Os dois reis sob a montanha
18 Cartas - parte 4
Notas iniciais
Caro Drogo,
Já começo a dizer que não! Eu não vou descrever fisicamente Kili, nem irei mandar um desenho dele! Não sei o que você e ele andam conversando mas logo digo que não irei fazer isso que está me pedindo. O que posso dizer é que Kili é bonito, tem cabelos escuros, é alto para o padrão dos anões, tem um jeito infantil e brincalhão. As vezes o considero inocente... Fala antes de pensar o que lhe mete em muitos problemas. Contudo, não foi descreve-lo em relação ao corpo! Isso não é algo que deve perguntar a mim! Eu não o vi nu!
Francamente, o problema é que não é só você me fazendo perguntas indevidas...Kili está me enchendo de perguntas também! Sobre o que você gosta, como você é, seus passatempos, enfim... Já chega! Se estão cortejando um ao outro por meio de cartas, tudo bem! Não sou contra a isso, mas não me envolvam!
Drogo, sei que você não me contou, mas eu já presumo que sejas um Breeder, não é mesmo? Por isso evitas de falar de sua cerimônia de maioridade... Quero que saibas que eu não te verei de forma diferente! Os Bolseiros não irão perder a liderança do clã unicamente por que seus únicos herdeiros serem Breeders! Sem falar que agora estamos sob a influência de Erebor e eu sou o atual segundo rei! Você está seguro! Não precisa temer a nada! Certo? Espero que na próxima carta você me conte tudo que ocorreu de verdade na sua cerimônia e do que tens medo!
Agora devo te agradecer pela a sua pesquisa... E obrigado pelos votos de boa sorte! Me ajudaram muito quando tive que pôr em prática a teoria. Sei que deves estar curioso para saber o resultado...Pois bem, irei te contar.
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–Será que está bom? –Perguntou Bilbo para si mesmo enquanto retirava com cuidado do forno seus scones. Tinha preparados vários, de sabores diversos, não sabia qual deveria ser o melhor para entregar a Thorin, pelo as pesquisas do seu sobrinho os Hobbits durante o ritual de cortejar dariam dar aos seus pretendentes provas de suas habilidades que abrangiam agricultura, dança, costura ou cozinhar... De fato, tratava-se demonstrar como seriam úteis quando iniciassem uma vida de casal. A diferença era que Bilbo já tinha uma vida conjugal com Thorin, deste modo como iria corteja-lo? Anões não gostam de agricultura, além disso o primeiro rei estava se esforçando em fazer a estufa que estava longe de ser terminada, logo o jovem Bolseiro não poderia plantar... E, além disso, Bilbo ainda se lembrava da reação dos anões quando serviu vegetais e frutas no jantar, realmente agricultura não era um “dote” a ser apreciados por aquela raça. Dançar e costurar também não parecia atrai-los...Restou o cozinhar.
Bilbo suspirou cansado, colocou os scones sobre a bancada, pegou um dos pãozinhos e comeu, provando o gosto. Parecia bom...Mas será que estava bom o suficiente para Thorin? Queria que fosse perfeito!

–Eu podia testar outro sabor...- Falou o pequeno Hobbit tocando o seu queixo pensativo, sobre a bancada ainda restava um pouco de farinha, talvez o suficiente para fazer mais scones. Bilbo se abaixou buscando mais uma travessa de metal para colocar a massa quando a porta do cozinha subitamente abriu fazendo o menor sobressaltar.
–Então é aqui que você está! –Rosnou uma voz já bem conhecida do segundo rei.
–Thorin...-Bilbo se levantou embaraçado, não estava em condições ideias para se apresentar ao seu marido, sujo de farinha e fermento, nem o avental que usava salvara suas roupas. Parecia quase um fantasma.
–Por que você está aqui? –O anão parecia irritado, não...A palavra certa era furioso. O Hobbit suspirou, lidar com Thorin naquele estado de espírito não era muito bom.
–É evidente que eu estou cozinhando!
–O dia todo?
–Dia...Todo? –Bilbo ficou surpreso com a informação e olhou em sua volta, agora notara quantos scones tinha feito, havia centenas! Empilhados na cozinha, ocupando diversas bancadas.
“Eu fiquei o dia todo na cozinha? Não percebi...” Pensou o segundo rei, bem, se estivesse no Bolsão iria ver a passagem do tempo devido a presença do sol, mas dentro da montanha era meio difícil saber os horários.
