Notas iniciais
Ela berrou de dor e cravou as unhas em meu braço.
– Clem para – Gritei a sacudindo fazendo com que me soltasse. Vi o sangue em meu braço – Clem volta pra mim por favor – Seus olhos focalizaram os meus por um instante mas depois saíram de foco outra vez. Ela me “olhou” intensamente com suas Iris turvas.
– Pietro? – E então desmaiou sobre meu colo.
– Clem! – Tony me afastou dela a abraçando – O que aconteceu com minha filha? O que aconteceu com minha menina? – Ele gritava.
– Xavier. – Disse desnecessariamente em voz alta, aonde quer que o velho estivesse ele me ouviria – Nós a perdemos.
Pov. Clementine.
“Clem!” Eu ouvia a voz de Tony em algum lugar muito, muito distante “O que aconteceu com minha filha? O que aconteceu com minha menina”.
Tentei sem sucesso falar. Não sentia meu corpo. Era isso que se encarava após a morte?
Abri meus olhos com certa dificuldade, estava em uma sala completamente branca não havia mais nada ali. Senti novamente minhas pernas e me levantei, girando nos tornozelos para observar aquela imensidão branca. Céu? Inferno?
– Mas que porra é essa? – Resmunguei baixo e ouvi minha voz ressoar pelo lugar. Quando dei por mim não estava mais sozinha. Havia uma garota de cabelos pretos, a mesma garota que eu tinha visto lutar com um homem moreno a minutos atrás, mas ela estava radicalmente diferente, parecia anos mais velha. Me fitava intensamente num misto de medo e curiosidade, não consegui segurar o impulso de minhas pernas de caminhar até ela mas foi em vão. Me aproximei aos poucos e para minha surpresa ela fez o mesmo. Conforme me aproximava dela reconhecia feições estranhamente familiares. Ela era muito bonita, cabelos negros na altura da cintura com franja, pele pálida como uma seda e olhos... Vermelho escarlate. Os mesmos olhos que eu havia visto no primeiro sonho perturbador. Tentei obrigar minhas pernas a dar meia volta mas elas não me obedeceram. Estava a poucos centímetros quando olhei com mais atenção e notei a enorme armação dourada que rodeava a figura da menina. Estiquei minha mão para tocar a menina e ela repetiu exatamente o mesmo movimento, mas onde nossas mãos deviam ter se encontrado havia um pedaço de vidro frio.
Houve um pequeno momento de vertigem antes de a torrente verdade me atingir. Aquilo era um espelho. Aquela era eu. Era a minha imagem refletida. Eu estranhamente mais nova e com olhos escarlate.
Comecei a respirar com um pouco mais de dificuldade. Aquilo estava muito errado, aquela não era eu. Não podia ser.
“Volta pra mim minha pequena” Ouvi a voz de Tony novamente e isso me tirou de um transe momentâneo.
“Pai!” Eu estava num daqueles pesadelos onde se esta em uma situação de perigo e quanto mais se grita menos som sai. Eu chamava por Tony mas minhas cordas vocais não eram capazes de reproduzir o som.
“Clem, eu não sei mais viver sem você, você não pode me deixar agora” Eu podia sentir o choro incontido em sua voz.
“Tony!”
“Eu sei que não sou o melhor pai, mas se você voltar agora eu serei o melhor, eu te amo minha pequena” Sua voz parecia ficar mais alta
“Não Tony, você é um otimo pai, o melhor, eu te amo...”
E então senti o ar passando por minhas cordas vocais novamente.
–... Pai.
Pov. Tony.
Aquilo era o pior pesadelo possível. Eu estava agarrado no corpo desfalecido da minha filha. Loki e Steve tinham “caído no chão” no momento em que ela desmaiou. Aquilo não podia estar acontecendo, não com ela. Minha menina, tinha tido tão pouco dela ainda. Não podia perde-la. Não iria perde-la.
– Volta pra mim minha pequena – Apertei ainda mais seu corpo contra o meu — Clem, eu não sei mais viver sem você, você não pode me deixar agora – Senti as lagrimas correrem por meus ohlos e não fiz questão nenhuma de limpa-las — Eu sei que não sou o melhor pai, mas se você voltar agora eu serei o melhor, eu te amo minha pequena.
Natasha, Steve, Loki, Bruce, Pepper e um garoto qualquer estavam parados ao nosso redor. Alguns tinham lagrimas nos olhos. O moleque loiro falava coisas sem sentido para o nada.
– Pai... – Ouvi a voz mais doce do mundo abafada em meu peito.
