Os dois reis sob a montanha

55 A comemoração em Mikwood (Parte 1)


Notas iniciais
Desculpa pela demora povo (aqui a Nathy falando!) adiantei o cap!

Pôneis e cavalos, a diferença de tamanho era deveras evidente, principalmente quando uma comitiva de cavaleiros elfos e anões se postavam lado a lado, cavalgando na pradaria erma que interligava os dois reinos: Mirkwood e Erebor. Ao longe, se podia ver, as copas densas das árvores, mesmo com o início do inverno, a também conhecida floresta das trevas continuava a reter a maioria de suas folhas, mesmo que essas agora adquiriram uma tonalidade cinzenta e negra, tornando todo o bosque ainda mais sinistro que antes.

Bilbo estava ansioso por alcançar o reino elfo, ainda mais por saber que o plano dera certo! Menos um problema a ocupar a sua mente! Lógico que haveria outros pormenores a se levar em conta, como, por exemplo, seria a recepção dos outros anões com relação a esse romance, todavia o que lhe preocupava mesmo era o conselho, ocupado por anões ricos, mesquinhos e repletos de preconceitos, era bem provável que eles criassem problemas. O hobbit sacudiu a cabeça tentando dissipar as preocupações por enquanto. Um som, que parecia uma mescla de borbulhar e linguagem inteligível, o fez abaixar os olhos para fitar com afeto o seu filho em seu colo. Frerin estava se desenvolvendo rápido, mas bebês Hobbits tinham essa tendência, com menos de um ano de vida era comum já estarem andando por aí e tagarelando, contudo, a herança dos anões era totalmente o oposto, pelo visto, segundo os informes de Oín, a ração de Mahal era lenta, era necessário uns 3 a 4 anos para uma criança anã começar a dar seus primeiros passos, e demora ainda mais a aprendizagem da fala. Frerin podia ter um desenvolvimento intermediário... Oín estava muito surpreso com o progresso do pequeno príncipe que tinha um doce habito de puxar barbas e colocar todo o tipo de objeto na boca.

— Ele está bem mesmo? Talvez devêssemos cobri-lo mais! — comentou Thorin que calvava perto da charrete a qual puxava o segundo rei, apesar de que o mesmo tivesse insistido que podia muito bem cavalgar um pônei e segurar o seu filho, que não se tratava de uma tarefa assim tão dificil contudo, desta vez o primeiro rei ganhou a discussão (algo que era raro!)

Bilbo rolou os olhos, sabia que era a primeira viagem do seu filho, mas aquilo já era um exagero!

— Thorin, querido, ele está ótimo! Veja você mesmo! — nisso levantou o ativo bebê para que o primeiro rei visse, como para demonstrar o quão bem estava, Frerin começou a balançar os pés e braços em uma estranha dança alegre arrancado a risada de alguns guardas anões e um sorriso discreto dos elfos.

—Ele esta bem agora...Mas ele pode se resfriar! — insistiu o papai coruja já começando a retirar o seu manto, como se as várias camadas de tecido que envolviam o seu bebê não fossem o suficiente...

— Thorin! Nem pense em fazer isso! Frerin está ótimo, bem aquecido e animado para a sua primeira grande aventura. Agora, se você ficar resfriado, meu rei, por sua teimosia, farei que sua irmã fique no encargo de assisti-lo na doença! — advertiu Bilbo.

Aquela ameaça foi o suficiente para fazer que o Durin repensar suas atitudes. Pode sentir um calafrio descendo sua espinha só de imaginar Dís ao lado de seu leito... Tagarelando sobre como Thorin era idiota, criticar suas atitudes, roupas ou mesmo como cuidava de sua barba! Seria a pior tortura que teria enfrentado. Logo, quem sabe fosse mesmo melhor manter o seu grosso manto...

— A primeira aventura do meu filho é visitar Mirkwood? Ainda bem que ele é muito pequeno e nem irá se lembrar desse evento... — disse cheio de sarcasmo — Ainda mais, não acho sensato... Saímos assim.

— Thorin, olhe em volta... Estamos cercados pelos melhores guarda-costas de ambos os reinos.

Um pigarro fez com que o casal lançasse um olhar para quem condizia a charrete: Dwalin.

— Oh, sim! — sorriu o hobbit — Não podemos esquecer do nosso melhor dos melhores guarda-costas, não é mesmo?

O anão assentiu, não sendo nem um pouco modesto em relação a aquele título.

