Os filhos do inferno
9 Mentiras mal Contadas.
Notas iniciais
– Eu me recuso a falar qualquer coisa enquanto minha irmã não acordar! Minha boca é um túmulo. — Dizia Percy para os semideuses que o cercavam com perguntas e mais perguntas.
– Então vamos leva-lo para a Casa Grande. — Disse Zoe uma Caçadora de Ártemis que estava no Acampamento.
Zoe tinha olhos pratas, cabelos castanhos trançados de lado e usava um diadema na cabeça. Líder das Caçadoras.
– Eu não saio daqui sem minha irmã. — Insistiu Percy. Fazendo birra sempre.
– Ótimo, então vamos levar a pirralha para o bebezão ai não chorar. — Disse Clarisse, Filha de Ares indo para a maca pegar Thalia, mas antes que pudesse encostar na semideusa, tinha uma espada encostada em sua nuca.
Clarisse tinha a pele morena e cabelos castanhos, era forte. Tinha a aparência de quem amava comprar uma briga, como que diz "Ei, seu boboca" apenas pra causar confusão.
– Não. Toque. Na. Minha. Irmã. -Percy disse pausadamente então Clarisse se virou com fogo nos olhos. Aquilo foi um claro desafio na visão dela. — Se eu for com vocês, deixarão minha irmã e eu em paz?
– Só se for com a gente. — Disse Malcom, um filho de Atena presente ali. Cabelos loiros e olhos cinzentos.
O que aconteceu, é que quando Percy chegou com Thalia no colo, ela logo foi levada para a Enfermaria e cuidada pelos filhos de Apolo, e com sorte, foi curada a tempo antes que o veneno atingisse seu coração.
Então, as perguntas se voltarão para Percy, pois estavam todos curiosos para saber sobre aqueles dois semideuses que derrotaram sozinhos aquela horda de monstros e saber principalmente, de quem eram filhos já que Percy usou seus poderes como filho de Poseidon e sua benção de Hefesto e Thalia usou seus poderes como filha de Zeus, então todos estavam com um imenso sinal de interrogação estampado na testa.
– Com quem devo conversar se for para essa tal Casa Grande? — Perguntou o Guerreiro. Não lhe agradava a ideia de sair e deixar sua irmã sozinha ali, porém era preciso.
– Irá conversar com Quíron... E com o Sr. D. — Disse a irmã de Malcom. Annabeth era o nome dela. Tinha cabelos loiros, pele bronzeada. Seria uma típica garota californiana, se não fossem os olhos cinzentos tempestuosos, eles arruinavam essa impressão.
– Quem é Sr.D? — Perguntou Percy. Cara, SR.D? Tá de brincadeira né?Que nome bosta.
– É um deus, Dionísio, deus do vinho. Ele é diretor do Acampamento. — Explicou But, filho de Íris. Ótimo, além de ter que vir para o Acampamento, sua irmã estar desacordada, ele ainda teria que falar com o velho babão (Que os deuses O perdoem) do Dionísio.
– Ótimo, vamos lá. — Então Percy foi conduzindo por Clarisse até a Casa Grande.
A Casa Grande como diziam era uma casa grande, literalmente. Nada muito escandaloso, nada muito pobre. Na varanda um homem com cabelos meio encaracolados e barba rala jogava algum tipo de jogo com Dionísio. Ao redor deles, se encontravam alguns sátiros com bandejas de comida e Coca Light.
– Obrigado por traze-lo, Clarisse. — Disse o homem que Percy imaginou ser Quíron. Gostou bastante dele, tinha a voz mansa e aparência bondosa.
– Olá Sr. Quíron. Mandaram-me falar com o senhor, porém ao meu ver, não há nada para falar. — Disse Percy. Ele também sabia ser educado quando era preciso.
– Eu também estou qui, sua peste. — Disse o Sr. D e como bom ator que Percy era, já que tinha que fingir que era um ero semideus inocente, se fez de desentendido.
– E quem seria o senhor?
– Ora, como quem sou eu. Era de se esperar que mais pessoas reconhecessem um deus quando veem um. Eu sou Dionísio, ajoelhe-se diante de mim.
– Desculpe-me senhor Dionísio. Eu até me ajoelharia, se não tivesse machucado meu joelho quando vinha para o Acampamento lutando contra monstros loucos na companhia de minha irmã. — Disse o Guerreiro. Dionísio estava irritado, ele percebeu. Percy amava irritar Dionísio.
Dionísio mandou seu melhor olhar mortal para Percy (o que não era nada intimidador) e se calou, como se dissesse mudamente: "Te pego na saída, seu otário". É claro, que Quíron estranhou esse gesto, já que Dionísio não suportava semideuses. E os sátiros ali presente ficaram temerosos.
