Os dois reis sob a montanha
66 Surpresas!
Como estava tinha se arrependido!
Por que ficou tanto tempo enfurnado em seu quarto?
Sim, tinha a questão do frio! Um grande empecilho para se aventurar fora do seu seguro, confortável e quente quarto. Além disso, havia o conceito ruim que tinha formulado sobre aquela estação específica, nunca comemorara o inverno! Sempre o temeu a chegada do clima congelante, sempre observara os flocos de neve com tristeza e pesar. Pelo visto, o Festival Yule poderá mudar isso...
Ou já estava mudando?
Bem, ver como a sala do trono estava toda enfeitada por árvores adornadas com gemas preciosas, a luz adentrava por estreitos túneis a direcionadas por uma complexa rede de espelhos, permitia que o grande salão fosse iluminado. Agora com as gemas e outras pedras preciosas dispostas juntos os referidos espenhos, a luz adquiria diveras colorações, deixando o local com aspecto totalmente místico.
— Thorin...Isso é...É... — Bilbo fez gestos com as mãos esperando que assim pudesse expressar melhor o que sentia ou via.
— Se está sem palavras, considero isso um grande elogio. — Comentou satisfeito o rei anão, que embalava um eufórico Frerin em seus braços. O principezinho estendia as mãos, tentando capturar uma de uma das gemas brilhantes (provavelmente para colocar na boca).
O casal real caminhava tranquilamente pelo longo salão moldado na rocha bruta que preserva alguns aspectos naturais tal como grandes Estalactites e estalagmites. Os outros anões que encontravam durante o caminho os cumprimentavam, mesmo com a formalidade requerida na relação entre a realeza e seus súditos, podia ver a animação e o carinho que aqueles anões transpareciam em seus gestos e olhares.
— Estou curioso por saber mais sobre esse festival, além dos efeitos e da comida...O que mais acontece? — Inqueriu, seus súditos tinham se aproximando para oferecer mais quitutes para que o segundo rei provasse. Eram doces moldados no formato de árvores e estrelas, tão meigos e delicados que era difícil associar com a postura bruta e rústica dos anões.
“Bem...Eles conseguem lapidar belas gemas e também a própria rocha...Não deve ser tão difícil usar tal habilidade na culinária! Eles só precisavam de um incentivo!” pensou enquanto mastigava um dos doces.
— Temos competições, é logico. — Informou Thorin com um brilho no olhar. Bilbo logo reconheceu aquele tipo de olhar... Era o olhar competitivo do grande rei Thorin!
— Que tipo de competições?
— Tem a dança.
Agora o hobbit franziu o cenho.
— Espere um pouco? Eu me recordo de um certo anão que não sabia dançar em uma certa festa de casamento! Você estava me enganando, mestre Durin?
Thorin pigarreou.
— Eu não sei dançar as danças dos homens, elfos ou hobbits! A dança dos anões, como você verá é algo totalmente diferente! Eu não me aproveitei de você ou algo do tipo...De fato eu não sabia os passos de uma valsa...Ou qualquer coisa parecida!
Bilbo arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
— Só acredito vendo!
— E você verá! — Garantiu o primeiro rei, agora estampando um sorriso malicioso, algo que gerou reações conflitivas no pequeno hobbit, tais como o aumento de seus batimentos cardíacos e uma necessidade de puxar a barba do seu marido e apagar tal expressão provocadora de seu rosto.
— Além disso... — Continuou o Durin — Temos outras competições...De bebidas, por exemplo.
— Bebidas? — Bilbo notou que estava sendo conduzido para uma galeria que interligada o salão do trono e o grande salão circular onde ocorria a maior parte das festas. Quando adentraram nesse referido salão o hobbit se viu que o mesmo estava arrumado com longas mesas com diversos barris de madeira, garrafas e copos. Havia também panfletos com o nome das bebidas e a safra. Bilbo reparou que tais nomes estavam expressos em linguagem comum, élfico e na língua anã.
— Uma competição da melhor bebida, mas não envolvendo só Erebor. Mirkwood e Valle também foram convidadas e... Também...
Bilbo não deixou que Thorin terminasse...Viu grandes barris pintados de verdes dispostos no fim de uma mesa. Reconhecera, de imediato, o nome escrito na sua placa.
