Os dois reis sob a montanha

31 O início da jornada de Drogo


Notas iniciais
Lady: procrastinei (apenas por algumas horas, entretanto) a betagem do capítulo porque eu estava extremamente entretida com uns caras aí... ;') No google. Eu estava procurando homens com porte élfico para um dream cast de O Silmarillion. BTW, enjoy! Qualquer erro, avisem; eu estou sempre visitando a fic e editando os eventuais deslizes.

– Fili! Legolas! – Kili adentrou no Bolsão subitamente, sendo seguido por Drogo, que reclamava das botas sujas de lama do anão que sujariam a tapeçaria –Tenho novida... Hã?!

– Kili, o que foi? – Perguntou Drogo confuso ao ver o anão hiperativo se calar subitamente e logo viu a fonte da surpresa. No meio da sala, Legolas e Fili estavam se beijando, e o pequeno hobbit corou subitamente, se escondendo atrás de Kili. Não tinha previsto aquilo! Não sabia que aqueles dois eram um casal. E agora, que tinha presenciado um evento tão íntimo? Iria morrer de embaraço.

– Er... Sinto muito interromper! – Falou Kili, já interrompendo o momento. Drogo às vezes sentia vontade de bater no seu anão; ele não sabia ser nem um pouco discreto! Podiam simplesmente ter saído da sala, sorrateiramente, e depois contariam as novidades.

– Kili... — Rosnou Fili. Parecia que não era a primeira vez que o jovem anão interrompia o irmão – O que você quer? E... Drogo? – Agora notou o hobbit corado, o que fez Fili também ficar embaraçado, e igualmente Legolas, que acariciava nervosamente o seu cabelo. Drogo notou duas tranças que não estavam no cabelo do elfo na última vez que o avistou e se pegou pensando no que será que significava.

– E-eu... Digo... Nós viemos aqui para anunciar a minha resposta a proposta de Bilbo.

– E qual seria a resposta? – Perguntou Fili, de repente ansioso e também preocupado.

– Eu aceito... Aceito em ir para Erebor com vocês. – Sorriu o pequeno hobbit, tímido. O príncipe anão mais velho soltou um suspiro de alívio e Legolas sorriu, também compartilhando o sentimento de Fili... E isso significava que o coração de Kili seria poupado da dor da separação.

Agora teriam que planejar a viagem de volta a Erebor, e Fili pressentia que seria uma jornada mais perigosa do que a vinda ao Condado.

~TKATC~

Drogo se olhou no grande espelho de seu quarto. Avaliava a sua aparência, via que pelo menos suas feições tinham melhorado, e já não mais parecia um hobbit com aspecto desnutrido e doente. Sua coloração natural retornara a pele, suas maçãs do rosto tinham vestígios rosados e seus cabelos negros encaracolados pendiam em sua testa. Tentara penteá-los, mas tais cachos eram rebeldes demais para obedecê-lo. Virou-se, analisando sua roupa. Tentara parecer um aventureiro, usando o seu melhor casaco e calças. Mais parecia um mercador abastado saindo de férias!

– Mas eu nunca sai em uma aventura antes — Sussurrou para si mesmo, tentando justificar o porquê não saber como deveria se preparar e o que poderia enfrentar; entretanto, apesar de todas essas incertezas, internamente sentia um imensa alegria por finalmente trilhar o seu próprio caminho, mesmo que este ainda lhe fosse obscuro e possivelmente perigoso.

“Bolseiros são mais precavidos que Tûks, afinal somos detentores de sangue real, e não somos caracterizados como curiosos e aventureiros. Mas sei que isso não é totalmente verdade, pois meu pai e o pai de Bilbo, Bolseiros puros de sangue, levantaram juntos as espadas para enfrentar os Orcs, e foram heróis!” Pensou, confiante.

– Não serei diferente deles! – Falou orgulhoso, estufando o peito. Saiu do quarto e logo deparou com Adalgrim a sua espera. O grande hobbit se lançou sobre o jovem Bolseiro, praticamente o sufocando com um forte abraço.

– A-Ada... — Falou ofegante, afinal era difícil de respirar em meio aquele braços.

– Primeiro o Bilbo e agora você... Irei perder todos os meus pequenos primos? – Sua voz era falha, e era óbvio que o destemido Adalgrim Tûk estava contendo o choro.

