Os escolhidos
2 Um encontro nada especial
Notas iniciais
–Acorda!
–acorda logo garoto!
–anda que não aguento mais por muito tempo!
–acorda!!!
–hum... resmungou Steve.
–ufa, ainda bem que você acordou, cheguei a achar que estivesse morto.
–quem é você? perguntou Steve.
–acho que agora não é uma boa hora pra apresentações, se não percebeu ainda, estamos encurralados aqui!
nesse momento Steve olha ao seu redor e percebe que esteve inconsciente por bastante tempo, talvez por muito mais tempo do que ele realmente achava.
–o que aconteceu aqui? perguntou Steve olhando para sua casa destruída.
–o máximo que você precisa saber é que... é que chegamos na hora certa!
nesse momento Steve olha ao redor e consegue ver cerca de vinte corpos, provavelmente soldados pois quase todos estavam usando armaduras, umas de ferro e outras de diamante, o estado dos corpos era deplorável a grande maioria estava mutilada, faltando partes, todos ensanguentados, outros bem pior, praticamente irreconhecíveis!
–e esses corpos?! nossa o que aconteceu?! Steve estava sem paciência, e a essa altura estava muito assustado também.
–para de fazer perguntas! disse a garota em um tom de voz muito seguro para a situação.
–se conseguirmos sair vivos daqui eu terei um enorme prazer em lhe dizer, mas te digo desde já que se não quiser se juntar a esses corpos no chão sugiro que se levante e me ajude! completou a garota.
Steve não pensou duas vezes, pegou uma espada de ferro que estava fincada na barriga de um zumbi morto, logo após limpar o sangue verde que estava na espada, correu em direção a um corpo jogado no chão e pegou um capacete e um peitoral, eram de um soldado morto, após isso saiu correndo para perto da garota deolhos verdes e cabelos ruivos.
–foi o melhor que conseguiu arranjar? perguntou a garota.
–não preciso disso! uma espada já me é o suficiente! revidou Steve.
nesse momento ele tirou o peitoral, não por causa do que a garota havia dito, mas por que o peitoral estava amassado e incomodando muito Steve.
–ótimo, você sabe que esse seu orgulho tosco quase custou sua própria vida hoje!
–poxa! você é sempre chata assim ou só quando está prestes a morrer?! retrucou Steve.
–piadinha sem graça! disse a garota.
Apesar de todo aquele assunto de morte, Steve não fazia a menor ideia do que estava se passando, e nem o por que da garota fazer tanta confusão. Olhava em volta à procura de alguma ameaça e não via nada, somente sua casa pegando fogo, as brasas subindo para o céu e iluminando de forma assustadora todo o ambiente, as sombras produziam um efeito de dar medo em qualquer um, mas nada que representasse uma ameaça real em si, um riacho calmo que mais à frente se transformava em corredeiras e logo depois em uma cachoeira não traziam medo algum, apenas uma paz repentina à mente conturbada de Steve.
–mas afinal de contas, contra o que exatamente vamos lutar?! perguntou Steve.
–você esta cego garoto?! não está vendo esses corpos aí no chão?! o que você acha que fez isso?! Respondeu a garota.
Steve olha à sua volta e percebe que vários zumbis estão cruzando um rio que se encontrava bem do lado deles, o mesmo rio onde Roinc tinha caído antes dele desmaiar, o mesmo rio que tinha mantido Steve vivo oferecendo vários peixes que ele pegava com sua vara de pescar.
–droga... agora sei contra o que estamos lutando. e não acho que seja contra um bando de zumbis.
–como assim garoto?! perguntou ela.
–olha ali, bem atrás daqueles zumbis, está vendo? uma caverna. disse Steve.
– sim, e daí?!
–você não está vendo aquelas criaturas pretas saindo da caverna não?!
–ARANHAS! não acredito! nós vamos morrer agora! a garota estava desesperada.
logo após dizer isso a garota olha para Steve e percebe que ele saiu correndo igual um louco em direção à mata que ficava atrás da casa recem destruída.
–ei! volte aqui! vai me abandonar mesmo?!