— Bree? Mas isso está no Condado. — Balbuciou, surpreso.
— Exatamente! — Alguém surgiu por detrais de uma das mesas, carregando dois barris cor verde grama. Ele era alto...Para um Hobbit...Além de ter um tapa-olho.
— Ada...Primo Ada? — Bilbo não queria ter gritado e nem ter parecido tão eufórico, mas foi exatamente isso que ocorreu. O segundo rei abandonou todo o decoro e os protocolos e correu de encontro ao seu querido primo, que, por sua vez, abandonou os barris que carregava e abriu os braços, recebendo de bom grado Bilbo.
— Que roupas chiques, Primo Bilbo? — Riu Ada — E seu cabelo cresceu? E você está cheio de tranças!
— Ada! É você mesmo? Mas como? Digo...
— E os convidei. — Informou o primeiro rei, que parecia se controlar para não rosnar. Sabia que Bilbo amava a sua família...Sabia que Ada era mais um irmão do que um amante. Contudo, não podia controlar o seu ciúme.
— Sério? — Bilbo se soltou do seu primo para fitar o seu marido com um imenso sorriso. Aquilo foi o suficiente para Thorin esquecer o seu ciúme e corresponder o sorriso com afeição — Mas quando? Se foi para o festival Yule...Para ele vir aqui...A viagem de Hobbiton até Erebor é mais de três meses, no mínimo! Só faz um mês, mais ou menos, que o julgamento de daquele anão ocorreu!
— Ele nos chamou bem antes disso. — Outra voz conhecida, Bilbo sentiu que o seu coração iria parar naquele momento... Afinal, não esperava reencontra-la novamente.
— Vovó Tük? — Se virou para encontrar a hobbit anciã de cabelos grisalhos e sua poderosa bengala. Aquela figura franzina, conferindo uma falsa ideia de vovozinha inofensiva, recebeu dois órfãos hobbits desamparados de braços abertos e lhes deu um lar enquanto muitos tinham virado as costas.
— E quem mais você esperava ver? — Disse rabugenta — Não ganho um abraço? Que neto ingra...
Ela foi interrompida, pois o referido neto praticamente a atacou, a abraçando com força. Vovó Tük logo notou que Bilbo chorava.
— Ora, vamos...Deixe de choro! Pensou que não iria mais me ver, não é mesmo? Pois pensou errado, ninguém impede a vovó Tük de realizar seus desejos! Eu disse que desejava ver meu bisneto e assim, estou aqui!
— Mas...A viagem! Ela deve ter sido muito cansativa e perigosa, para uma senhora de s...
— Está me chamando de velha, Bilbo?
— Er...Bem... — O segundo rei observou, para o seu desespero, que a Hobbit tinha conseguido recuperar a sua bengala — Eu não disse isso...
— Eu posso não estar na flor da idade, mas ainda sou capaz de me defender! E ainda mais, não viemos pelo caminho convencional!
— Como assim?
— Eu dei uma carona!
Mais uma figura adentrou naquele momento de reencontros. Um homem de roupas e pontudo chapéu cinzento, um longo e retorcido cajado...
— Gandalf! Você aqui? Digo...Oh! Céus! Thorin, que mais surpresas você escondeu de mim? — Se voltou ao seu marido que segurava um agora tímido Frerin (que escondia o rosto na barba escura do papai anão) nos braços.
— Ora, o festival Yule é uma ocasião especial...Eu estava planejado esse festival muito antes de toda essa confusão ocorrer. Na verdade, logo após o nascimento de Frerin II. Já que era o início do inverno, achei propicio que reviver antigas comemorações de Erebor e ainda fortalecer a aliança com o Condado. Além disso, o Festival Yule é caracterizado por ser algo a ser comemorado com seus familiares e amigos mais íntimos...Nada mais justo que eu trouxesse sua família para a ocasião. — Explicou o primeiro rei, rapidamente, sob o olhar desconfiado do seu esposo.
— Você devia ter dito para mim!
— Ora, Bilbo, se eu o fizesse, deixaria de ser uma surpresa.