– Oh, Ada... Você não está nos perdendo. – Deu tapinhas reconfortantes nas costas do primo – Quando Bilbo partiu, havia a incerteza de que poderia retornar para o Condado, nem que fosse tão somente para visitar. A incerteza estava centrada no marido dele, Thorin — se ele seria um obstáculo ou um aliado. Hoje sabemos que o primeiro rei de Erebor ama o nosso primo Bilbo e não irá impedi-lo de retornar a seu reino de origem... Por isso, não será um adeus, e sim um até logo!

– Mesmo assim, ficarei solitário sem vocês... – Ada apertou mais o abraço, o ar dos pulmões de Drogo foram expelidos de uma vez.

– Mas que bebê chorão! – Outra voz se apresentou e o primo Tûk subitamente soltou Drogo, que caiu pesadamente e ofegante ao chão. Vovó Tûk tinha chegado, e pelo que parecia, usou sua bengala para golpear as costas de Ada – Você já é um adulto, comece a agir como um!

– D-desculpe, vovó Tûk. – Disse cabisbaixo.

– Está tudo bem, eu entendo o que ele está sentindo... — De fato, entendia. Seu coração agora estava apertado ao ver os dois membros mais queridos de sua família ali na sua frente. Ao escolher partir não iria mais vê-los, se separaria do conforto de seu lar e de sua pequena família adotiva; na verdade, abandonaria tudo que conhecia até o momento... Será que tinha tomado à decisão certa? Estava vacilante em dar mais um passo para o caminho que há poucos momentos parecia tão certo a ser seguido.

– Meu querido... — Vovó Tûk se aproximou e o abraçou, e desta vez o gesto foi mais delicado, para o alivio de Drogo – Eu estou tão orgulhosa de você.

– E-está?

– Lógico! Bem, não posso negar que também sinto tristeza por ver meus dois queridos netos seguindo um caminho que não poderei acompanhar e tampouco observar. Contudo, sinto orgulho de vocês terem coragem de buscarem sua felicidade, mesmo que esta esteja muito além dos limites do Condado.

– Hum... Você acha que se meus pais tivessem vivos, eles iriam apoiar a minha decisão? – Perguntou em um sussurro.

– E você acredita que eles iriam se opor a sua felicidade? Seus pais poderiam ficar receosos quanto a sua segurança, afinal eles te amavam, mas por te amar é que sei que ambos iriam permitir que seguisse o seu caminho. Além disso, aposto que Beladonna Tûk seria a primeira a incentivá-lo!

Drogo riu baixo, pois sem dúvida tinha certeza de que a mãe de Bilbo seria uma grande aliada.

– Eu prometo que um dia irei retornar... Sei que Bilbo também irá retornar! Não é um adeus. — Falou firmemente, como que para dar segurança a si mesmo desta promessa.

Vovó Tûk se afastou, libertando, relutante, Drogo de seus braços. Acariciou os cabelos negros do outro e sorriu, e uma lágrima solitária rolava sob seu rosto cheio de rugas.

– E eu esperarei por vocês... E quem sabe eu viva o suficiente para ver os seus filhos?

– F-filhos?! – Drogo subitamente ficou corado com a menção do fato – Ora, não fale dessas coisas...

– Ei! Eu quero ter bisnetos! – Reclamou a velha senhora.

– Vovó Tûk, não o deixe constrangido! – Tentou salvar o primo do embaraço.

– Isso abrange a você também, Adalgrim!

– Hã? Eu?! – Apontou para si mesmo, confuso.

– Quero um bisneto! Estou necessitando de hobbits crianças para cuidar, já que os meus netinhos já estão velhos o suficientes para saírem em suas próprias aventuras! – Bateu fortemente a bengala no chão, como para enfatizar a seriedade do pedido.

– Er... – Agora era a vez de Ada ter as bochechas pintadas com uma coloração avermelhada. Drogo não sabia o que dizer. Sim, era um Breeder, também tinha começado um romance com Kili, era verdade, mas um filho era algo que ainda nem tinha passado por sua cabeça.

Um toque na porta interrompeu o momento. Fili adentrou o recinto, e logo olhou receoso para a matriarca Tûk; seus olhos focavam na bengala como que esperasse um golpe surpresa lançado pela velhinha.

– Sinto muito em interromper, mas nós temos que ir. O sol irá se pôr dentro de poucas horas e desejo ter percorrido um grande espaço de terra até que possamos acampar. – Informou o anão.

