Os dois reis sob a montanha

43 Dia a dia da Família Real - Capítulo Extra


Notas iniciais
Lady: Oie, gentem! Eu não sei nem como começar a me desculpar, pois a estória é longa. Óbito de parente, casa sem pc/internet... Eu ilhada (e quase literalmente, porque aqui em Maceió tá chovendo muito). Enfim. Eu estou bem feliz com essas goisitxas lindas! São DOIS capítulos extra - estou postando um agora, tá. E ele meio que tem duas historinhas sobre o dia a dia em Erebor, tá. O próximo é surpresinha! *u* Vou programar a postagem, pra fazer suspense. Tá bem? Então tá bem.

Dia a dia da Família Real

O despertar

A rotina tinha mudado. Bilbo já previa que algo assim iria ocorrer, afinal, um bebê costumava ocasionar uma grande reviravolta quando chega a um núcleo familiar. Para exemplificar essa mudança, um choro alto cortou a madrugada. Antes, o Bolseiro podia desfrutar de um boa noite de sono, mas agora com a chegada de Frerin, dormir era uma luxúria que raramente conseguia. Já estava se preparando para levantar, todavia, pôde sentir que alguém fora mais rápido.

– Meu pequeno, o que queres? – Bilbo não pôde esconder seu sorriso ao abrir um dos olhos para observar a cena; o coração sempre derretia com aquela visão, que também estava se tornando comum em seu cotidiano: Thorin mostrando suas habilidades paternas. O primeiro rei já tinha levantado e retirava Frerin do berço, começando já acalentá-lo.

– Está com fome? – Inquiriu o rei anão, e o bebê apenas o encarou com o rosto úmido devido as lágrimas. Infelizmente, Frerin tinha apenas alguns dias de vida, logo, não sabia falar. Sendo assim, aquela pergunta não tinha lógica nenhuma em ser feita. Contudo, Thorin ignorava a lógica e continuava a conversar com o seu filho.

– Ou talvez tenha feito algo bem desagradável... — Nisso riu e cheirou o pescoço do recém-nascido; este já tinha esquecido do choro e estava totalmente entretido, tentando pegar as tranchas e cachos negros dos cabelos do Durin.

– Gosta disso? – Indicou um broche que o pequeno tinha capturado em suas pequenas mãos e já levava a boca para “provar” o seu tesouro – Esse broche é o símbolo dos Bolseiros, do Condado. Ganhei-o no dia que me casei com o seu papai. Um dos mais preciosos broches que disponho. Mas logo terei mais um broche igualmente importante que irei adicionar a minha coleção. Sabe qual é?

O bebê fez sons ininteligíveis enquanto babava todo o broche. Talvez tentando responder o seu pai.

– Será o broche que te representa, meu filho. E quando seus outros irmãos ou irmãs chegarem...

Bilbo, naquele momento, pigarreou.

– Só quero saber quantos filhos você planeja ter comigo? – Inquiriu, cruzando os braços diante do seu peito.

Thorin se virou, com Frerin em seus braços, tendo um sorriso nervoso estampado no rosto. Definitivamente o primeiro rei de Erebor foi pego em flagrante.

– Você estava acordado?

– Meio difícil dormir com os talentos vocais de nosso filho. – Disse se aproximando. O bebê rapidamente o reconheceu, emitindo um choramingo e abandonando o broche.

– Acho que ele deve estar com fome.

– Não tente mudar de assunto, senhor Durin. – Bilbo não pode conter um meio sorriso ao ver o quão embaraçado Thorin estava – E eu acho que o Frerin só quer atenção dos papais, tão pequeno e já tão manhoso. Lógico, ele é seu filho, afinal. – Falou isso lançando um olhar acusativo ao rei anão.

– E-eu não sou manhoso! – Era raro ver Thorin corando, mesmo que a penumbra do quarto obscurecesse a visão das bochechas do anão – Um guerreiro anão não poderia ser manhoso... Isso é uma afronta e...

Claro que não. Fale o que quiser para se sentir melhor, querido, mas eu sei o seu segredo. – Piscou e deu um sonoro beijo na bochecha avermelhada do Durin – Sei que adora os meus mimos...

Thorin sorriu.

– Só seus mimos. – Murmurou, beijando os lábios do hobbit com fervor, porém, eles não podiam esquecer que havia algo entre eles que os impedia de ir mais além naquelas investidas. Frerin começou a choramingar mais alto, talvez se sentindo excluído da conversa.

– Como eu disse, tal pai, tal filho. – Riu dando um beijo no nariz do bebê.