–me segue então, ou você prefere encarar aquele bando de zumbis e aranhas sozinha?!
–mas pra onde você está indo?
–para de fazer perguntas e vem logo! disse Steve entrando na mata.
Nesse momento ela para de falar e passa a correr atrás de Steve, antes de entrar na floresta percebe que tem uma legião de zumbis acabando de sair da água e começando a pisar em terra firme, sente um frio percorrer sua espinha quando se da conta de que eles não terão a menor chance de escapar das aranhas pois elas são três vezes mais rápidas que os zumbis e tem a habilidade de subirem em árvores.
–Espera! gritou a garota.
–cala a boca e CORRE! disse Steve começando a subir em um pequeno declive, era o início de uma enorme montanha.
–se continuarmos assim não vamos escapar! gritou a garota pela segunda vez.
–fica tranquila que eu tenho um plano. mas você devia dizer seu nome de uma vez caso você morra quero saber o que escrever na sua sepultura! disse Steve rindo.
–você acha que vai sobreviver? faça-me rir garoto!
ignorando o comentário nada inspirador da sua amiguinha Steve continuou:
–me chamo Steve!
–Adália! Muito prazer.
Nesse momento eles já estavam chegando no topo da montanha, Steve ia na frente abrindo caminho, indo pelos lugares que ele achava serem os mais seguros e Adália ia coladinha, pisava exatamente onde Steve pisava, ela morria de medo de altura, mas não mostrava nenhum receio de subir naquela montanha, sabia que não podia mostrar medo, até por que, tinha centenas de monstros começando a subir na montanha também!
–chegamos! disse Steve.
–ótimo! chegamos no topo da montanha que bom! e agora?!
–olha aqui, logo atrás de mim...
–STEVE!!! você está louco?! tem um abismo aí!
–eu sei, esse era o plano desde o principio!
–mas o que você pretende fazer? perguntou Adália com medo da possível resposta de Steve.
–agora lutamos ué! o que nós fazemos? pulamos daqui então?!
–não, achei que tivesse um plano melhor.
–pois não tenho! O plano é esse! E o penhasco é só para garantir!
Ao perceber que os zumbis estavam quase chegando onde eles estavam, Adália começa a lagrimar, se lembra de tudo o que tinha passado a tudo que havia sobrevivido até aquele dia, se lembra do dia em que tinha sido promovida ao cargo de capitã do exercito de Téfires, do olhar do povo ao ver ela passando pelas ruas do reino, da admiração da sua família, da alegria que sentia ao ver as crianças pedindo para tocarem na armadura de diamante que ela usava... mas também se lembrou das mortes... dos assassinatos que teve que fazer para conseguir o cargo... do passado... dos ferimentos, da chuva, da lama caindo em seu rosto, da noite em que se perdeu de seu grupo no treinamento da acadêmia de guerreiros... do escuro... do som da morte gritando ao seu redor enquanto lutava com aquele monstro negro... dos olhos roxos...
–Adália!!!
gritava Steve ao longe... sua voz parecia apenas um eco em uma caverna profunda.
–Adália!!!!
Steve continuava gritando, mas Adália estava perdida em seus pensamentos.
os olhos roxos se aproximando... suas mãos tremendo ao segurar aquela espada de pedra manchada de verde, aquele monstro de três metros de altura se aproximando cada vez mais, sumindo e aparecendo tão rápido quanto os olhos se fecham e abrem... o pânico... conseguia ouvir a batida de seu coração... o golpe dado no vento... um empurrão tão forte que a joga em um buraco cheio de água no chão... estava perto... conseguia sentir o cheiro da morte apenas respirando aquele ar gélido...
–Adália!!!! acorda!!!!
–aaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh!!!!
Nesse momento uma aranha vinha vindo bem no rosto dela, mas Steve mais rápido que uma flecha se joga na frente e finca a espada bem na barriga da aranha, não deixou sequer ela gritar, puxou a outra espada e deu outro golpe certeiro bem na sua cabeça e a cortou fora!
Ele estava segurando duas espadas nesse momento, uma em cada mão, sabia que uma espada não seria suficiente para aquela situação.