— Mesmo assim...AI! — Bilbo recebeu uma begalada de sua avó, os guardas anões ficaram boquiaberto, não sabiam se deviam intervir ou ficarem assombrados com a rapidez e destreza como que aquela anciã empunhava a sua bengala.
— Pare de criticar o seu marido! O que importa é que estamos aqui! Faz anos que não participo do festival Yule, aliás, a última vez que o Condado teve esse festival eu ainda era uma criança! Estou animada para ver como os anões adaptaram essas festividades! Agora, você... — Ela apontou com a bengala para o meio do rosto do primeiro rei, novamente a guarda real estava insegura de como deveriam agir, não era assim que os soberanos de Erebor deveriam ser tratados.
— Sim, minha senhora? — Respondeu Thorin que não parecia temer A bengala e tão pouco parecia ofendido pelos modos da anciã.
— Deixe-me ver o meu bisneto! — Exigiu.
— Claro. Vamos Frerin... — Disse persuadindo o seu filho ainda tímido — Venha conhecer a sua família Hobbit.
Bilbo sentiu seu peito ser preenchido por um sentimento quente e reconfortante, observar a hobbit que o criou com tanto amor agora tendo o seu filho em seus braços. Pensava que não iria ver essa imagem, ainda mais tendo em vista a idade avançada da matriarca dos Tük.
— Fico feliz que ele esteja bem. Na verdade, que todos vocês estejam bem. — Comentou o velho mago ao seu lado, fazendo o segundo rei despertar de sua divagação.
— Fico feliz que os tenha trazido...Com o fez? Magia?
— Na verdade, foi mais uma carona...Estou começando a dever muitos favores as grandes águias.
Bilbo assentiu, se recordando das imensas aves que trouxera seu primo e sobrinhos de Valfenda.
— Soube que vocês passaram por muitas dificuldades. Peço perdão por não estar aqui para auxiliar...
— Gandalf, você não é nossa babá! Nós sabemos nos cuidar...No final, tudo foi resolvido. — Respondeu mirando de relance Gandalf que ainda detinha um semblante preocupado.
— Soube que Orcs invadiram a montanha, mas pelo visto eles não desejavam atacar os anões em si...Eles buscavam algo, não é mesmo? — Os olhos azuis do mago focaram os verdes de Bilbo, que, por sua vez, engoliu em seco. Instantaneamente o hobbit pensou no Anel...Que estava guardado em um compartimento oculto em seu armário, no espaço destinado as roupas de baixo (local que Thorin nem iria investigar). Sentia um estranho desejo de manter tal anel próximo, mas ao mesmo tempo algo o alertava do perigo. Esse paradoxo de emoções o impedia de se livrar da misteriosa joia, mas também inibia que falasse a respeito da mesma.
— Você deve ter ouvido falar que eu meio que me perdi nos túneis...Mas encontrei algo lá... — Revelou, era difícil falar sobre isso, era como se cada palavra arranhasse sua garganta.
— Mesmo? O que foi? — Inqueriu Gandalf levantando as sobrancelhas cinzentas.
— Foi...Foi... — Bilbo engoliu em seco — Minha coragem! Eu...Encontrei a minha coragem!
O mago franziu o cenho com aquela intrigante resposta.
Felizmente eles não teriam que falar mais sobre isso, pois graças ao primo Ada, houve uma interrupção.
— Ele é tão fofinho! — Primo Ada falava choroso — Mas muito forte! Ai! Ai! Larga meu cabelo!!
Frerin ria animado, segurando um dos cachos castanhos do grande Hobbit.
— É a força de sua herança anã. — Informava Thorin, orgulhos. O anão não fazia nada para impedir o seu filho de quase arrancar os cabelos do hobbit.
— Ohh! Ele será um grande hobbit-anão! — Vovó Tük até estava estimulando o pequeno a atazanar ainda mais Ada.
— Frerin! O que eu disse sobre puxar os cabelos dos outros! — Reclamou Bilbo, aliviado por ter escapado da conversa do mago, mais ainda sentia o olhar de Gandalf sobre si.
Com certa dificuldade salvou os fios de cabelo de Ada. Frerin reclamou, obviamente achava muito divertido causar todo aquele drama capilar em suas inocentes vítimas.