— Perdão por minha intromissão, mas devo dizer que concordo com vossa majestade quanto essa questão. — comentou Balin que também cavalgava nas proximidades.

— A qual majestade você está se referindo? —questionou Thorin desconfiado.

O anão piscou maroto e apontou para o primeiro rei. A expressão de triunfo no rosto do anão contrastou com a irritação do hobbit. Dwalin teve que conter uma risada que quase escapara de seus lábios, parecia que as duas majestades estavam competindo em algum jogo interno de “quem está mais certo!”, pelo visto, Thorin estava ganhando hoje.

— Estou prestes a cortar o seu suprimento de bolinhos de mel, meu caro. — comentou Bilbo.

— Sem chantagem usando comida, sim? — disse Thorin ainda tendo um sorriso arrogante nos lábios.

— Ora, deixe-me explicar. — Balin parecia meio abalado pela possibilidade de perder um dos seus quitutes preferidos — Ouvimos relatos de orcs pelo perímetro, por isso, acho que devemos ser ainda mais cautelosos ... Aliás, por causa disso devo revelar que estou em desacordo com essa “pequena” aventura. Expor os reis a perigos incógnitos .... Nem ao menos demos uma explicação apropriada ao conselho! Simplesmente saímos assim que recebemos o mensageiro elfo.

— Ahá! Viu? Alguém concorda comigo! — interpôs Thorin infantilmente, Bilbo rolou os olhos novamente.

— Vocês estão receosos em relação aos orcs ou a festa elfa que iremos participar? Por que, mestre Balin, duvido muito que orcs ataquem uma frota de elfos e anões... Sem contar que ainda iremos receber a comitiva dos humanos, afinal, Bard também foi convidado para a festa...

— Ou melhor, ele foi coagido a participar. — o primeiro rei teve que adicionar o seu comentário a fala do seu esposo — afinal, ele também participou do dito “plano”.

—...Como dizia, esse é um momento importante para os três reinos. Se não posso dizer, memorável! Sejamos francos, esse plano além de ajudar nosso sobrinho em sua jornada rumo ao amor verdadeiro, também aproximou três nações que apresentavam apenas laços supérfluos de amizade. Tenho certeza que a partir de agora, iremos evoluir para uma verdadeira aliança!

Balin acariciou sua barba, como que analisando o argumento do jovem rei. Thorin por outro lado fazia careta.

— Nós já temos uma aliança. — reforçou ele, ranzinza.

— Sério, Thorin? Toda vez que discutimos algum tratado comercial tenho que servir de embaixador da paz nessas ditas reuniões que mais parecem uma arena de guerra! — acusou o hobbit.

— Exageras... — agora era a vez do Durin rolar os olhos, um ato que não foi bem recebido pelo esposo.

— Se bem me lembro, em uma dessas reuniões, um dos representantes do reino dos homens fora quase atingindo por um machado!

— Quase? Bah! O machado que joguei passou longe! Aquele mercador metido fez um escândalo sem motivo!

— Oh...Então você foi que o lançou? — o olhar acusatório de Bilbo fez com que Thorin tivesse uma súbita crise de tosse disfarçando, inutilmente, o que acabara de dizer.

Balin pigarrou, ocultando um tímido sorriso nos lábios, já Dwalin levou a mão ao rosto, se sentindo embaraçado pelos modos tolos de seu rei e amigo.

— Nisso eu tenho que concordar com o segundo rei. — pondero Balin — A diplomacia em nossas reuniões deixa muito a desejar. Sim, podemos ter uma aliança, mas creio que ela é frágil como uma teia de aranha exposta a uma tormenta... Basta o soprar de vento certeiro para desfazer o delicado e demorado trabalho desempenhado pelo inseto.

— Agora estamos filosofando sobre aranhas? — bufou Thorin.

— Pare de reclamar, querido, e aceite a sua derrota, sim? — sorriu Bilbo, lançando uma piscada para o conselheiro real, talvez significado que ele tinha garantido uma fornada de bolinhos de mel. Balin tentou disfarçar o seu alivio, mas seu irmão mais novo piscou provocador arrebatado um resmungo em khuzdul do Fundin mais velho.

— Derrota!? Nunca!

— Majestades, seria interessante vocês guardarem essa pequena discussão para a intimidade do seu lar em Erebor, não? — sugeriu, com bastante tato, Balin, ao ver que a comitiva dos guerreiros humanos estava se aproximando, prontos para serem adicionadas a comitiva dos elfos e anões, logo, seria adequado que os reis de Erebor não continuassem a “brigar” na frente de uma plateia que só tendia aumentar.

