Os escolhidos
19 O inicio da maldição
Notas iniciais

Enquanto isso em um barco no meio do Oceano...
–Steve me dá um pedaço dessa carne de peixe?
–toma...
–argh! Isso aqui está horrível! Muito salgado!
–rsrs. Desculpa é que estamos com pouca água e tive que lavar com água salgada mesmo.
–podia ter me avisado antes...
–e você devia ter perguntado.
Adália apenas virou a cabeça para o outro lado e encheu as bochechas de ar, parecia uma criança mimada que acabava de receber uma lição.
Steve cruzou os braços e fechou os olhos, não entendia o por que de brigar tanto com Adália e muito menos o por que de se irritar tão facilmente, só sabia que não levava aquilo a sério, era mais uma brincadeira pra ele e esperava que para Adália fosse a mesma coisa:
–aiai... doze horas que estamos aqui... acho que eu vou enlouquecer! Diego ficava tirando lascas de madeira da beirada do barco, quebrava ela ao meio e depois jogava na água, até que em um momento ele cortou o dedo.
–Droga...
O sangue escorreu, pingou na água salgada e começou a afundar... era como se no momento em que tocasse na água tivesse virado fumaça... ficou transparente e se dissolveu... mas... Diego olhou na água... lá no fundo mesmo e viu uma coisa amarela meio que turva por causa da água... areia!
–terra a vista! Steve deu um grito. –sempre quis dizer isso. Ele sorriu.
–terra?! Adália deu um sorriso e seus olhos verdes brilharam.
Diego apenas sorriu, deu uma pequena olhada muito rapidamente em sua foto e depois colocou na sua mochila.
–Nossa, nem acredito! Depois de tanto tempo enfim chegamos na terra! Graças a Nocth!
–Notch? você acredita nisso Steve?
–temos que acreditar em alguma coisa... Steve respondeu Adália.
–sem comentários. Diego falou.
Ele estava muito calado desde que saíram do Espirito de Aventura, era como se fosse outra pessoa quando estava longe da Bella, Steve e Adália já tinham percebido mas não iriam tocar no assunto nem que fosse pra salvar suas próprias vidas.
–ham... tá bem. Steve respondeu.
–Ok! Adália completou.
O barquinho foi navegando lentamente até a praia, era enorme! Um litoral inteiro se formava à medida que eles se aproximavam, a areia molhada, a brisa marítima se fez presente e pela primeira vez em dias nossos aventureiros puderam pisar em terra firme. O Sol dava as boas vindas à terra recém descoberta os pássaros cantavam a mais bela canção e anunciavam a chegada dos mais novos moradores.
Adália tratou de vestir parte da sua armadura antes de sair, Steve fez o mesmo mas Diego apenas pegou sua velha mochila que parecia mais uma aljava de tanta flecha que carregava e seu arco. pulou na nova terra, assim que tentou dar o primeiro passo caiu de rosto na areia fofa, ficou dias sem dar um passo sequer, era como se fosse uma criança que estava aprendendo a caminhar, Adália e Steve tiveram mais sorte, não caíram.
–parece que agora teremos de caminhar bastante... se eu não me engano Angra fica a dois dias daqui. Adália disse isso enquanto guardava as duas cabeças de Enderman.
–ótimo! Parece que estamos mais perto agora. Steve sempre pensando positivo.
–Adália. Diego chamou nossa heroína.
–o que foi Diego?!
–e se agente fosse a cavalo?
–Como assim?!
–olha ali!
Diego apontou para a entrada de uma floresta que se iniciava no momento em que a areia acabava e um solo de grama verde e rasteira se iniciava.
–ótimo! Diego você é um gênio cara! Steve deu um sorriso e foi na direção dos cavalos que pareceram se assustar.
–Steve para! Adália e Diego gritaram para Steve.
–o que gente? Eles estão bem ali...
Cavalos era uma espécie típica do reino do Leste, todos os cavalos de todos os outros reinos vinham dali.