— AHHH! — Um grito foi ouvido e som apressados de pés. Logo observaram mais um hobbit ser adicionado a confusão. Drogo se lançou sobre primo Ada, que desta vez, pego de surpresa, caiu no chão.
— Eu não acredito! Vocês estão mesmo aqui? Isso não é um sonho? Kili disse que tinha uma surpresa para me mostrar, mas eu nunca pensei que...Oh! Yavanna! — E agora ele tinha começado a chorar.
— Oh! Céus! Como meus netos fazem drama! — Reclamou vovó Tük, mas mesmo ela estava contendo as lágrimas que escapavam de seus olhos.
— Obrigado por isso... — Sussurrou Bilbo segurando a mão do primeiro rei.
— Não precisa me agradecer. — Thorin deu um leve beijo na testa do seu ainda emocionado esposo — Como disse antes, o festival Yule só faria sentido se nossa família estivesse toda reunida. O contrato uniu nossas famílias, Bilbo... Você aceitou meus sobrinhos e minha irmão como parte de sua família, nada mais logico que eu albergue em meu coração o seu primo e a formosa vovó Tük.
— Formosa? Oh! Yavanna...Quero ver se ainda irá falar isso quando ela te der umas bengaladas. — Riu o segundo rei.
— Pelo visto, a surpresa deu certo! — Kili, o jovem príncipe anão, se aproximou do grupo a passos lentos e tranquilos. Parecia contente ao ver a felicidade de seu pequeno noivo.
— Vocês realmente gostam de chamar muita atenção aonde vão, não é mesmo? — Comentou Dwalin que acompanhava o príncipe — Aliás, só vim aqui avisar que a comitiva de comedores de capi...Digo...Élfica chegou. Fili já foi recebe-los e está enrolando, como você pediu. Eles ainda não entraram em Erebor.
— Enrolando? Como assim? Está nevando lá fora! Não podemos deixar que nossos convidados fiquem exposto deste jeito! — Bilbo brigou, mas percebeu que uma troca de olhares cumplices ocorria entre Thorin, Dwalin e até mesmo Kili.
— Que plano vocês estão falando? — Exigiu saber.
— O rei fada está entre eles, eu presumo? —Ao invés de responde-lo, Thorin questionou o seu bom amigo Dwalin.
— Sim, está.
— Perfeito.
— Thorin Escudo-de-Carvalho Bolseiro-Durin, o que você está tramando? — Bilbo bateu o pé no chão, irritado por ser ignorado. Frerin soltou uma risadinha, talvez pensando que tudo aquilo não passava de mais uma brincadeira.
— Digamos, que é mais um costume do festival Yule... — O brilho divertido que se fez naqueles estonteantes olhos azuis indicava que era bem provável que Thranduil não iria gostar nem um pouco do que quer que seja que o primeiro rei de Erebor tinha planejado.
~**~
Os grandes portões de entrada de Erebor estavam ainda mais belos recobertos de neve. Era como um manto branco e fofo tivesse sido aberto e cuidadosamente arranjando sobre a superfície íngreme e pedregosa, dando uma uniformidade a paisagem. Bilbo notou que Thorin os tinha guiado por uma entrada lateral, não utilizando o caminho principal que daria logo de encontro com a comitiva de Mirkwood que estava impacientemente parada diante dos portões de entrada.
— ...Eu sei que devem estar com frio e tal... — Tagarelava, Fili.
— Nós elfos somos resistentes, anão. — Respondeu o rei de Mirkwood ajeitando o seu casaco de pele, tão branco quando a própria neve, sobre os seus ombros.
— O nome dele é Fili, papai! Pare de chama-lo de anão. — Lembrou Legolas, que, ao contrário do pai, usava uma roupa menos chamativa de coloração verde clara, um manto e uma túnica, contudo a delicada coroa semelhante a finos galhos dourados e pequenas folhas prateadas colocada sobre a sua cabeça era o indicativo de sua linhagem real.
— E ele deixou de ser anão, por acaso? Desde quando chama-lo de anão é uma ofensa?
— É o modo como você o chama! — Insistiu Legolas.
— Ora, eu sempre falei assim! Se quer que eu chame de algo mais íntimo, me diga. Quer que eu o chame de genro? É isso?
