Havia um tempo que Sanji perguntava para o além se seus amigos o amavam o tanto que ele os amava. Tal pergunta era constante e muito provavelmente acontecia porque Sanji sabia o quanto ele se doava para cada um e não recebia o mesmo, nem chegava perto do quanto se empenhava. Não era como se ele quisesse algo em troca ou ajudasse esperando uma recompensa, mas simplesmente não conseguia se lembrar de nenhuma demonstração de afeto por parte deles.

Sendo franco, é bom de vez em quando receber uma mensagem de carinho, como uma homenagem, mas ela nunca chegava. Aliás, Sanji sentia que nem morto receberia tal homenagem, daquelas publicadas em redes sociais com fotos e tudo, de seus amigos muito estranhos.

Entretanto, ele não os culpava, porque Sanji reconhecia que era um chato desesperado para não terminar só. Gostava de agradar a todos, porque era certo que a função no seu círculo social era essa e se não estivesse brandando elogios por aí, muito provavelmente seria excluído.

Quando tentava pensar de como tudo isso ficou assim, ele se lembrava que começou bem mal, não deveria ter sido um adolescente bonzinho, com medo de dizer algo que machucasse alguém, mas sim mais desafiador e confiante. Proferir frases como se fossem verdades absolutas sem temer de colocar a amizade em risco. E naquele círculo social havia um que se comportava dessa maneira um tanto libertina. Por essa razão, Roronoa Zoro era o que menos gostava do grupo.

Sanji não o compreendia, era constante ele se afastar do grupo e fazer só Deus sabe o quê. Não era como se o marimo — o jeito que Sanji o chamava por ter cabelos tingidos de verde — por ser popular conseguisse substituí-los. Na verdade, embora muitos gostassem dele, Zoro era bastante antissocial por ser um bruto que não se doava para ninguém. Nessas horas, Sanji achava Deus injusto, porque enquanto ele se matava para ganhar a confiança de seus amigos, Zoro os desprezava não comparecendo a nenhum encontro. E quando comparecia, chegava atrasado.

E foi atrasado que Zoro chegou até a casa de Sanji para que fizessem um trabalho juntos. Não sabia como, mas Zoro foi o que restou de seu círculo social, muitos o adoravam e mesmo assim ele sobrou. Sanji ficou confuso e cogitou em fazer sozinho, mas o professor deixou claro que era importante haver cooperação e trabalho em equipe na escola, que não teve outra opção.

Assim que entraram no quarto, Zoro deixou sua mochila se esbarrar no seu abajur, por pouco não caiu. Sanji o observava estupefato, na sua mente só havia o pensamento de como era gigante e ainda destrambelhado. Questões de segundos, seu quarto estava uma zona com todos aqueles livros e cadernos espalhados no chão. Zoro se levantou logo no início e se jogou na cama de Sanji, que ficou confuso com essa atitude.

— Marimo, você vai dormir?

Mas ele não respondeu, na verdade, roncou. Restou a Sanji terminar o resto sozinho. Como amava o trabalho em equipe estudantil...

Quando Zoro acordou, Sanji estava arrumando o quarto. Ele coçava os olhos ao ouvir de Sanji que havia terminado o trabalho.

— Mas não era em dupla? — Disse, bocejando.

— Não acha que está muito tarde pra você se preocupar com isso?

Zoro piscou os olhos ao notar o tom ácido do amigo. — Como assim?

— Não se preocupe, marimo. Você precisavadormir a tarde toda e eu estava disponível. — Disse com um escárnio que Zoro pôde notar.

— Você me chama de marimo.

— E daí?!

Zoro se levantou da cama e andou alguns passos sem rumo no quarto. — O pessoal tá bolado comigo, tão me achando muito grosso... mas e você? Só cochilei por algumas horas e tá me tratando super mal, eu pretendia ajudar.

— Quê?! Você tá me dizendo que estão cansados de você? — Sanji estava incrédulo. — Por ser grosso? Mas você sempre foi grosso!

— Obrigado pela parte que me toca. — Ironizou. — Bem, como posso explicar, me achavam maneiro no início, mas como não puxo-saco que nem você faz — Zoro esticou foneticamente o "cê" de "você" propositalmente. —, tão me ignorando e até por isso fiquei sem dupla.

Sanji piscou os olhos, de uma forma estranha sentiu pena do marimo, embora ele tivesse lhe chamado de puxa-saco. — Tá me dizendo que está perdendo seus amigos?

Zoro deu um sorriso por Sanji se preocupar com isso. — Eles nunca foram meus amigos, puxavam meu saco demais... é doido o que fazem pra ter um amigo com cabelo colorido.

Sanji riu de um jeito tão bonito, que fez Zoro retribuir o sorriso. Os dois eram os mais afastados do grupo e sentiam um preconceito mútuo: Sanji por Zoro ser popular e Zoro por Sanji ser um perdedor que agradava todo mundo.

— E apesar de você puxar o saco da galera, comigo você me chama de marimo.

— É... digamos que eu não sou um dos fãs de seu cabelo.

Os rapazes riram novamente e um silêncio constrangedor desceu sobre eles. Sanji não parava de coçar o braço, enquanto Zoro não parava de arrastar o pé no chão, como se estivesse chutando britas.

— Você quer ser meu amigo, sobrancelhinha? — Zoro finalmente quebrou o silêncio.

Sanji riu com o novo apelido que ganhara. — Sim.

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