–Sim! O dia todo! Você saiu cedo do nosso quarto! Nem compareceu ao café da manhã! Na verdade nem a nenhuma das suas outras 7 refeições que tanto achas importante! –Falou o rei anão cruzando os braços diante de si – Sabes como fiquei preocupado? Procurei você em todos os cantos que imaginei! Bem, pensei em procurar na cozinha contudo Bombur me garantiu que você não estava aqui...Então eu confie... Mas agora vejo que ele mentiu!
–Espere! Thorin! Eu pedi para ele guardar segredo! –Interveio Bilbo temendo que a fúria do seu marido pudesse prejudicar o amigo cozinheiro.
–Ele não devia mentir para o seu rei!
–Mas foi por uma boa causa...
–O que? Esconder o meu esposo?
–Não...Tolo... Eu não estava me escondendo só trabalhando!
–Trabalhando? Em que?
–...-Bilbo corou abaixando os olhos, suas mãos seguravam as extremidades do avental –Bem...
–Outro segredo? Eu fiz algo que te irritou? Por isso fugiu de mim?
O Hobbit levantou os olhos para encarar o seu marido.
–Tolice! Você não fez nada que me irritasse... Pelo o contrário!
A fúria que dominava Thorin parecia se esvair um pouco com aquela resposta, mas a confusão ainda era evidente em seu olhar.
–Então? Me explique o que está acontecendo.
–Eu estive trabalhando...Como pode ver...-Bilbo indicou os vários scones que os rodeavam.
–Oh...-Thorin pegou um dos bolinhos –Por que fez tantos? Vai haver alguma festa que eu não fui avisado? São para quem? –Havia um certo tom aborrecido com aquela pergunta.
–Para você... –Sorriu o menor.
–P-para mim? –O anão observou o bolinho e depois seus olhos vagaram para as diversos bolinhos que dominavam a cozinha real –Tudo isso?
– E-eu acho que devo ter exagerado um pouco...- Bilbo pegou uma mecha de seus longos cabelos e o enrolou no dedo, um habito que tinha desenvolvido quando estava nervoso, afinal agora tinha cabelos grandes o suficiente para fazê-lo –Eu peço perdão, não vi o tempo passar enquanto estava concentrado em cozinhar...
–Eu fico... Bem... –O anão não sabia o que responder de alguma forma aquele ato o deixou extremamente contente, apesar de segundos atrás estar enraivecido-... Fico feliz que tenha cozinhado para mim, mas por que?
–É costumo entre o Hobbits cozinhar para aqueles que deseja cortejar...-Bilbo olhou de relance para o seu marido que tinha paralisado o movimento de trazer o scone a sua boca e agora encarava o seu esposo com interesse–Meu povo acredita na praticidade, temos que mostrar que seremos bons parceiros e que seremos úteis na vida de casal... Então, eu cozinhei, passei parte da manhã pensando que comida ideal eu deveria fazer... Algo muito complexo ou algo simples? optei pelo simples por que seria algo que eu poderia fazer todos os dias, expressar cotidiano... A rotina conjugal... Enfim... Acho que estou falando demais!
–Não...-Thorin tinha se aproximado, tocou de leve no queixo do menor, fazendo que esse fitasse o anão- Você está me cortejando?
–O-obvio! –Respondeu Bilbo corando, o contraste da farinha em seu rosto deixava bastante evidente o rubor de suas bochechas –V-você começou a cortejar com a estufa...Eu tinha a obrigação de também expressar minhas intenções...
–Intenções? –O anão levantou a sobrancelha fingindo de desentendido, isso fez com que o menor ficasse chateado.
–V-você s-sabe muito bem o que quero dizer...-Resmungou.
–Sei? Não saberei até que você diga para mim...-Thorin já tinha se abaixado e sussurrava no ouvido do seu pequeno esposo, podia notar que o mesmo tremia com suas ações. O anão sorriu, adorando os efeitos que causava em seu amado.
–Quero...Quero mostrar o quanto te amo...
Com aquelas palavras doces o anão beijou os lábios do seu esposo, Bilbo ficou de pontas dos pés e o abraçou corresponde o ato com vigor.
–Doce...-Sussurrou o rei anão entre os lábios, podia sentir o gosto do scone na boca do Hobbit.
–E-eu fiz salgados também...-Murmurou Bilbo se afastando um pouco para pegar um bolinho e entregar ao anão –Você tem que provar...Tenho que saber qual é o gosto melhor...