O anão nada disse, só entregou o pequeno para os braços de Bilbo, que o recebeu com alegria.

– E não pense que eu esqueci o que disse anteriormente. Espero que não esteja planejando ter tantos filhos de modo que não terá mechas de cabelo para tantos broches que os represente. Eu não sou uma fábrica, Thorin II “Escudo-de-Carvalho” Durin.

– E-eu não planejo tantos assim.

Bilbo arqueou as sobrancelhas, enquanto embalava o já sonolento Frerin em seus braços.

– Números.

– Como disse?

– Quero que me dê uma estimativa em números de seu planejamento familiar.

– Talvez uns quatro ou cinco. – Confessou o rei anão.

Bilbo ficou pensativo, algo que deixava Thorin muito ansioso.

– Certo. Parece ser uma quantia aceitável. – Falou por fim, dando os ombros, o que deixou o outro totalmente surpreendido.

– Você está falando como um anão... – Resmungou.

– Ora, eu vivo com anões há mais de um ano; estimativas, lucros, perdas e cálculos é algo que também se tornou parte do meu cotidiano. Vocês anões e seus números. – Piscou o hobbit divertido – Mas... Confesso que nós hobbits também ambicionamos por famílias imensas; não fossem os Orcs, tenho certeza que teria centenas de primos. Meus pais planejariam ter mais 10 filhos, se não tivessem... — Engoliu em seco e sentiu lágrimas turvarem sua visão momentaneamente – ...Só quero dizer que está na nossa natureza desejar uma família grande.

– Então, por que a relutância em... – Bilbo levantou a mão, indicando que ainda não tinha acabado de falar. Thorin rolou os olhos e se calou.

Mas, isso não significa que quero ter um filho logo após o outro. Quero curtir Frerin e quando ele estiver grande o suficiente, podemos pensar em adicionar um irmãozinho ou irmãzinha. Ouviu bem?! Isso significa que terá que manter a sua espada na bainha, se é que me entende.

– Eu tive que usar várias vezes a minha espada para que Frerin pudesse ser produzido. – Disse dando os ombros e se ajeitando ao lado de Bilbo – Não creio que devemos nos preocupar tanto quando a nossa luta de espadas, givasha.

– Oh, céus! Por favor... Mudemos de analogia, eu cometi um erro comparando aquilo com espadas. E não tente buscar justificativas para... Para...Você sabe o quê! Controle a sua libido! – Disse frustrado e envergonhado. Thorin somente riu e deu um beijo na testa do seu hobbit favorito e depois outro no meio dos cachos escuros de Frerin.

– Oh... Acho que nosso filho queria muito mais do que nossa atenção. – Sussurrou apontando para a fralda de pano do pequeno.

– Por Yavanna! Frerin! Você tinha que fazer suas necessidades só quando estou te segurando? Você teve bastante tempo para fazê-lo quando estava nos braços do seu outro pai.

Thorin ignorou o comentário e apenas observou enquanto Bilbo levava o sonolento bebê para uma mesa acolchoada onde pilhas de panos limpos estavam dispostos. Fora construído unicamente com a função de facilitar as trocas de fraldas, algo que estava se tornando bastante constante.

– Então... — O segundo rei falava enquanto trocava o seu ativo filho, que parecia ter acordado totalmente ao se ver sem as fraldas, esperneando e tornando o trabalho do Bolseiro mais difícil – Quando iremos conseguir os broches de nosso filho? Creio que deve ter um símbolo que o represente ou terá apenas o brasão dos Durin junto com dos Bolseiros?

– Terá o brasão das duas famílias, sim. Também terá o nome dele gravado. Eu tenho os broches que representam Kili e Fili, se quiser ter como referência. Se quiser também... Podemos forjar o broche juntos.

Bilbo levantou seus olhos para fitar o seu marido, e um imenso sorriso estava expresso em seu rosto.

– Eu adoraria.

Disputa

– O meu presente é melhor! Veja. Ele adora!

– O que uma criança vai fazer com um ábaco?

– Um dia ele terá que fazer contas, algo muito importante para ser um anão respeitável...

– Eu ainda acho que o meu é melhor!

– Oh! E um chapéu será útil para um bebê?

– Nunca se sabe...

Bilbo massageou a testa, totalmente irritado com toda aquela tola discussão. Frerin estava em seu colo, como sempre entretido em fazer coisas de bebê — ou seja: comer, dormir e fazer suas necessidades fisiológicas diárias. Lógico que não podia esquecer do choro, algo que o pequeno Bolseiro-Durin, parecia ser muito bom. Mais precisamente naquele momento, Frerin estava tomando sua mamadeira e observando com atenção como seus “tios” faziam papel de tolos com aquela disputa.

