Os dois Cs

2 Capítulo 2 - Uma surpresa tão doce


— Carlos. E o seu? — disse o rapaz.

— Jill — ela pensou que se ele não iria dizer o sobrenome, então ela não diria também. Mas este era um hábito brasileiro.

De repente, Jill foi surpreendida pelo garçom que havia se aproximado da mesa deles e entregou o menu. E rapidamente ele desapareceu. Enquanto Jill folheava as páginas do menu, Carlos desviou completamente a atenção do celular para olhar Jill. Ela era bonita. Ela tinha um cabelo curto; ela usava uma camisa regata azul escura, um casaco preto leve , uma calça jeans azul escura e coturno preto. Ela era uma moça muito atraente. Isso fez com que Carlos pensasse que ele não poderia perder a oportunidade de conversar com essa moça tão bonita e que havia já puxado assunto com ele.

Quando Carlos voltou a olhar o celular, ele já havia perdido no jogo da cobrinha.

— Perdi — ele disse enquanto guardava o celular. — Acho que eu sou meio viciado nesse jogo da cobrinha.

— Eu também gosto — disse Jill. E logo em seguida chamou um garçom, que anotou seu pedido de um prato de macarrão Alfredo com camarão e uma lata de coca-cola.

Uma pessoa entrou no restaurante e foi diretamente para a mesa do homem que Jill se recusou de sentar. O restaurante continuava cheio e Jill torceu para que não ficasse mais cheio para não ter que dividir a mesa com mais pessoas. Jill e Carlos estavam sentados numa mesa que era para quatro pessoas. Havia uma cadeira vazia do lado esquerdo dele. E havia uma cadeira vazia no lado direito dela.

— Jill, eu acho que te conheço! — ele coçou o queixo — Eu acho que já te vi de algum lugar.

— Você me conhece?? — ela perguntou com bastante curiosa

— Você... — ele fez uma pausa e sorriu — você é a miss Estados Unidos, não é?

Jill ficou um pouco confusa com essa pergunta. Mas ela não podia dizer se era uma cantada ou uma pergunta normal porque não acompanhava esse concurso de beleza. Não fazia a mínima ideia quem era a miss Estados Unidos daquele ano.

— Não! — ela disse rindo

— Não? Ah... Me desculpa — ele apoiou o braço direito na cadeira, de um jeito que o braço dele ficasse todo esticado para trás e ficou olhando para esquerda, ignorando o olhar da Jill. — Eu acabei me confundindo. É fácil te confundir com uma Miss Estados Unidos — ele tentou dizer a frase de um jeito completamente casual, sem esperar algum obrigado por um elogio. E então ele deu uma olhada rápida para Jill

Jill estava parada olhando diretamente para ele. Não estava acreditando no que tinha acabado de ouvir, mas tinha achado isso engraçado. Nunca tinha ouvido um elogio como esse. Jill sorriu, mas Carlos já estava se arrependendo do que havia acabado de dizer. E quando iria começar a falar, dois garçons chegaram com os pedidos deles.

— Então, Carlos... O que você está fazendo nos Estados Unidos além de ver concursos de beleza? — ela perguntou enquanto segurava um garfo, que já estava enrolando o macarrão nele.

Carlos passou os dedos nos olhos e os esfregou levemente enquanto ria.

— Estou tentando ganhar dinheiro num trabalho aqui... No meio tempo, eu tento conhecer a cidade e aprender gírias novas em inglês — ele pegou o garfo, espetou um dos seus nhoques e disse "bom apetite" para Jill.

— Gírias? E que gírias você já aprendeu?

Carlos parou para pensar e disse sorrindo:

— Eu estou fazendo uma boquinha num restaurante maneiro. Eu não estou quente* (*também pode ser interpretado como gostoso) mas tem um copo de água gelada* na minha frente — ele continuou rindo. (*copo de água gelada é uma gíria ultrapassada para pessoa bonita e atraente) — Essa eu aprendi com a música Cherry Pie.

Jill apoiou o cotovelo na mesa e passou a mão na cara, mas estava rindo. Carlos estava rindo e envergonhado e pedia desculpas.

— Só pessoas mais velhas usam esse tipo de gíria

— Desculpa. Esse é o problema de ser estrangeiro — ele disse.

— Tudo bem. É engraçado. — ela disse enquanto abria a lata de coca-cola.

— Ah, você sabia que a Coca-Cola do Brasil tem um sabor diferente da Coca-Cola daqui dos Estados Unidos?

— Sério?

— Sim. Parece que os americanos tem um problema sério de usar açúcar de cana-de-açúcar, né? Aqui a coca-cola tem xarope de milho e... ah, o gosto não é tão bom.

— Nem me fale. É xarope de milho em tudo — ela revirou os olhos e sorriu.

— Bom, comer é uma hora sagrada. Então eu vou deixar você comer e vou tentar não ficar falando de boca cheia porque é falta de educação.

Normalmente, Jill ficaria completamente irritada com esse tipo de situação, mas, desta vez, era diferente. Ela se lembrou de Chris brevemente. Havia uma linha fina entre Carlos e Chris que separava as cantadas nas categorias "engraçada" e "cringey". Ela não conseguia dizer o que era. Talvez fosse carisma, talvez fosse criatividade, talvez fosse sex appeal... Mas uma coisa ela estava certa. Dividir a mesa com um estrangeiro estranho estava sendo o ponto alto da semana dela. Até então.

Notas finais
Galera, é tão difícil arrumar criatividade e pretexto pra fazer a Jill conhecer o Carlos de forma natural hahaha Me perdoem se eu tiver bloqueio criativo e demorar a postar. Se você shippa Jill e Carlos, manda um oi na review. :D