– Clem! Você ta viva – A abracei ainda mais forte e ela gemeu de dor.
– Clem – O garoto loiro que tinha aparecido sei la de onde se ajoelhou ao nosso lado – Olha pra mim, preciso que me diga o que esta sentindo.
– Quem diabos é você? – Grunhi para ele.
– Já disse que posso ajudar.
– Seth... – A pequena menina falou com dificuldade.
– Ei bruxinha, sou eu. Como esta se sentindo?
– Não sei. – Ela parecia estar num tipo de transe – Estou com sono. Sinto que... não sou eu mesma.
– Então durma. Quando acordar tudo vai estar bem. – Assim que ele disse isso ela fechou os olhos.
– Quem é você e o que esta acontecendo aqui – Disse entre dentes para o garoto.
– Senhor Stark, sou Seth Galle. Sou amigo da Clem, nós precisamos leva-la imediatamente para Salem Center, no Condado de Westchester. A vida dela depende disso. A vida de todos aqui depende disso. – Sua voz era sombria e havia um medo contido nela.
– Do que esta falando?
– Prometo explicar tudo no caminho, agora você tem que fazer exatamente o que eu disser para podermos salvar Clem.
Aquilo era tudo muito estranho, sem duvidas. Mas era minha filha. Eu iria onde fosse por ela.
– Pepper, mande Happy preparar os carros.
Pov. Seth.
Peguei meu telefone e liguei para “Collin” que atendeu no primeiro toque.
– Seth, aconteceu...
– Apenas vá para casa. – Disse e desliguei.
Tony continuava agarrado a Clem e os outros estavam paralisados olhando a cena. A única que se movia era uma loira, Pepper, estava falando com o motorista.
– Os carros estão prontos — ela anunciou.
– Natasha, cuide de tudo até eu voltar – Tony disse se levantando com Clem no colo.
– O que? Nem pensar, vou com vocês – A ruiva falou.
– Eu também – Loki se pronunciou.
– Acho que todos merecemos uma explicação Stark – Capitão America.
– Ok, vamos.
Descemos o elevador em silencio e encontramos uma limusine nos aguardando na garagem.
– Tony... – A ruiva começou a repreende-lo.
– O único que cabe todos. Garoto – Tony dirigiu-se a mim quando entramos no veiculo. – Comece a explicar.
– Eu apenas vou adiantar parte da historia. Quando chegarmos lá Xavier vai explicar tudo a vocês.
– Xavier? – Hulk se manifestou pela primeira vez.
– Tudo vai fazer sentido quando chegarmos. Peço apenas que confiem em mim. Só quero ajudar Clem. – Eles apenas acenaram com a cabeça, completamente desconfiados – Clem é uma mutante.
– O que? – Gritaram em uníssono.
– Como? – Stark.
– Essa é uma parte que não posso explicar. Apenas entendam que para a segurança de todos devemos chegar a Salem o mais rápido possível.
– Happy, preciso dizer para ignorar as leis de transito? – Stark perguntou ao motorista.
O resto da viagem se passou em silencio.
Pov. Narrador.
O carro estacionou frente ao endereço indicado por Seth. No lugar havia uma mansão enorme, quase um castelo. Todos saíram apressadamente com o loiro na frente guiando-os.
A porta da mansão haviam duas figuras os esperando. Um homem já idoso, careca, numa cadeira de rodas. E um moreno de cavanhaque, o mesmo das lembranças e sonhos de Clem, Loki o reconheceu instantaneamente.
– Logan, Professor – Seth cumprimentou-os ao se aproximarem.
– Seth – O velho o respondeu, o moreno, Logan, estava com os olhos fixos em Tony – Sejam bem vindos – Dirigiu-se a todos os demais – Seth, leve Clem para a ala medica, Doutor Banner pode acompanha-la se quiser.
– Como sabe meu nome? – Bruce perguntou expressando a surpresa de todos.
– Sei muitas coisas sobre vocês – O velho disse calmamente – Me chamo Charles Xavier.
O espanto foi visível no rosto de todos, exceto Loki, Steve e Pepper. Tirando esses três todos ali já tinham ouvido falar de Xavier. Ele era “diretor” de uma escola de mutantes.
– Venham, entrem, temos muito a conversar.
Clem foi levada juntamente com Bruce a ala medica enquanto os outros seguiram Charles e Logan até uma sala.
– Essa é uma historia que começa a muitos anos atrás – O professor começou após todos se acomodarem – Quando a filha de dois mutantes poderosos ficou grávida.
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