– Certo... — Drogo suspirou. Sentia uma tensão dominando os seus músculos; estava nervoso, ansioso, temeroso, triste e esperançoso. Eram tantas as emoções que sua mente era incapaz de contabilizar – Chegou a hora. -Acrescentou, baixinho seguindo o príncipe anão.

~TKATC~

– Ele irá em meu pônei! – Disse Kili, animado, já oferecendo a mão para que Drogo segurasse. O grupo se encontrava na entrada do Bolsão, o entardecer somado com o vento frio que já dominava o ambiente e deixava bastante evidente a aproximação do inverno; o que denotava a urgência que viajassem a Erebor, antes que os primeiros flocos de neve caíssem na terra.

Drogo levantou a mão para aceitar a oferta, mas logo foi levantando do chão por Legolas, que estava montado em um lindo corcel branco.

– Esses pôneis são corredores e não estão acostumados com muito peso. Precisamos destes animais direcionando todas as suas forças para a rapidez, para que assim cheguemos, em segurança, a Erebor. Meu cavalo pode ser rápido, mas também é resistente, e o peso de um hobbit pouco irá prejudicá-lo. Logo, Drogo fica comigo! – Explicou o elfo, acomodando o jovem Bolseiro na cela.

– C-como assim?! – Kili fechou os punhos em suas rédeas.

– Quer que eu explique tudo de novo? Não estava ouvindo o que acabei de dizer?

– Meu pônei pode aguentar tanto o meu peso quanto o dele, não irá prejudicá-lo! Você não sabe de nada sobre os pôneis que Erebor cria!

– Irmão... — Fili tocou o ombro do outro príncipe anão, tentando acalmá-lo, pois temia que uma batalha pelo “direito de levar o hobbit na garupa” iria ser iniciada – Legolas está certo. Nossos pôneis são corredores e são diferentes daqueles destinados a puxar as carroças das caravanas de anões; um peso a mais pode prejudicar a sua performance, não devemos ter atrasos na nossa viagem de volta a Erebor.

– Mas... Mas... — Era evidente que Kili queria questionar aqueles fatos, mas não tinha um bom argumento para defender o seu desejo de ter o hobbit perto de si durante toda a viagem.

– Não se preocupe, você terá seu momento com o Drogo quando acamparmos. – Sussurrou Fili ao irmão – Além disso, quero sua atenção voltada para a nossa jornada e não centrada no pequeno hobbit.

– Lógico que eu teria a minha atenção centrada na nossa jornada e no meu hobbit! Não sou tão relapso assim! Aliás, o que me garante que sua atenção não está voltada para certo elfo que conhecemos, hein?

– O que está insinuando? Que não sou capaz de me concentrar em nossa missão?

– Eu te pergunto o mesmo!

– Sou capaz de me concentrar na jornada e no meu elfo! – Rangeu os dentes.

Os dois irmãos se encaravam raivosos, totalmente alheios aos olhares da pequena plateia que os observava.

– Eu realmente não gosto quando discutem sobre esse tipo de coisa sem pedir a nossa opinião a respeito, tendo em vista que indiretamente somos a causa desta discussão tola! – Ralhou Drogo, cruzando os braços diante de si e fazendo biquinho.

– Concordo com o Drogo... – Balançou a cabeça, Legolas, em um gesto desaprovador – Anões e suas atitudes possessivas... Parece que cabe a nós liderar essa missão, já que os príncipes, claramente, estão confusos em relação às suas prioridades.

Kili e Fili já tinham esquecido totalmente por que estavam brigando e agora tentavam, inutilmente, pedir desculpas ao elfo e ao hobbit, que simplesmente os ignoravam.

– A-há! No final das contas está abandonando o Bolsão! — Leoamros Justa-Correia se aproximava, subindo a colina em passos apressados. Sua roupa, antes impecável e de alta qualidade, agora estava puída e de tamanho reduzido. Provavelmente seria uma roupa antiga e esquecida do velho hobbit, mas que devido as circunstâncias, o Justa-Correia se viu obrigado a utiliza-las – Minhas coisas foram leiloadas! Meu jardim, destruído! Tudo por sua causa! Por tentar defender tão teimosamente a sua herança e agora... Você simplesmente a abandona!?

– Engano seu, Justa-Correia. Não estou abdicando de meu legado; só estou direcionado a outros mais confiáveis o direito de utilizar de minhas propriedades e as regalias e direitos advindos de meu título como um Bolseiro. – Disse Drogo, adorando observar o hobbit de cima do cavalo, pois assim exibia uma posição de superioridade em relação a Leoamros. Sabia que o ex-patriarca do clã Justa-Correia estava se remoendo de raiva devido a sua posição atual, tendo que levantar os olhos para poder encarar o pequeno Bolseiro.

