Os fantasmas em minha vida.

1 E o fim era só o começo (PRÓLOGO)


“Olhei para o chão, para a base arredondada de granito, um semicírculo de mais ou menos dois metros de pedra, que se interligava com a escadaria... foi quando senti uma torção em minhas entranhas. Permaneci ali, incrédulo, fitando o chão... não saberia dizer por quanto tempo, fitando o brilho cintilante, ouvindo o tilintar de metal que ainda vagueava moribundo pelos meus ouvidos. Decidi, então, passar a mão vagarosamente sobre o pescoço e nada encontrei. Pensei nas muitas coincidências que presenciara ultimamente e na imensa indiferença da minha parte em relação aos fatos. E, apesar de insano, algo insistia murmurando em meus ouvidos que alguma coisa estava errada, muito errada...”

- Você não devia ler isso.

- AAAAAAAAH! – grita Julie, que quase caiu da cama. – Que droga Daniel!

Daniel olha ironicamente para a garota e se senta ao lado dela na cama. Tira o livro das mãos dela e lê a capa.

- 03:33 e outras histórias de suspense? – pergunta Daniel, jogando o livro de volta pra ela. – Fala sério! Você odeia esse tipo de coisa.

- Quem disse isso? Eu estou começando a gostar. – responde Julie, tentando achar a página em que havia parado.

- Será que começou a gostar quando o panaca falou que adorava essas porcarias? – argumenta Daniel levantando a sobrancelha.

- Não fala assim do Nicolas. – briga Julie, cruzando os braços. – Você não tem mais nada para fazer? Sei lá, vai assombrar um banheiro.

- Bem, você que sabe. – fala Daniel levantando-se da cama. – Mas, depois, quando tiver pesadelos, não diga que eu não avisei.

Ele ri e desaparece no ar, uma atitude que irritava bastante Julie, pois ele sempre sumia no meio de uma conversa importante ou quando algo o incomodava. Bufou, voltando a ler a partir do trecho que tinha sido interrompida. As luzes da casa piscaram e se apagaram.

- HAHA, muito engraçado Daniel. Agora, aparece. – fala Julie, levantando-se da cama.

Silêncio, ela não conseguiu ouvir coisa alguma. Pegou o celular e iluminou o caminho, indo em direção à edícula.

- Daniel? Martim? Félix? Vocês estão aqui? – pergunta, tentando conter o tremor nas mãos. – Apareçam, isso é sério!

Nada, nenhum movimento, nenhum ser vivo ou ser morto.

- Oi Julie, tá aqui tem muito tempo? – pergunta Félix, surgindo inesperadamente na frente de Julie com uma lanterna acesa em direção ao próprio rosto.

- AAAAAAAAAAAAAAAH! – grita Julie, caindo desacordada no chão.

- Tsck Tsck! Eu avisei que não era uma boa ideia ler essas indicações do panaca. – fala Daniel balançando a cabeça.

- Tá, e agora? — pergunta Martim colocando as mãos na cintura. — Como vamos levá-la de volta? O pai dela está em casa e acho que ia pirar se visse ela flutuando no ar.

- Deixa ela aí, agorinha ela acorda. — fala Daniel dando de ombros.

Os três fantasmas ficaram olhando a menina inconsciente no chão e riram silenciosamente, enquanto desapareciam no ar.

- Teimosa. — resmunga Daniel reaparecendo e jogando uma leve manta sobre ela.

Notou que a garota sorriu levemente e abraçou o tecido macio, caindo em seu mundo de sonhos.