Como para terminar todo aquele palavreado, Frerin expos a sua opinião, ou melhor começou o seu choramingo pedindo atenção ou mesmo comida. Bilbo o embalou e Thorin rapidamente ordenou que trouxessem a “mamadeira real”.

Já estavam alcançando o seu destino...A grande festa élfica os esperava.

~~**~~

Era muito dificil ver o seu inimigo, sentir o seu cheiro e nada fazer. Azog estava vivendo um grande conflito interno enquanto, do alto de uma colina, montado no seu warg albino, observava a grande comitiva se deslocando para Mirkwood. Queria ter um exercício naquele momento... Queria marchar e trucidar todos os Durins. Principalmente a nova geração. Sim, senti ao cheiro do filhote asqueroso de Thorin... Só de imaginar o rosto perdido e aflito do rei anão quando esse visse Azog fincando uma espada no inocente bebe. Sim, só de imaginar um sorriso se formava nos lábios secos e marcados com cicatrizes. Tinha uma recordação semelhante em sua memória. Quando cortou a cabeça do antigo rei anão, avô de Thorin, na batalha de Moria. Quanta glória foi aquele momento... Pode ver a dor nos olhos do jovem príncipe ao observar seu líder cair diante do poder dos Orcs. Contudo, fora naquele mesmo momento que...

Tocou o braço que detinha uma garra de metal. Aquela memória também estava atrelada a dor e humilhação. Quase morrera! Thorin ascendeu ao trono e agora estava procriando... Criando mais pragas Durin que devem ser eliminadas. Todos devem morrer. Que os vermes se regozijem pela carne real que irão consumir.

Senhor... — um magrelo orc se aproximou, ele fora prudente em se manter a alguns metros de distância de Azog, pois fora capaz de sentir a sede por sangue que o seu líder parecia emanar no momento — Os homens estão perguntando sobre o que devemos fazer...

Sobre o que? Eles não deviam gastar o pouco cérebro que tem em questionar as minhas ordens, não achas?

O orc tremeu e abaixou a cabeça em sinal de submissão.

Nós não estamos questionando sua autoridade, mestre Azog... Só queremos saber qual será o nosso destino... Afinal, falhamos na nossa missão...

Falhamos? Eu não me recordo de ser informado de termos falhado.

M-mas...A criatura... Não conseguimos captura-la...Ela estava na montanha... Em Erebor! Domínio dos asquerosos anões! Não podemos...

Quieto! — Azog urrou, o seu subordinado se postrou no chão, assustado, temendo um ataque de fúria — Sou eu que decido o que podemos ou não fazer! Se falhamos ou não! Eu, Azog, o terrível! Entendeu bem?

O warg albino rosnou em sincronia com a raiva de seu mestre e senhor. O orc se lançou ao são, temendo a fúria do comandante. Débil e amedrontado conseguiu ainda dizer:

Sim, meu senhor... Desculpe! Rogo por sua clemência!

O grande lobo agora rosnava faminto, seu apetite surgia quando podia farejar o cheiro de medo. Azog acariciou a pelagem branca do animal.

Não me faça perder tempo com esse ato nojento de covardia. Só não permito que minha montaria te coma pois não posso me dar o luxo de perder mais subordinados.

De fato, já tinha perdido muitos pela ação das patrulhas anãs e humanas, sua força estava diminuída, mas não significava que estava derrotado e muito menos que tinha falhado. Ainda mais, falhar não era algo que seu senhor aceitava, se retornasse de mãos vazias... A dor causada pela perda de parte do seu braço seria mínima ao o que o seu mestre era capaz de gerar. Era algo que afetava não só a carne, mas a própria alma...

Informe a eles que iremos sim adentrar em Erebor e capturar a criatura Gollum.

O orc levantou a cabeça, assombrando com a informação.

M-meu senhor?

— Existem outras formas de adentrar na montanha se tiver ajuda, lógico. — concluiu em língua comum. Seus olhos frios se voltaram para a sombra da montanha que jazia no horizonte. Sim, iria se infiltrar no reino anão... Bem debaixo do nariz de Thorin. Iria desempenhar a sua missão bem como pretendia fazer algumas ações extras... Quem sabe cortar algumas gargantas reais?

O warg deu um ganido, como que ansioso para atacar... Seja o que fosse. Sim, Azog também compartilhava daquele anseio, mas sabia muito bem a quem deveria direcionar suas garras.

