Os filhos do inferno
20 Estrelas que não brilham mais.
Notas iniciais
Percy deu um salto para trás bem no momento em que a espada de Leo varria o chão onde seus pés pisavam a frações de segundos atrás.
– Espero que depois dessa batalha, você aproveite sua estadia no Hades, Perseus.
O estado de ambos os guerreiros era deplorável. Roupas rasgadas pelas espadas afiadas, Percy tinha a camisa chamuscada e o rosto coberto de fuligem enquanto Leo encontrava-se completamente molhado. Isso é claro, fora os cortes sangrentos por toda extensão dos corpos dos garotos.
– Eu aproveitarei. Preciso mesmo fazer uma visita a meu pai. – Respondeu o semideus com sarcasmo e logo avançou contra o outro.
As espadas chocavam-se com brutalidade.
Percy já se encontrava em uma situação difícil. A cada ataque violento de Leo, mas ele regredia. Suas mãos suavam, dificultando para que segurasse sua espada com firmeza para se defender e atacar. O calor proveniente do fogo invocado por Leo – que agora os cercava para que ninguém atrapalhasse a batalha -, estava incomodando mais do que o recomendável.
Já o Filho de Hefesto não se encontrava em uma situação muito diferente. As mãos molhadas – assim como todo o corpo -, não ajudavam muito. Ele tinha que vencer logo a batalha. Logo os reforços estariam chegando.
Percebendo as dificuldades de Percy, Leo investiu contra o garoto, girando o corpo em 360 º graus, visando decepá-lo em um só golpe. Bufou frustrado ao ouvir sua espada cortar o ar e antes que pudesse perceber, já estava no chão por conta de uma rasteira do semideus de olhos verdes.
Percy levantou-se rapidamente e colocou-se em pé com ambos os pés imobilizando o corpo de Leo e a espada em sua garganta, pressionando a arma com força até que um filete de sangue escorresse.
– Parece que você está prestes a fazer uma visita ao Hades, não é mesmo, Valdez? – Indagou O filho de Poseidon ironicamente.
Ω
O efeito do veneno passava pouco-a-pouco até que Atlas tivesse todos seus movimentos livres de qualquer paralisia e voltasse a enfrentar a caçadora com ataques brutais e violentos.
Phoebe nada podia fazer a não ser se defender. Não tinha a mínima chance contra seu pai, ela sabia. Sabia que a profecia falava diretamente dela, mas mesmo assim aceitou à missão.
– Que os deuses tenham piedade de você em sua sentença, Titã amaldiçoado. – Provocou a caçadora ao lançar uma flecha que acertou no cotovelo canhoto do titã.
– Não digo o mesmo, pois de ti, eu não terei piedade, ex-Hespéride.
E assim se seguia a batalha. Phoebe habilmente se desviava e fincava suas flechas em pontos estratégicos no corpo do titã.
Logo Ártemis já liberta, estava ao seu lado ajudando a caçadora a conter o titã e sua fúria, o atacando diretamente com sua lança.
Em um súbito, Phoebe partiu pra cima do titã para um combo de chutes e socos, mas teve que se afastar quase que imediatamente ao ser ferida pela espada do titã em um ponto já ferido de seu corpo.
A caçadora caiu de joelhos no chão com ambas as mãos nas costelas direitas, tentando estancar o ferimento.
Ártemis, percebendo que sua brava caçadora fora machucada, avançou mais contra o titã cada vez mais furiosa. Sua lança faria justiça indireta naquela noite. Logo o titã já estava onde ela queria de tanto fazê-lo regredir.
– Nico! Thalia! Soltem! – Girou Ártemis e ambos os garotos soltaram o céu, fazendo-o cair diretamente em Atlas. O titã teve de ajoelhar-se diante do impacto, mas com dificuldade, levantou-se novamente, agora já responsável por seu fardo novamente.
Deusa e semideuses pararam para olhar o titã, que gritava insultos a todos. Suas roupas estavam sujas e rasgadas, haviam flechas fincadas em várias partes de seu corpo, seu rosto marcado por socos e chutes e icor escorria de suas vestes.
– Phoebe! Vamos! – Disse a deusa em um súbito antes de sair correndo dali com Nico e Thalia para o local onde sua caçadora encontrava-se ainda ajoelhada e com lágrimas nos olhos.
Ω
Zoe e Annabeth lutavam fervorosamente. A primeira horda de monstros já havia sido completamente dizimada pelas garotas. Suas roupas estavam sujas de pó de monstros, cortes pelos corpos e suor escorria por suas peles alvas.
Annabeth olhou ao redor. Atlas já segurava o céu novamente, Percy pressionava a garganta de Leo com a espada, Nico, Thalia, Ártemis e Phoebe estavam ajoelhados no chão.