–onde conseguiu essa outra espada? Perguntou a garota.
–a encontrei bem ali com aquele soldado, parece que ele tentou se abrigar no topo dessa montanha também mas foi pego pelos monstros.
–nossa, espero que não tenhamos o mesmo destino que ele. completou Adália.
–se você me ajudasse e parasse de dormir! talvez agente consiga sair vivo daqui! disse Steve.
–desculpa, apaguei por um tempinho...
–espero que não faça isso de novo, se não talvez não tenha tanta sorte como agora! Disse Steve.
Adália não entendia muito bem Steve, quando encontrou ele caído no chão em frente a sua casa destruída ele parecia ser apenas um sobrevivente, apenas mais um como tantos outros que ela já tinha encontrado, mas naquele momento ele estava dando ordens, estava LUTANDO com aqueles monstros com tanta agilidade que ela já não entendia direito quem era Steve, quem era aquele garoto que tinha acabado de salvar sua vida...
***
Quando os primeiros raios de sol começaram a bater no rosto de Steve ele se deu conta de que o pesadelo já estava perto do fim, sabia que quando o sol nascesse completamente todos aqueles zumbis iriam pegar fogo, e as aranhas voltariam a ser os seres calmos que sempre são durante o dia, ele percebeu que Adália estava exausta, ela golpeava os zumbis não deixando eles sequer chegarem perto, assim que os zumbis começavam a subir para onde eles estavam ela dava um único golpe que desequilibrava a criatura e a derrubava montanha abaixo, chegando no chão eles morriam quase que instantaneamente.
Adália tinha que admitir que apesar do perigo que estavam passando o plano de Steve era ótimo e sem falhas! A não ser uma...
–Steve cuidado!
Nesse momento uma aranha saltou sobre Steve, ele não a viu por que ela saltou de cima de uma árvore que ficava bem no topo da montanha, exatamente onde eles estavam.
–aaaaaaaaaaaaa.... gritava Steve enquanto caía penhasco abaixo.
Na hora que ele caiu ele bateu a cabeça em uma rocha e desmaiou e continuou rolando penhasco abaixo, por sorte o penhasco tinha um rio que passava lá embaixo, na verdade, esse penhasco era um buraco feito pela água que passava lá por milhões de anos, conforme passava ia carregando os minérios e sais minerais deixando para trás apenas uma enorme cavidade, por sorte Steve caiu dentro d’água e foi sendo arrastado até cair em uma pequena ilha de areia que ficava bem no meio de um rio.
Enquanto isso Adália ficou lutando contra os monstros, e por um instante se tocou e viu qual era o verdadeiro plano do Steve.
–Agora eu intendi! Agora eu sei o porquê dele nos trazer para esse penhasco!
Sem pensar mais em nada, Adália largou a espada e se jogou naquele imenso buraco, caiu por um determinado tempo em queda livre sentindo o vento frio batendo em seu rosto... Seguido posteriormente por um leve golpe, o plano deu certo, ela caiu dentro da água, enquanto nadava só pode ver os zumbis pegando fogo por causa do sol que já havia nascido a esta altura, foi sendo levada pela correnteza até chegar no mesmo lugar onde Steve tinha caído, pena que ele parecia estar desacordado, da mesma forma como Adália havia o encontrado no início daquela mesma noite, enquanto tentava reanimar Steve ela ouve passos...
–quem está ai?! Ela pergunta
–já vou avisando que se não dizer nada irei atacar! Adália não tinha arma nenhuma com ela, a única espada que tinha deixou encima da montanha estava apenas com a armadura de diamante.
Mais passos são escutados...
–já avisei!
Nesse exato momento uma figura humanoide surge do meio de umas palmeiras que ficavam na ilha, o vento forte faziam com que a areia presente no chão voasse e caísse bem nos olhos de Adália, então ela não conseguia distinguir quem era, ou o que era.
–quem é você? Pergunta ela pela segunda vez.
Após alguns segundos de silêncio, Adália escuta um som que lhe é totalmente familiar, e que faz com que ela se acalme completamente...
–Roinc, Roinc!
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