–esses cavalos são selvagens! Se quisermos pega-los temos de bolar um plano! Adália tirou o lençol de lãda bolsa e começou a rasga-lo em tiras que pareciam cordas.
–o que está fazendo? Diego perguntou.
–Pegando os cavalos ué! Ela respondeu.
***
Era por volta das duas horas da tarde quando Steve jogou uma maça no chão e um cavalo foi tentar come-la mas foi surpreendido pelo laço improvisado de Adália, meia hora depois já tinham três cavalos capturados e prontos para serem montados, Adália Diego e Steve montaram no lombo dos animais e galoparam durante todo o resto da tarde, quando a lua já aparecia no céu eles puderam avistar luzes amarelas no horizonte, centenas de milhares de luzes amarelas eram tochas, dez minutos depois chegaram no alto de uma montanha e de lá avistaram as muralhas de um reino destruídas, centenas de milhares de monstros: endermans, creepers, zumbis e esqueletos circulavam tranquilamente pelas ruas, somente andando de um lado para o outro como se estivessem apenas fazendo uma ronda para garantir que aquele território fosse deles. Algumas pessoas estavam sendo devoradas, tendo suas tripas arrancadas e dilaceradas, os zumbis certamente eram as piores criaturas, eram frias, alguns puderam ser vistos arrastando crianças mortas pelo pés para fora do reino... provavelmente elas seriam devoradas em uma caverna, tudo o que Diego pedia em seus pensamentos é que elas estivessem mortas, seria um pesadelo para qualquer uma delas acordar em uma caverna escura e fria e depois ser comida viva por um monstro de dentes afiados... uma fera em forma humana mas desprovida de alma e de qualquer sentimento... eram poucas as vitimas que sobreviviam para contar história, e as poucas que conseguiam escapar ficavam traumatizadas pelo resto da vida.
–Parece que chegamos tarde demais... Steve suspirou tristemente.
–não se culpe Steve... Diego tentou consolar seu amigo. –Se alguém tem que ser culpado por isso esse alguém é o Marcelo!
–eu sei... mas mesmo assim não consigo deixar o sentimento de culpa de lado... é como se eu de alguma forma fosse o culpado por isso.
Adália derramou lágrimas, era a mais durona dali e já vira coisas parecida com aquelas se não piores, mas... sua natureza feminina falava mais alto nesses momentos. Adália enxugava suas lágrimas em seu luto silencioso pela alma daquelas pobres pessoas quando Diego deu-lhe um abraço por trás e um beijo em sua cabeça, era o mais puro sentimento que ele pudera ter mas se fosse em outra situação certamente levaria um soco bem no meio da cara...
–obrigada... ela apenas sussurrou.
Ele não disse nada, apenas apertou ela um pouco mais forte.
Steve olhava para as chamas enquanto os dois tentavam de alguma forma diminuir a dor que ver aquelas cenas lhes causavam... ele não viu o que aconteceu já que ambos os dois estavam nas suas costas, Steve sentou no chão e abaixou a cabeça...
–Steve! Diego deu-lhe um chamado.
Ele apenas olhou. Não disse nada.
–acho que vi uma caverna perto daquelas árvores de carvalho, o que acha de ir lá e acender uma fogueira para passarmos a noite?
Ele apenas se levantou e montou em seu cavalo, foi galopando calmamente até a caverna, deixou Diego e Adália sozinhos...
***
A lua já estava no meio do seu percurso pelo céu quando Steve ouviu sons do que pareciam galopes, depois viu Adália e Diego vindo em sua direção silenciosamente e dois cavalos amarrados a uma árvore de carvalho, antes de entrar encontraram Steve alimentando o seu cavalo com algumas maças, assim que Adália passou ele deu um sorriso como se estivesse feliz e contente com o seu novo amigo animal, era um garoto inocente mas que já viveu bastante coisa, dava traços de que seria um grande homem algum dia mas a juventude ainda aflorava em sua personalidade fazendo dele em certos momentos um adulto e em outros uma criança que só queria brincar, estava na fase de transição.