–Mas eu já provei...-Falou Thorin lambendo os lábios, o menor corou novamente.
–Não desta forma...-Resmungou Bilbo –Comendo!
–Ah...-Riu o maior pegando o bolinho oferecido e comendo.
Bilbo o observou ansioso, esperando o veredito.
–Hum... Muito bom! –O primeiro rei enfiou o resto do scone em sua boca.
“Ele não tem modos... Mas tudo bem, por hoje eu deixo passar essa atitude!” Pensou Bilbo.
Thorin logo pegou outro bolinho e comeu.
–A melhor coisa que já comi! Qual é o nome disso? –Falou de boca cheia.

–Scone! –Riu o primeiro rei, podia ver que de fato o outro tinha gostado, pois já pegava outro bolinho e comia.
–Eles foram feitos só para mim, não é? –Perguntou Thorin, o tom possessivo era evidente em sua voz.
–Sim, querido... Só para você!
–Ótimo... Ninguém vai poder comer isso, além de mim!
Bilbo rolou os olhos, aquele jeito possessivo do seu marido era quase infantil.
–Bobo...Mas não poderá comer todos esses scones que eu fiz... Acho que podemos dar alguns para Bombur e...
–Não! São meus! –Disse Thorin parando de comer para abraçar o pequeno esposo –Foram feitos por você...Para mim, como presente! Não quero outro anão os tocando ou comendo!
Bilbo sorriu, podia ser um ato possessivo tolo mais ainda assim se sentia atraído por aquelas ações.
–Como desejar...Meu marido...-Riu, mas foi interrompido por lábios que novamente o beijaram, gostos diversos pode ser sentidos, mas por trás dos gostos advindo dos scones, Bilbo pode sentir o gosto característico do seu amado... Exótico, meio ácido e forte. O gosto de Thorin.
Depois de alguns minutos de troca de beijos os dois se separam, mas Thorin ainda abraçava de forma possessiva seu esposo, algo que Bilbo não reclamaria, adorava ficar envolvidos pelos braços fortes do rei anão.
–Bilbo...
–Hum?
–Se não existisse mais o contrato... Se não existisse mais nossos reinos e nossas obrigações para com eles... Você casaria comigo?
O menor se surpreendeu com a pergunta, afinal já estavam casados, não é mesmo?
–Supondo que não tenhamos casado... –Continuou a falar o anão como tivesse previsto o questionamento do menor – Que sou somente um anão comum...Sem títulos ou possessões...E você um simples Hobbit... Nem mesmo serias um Breeder. Esquecendo tudo isso! Você casaria comigo, Bilbo?
Bilbo sentiu lágrimas se formando em seus olhos, fungou levemente e levantou o rosto para fitar o seu marido que o encarava ansioso pela a resposta.
–Sim...Eu me casaria...
Thorin sorriu, um sorriso cheio de alegria que o menor logo correspondeu.
–Perfeito...-Disse o anão fazendo um movimento rápido e levantando o Hobbit, segurando-o em seu colo.
–T-Thorin! O que está fazendo?
–Acabamos de trocar nossos votos...O casamento já foi feito! O mais certo seria agora a lua de mel!
–D-de novo? Thorin! Já tivemos a lua de mel...Estamos casados a mais de 6 meses! –Corou o menor.
–Esqueceu que deveríamos supor que não teríamos nos casado? Então, é como tivéssemos casado agora!
–M-mas...Mas...-Bilbo não sabia mais o que responder.
O anão já se direcionava para a porta de entrada quando esta se abriu, Bombur adentrou apreensivo com o que estava ocorrendo.
–Oh...Majestades... –Disse nervoso, temendo a fúria de Thorin.
–Bombur! Guarde os meus scones... Não quero ninguém os comendo!
O anão cozinheiro agora estava aliviado, mas logo olhou a sua volta notando montanhas de scones que dominavam o local.
Bilbo suspirou longamente, previa que todo o seu trabalho durante o dia iria se estragar devido ao caráter possessivo do seu marido.
–Não! Espere! –Continuou a falar o primeiro rei –Chame a “companhia”! Dê os scones para eles...
“Sério? Ele irá dividir o presente?” Agora sim Bilbo ficara surpreso.
–...Assim eles irão saber o que irão perder! Depois disto eles nunca mais poderão comer, pois Bilbo só irá fazer somente para mim! –Falou sorridente.
O Hobbit balançou a cabeça reprovativo.