– Zoe, chame Percy. Não podemos mais ficar aqui. Não vamos conseguir lutar contra todos os monstros. É hora de ir!
A caçadora assentiu e saiu dali a passos rápidos até Percy.
– Saia de cima dele, Perseus. – Disse a garota assim que estava perto o suficiente. O semideus obedeceu prontamente e colocou-se ao seu lado, dando tempo para que o Traidor de levantasse.
Assim que ele o fez, Zoe atirou uma flecha certeira em sua perna, fazendo-o cair no chão novamente com a coxa sangrando. O círculo de fogo, já desfeito, deixava apenas uma marca de cinzas pelo chão.
– Eu poderia tê-lo matado, Zoe. – Resmungou Percy limpando suas roupas.
– Reclame depois. Precisamos nos reunir com os outros para irmos embora. – Respondeu Doce-Amarga puxando o guerreiro pela mão para onde se encontrava sua deusa e os outros.
Aproximaram-se assim logo se espantando com o que viam.
Phoebe estava deitada no chão, mais pálida que um papel e um ferimento que não parava de sangrar em suas costelas.
– Pelos deuses! O que aconteceste contigo, irmã de batalha? – Respondeu Zoe se ajoelhando sobre a garota.
Ártemis mais que depressa tirou a blusa de Phoebe para que pudesse fazer um tipo de ata e amarrou-a no ferimento da garota fortemente. Percy e Nico desviaram os olhos.
Annabeth e Thalia seguravam suas lágrimas. Zoe não fazia menção de querer chorar e Ártemis chorava silenciosamente.
– Não adianta... – Sussurrou Phoebe fracamente e logo após voltou a tossir. – Há... veneno...
– Phoebe foste envenenada? – Perguntou Ártemis com lágrimas nos olhos. Ao longe, Atlas riu da desgraça de sua própria filha.
– A mordida... – Sussurrou Annabeth. – Ela foi mordida pelo dragão.
Todos olhavam para aquilo chocados. A brava caçadora lutara com um titã, mesmo ferida e sabendo que suas chances seriam nulas.
– Vamos levar-te até Apolo, Phoebe. Vais ficar bem, minha brava caçadora. – Respondeu Ártemis acariciando o rosto da filha de Atlas docilmente.
– Eu fui-te fiel... – Phoebe tossiu – Servi-te bem, Lady?
– Foi-te minha melhor caçadora. – Sussurrou Ártemis ajeitando os cabelos de Phoebe atrás da orelha. – Que seu descanso seja o melhor nos Campos Elíseos, filha de Ártemis.
A caçadora fechou seus olhos e deu um suspiro cansado antes de finalmente ir-se. Ártemis beijou-lhe a testa e com cuidado retirou seu diadema.
– Honrou-me dignamente, Phoebe. – Disse a deusa no ouvido do corpo morto da caçadora e ele lentamente foi sumindo até que não houvesse mais nada onde estava seu cadáver.
A brava caçadora cumprira sua missão.
Saíram de seu transe quando uma dracaenae arranhou as costas de Zoe e a caçadora atirou no monstro de maneira precisa.
– Precisamos ir embora. – Disse Annabeth limpando os olhos com as costas da mão. – Já está amanhecendo.
– Como iremos? – Perguntou Zoe.
– Viagem das sombras. – Respondeu Nico sem delongas e pegou a mão de Annabeth.
Percy logo pegou a mão de Zoe e Thalia a mão da deusa. Logo as sombras os consumiram e eles estavam de volta à entrada do Acampamento Meio-Sangue.
Pela barreira o Acampamento encontrava-se em completo caos. Os campistas corriam de lá pra cá. Bianca e Clarisse ditavam ordens a todos.
Zoe, Percy e Ártemis logo passaram a barreira, restando apenas Thalia e Nico no topo da montanha olhando tudo de longe.
– A vida é tão efêmera... – Disse Thalia como se em transe.
– Sinto tanto por Phoebe. – Respondeu Nico.
– Eu queria te falar isso... Porque eu não sei se vou sobreviver a tudo isso. – Disse Thalia finalmente olhando para o guerreiro.
– Isso o que?
– Que eu gosto de você. – Respondeu a filha de Hades e então Nico finalmente olhou para ela. – E eu só queria que você soubesse.
A guerreira deu de ombros e começou a caminhar, mas logo o filho legítimo de Hades puxou-a pelo pulso trazendo-a mais para perto.
– Eu gosto de você também. – Sussurrou o guerreio no ouvido da Grace antes de finalmente acabar com a distância entre eles, selando seus lábios.
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