–deixei uns peixes assando do lado da fogueira, se estiverem com fome... foi Steve quem tinha pescado aqueles peixes enquanto eles estavam navegando no oceano, usou um fio de couro que servia de cadarço de tênis e amarrou na ponta da lâmina da sua espada, e de isca um pedaço de carne de frango que encontrou no fundo de sua mochila, quando o peixinho mordia a isca ele o puxava para fora da água e fincava a espada no pobre animal.
–obrigado Steve. Diego agradeceu com um olhar sério.
–de nada. Disse ele.
Depois do jantar...
–amanha nós vamos tentar entrar no reino do leste, acho que quando o sol nascer os monstros irão deixar a cidade e vão se abrigar nas cavernas que é onde tem sombra, é ai que vamos tentar ultrapassar as muralhas da cidade! Adália falava como se estivesse ordenando um ataque militar.
–tudo bem, eu acho que vamos ter que passar o mais rápido por lá já que o Marcelo está procurando agente e acho que se cruzarmos com ele... Diego deixou um ar de dúvida pairando.
–estaremos perdidos. Steve completou.
–fora o fato que duas feiticeiras estarão desembarcando amanha de manha no reino do leste! E eu sei que vocês dois não poderão em hipótese alguma cruzar com elas!
–por quê? Steve como sempre se fingindo de bobo.
–eu acho que já conversamos muito sobre isso Steve! Adália direta, curta e grossa.
–sim, mas eu acho que por mais que agente não cruze com as duas, elas de alguma forma vão saber que estamos aqui!
–nisso o Steve tá certo Adália. Diego olhou para ela como se esperasse uma resposta.
Ela apenas suspirou e passou a mão nos cabelos.
–o que você quer que eu faça?! Que mate as duas é isso?!
–NÃO! Diego e Steve deram um grito muito exagerado.
Adália cerrou os olhos.
–ham... quer dizer que vocês dois realmente gostam daquelas duas... ela gargalhou.
–não sei... eu to me sentindo tão estranho desde que chegamos aqui nessa caverna. Steve falou coçando a cabeça.
–eu também... é como se a Bella estivesse perto.
–gente, os dois nunca me disseram o que acontece com vocês quando ficam sob o controle delas...
–Steve e Diego se entreolharam.
–Adália eu não fui enfeitiçado...
–como você sabe Diego?!
–por que ela me contou, me disse que não tinha feito nada como a Mel.
–e você acredita nela?!
–eu... sim.
–você é um idiota mesmo! Não dá pra confiar nelas, que DROGA! Elas são igual às mães se não PIOR!
–Adália mas a Bella...
–DISSE A VERDADE?! Ela disse que te amava?! QUE IDIOTA! Meu... dá vontade de te socar na cara Diego!
–Adália calmai... Steve se levantou do chão e tentou segurar na mão de Adália. Adália meio que teve um flashback na sua mente de tudo o que sofreu desde que Steve encontrou Mel por acaso [ou não!] no espirito de aventura, da noite em que chorou rios de lágrimas ao ver Steve com aquela outra, só que, em vez de sentir mais tristeza pegou a dor que sentia e transformou-a em ódio e direcionou totalmente contra Steve! se afastou dele. Por um momento o arrependimento bateu à porta, mas ela o ignorou.
–Adália? Steve olhou com seus olhos azuis o mais profundo que pode.
–Steve já sofri demais por sua causa, Vê se fica longe de mim, pelo menos por um tempo!
Ele não disse nada apenas continuou fitando Adália.
Ela por sua vez cruzou os braços e saiu da caverna.
–o que será que deu nela Diego?
–ainda pergunta...
–como assim? Tá dizendo que ela tá certa?!
–não meu senhor... eu estou dizendo que você devia pensar no que andou fazendo ultimamente.
–eu não andei fazendo nada de errado pra ela não querer nem tocar em mim!
–tem certeza? Usted... perdão, VOCÊ andou beijando outra na frente dela e não acho que isso seja o tipo de coisa que se esquece da noite pro dia.
–mas eu estava enfeitiçado, não foi minha culpa.
