-las de você.

— Isso não vai acontecer — o moreno respondeu ainda em tom leve.

Jung sorriu, um pouco melancólico mas ainda feliz — Acho que não.

Sarada se agarrou ao flanco esquerdo de Sasuke e à mão de Sakura conforme eles assistiram o trio desaparecer na estrada, o choro silencioso ocasionalmente cortado pelo fungar de seu pequeno nariz. Sakura se abaixou para ficar na altura dos olhos da filha e lhe enxugar as lágrimas, os pequenos olhos avermelhados pelo pranto.

— Sinto muito querida, gostaria que nunca tivesse que dizer adeus.

A menina assentiu e afastou as lágrimas com um pequeno repuxar de lábios — Tudo bem mamãe, vou sentir falta da Taverna mas gosto de Konoha e — ela agarrou a mão de Sasuke que observava quieto com sua mão livre e uniu a mão dos três — gosto ainda mais de nós.

Sakura olhou para Sasuke e sorriu para ele ao ver os olhos negros fixos nas mãos unidas dos três, uma família, sua família. Ela viu a cabeleira vermelha sumir na estrada, eles também eram sua família e sempre seriam parte importante de sua vida, onde quer que estejam, mas agora ela estava no lugar a qual pertencia, com o homem que amou por toda a vida e o amado fruto desse amor.

Foi em um dia frio de outono que seus caminhos se cruzaram, foi num dia frio de outono que suas estradas se separaram. Ainda assim seu coração se aqueceu com a certeza de que mesmo separados, esses caminhos seriam sempre paralelos, correndo lado a lado.



&



Sasuke queria se casar na primavera.

Sakura não.

Mesmo que para a maioria não parecesse, ele era alguém tradicional, ou ao menos de um clã tradicional, e era tradição em seu clã que os casamentos fossem celebrados na primavera. Era uma estação auspiciosa, representava o nascimento e fertilidade, felicidade e alegria que era esperado em um casamento. Além disso, o cenário seria perfeito com as cerejeiras em plena floração.

Mas, como Sakura era a noiva, e sendo ela teimosa, não eram cerejeiras mas cosmos que enfeitavam o local da pequena cerimônia.

O inverno se iniciaria oficialmente em pouco mais de três semanas e havia apenas um mês que ela tinha tido alta do hospital. Por mais que ele estivesse ansioso para casar com ela, não se importaria em esperar um pouco mais, queria ter certeza que ela estava bem de saúde, queria ter mais tempo para terminar as reformas na casa onde eles iriam morar, uma propriedade que anteriormente pertenceu ao clã fora do complexo e que foi reconstruída com a vila depois da guerra, uma casa grande e espaçosa mas que estava inabitável pelo desuso.

Entretanto, logo após a partida de seus amigos da Taverna, Sakura foi categórica e teimosa, vamos casar antes do fim do outono, ela disse, ele não conseguiu argumentar, apenas correu para tornar a casa habitável para eles no menor tempo possível.

“Por que tanta pressa?” ele perguntou.

“Se aprendi alguma coisa com a doença, é que o momento perfeito é este, o único que temos”

E Sasuke tinha que concordar. Ele não queria esperar mais três meses para chamar Sakura de esposa, e não que eles fossem um casal usual, afinal eles já tinham pulado etapas tendo uma filha. Que fosse no outono então, ele chutaria a tradição se fosse necessário, ele era Sasuke Uchiha e nada o impediria de casar com Sakura, estava tranquilo quanto a isso. Agora, no entanto, de pé no fim do altar, toda a postura estóica era nada além de fachada a espera da noiva que estava levemente atrasada.

Naruto e Kakashi estavam na primeira fila de cadeiras, o loiro sorridente junto a Hinata e os dois filhos, Sarada em um lindo kimono azul celeste com um pequeno leque Uchiha bordado nas costas, detalhe que quase o havia levado as lágrimas mais cedo. Tsunade estava logo em seguida com Shizune e apenas seus colegas de academia completavam a lista de convidados.

Por mais curto que tenha sido o tempo que tiveram para preparar a cerimônia, Sasuke tinha que admitir, Sakura e Ino fizeram um excelente trabalho. Era pequeno e simples, com cadeiras brancas, o corredor da noiva, um gazebo para o altar, tudo improvisado às margens do rio que corta o campo de treinamento onde tudo começou. Ao longe Sasuke podia ver a ponte vermelha em que se encontravam todas as manhãs.

Cosmos coloridos se espalham pelo lugar discretamente já que a decoração disponibilizada pela natureza roubou a maior parte das atenções. Um tapete vermelho de Ácer e Bordo se estende no corredor, as folhas amarelas do Ginkgo flutuam como flocos de neve vindos direto do sol, os ramos de pinheiros e bambus que sustentam o gazebo são elegantes e discretos. O dia parece perfeito mesmo que mais frio do que esperado, ainda assim, todos sorriem em seus kimonos coloridos à espera de Sakura.

Por um momento ele se permitiu ser nostálgico ao lembrar de um outro casamento, seguramente mais lotado a mais de oito anos, a primeira vez que eles estiveram juntos. Tanto havia acontecido desde então, é inevitável para Sasuke não olhar para seu mais bem sucedido projeto, a menina vestida no kimono azul que briga com o filho de seu melhor amigo a alguns metros dos pais.

“Eu vou matar um certo alguém e restaurar meu clã”

Ele ainda podia se lembrar do objetivo que nem era um sonho aos doze anos. A vingança tinha levado Sasuke por caminhos tão escuros e tortuosos, havia encharcado suas mãos com o sangue da pessoa que mais lhe amava, o levou para longe dos amigos e do amor. Por tanto tempo ele esteve cego, por tanto tempo lutando contra a felicidade que lhe foi oferecida ainda na juventude.