Tudo começou quando Dori veio entregar um presente especial para o bebê, e pouco depois Nori também veio com a mesma intenção — e esse só foi o começo da comissão de anões membros da “companhia”, que adentraram para exibirem seus presentes. Mas nada seria tão simples, eles tinham que começar uma competição interna para ver, dentre aqueles, qual seria o melhor presente.

– O meu machado de madeira é sem dúvida o melhor presente. Leve e fácil de manejar, perfeito para um pequeno guerreiro. – Dwalin fez propaganda do seu presente.

– E minhas loções para barbas?! – Inquiriu Nori, indignado.

– Ele nem tem barba ainda! – Rolou os olhos Bofur.

– Mas vai ter algum dia! Esse é um presente pensando em seu futuro!

Bilbo já estava farto. Primeiro: onde iria guardar tantos presentes? Esses mesmos anões, antes de Frerin nascer, já tinham dado diversos presentes e lá estavam novamente.

– Mestres anões... – Começou a falar o segundo rei, mas este foi ignorado pela briga que se iniciava entre Bombur e Dwalin; onde o anão cozinheiro tinha trazido um grande pernil de porco e agora estava usando-o como arma contra o machado de madeira do anão guerreiro. Aquele era o limite de sua tolerância!

– Se não pararem neste instante podem esquecer dos bolos e tortas! Nunca mais farei esse tipo de comida para vocês. E os scones que faço escondido? Também esqueçam!

Isso parecia ter causado um grande efeito nos anões, que paralisaram-se com aquelas ameaças.

– N-não precisa exagerar! – Disse Bofur exibindo um meio sorriso nervoso.

– Eu, exagerando? Vocês transformaram o meu quarto em um campo de batalha!

Burg! – Como para concordar com o que o seu pai tinha acabado de dizer, Frerin, que já havia descartado a mamadeira, arrotou sonoramente. Os anões emitiram exclamações de alegria e incentivo a ação do bebê. Bilbo rolou os olhos, pois já previa que seria difícil ensinar sobre “Modos” e “Etiqueta” para Frerin – afinal, ele teria péssimos exemplos o influenciando ao longo do seu crescimento.

– Enfim, o que quero dizer é que, todos os presentes são perfeitos, não precisam iniciar uma guerra para ver quem é o melhor. Primeiro, Frerin ainda não é capaz de escolher. Para ele tudo é interessante, principalmente coisas que possa colocar na boca e babar! Segundo, vocês não acham que é muito cedo para alguns destes presentes? Um machado? Um pernil de porco? Frerin nem consegue segurar a própria mamadeira sozinho, como poderia manejar uma arma? Ele também não tem dentes, como poderia comer carne? Ele só tem 5 dias de vida! Sei que estão ansiosos com a chegada do pequeno príncipe, mas muitos destes presentes só poderão ser úteis anos no futuro!

Os anões se entreolharam, cabisbaixos. De fato, quem poderia dizer qual seria o melhor presente só poderia ser uma pessoa: Frerin, e o pequeno bebê não era maduro o suficiente para escolher, logo, a competição agora não teria lógica.

Bifur, entretanto, se aproximou, exibindo em suas mãos um dragão feito de pelúcia. Bilbo ficou impressionado com os detalhes coloridos do brinquedo, claramente o anão tinha se esforçado fazendo aquele presente.

Frerin, para a surpresa de todos, estendeu seus pequenos bracinhos para o brinquedo e começou a choramingar.

– Parece que temos um vencedor.... — Sorriu Bilbo pegando a pelúcia e entregando ao filho, que parecia satisfeito, começando a explorar o novo brinquedo com a boca, babando todo o dragão.

Bifur exibiu um grande sorriso e levantou o punho para o ar, indicando que tinha vencido a disputa. Os outros anões soltaram resmungos e palavrões que não deveriam ser traduzidos. O segundo rei apenas riu da situação.

– Tolos, acho que depois de tudo isso, vocês merecem um pedaço da minha torta que está no forno, o que acham?

Urros de alegria dos anões foram possíveis serem ouvidos desde o corredor, assustando servos e guardas que passavam.

E assim a disputa tinha terminado...

Por enquanto.

Notas finais
Lady: :):)))))))))))))))))))) to pensando no quanto vcs vao adorar o próximo extra. sério. SE´RIOIO.ÇDL