–como assim Steve?
–eu... era tipo como se eu não tivesse sentimento, tudo o que sentia era uma vontade desesperada de ficar com a Mel, e... eu não pensava nas consequências do que fazia, era como se tudo fosse apagado da minha mente quando eu ficava do lado dela, eu não me lembrava de nada.
–nossa isso é muito estranho...
–estranho é pouco! Eu literalmente não me lembro de praticamente nada do que aconteceu no Espirito de Aventura depois da noite em que eu briguei com Lópus e encontrei com ela.
–você está brincando não está Steve?!
–pior que não Diego... na verdade eu lembro das coisas sim, mas são tipo cenas de um filme arranhado, só lembro de partes do que aconteceu...
–e por que não disse antes?!
–não achei que fosse importante, e também, aos poucos estou conseguindo me lembrar...
–deve ser o feitiço meu caro amigo...
–deve sim.
Diego saiu andando com as mãos no queixo para fora da caverna, foi conversa com Adália, Steve apenas ficou sentado em volta da fogueira.
Dez minutos depois ele volta com Adália, ela simplesmente olha nos olhos de Steve com uma certa dúvida e depois se senta em volta da fogueira também.
–desculpa Steve, eu não sabia...
–fica tranquila...
–você não se lembra de nada mesmo?!
–nadinha... só algumas coisas.
–que coisas?!
–coisas ué! Por que quer saber tanto assim Adália?
Adália estava vendo se ele tinha esquecido da manha em que eles dois ficaram abraçados vendo o nascer do Sol, da vez em que ela chorou no colo de Steve até dormir e ele leva-la pra cama...
–por nada! Acho que já está na hora de dormir! ‘Parece que ele esqueceu de tudo mesmo, então isso significa que ele não sabe que eu gosto dele...’ Adália pensava consigo mesmo, sentiu um alivio repentino tomar conta de sí.
Depois os três dormiram em segurança e aquecidos...
***
–psil...
–hum...
–ei...
–hum...
–branquela acorda...
Adália abriu os olhos assim que ouviu a última frase! Sabia de quem se tratava! Deu de cara com os olhos TOTALMENTE NEGROS de MEL, os cabelos louros estavam totalmente PRETOS e cobriam parte da face dela!
–MEL?!
Ela não teve nem tempo de falar, o demônio agarrou em seu pescoço e a pressionou contra a parede fria e cheio de musgos da caverna escura, usando uma das mãos cortou o braço de Adália, as garras entraram na carne e dilaceraram quase que instantaneamente os músculos do braço dela! Ela apenas chorou, por mais que quisesse gritar não podia, uma mão forte tinha agarrado em sua garganta não deixando nem o ar passar!
Ela tirou as garras meladas de sangue de dentro do braço de Adália e lambeu o sangue, pareceu gostar do sabor, seus olhos negros se fecharam e ela saboreou na frente de sua vitima, Adália chorava e tentava sair daquela situação mas não tinha forças, por mais que tentasse não tinha jeito, olhava para Steve e Diego que dormiam bem ali do seu lado mas eles não acordavam...
***
–está com MEDO vadia? Sente medo disso?
A voz que saia era grossa e parecia mais um sussurro...
Ela não disse nada...
Mel então em um ataque de raiva começou a fazer cortes no rosto de Adália, começou dilacerando as bochechas, depois fez um corte em horizontal na testa de Adália, o sangue escorreu sobre os olhos da nossa heroína e caíram até sua boca, a dor angustiante fez com que Adália tremesse! Seu corpo estava em choque e toda vez que o demônio tocava em sua pele era como se a garra atravessasse a carne do seu rosto e rasgasse seus músculos!
Ela estava super acordada, era surreal aquilo por mais que sentisse que era um sonho e que nada daquilo existia a dor era real! A dor era muito grande para qualquer ser humano resistir... Mel, se era que ainda existia no meio daquilo tudo, levantou o dedo indicador e posicionou a garra na garganta de Adália:
–Acho que agora acabou pra você querida...
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