— Duil! — Alertou Elrond, o elfo de cabelos escuros, lorde de Valfenda, estava ao lado do seu companheiro, lançando olhares de desculpas para o jovem príncipe anão que estava parado ali ouvindo toda aquela briga.
— Eu só quero saber o porquê de estarmos ainda aqui fora. Se estamos esperando Thorin nos saldar, não precisa se dar o trabalho! Eu posso entrar sem precisar da permissão daquele... AHH! — Uma bola de neve colidiu de encontro a nuca do elfo, fazendo com que a sua coroa caísse ao chão.
Legolas mordeu o lábio inferior para não gargalhar, Elrond ergueu as sobrancelhas, se virou para observar quem tivera a ousadia de acertar o seu amado e...
Pof!
Foi acertado, também, por uma bola de neve.
— Mas...O que significa isso? — Exigiu saber, Duil, com o rosto todo vermelho de raiva. Sua guarda élfica estava sendo alvejada por bolas de neve lançadas por vários anões que estavam astutamente escondidos por entre as rochas da base da Montanha Solitária.
— Isso, meu querido sogro, é a batalha das bolas de neve do festival Yule. — Explicou Fili enquanto, lançava uma bola de neve que detinha em suas mãos no rosto de Legolas. Esse deviou, por muito pouco do projetil.
— Se é uma batalha que você quer ter, querido, é uma batalha que terá! Elfos de Mirkwood, preparem-se para contra-atacar! — Ordenou Legolas, os elfos não esperaram duas vezes, se abaixando de forma sincronizada e começando a fazer sua artilharia de bolas de neve.
Duil virou o rosto, observou uma varanda disposta em uma encosta, logo ao lado da entrada principal de Erebor. Com sua visão avantajada, identificou o primeiro rei de Erebor, Thorin...E ele tinha uma bola de neve nas mãos e um sorriso arrogante nos lábios.
— Isso é guerra! — O rei élfico abandonou o casaco de pele, revelando um traje prateado por baixo, deveras colado ao seu corpo esguio, revelando (por demais) as suas curvas. Elrond engoliu em seco, corando um pouco com aquela visão, seu amante gostava mesmo de chamar a atenção.
Duil se agachou, desviando de uma das bolas de neve lançadas por Thorin, aproveitou para moldar as suas próprias “armas”.
— Ele vai se arrepender, aquele anão metido a besta! — E depois, falando uma coletânea de palavrões élficos, começou a lançar bolas de neve de encontro ao seu inimigo.
~**~
Bilbo observou tudo aquilo com um misto de assombro e divertimento, nunca imaginou que elfos e anões poderiam brincar daquela maneira, mesmo que era evidente que estavam levando um pouco a sério aquela batalha na neve.
— Você deveria se divertir também. — Sugeriu vovó Tük que habilmente retirou Frerin de seus braços. O bebê chupava o seu dedão, com os olhos arregalados, mirando tudo e a todos com tremenda curiosidade.
— Mas...
— Vá logo! — Ameaçou ela com a bengala.
Drogo, Kili e o primo Ada já tinham entrado na confusão, jogando bolas de neve um nos outros. Dwalin e Thorin gritam ordens aos seus “soldados”, estavam concentrados em acabar com o “inimigo”.
— Tolo... — Bilbo, de forma silenciosa, se aproximou do marido, com a mão cheia de neve fria, com um movimento rápido puxou o casaco e a gola da camisa de seda azulada de Thorin, enfiando a neve ali dentro.
— Mas o...? — Com a sua surpresa e desconforto, o rei anão abaixou a guarda, uma bola de neve certeira o acertou no rosto. Lá embaixo se ouviu um grito de triunfo por parte de Duil.
— Traído pelo meu próprio esposo? — Resmungou Thorin com a barba e cabelos cobertos de neve.
— E o que você irá fazer a respeito disso? — Inqueriu Bilbo, travesso.
Um sorriso malicioso se fez nos lábios do primeiro rei.
— Punição, talvez?
— Para isso...Você terá que me capturar primeiro.
Ao falar isso, Bilbo começou a correr, tendo plena consciência que estava sendo perseguido por um raivoso (ou melhor, excitado) rei anão.
O festival Yule realmente era fantástico.
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