–Thorin...Você é malvado! –Concluiu o menor fazendo biquinho.
O anão gargalhou, mas logo se calou para dar um leve selar naqueles lábios tentadores.
–Mas você ama esse anão malvado...Não é?
–S-sim...Amo...-Sussurrou a resposta.
Os dois saíram da cozinha rumo aos quarto... Antes Thorin anunciou a Balin que tiraria férias, novamente, devido a uma segunda lua de mel.
Bilbo não podia estar mais envergonhado... E também feliz...
Sua vida de casado só estava, de fato, começando...
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Então, foi isso que aconteceu... Eu estou muito feliz, não sei nem como descrever o que estou sentindo, mesmo agora depois de pensar e repensar o que acorreu nos últimos dias. Só lhe garanto que agora me sinto realizado...
Obrigado Drogo pela a sua ajuda e... Bem, ainda tem mais uma coisa que gostaria de te confessar... Talvez você já esteja prevendo o que seria, não é mesmo?
Nossa família irá aumentar...
Ainda não contei a Thorin, na próxima carta eu te digo como foi!
Mande um beijo para o primo Ada e para a vovó Tûk, os agradeça com relação a pesquisa.
Diga que sinto saudades e conte as novidades.
Bilbo Bolseiro Durin, Segundo rei de Erebor.
Bilbo abaixou a pena, a deixando dentro do tinteiro em sua escrivaninha. Dobrou com cuidado os papeis que consistiam a carta e a colou dentro de um envelope. Para lacra-la um selo real com o brasão dos Durins foi colocado pelo o Hobbit.
–Bilbo? –Um leve toque na porta foi ouvido.
–Já vou Nori! –Nisso o pequeno rei se aproxima da porta do seu quarto com a carta nas mãos, a abre e o anão já tinha a mão exposta para pegar a correspondência.
–A comitiva que sairá para o Condado já está a espera! –Explicou, Bilbo sorriu e entregou a carta ao amigo.
–Então, não terás tempo para um chá?
–Infelizmente não...-Disse o anão- Tenho ainda que pegar a carta de Kili, acreditas que ele ainda não acabou de escrever?
O segundo rei riu baixo, parecia que seu sobrinho estava realmente se esforçando.
–Vá até ele e o pressione! Não podemos atrasar a comitiva devido as nossas correspondências! Diga que se ele não entregar a carta agora terá que esperar por meses pela a próxima caravana de anões...E isso significa que Drogo irá demorar mais para receber a carta! Logo terá que esperar ainda mais pela a resposta!
–Irei fazer isso! –Disse Nori fazendo uma pequena reverência e saindo apressado em direção ao quarto do príncipe.
Bilbo fechou a porta e se dirigiu a poltrona perto da lareira, o quarto agora estava todo mobiliado, tinha estantes de livros uma mini-cozinha para que o Hobbit pudesse fazer chá e scones. Agora sim o local parecia um lar. O segundo rei voltou a se concentrar em costurar, relaxando perto do fogo.
A porta abriu bruscamente.
–Boa noite Thorin! –Falou Bilbo sem ao menos levantar os olhos, já sabia que era seu marido.
–Boa noite...-O som da capa sendo jogada em algum canto fez o menor virar a cabeça para encarar o marido.
–Não deixe as roupas soltas pelo o quarto!
–Mas os servos irão pegar depois...-Resmungou o anão.
–Não! Isso não nada educado Thorin! Pegue e deixe sobre o cesto de roupas sujas!
O rei anão resmungou algo em Khuzdûl mas fez o que o seu amado pediu.
Bilbo voltou se concentrar com a costura enquanto podia ouvir seu marido se aproximando e sentando na poltrona em sua frente.
–Hoje foi um dia cansativo...-Anunciou o anão – Reunião com o conselho, depois inspeção dos tuneis na área de mineração... Pelo menos não tivemos desmoronamentos, além disso fui avaliar as salas restauradas...
–Mas agora o dia já terminou, amor...Podes descansar e relaxar! Quer que eu te sirva um chá?
–Não...-Sorriu Thorin –Só preciso de sentar aqui e de sua presença.
Bilbo corou, um sorriso se fez em seus lábios.
–O que está fazendo? –O tom curioso se fez perceber na voz do primeiro rei.
–Costurando...
–Espero que não seja outro cachecol...
Bilbo levantou os olhos de seu trabalho para fitar irritado o marido.
–O que tem de errado com o cachecol que costurei para você?