Depois da morte de Itachi e do fim da guerra tudo pareceu muito abstrato, mas mesmo então ele sabia que se algum dia fosse subir ao altar, seria com Sakura. Mesmo que de forma inconsciente ele havia caminhado para ela, lembrado dela, desejado ela por toda a vida, o lar onde ele faria morada, o amor que iria colorir sua vida em preto e branco e dar sentido a sua existência.

Eles tinham um passado doloroso a suas costas, mas agora tinha um futuro brilhante cheio de oportunidades de serem felizes juntos, e ele estava ansioso para isso.

— Ei teme! — Naruto grita de seu lugar, ainda incapaz de ficar quieto — Você tinha que ver sua cara, parece que vai ter um ataque a qualquer momento! Sakura-chan deve ter desistido e te largado no altar.

O loiro riu mas o coração de Sasuke martelou contra as costelas.

— Naruto-kun! — Hinata repreendeu, e por algum motivo isso lhe pareceu muito familiar — Não se preocupe Sasuke-san, Sakura-chan deve estar vindo logo.

— Parece que agora eu estou finalmente livre dos meus alunos fofos.

— Do que você está falando Kakashi-sensei?

— Todos vocês estão casados agora — o ex-hokage falou — minha responsabilidade terminou.

— Naruto nunca vai crescer o suficiente para isso — Sasuke alfinetou enquanto alisava o Haori azul marinho.

— Teme! — ele se levantou pronto para alcançar o companheiro de equipe.

— Naruto-baka! — a voz estridente de Ino chamou a atenção de todos, a loira marchou com passos pesados para a frente, o Kimono cor de pêssego ondulando com o movimento — Fique quieto em seu lugar, a testa já vai entrar.

Sasuke não ouviu mais nada depois disso, o mundo se tornou silencioso enquanto ele arrastou os olhos até o fim do corredor formado pelas cadeiras. Todo o nervosismo e ansiedade foram esquecidos conforme ele viu a figura parada lá. Seu coração martelou ainda mais forte contra as costelas e por um momento ele se perguntou se poderia ser ouvido pelos demais, não se importou.

A menina que ele se recusou a amar, a adolescente que ele afastou com medo de amar, a mulher que ele abandonou por amar demais, a mulher que lhe perdoou e aceitou de volta, Sakura. As longas mangas do furisode vermelho tocaram o chão mesmo enquanto ela segurava o leque Uchiwa em frente ao rosto, uma delicada trama de cerejeiras bordada na tela semi-transparente. A seda delicada reluziu a luz da tarde e enquanto caminhava até ele Sakura vestida em vermelho parecia uma obra de arte feita pela mãe natureza, no meio do outono vermelho.

Ele viu, mesmo à distância, a pulseira de feijões vermelhos em seu pulso, o bordado dourado na barra do furisode, delicados galhos de cerejeira e aves sobre elas, voando para longe no mar carmesim. Eram eles dois, ela era a flor e ele o falcão fujão que enfim havia encontrado o descanso ao pousar nos galhos da cerejeira. Ela olhou para ele por cima do leque com aqueles olhos verdes sobrenaturais reluzentes e vívidos, o cabelo cor de rosa puxado para trás e preso com um pente kushi em formato de flor.

Era a visão mais linda em toda a vida de Sasuke.

O mundo parecia resumido a eles dois, mesmo quando ela parou em frente a ele, os olhos verdes nunca se desprendendo dos seus, um mar esmeralda refletindo todo o amor do mundo, a joia mais preciosa. Ele não ouviu muito das palavras do sacerdote, sua atenção estava inteira na mulher a sua frente, agora e para sempre sua esposa. Ele a seguiu na hora de se curvar e soube que era o momento do vinho nupcial quando Sakura lhe ofereceu o leque, os lábios carnudos brilhando em vermelho, sorrindo com o mais doce e radiante dos sorrisos.

Ele enlaçou o braço no dela e mal sentiu o gosto do vinho, tudo se resumia a Sakura, ela era única em seus olhos. Quando o vinho se foi ele não pode mais suportar a distância e deu um passo em sua direção, a mão calejada tocando a pele de porcelana. Uma lágrima fujona escorreu pelo canto dos olhos verdes, mas o sorriso dela podia iluminar o universo.

Ela era sua esposa agora, sua amante, sua amiga, sua casa.

Sua Sakura.

Sasuke estreitou a distância entre eles e depositou um beijo casto no topo de sua testa, onde uma vez ele tocou e pediu a ela que esperasse por ele. A espera tinha acabado, para ambos, tantos anos separados, tantos problemas e tantos desafios, ele enfrentaria todos outra vez apenas por esse momento.

— Amo você Sasuke-kun — ela sussurrou apenas para seus ouvidos.

E mesmo que o tempo tivesse passado, ouvir isso ainda fazia seu coração se acelerar e sua pele se arrepiar. O amor que ela lhe deu foi além do que ele jamais sonhou, muito mais do que merecia, e agora ele poderia viver esse amor todos os dias, ele nunca mais estaria sozinho, ele nunca mais teria medo de amar.

— Obrigado Sakura.

Notas finais
Ultimo capítulo, agora só temos um epilogo curtinho. Espero muito que tenham gostado, de repente eu estava derramando lágrimas, foi como dizer adeus a um filho, kkkkkkk. Quem se interessar, confira a histoória nova! Comentem por favor, quero muito saber o que acharam!