~~**~~

A comitiva parou, receosa e meio perdida, na entrada da densa floresta. Eram muitos para poderem penetrar naquela densa confusão de árvores centenárias. O caminho existente, parecia uma trilha estreita imprópria para o tamanho do grupo. Antes que iniciassem as reclamações (principalmente por parte dos anões), os elfos se adiantaram até a borda da floresta e tocaram nos troncos anciões. De inicio nada aconteceu. Thorin resmungava baixo sobre incompetências dos comedores de folha para o embaraço de Bilbo, já que esses mesmos “comedores” poderiam ouvir muito bem o que seu “amável” marido dizia. Para a surpresa de todos, principalmente dos anões, vale frizar, as árvores se movimentaram... Seus troncos tombaram, alguns arbusto pareciam ser dotados de pernas, se locomovendo com certa rapidez, raízes também se arrastaram para as margens do que seria um caminho. A trilha anterior, estreita e quase que obscurecida pela floresta, agora se transformara em uma estrada larga o suficiente para comportar os convidados.

— Isso foi impressionante! — exclamou Bilbo em um misto de entusiasmo e admiração. Quem iria imaginar que os elfos teriam tamanho poder sobre a natureza?

— Exibidos comedores de capim... — insistiu em resmungar Thorin, o hobbit deu um nada alegante chute no seu marido, o seu pônei estava próximo o suficiente para que seu grande pé acertasse com precisão o seu alvo o que fez o animal reclamar, relinchando e chamando atenção de todos para o casal real. Frerin pareceu gostar do gestou pois começou a soltar gritinhos que entusiasmo. Balin levou a mão ao rosto e balançou a cabeça em uma negativa embaraçada. Dwalin nada disse, era esperto o suficiente para não expor sua opinião como seu amigo primeiro rei, afinal, Bilbo estava bem ao seu lado (já que conduzia a charrete), as consequências poderiam ser piores do que um mero pontapé.

— Meus caros companheiros e amigos. — começou falar um dos elfos, deveria ser o responsável pela a liderança, evidenciado por sua armadura mais vistosa e brilhante — Devem mostrar respeito a floresta quando passarem pela a trilha aberta, não foi por magia que o evento que vocês agora presenciaram aconteceu e sim uma permissão concedida pelas próprias árvores que aqui habitam. Esses seres, meus senhores, são sobreviventes dos tempos passados, foram observadores da própria história da Terra Média, dessa forma, adquiriram ao longo das décadas e séculos, consciência, sabedoria e vontade... O caminho só era se manter de acordo com o humor da floresta de Mirkwood, por isso, peço encarecidamente respeito e humildade quando andarem por esse solo.

— Essa é boa. Árvores com sentimentos. — Dwalin não conseguiu se conter dessa vez, Thorin deu uma risada baixa.

— Sabe de uma coisa que andei pensando...Se eles são vegetarianos, essas árvores deveriam ficar chateadas, não é mesmo? Afinal, estão comendo seus filhinhos, não é? — comentou Escudo de carvalho com um sorriso provocador nos lábios, desta vez foi a vez de Dwalin rir.

— Sinceramente, se vocês dois não se comportarem vão voltar agora mesmo para Erebor! — se enfureceu o segundo rei com a dupla de amigos — Pois acredito que plantas tem sim sentimentos, nós hobbits sempre tivemos admiração pela a natureza, sendo agricultura nosso principal meio de sustento e nossas festividades sempre estão ligadas as colheitas! Não escanei coisas que não entendem... Pois se outras raças vissem como vocês tratam as gemas preciosas como se elas fossem “pessoas”, dando nomes a cada uma pedra diferente que encontram nas minas, também achariam que estariam loucos! Agora deixem de fazer piadinhas e se comportem como anões crescidos que penso que vocês devem ser.

Os dois anões logo ficaram vermelhos com o sermão, de fato, naquele momento se sentiram mais como crianças anãs do que guerreiros adultos. E para piorar tiveram um vislumbre de alguns dos seus guardas contendo o riso.

Os elfos pareciam apreciar com bastante contentamento a cena.

— Sabíamos que o admirável segundo rei de Erebor entenderia. — falou o líder fazendo uma leve reverência.

Thorin rolou os olhos e Bilbo sorriu satisfeito.

— Vamos! — comandou já sem paciência. O grupo adentrou, por fim na misteriosa e centenária floresta, mal sabiam eles que tal feito era único. Nunca antes, humanos e anões, em grande quantidade, se aventuraram em Mirkwood de tal maneira que as próprias árvores abandonaram suas defesas (ilusões e outros truques usados para fazer com que forasteiros se perdessem ou enlouquecessem em suas terras) e foram condizentes com aqueles “invasores”. Aquele era mais um sinal previsto por Gandalf... Terra Média estava mesmo passando por uma formidável mudança e essa ocorria de forma Inconsciente e constante.