–N-nada...Só...Bem... Querido, laranja não é uma cor adequada para um cachecol!
–É uma das minhas cores preferidas...Você me faz usar a sua cor azul quase o tempo todo, nada mais justo que uses a minha!
–Mas...Me forçar usar durante a visita dos elfos?
–Eles gostaram...
–Eles riram!
–Pelo menos a reunião com eles não começou com brigas ou troca de ameaças! Foi divertida!
–Hunf... –Thorin se deu por vencido, não podia discutir com Bilbo, seu pequeno esposo parecia ter resposta para tudo, além disso, de fato a reunião com os comedores de folha foi divertida...Bilbo prometera fazer um cachecol igual para o rei elfo que não pode negar a oferta, naquele momento foi a vez de Thorin rir da cara do seu rival.
–E não é um cachecol...-Explicou o menor voltando a costurar.
Os olhos do rei logo se voltaram para o trabalho do Hobbit, de fato não era um cachecol. Thorin se levantou de sua poltrona e se aproximou do amado, se ajoelhando ao seu lado. Com as mãos trêmulas tocou o tecido costurado.
–B-Bilbo... Isso...
–B-bem...Como estamos na primavera, pelos meus cálculos ele deve chegar perto do outono ou no inverno... Ele vai precisar de um casaquinho... –Explicou o menor expondo o pequeno casaco azul feito de crochê para o marido –Eu fiz azul...Mas o próximo vai ser laranja... Ou verde...Ainda não me decidi...Afinal eu não sei se será uma menina ou menino...Então...-Nesse momento Bilbo já estava tagarelando nervosamente pela a falta de resposta do marido que ainda tocava o casaco fascinado.
–Bilbo...-Finalmente a voz de Thorin interrompeu o tagarelar do esposo –Você está querendo me dizer que... – Naquele momento as palavras pareciam não querer sair da boca do rei anão.
Bilbo sorriu e ajudou o marido terminar a frase.
–Gravido?
Thorin assentiu e esperou a resposta.
–Sim...Eu estou...
O rei anão abraçou o menor e soltou um grito de alegria que assustou Hobbit.
–T-Thorin!
O primeiro rei se afastou um pouco e começou dar pequenos beijos no rosto de Bilbo e depois beijou a barriga ainda magra do menor. Bilbo pode sentir algo quente molhando o tecido de sua túnica e depois sua pele.
–Querido...V-Você está chorando? –Perguntou preocupado.
Thorin levantou os olhos, de fato, lágrimas rolavam de seus olhos.
–Bilbo... Esse é o dia mais feliz da minha vida...–Disse o anão, voz tremula devido a emoção –Nunca pensei que...Ganharia tão grandes tesouros...Você e ...Agora...Ele ou ela...– Acariciou a barriga dando mais um beijo –Eu serei papai...Por Mahal... Eu não acredito!
–Pois trate de acreditar... Você será papai...–Disse Bilbo testando seu Khuzdûl e enxugando as lágrimas do marido com a mão.
–Bilbo... Eu te amo... –Thorin pegou a mão do menor que estava em seu rosto e beijou de leve –Mas do que tudo que já conquistei...Eu te amo...
–Também te amo...Thorin...- O Hobbit puxou o maior para mais perto de seu rosto para que assim pudesse beija-lo.
Os lábios se encontraram, podiam sentir o gosto de sal nos lábios devido as lágrimas do anão, com também de Bilbo que nem percebera que estava a chorar.
Ao fim do beijo os dois permaneceram abraçados, testas se tocando.
–Amanhã vou decretar feriado nacional...-Sussurrou o rei.
–Nem pense nisso...Thorin! –Riu baixo Bilbo.
–Mas...
–Não! –Agora o segundo rei falou mais sério.
–Nem uma estátua?
–Muito menos...
–Talvez uma festa...
–Thorin!
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Bilbo por fim suspirou.
–Certo... Pode fazer o feriado...-Resmungou corando um pouco.
–Obrigado, Bilbo! –Nisso o anão puxou o menor para mais um beijo.
“Anão tolo...Que tanto amo...”Pensou o menor se entregando ao beijo e abraçando mais o marido.
“Esse também é um dos dias mais felizes da minha vida...”.
A mão do anão desceu até a barriga de Bilbo e a acariciou, o Hobbit logo colocou a sua própria mão sobre a do marido.
Aquilo anunciava o início de uma nova fase na vida de ambos...
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