– Bom Percy, vamos entrar. Quer conversar com você em particular. — Disse Quíron. Sua voz era mansa, porém seu tom era de aviso, o que fez Percy temer mentalmente, então só assentiu e seguiu com Quíron (em sua cadeira de rodas) para dentro da Casa Grande.
– Então Percy, você pode me responder algumas perguntas? — Perguntou o centauro, que até agora Percy não sabia ser um, calmamente.
– Claro. — Disse o semideus. A voz mansa e a cabeça a mil. Não poderia entregar quem era. Recebeu ordens para se passar por semideus normal, então era isso que faria.
– Como você e sua irmã, conseguiram derrotar todos aqueles monstros sozinhos? Eu vi tal façanha e fiquei impressionado. Nem mesmo um filho de Ares treinado conseguiria fazer aquilo com apenas dois soldados.
– Bom... Eu... — Precisava inventar uma desculpa e rápido, então uma lhe veio á mente. — Eu orei.
– Você... Orou?
– Isso mesmo sabe... Quando eu vi todos aqueles monstros e parei ao lado de minha irmã quando não conseguia mais correr, eu orei pedindo aos deuses proteção divina. Não sabia o que estava fazendo... Só fiz. — As palmas das mãos de Percy soavam, então o garoto as limpou na calça, pedindo para que Quíron não notasse seu nervosismo.
– Você sabia que era semideus? — A desculpa não havia convencido Quíron completamente, mas ocorreu ao centauro que aqueles garotos eram especiais e então poderia ter mesmo ocorrido uma intervenção divina.
Merda, merda, merda. Era a única coisa na qual Percy poderia pensar. Vlacas.
– Er... Eu tive um sonho estranho ultimamente, sabe? Um sonho bem estranho, mostrando esse lugar. Então eu vim com minha irmã. — Tá, Percy não era tão inteligente e Thalia era a mais apta a mentiras, mas o moreno precisava fazer alguma coisa, oras.
– E a sua espada, Percy? Como conseguiu a espada? — Perguntou Quíron. Ele seguia com as perguntas calmamente. Era fácil pra ele. — E o escudo de sua irmã? Onde estão esses objetos?
Conte a ele, mas somente a ele. A voz de seu pai Hades ecoava em sua mente. Uma conexão que os deuses tinham com os semideuses em geral. Quíron é de confiança. Conte a ele.
– Se eu te contar a verdade, promete manter segredo? Jure pelo Rio Estige. — Disse Percy. Iria seguir o conselho de seu pai.
– Juro pelo Rio Estige, que tudo o que me contar aqui, não será contado para mais ninguém. — Um trovão ecoou no céu selando o juramento.
– Já vou avisando que a história é longa. — Disse Percy se ajeitando no sofá que tinha ali.
– Eu tenho tempo. — Disse o centauro.
Percy contou sua história bastante resumida, porém ainda foi longa.
Disse sobre o treinamento, mas não deu detalhes. Mencionou apenas "Eu e minha irmã, passamos um tempo treinando com os deuses".
Contou que fizeram uma burrada no Olimpo e obrigados a ir para o Acampamento e contou como apareceram no meio do nada cercado por monstros.
– Garoto... Vocês passaram por uma provação e tanto. — Disse o centauro. — Bom, você irão fazer atividades normais junto com os semideuses. Sem exceções. Ficaram no chalé de Hermes até serem reclamados, não podemos levantar suspeitas.
– Por mim tudo bem... — Antes que Percy pudesse falar, um garoto loiro, baixo,moreno, porém bonito, entrou na sala.
– Desculpe senhor Quíron, mas vim avisar que a garota estranha acordou e chama por um tal de "Percy". — Ao ouvir essas palavras, Percy se levantou rapidamente.
– Obrigado Collin. Obrigado pela conversa Percy. Depois conversaremos com sua irmã. Acredito que saiba o caminho da Enfermaria. — Disse o centauro calmamente e então foi mais ao fundo da Casa Grande sem dar tempo de Percy se despedir.
O garoto começou a correr em direção a enfermaria imediatamente, em pouco tempo estava lá.
Foi em direção onde sua irmã estava deitada. Sua mão estava enfaixada, suor escorria de sua testa, a pele mais clara que o normal e um tom esverdeado no rosto, como se fosse vomitar a qualquer momento.
– Você está horrível. — Disse Percy ao se sentar do lado da irmã e segurar sua mão que não estava enfaixada, mão essa que estava muito fria.
– Sei que isso é sua forma de dizer " Eu te Amo", então eu também te amo.
Ambos sorriram.
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