– Como assim? Direcionar? Mas a quem?

– Aos Tûks! Eles irão tomar conta do Bolsão e também irão receber o direito de participação no conselho de Hobbiton.

Eles? – O tom da pergunta era cheio de escárnio e surpresa – Não pode esperar que eles saibam coordenar com destreza essas coisas! São praticamente selvagens e...

– Ora, já chega de falatório! – Interveio vovó Tûk caminhando de encontro ao Justa-Correia – Você se acha capaz de julgar a decência e capacidade de minha família? Nós podemos viver na fronteira do Condado, podemos não ter hábitos convencionais se comparado ao estilo de vida acomodado das cidades, mas sabemos nos defender e lutar; ao contrário de sua família, que se esconde por trás de títulos e riqueza, e nada contribui para a melhora do reino. Se seguir o seu exemplo significa ter destreza e capacidade de coordenação, dou glória a Yavanna por não sermos assim!

– Você não sabe de nada! A escolha do conselho leva em consideração as famílias mais importantes do Condado, e os Tûks não fazem parte desta elite.

– Na verdade, muitas famílias não fazem desta dita elite. – Agora era a vez de Adalgrim falar, e seu único olho saudável focava Leoamros; este se sentia desconfortável. Um velho lenço amarelado foi tirado do bolso e enxugava o suor da testa do velho hobbit – O conselho foi criado para que a liderança do reinado fosse dividida para o povo, sendo que cada um dos representantes dos clãs pudessem ter sua chance de falar e discutir o futuro do reino, mas a escolha dos clãs se baseou no inicio da fundação do Condado, ou seja, há centenas de anos! Muitas novas famílias surgiram no decorrer do tempo, logo é óbvio que a disposição do governo atual está defasada. Uma reforma se faz necessária. Outros clãs terão seus representantes no conselho e não precisam ser nobres para isso!

Drogo estava impressionado com as ideias de seu primo. Na verdade, nunca achou que ele pensasse no assunto político, sempre pareceu mais interessado em proteger a terra dos Tûks e se alienava do que ocorria na capital. Contudo, o Bolseiro logo concluiu que sua impressão sobre Adalgrim Tûk estava totalmente enganada, visto que seu primo estava descontente com a forma como o Condado estava sendo governado. Talvez a sua insatisfação tenha começado desde que Drogo e Bilbo chegaram às terras dos Tûks, órfãos e famintos, abandonados por aquele dito conselho que tinha jurado proteger a família real.

– Isso é um ultraje! – O Justa-Correia estava vermelho de raiva, afinal, se tudo que Ada falasse fosse realmente ocorre,r significava que os títulos de nada valeriam, já que todas as famílias teriam direitos iguais na partilha do poder de governo – O conselho não irá apoiar a mudança!

– Mas Erebor apoiará. – Falou Fili, sorridente – Aposto que o conselho não verá nenhum problema nessa reforma.

Era o fim. Todos os sonhos de poder e glória já não tinham mais sentido. Tudo que tinha feito de nada valeu, pensava o velho, aflito.

Kili cavalgou para próximo do velho hobbit, e rapidamente retirou a espada da bainha. Apontou a lâmina para o Justa-Correia, que por sua vez, caiu para trás, assustado.

– Acho melhor você ir embora agora, Leoamros Justa-Correia. Já causou muita dor e ressentimento aos Bolseiros. Sei que o julgamento dos hobbits é diferente do que ocorre no reino dos anões; mas se fosse julgado em Erebor, tenho certeza que teria os olhos e língua arrancados, seria jogado nos ermos e esperaria por sua morte nas garras de algum monstro desprezível. Eu, particularmente, não pensaria duas vezes antes de exercer esse tipo de justiça.

Leoamros engoliu em seco e debilmente se arrastou para longe dali, quase rolando colina abaixo, tamanho era o seu desespero em fugir. Kili ainda o observava, e sentia fervilhar a necessidade de pegar o seu arco e atirar naquele ser imundo. Fora ele quem tentara matar Drogo, e depois levantou a ideia louca de casamento com o mesmo. Sentia um imenso desprezo por aquele hobbit.