O papel dos hobbits, mais precisamente dos Breedes era o verdadeiro catalizador dessa mudança.

~~**~~

Bilbo observava tudo com muita curiosidade, fazia muito tempo desde a última vez que tivera contato com aquela floresta em particular. Desde que chegara a Erebor, nunca saíra de fato da montanha a não ser para visitar o perímetro próximo, a culpa principal era um certo rei anão super-protetor e também a própria natureza reclusado povo anão que parecia preferir viver sob rochas e em intricados tuneis, forçar seus aliados a se reunirem em seus ornamentados salões do que realmente visitar os outros reinos. Passear pelo túnel de árvores foi uma experiência fenomenal, queria que Frerin tivesse mais velho para realmente apreciar a visão de tudo aquilo, mas o seu bebê estava muito entretido levando as mãos envoltas por luvinhas de lã (costurados pelo próprio segundo rei) a boca e babar. Thorin, por outro lado, parecia estar constipado, fazendo careta, mas pelo menos tivera a sabedoria de não expressar sua opinião, afinal, as árvores anciãs poderia revidar... Na verdade, o hobbit acreditava que elas já estavam fazendo isso, perdera a conta de quantos pequenos galhos bateram na testa do rei anão, mesmo que esse prestasse bastante atenção aonde estava cavalgando.

A viagem não durou muito tempo, logo o túnel culminou em uma ampla clareira, mas uma vez Bilbo ficara assombrado com a cidade que se erguia sobre as margens de um rio caudaloso e se estruturava em troncos grossos e firmes de gigantes árvores. Era como se a própria natureza tivesse moldado as construções e não mãos de arquitetos e construtores elfos. Entretanto não tivera muito tempo para ficar admirando, pois os sons melodiosos das cornetas élficas anunciavam a presença do rei elfo Thranduil, de fato, o mesmo descia as escadarias, acompanhando por Elrond. Ambos vistiam uma espécie de manto prateado, no caso do rei de Mikwood, parecia um vestido, meio translucido em algumas partes o que fez Bilbo corar com a ousadia, aquele estilo deveria indicar o estado de ânimo do seu amigo elfo...

— Bilbo! — exclamou saudoso Duil, ignorando as reverências feitas pelos guerreiros elfos da comitiva, seguido por alguns humanos hesitantes. Os anões não se curvaram — Espero que tenha feito uma boa viagem... Nesse tempo frio, ainda mais estando tanto tempo enfurnado naquela montanha, pode ser que seu organismo não mão esteja acostumado com o ar verdadeiramente livre do mundo da “superfície”.

— Foi uma ótima viagem. — respondeu rapidamente antes que Thorin ou Dwalin soltassem algum comentário.

— E esse o seu pequeno? — Bilbo acompanhado do seu protetor marido, já tinha descido da charrete, Duil tinha se abaixado um pouco para observar o bebê. De proposito estava ignorando Thorin que parecia um vulcão prestes a explodir.

— Sim, esse é Frerin II Bolseiro-Durin. — anunciou o segundo rei orgulhoso — Queres segurar?

— Oh... — o semblante o rei elfo indicava o seu nervosismo — faz muito tempo desde que amparei um bebê nos meus braços... Ele parece tão frágil.

— Não se preocupe. Acho que essas coisas, nós pais, nunca esquecemos. — incentivou Bilbo entregando o afoito bebê para Duil. Thorin estava com um surpreendente autocontrole, fora alguns grunhidos indistintos que fazia, parecia bastante tolerante a situação, mesmo que o hobbit tenha notado que seu marido segurava o cabo de sua espada com demasiada força.

— Que fofinho! — Duil falou algumas palavras em sua língua, que parecia ter chamado a atenção de Frerin que parou de se mexer para olhar com seus grandes olhos verdes-azulados aquela nova pessoa que o segurava. Secretamente Thorin esperava que o seu pequeno fizesse algo, talvez puxasse os cabelos do seu arquinimigo ou fizesse xixi (tal como fizera com Dís), para seu desapontamento Frerin emitiu algo semelhante a um riso e tocou com suas pequenas mãozinhas o rosto do rei elfo.

—Awn! Ele puxou a simpatia de Bilbo! Graças a valar por isso!

