Os doze discípulos
1 "Aquele que carrega o corpo Imortal"- Sieghart
Cansara-se. Perdera a conta de há quantos anos ou séculos se cansara. De quantas pessoas já vira a morte, ou de quantas vezes decidira abandonar a todos com quem sabia que poderia se afeiçoar, e, por todas essas vezes, cansara-se.
Cansara-se daquele ciclo idiota de se esconder, e ser forçado a voltar por mais um grupo de supostos "heróis", que não passavam de crianças entediadas que procuravam um pouco de emoção na vida, mas que logo se arrependiam ao ver o real risco de morte que iriam encarar. Ver que a humanidade nada aprendera em tantos séculos, e que nada aprenderia em milênios, o decepcionava.
E assim os séculos passaram, e mesmo a imortalidade possui um fim, e se sente este fim ao encontrar a causa.
"Pelo sangue um nasce e pelo sangue um morre" Lembrava-se dessas palavras que uma vidente havia lhe dito há alguns séculos. Agora elas se realizavam. Uno nascera por um descuido, e agora o próprio Imortal morreria por querer ajudar uma descendente.
Sieghart. Trouxera glória a esse nome? Não, glória não, mas sim amaldiçoou seu sangue ao procurar pela imortalidade. A profecia se cumpriria agora. O velho ambicioso não entendera que a busca decidira seu destino séculos antes. Morrer pelas mãos daquela que lhe trouxera a dita "glória".
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