– Obrigado, Kili. — A voz de Drogo fez o príncipe acordar dos seus devaneios de vingança. Virou o rosto, buscando o pequeno hobbit, que mordia o lábio inferior contendo o choro. Legolas o acalentava, sussurrando palavras em élfico, que o anão desconhecia, contudo parecia causar efeitos calmantes – Obrigado também, Fili.

– Não precisa agradecer, só falamos a verdade. – Disse o anão loiro – Pelo menos esse tal Justa-Correia não será mais um problema.

– Acho que esse é o momento da despedida final... – Falou Ada, que se aproximava do cavalo do elfo. Esticou a mão para tocar a perna do primo – Seja forte, Drogo. Mande lembranças a Bilbo e, principalmente, não se esqueça de ensinar ao futuro bebê que está por vir as histórias e o modo de vida do Condado; ele pode ser parte anão, mas também é parte hobbit!

– E-eu não vou esquecer – Novamente, Drogo tentou conter o choro – Eu te prometi voltar ao Condado e sei que iremos, um dia, retornar.

– Além disso, quando as estradas estiverem mais seguras entre Erebor e o Condado, sei que vocês também poderão visitar o reino anão! – Disse Kili, sorrindo – Não será uma separação definitiva, só temporária.

– Ele está certo. — Concordou a vovô Tûk – Mas eu tenho mais um conselho a dizer a todos vocês: tenham discernimento em suas ações. Posso querer ter bisnetos, mas por enquanto Bilbo já está sanando meu desejo, e eu não quero outro neto meu grávido tão cedo. – Disse isso olhando para Drogo, que soltou um gritinho de surpresa e depois abaixou os olhos, envergonhado. Kili teve um acesso de tosse, de modo que quase caiu do pônei.

– Não se preocupe, minha cara senhora, eu irei tomar conta deles. – Falou Glóin, que tinha permanecido calado ao longo de todo o evento – Afinal, essa é a minha função; tentar evitar que os príncipes e seus acompanhantes se metam em problemas, e creio que isso abrange para problemas de classe amorosa também.

– Esses jovens de hoje em dia, tão ansiosos! Começam a flertar em um dia e depois já compartilham a cama! Na minha época, meu falecido marido demorou anos me cortejando... Lógico que quando nos casamos tivemos muitos filhos, quase que um em cima do outro, como se tivéssemos querendo compensar o tempo perdido e... Bem, isso não vem ao caso. Esses meninos precisam de uma supervisão adulta! Espero que fique de olhos bem abertos nesses garotos, mestre anão! – A matriarca dos Tûks falou com firmeza, batendo com a sua bengala no chão, o que fez Kili se sobressaltar, assustado.

– Pode ficar tranquila, eles não irão ficar sozinhos. Eu prometo por minha barba e pela a saúde de meu filho Gimli!

Fili massageou o pescoço nervosamente. Legolas compartilhou com o sentimento do amante, tentando ocultar o corar que dominava o rosto.

– Er... Por que vocês estão falando como se eles fossem casais e... Oh. -Parecia que agora Adalgrim tinha entendido e começou a rir – Entendi agora a história da joaninha...!

– Que história? – Perguntou a vovó Tûk, curiosa.

– N-nada! – Interpôs Drogo, rapidamente, lançando um olhar mortal a Ada, que ainda ria – Hm... Já está escurecendo, não é mesmo? Achei que tivéssemos que ir embora antes do anoitecer!

– Verdade! – Concordou, avidamente, Kili.

– Bem, eu desejo a vocês uma boa sorte na jornada. – Anunciou hobbit anciã –Não esqueçam de escrever!

– Não esqueceremos! – Disse, agora um choroso Drogo, acenando. Legolas também acenou e atiçou o cavalo, que já começou a galopar rapidamente pela estrada. Kili e Fili também se despediram com um aceno e logo os acompanharam. Glóin foi o ultimo a se despedir, novamente prometendo aos Tûks tomar conta do pequeno Drogo.

Drogo tentava enxugar o rosto molhado pelas lágrimas com as costas das mãos. Sentiria saudade, mas como Kili tinha dito, não era uma separação permanente, e eles ainda iriam voltar a se encontrar novamente.

E esse era o inicio da sua própria aventura.

Notas finais
Lady: "Entendi agora a história da joaninha...!" AINDA TO NO CHÃO COM ESSA PARTE KKKKKKKKKKKKKKKKKK Ai Ada, o mundo precisa da sua inocência *enxuga as lágrimas*