— Ou talvez seja de família os Durins terem uma queda por elfos bonitos. — provocou alguém, Bard agora com uma roupa mais elegante (mais ainda com a barba e cabelos desarrumados) tinha se aproximado do grupo.

— Frerin ainda não aprendeu a não julgar as coisas pelas aparências. — opinou Thorin quase rosnando.

— Ou ele apenas é bastante esperto para saber apreciar o que é belo. — corrigiu Duil, pela primeira vez lançando um olhar irritado para o rival anão.

Elrond pigarrou chamando atenção para si.

— Devo dizer que fico feliz que estejamos todos aqui reunidos, agradeço imensamente a presença de quatro reis aqui em Mirkwood, sem dúvida é um evento que deve ser comemorado. Falando em comemoração, por que não entramos no salão? Existem um certo grupo de anões, elfos e hobbit que estão ansiosos para se encontrarem com seus tios e amigos.

O elfo de Valfenda sem dúvida era um ótimo diplomata, conseguiu conduzir o grupo, evitando mais briguinhas internas. Bard piscou para Bilbo que deu um sorriso afetuoso para o amigo, pelo menos o rei humano não parecia incomodado a ser incluído no meio daquela confusão.

O grupo passou por corredor cercado de arvores que ainda mantinham flores delicadas e coloridas em seus caules, um aroma doce preenchia o ambiente para a alegria de Bilbo... Os anões, por outro lado, estavam espirrando. O corredor terminou em um grande salão aberto, ali se podia ver o céu alaranjado do entardecer e o faiscar de algumas estrelas, preludio da noite. Luzes advinda de tochas e flores, sim, algumas flores emitiam uma tênue luminosidade, deixavam o local ainda mais mágico na visão de Bilbo.

— Primo Bilbo! — Drogo fora o primeiro a recebe-lo, pelo modo de suas roupas, pode ver que os elfos apreciaram usar o seu jovem sobrinho como modelo, vestia algo muito semelhante a Duil, só que uma versão mais recatada.

— Drogo, vejo que está muito bem. — sorriu e indicou a roupa, o jovem Bolseiro ficou rubro, claramente embaraçado.

— Tio. — Agora era a vez de Fili se aproximar, acompanhado por Legolas. Os dois afloravam nervosismo. Thorin observou criticamente o seu herdeiro e também o príncipe elfo. Bilbo ficou receoso com o que iria ocorrer. Aquele era o momento decisivo.

Thorin avançou, Bilbo engoliu em seco. Balin segurou a respiração. Dwalin apenas emitiu um resmungou de tédio. E assim, o primeiro rei tomou o rosto do seu sobrinho e aproximou do seu. Suas testas se tocaram, um gesto de afeição e companheirismo da cultura anã.

Meu sobrinho, meu coração se alegra ao te ver bem e também feliz. Ainda questiono os seus gostos, mas... Aprendi que com o amor não se deve nunca tecer padrões. Simplesmente se ama. Veja eu por exemplo, não planejara me apaixonar por achar tal pensamento uma perda de tempo, que devia me concentrar em Erebor e somente isso, mas o destino reservou algo a mais para mim... Me deu oportunidade de provar o quão errado estava! Agora meu coração e alma pertence a um hobbit que se mostrou o tesouro mais precioso do que todas as pedras preciosas e moedas de ouro de todo o meu reino. Nunca estive mais feliz... A felicidade que agora sinto é bem maior do que a conquista de Erebor e reconquistar o meu trono de direito... Por isso, não irei me opor ao destino, não serei obstáculo ao seu amor.

Bilbo soltou um soluçar de emoção. Legolas estava meio perdido, ainda não sabia se devia se tranquilizar ou ficar desesperado, já que não entendia Khuzdul

Obrigado, tio. — Fili chorou, sabia que um anão não devia verter lágrimas tão facilmente assim, na frente de todos, mas assim o fez. Thorin não o repreendeu, pelo contrário, puxou o sobrinho para si e o abraçou. Bilbo enxugou as lágrimas e deu um sorriso para o ainda perdido Legolas, indicando que, finalmente, tudo estava bem.

Notas finais
em itálico - língua negra de mordor em negrito - Kulduz ~~Palavras da autora~~ ~Estou mesmo com o tempo curto, por isso a demora pessoal, peço que tenham paciência, ok? A história será postada, mas não com rapidez... Devo enfatizar que esse capítulo ainda será editado (pois tenho uma beta que o edita) mas preferi postar logo, devido o tempo de espera para vocês poderem ler.