Seus dias no hospital passavam como lesmas, toda vez que eu passeava nos corredores, para tomar ares diferentes do quarto, alguém me olhava, desconfiado. Eu estava sem meus piercings e alargadores, o que deixava meu rosto um pouco estranho, todos os furos sem nada para cobri-los.

Volto para o quarto, e lá, encontro uma maçã, sobre a cama. A maçã é vermelha, e bem bonita. Deixo-a de lado, no criado mudo, ao lado do telefone e em frente ao abajur. À algumas horas, o médico viera aqui e falara que eu não teria alta até conseguir o peso adequado. Mas sabe, eu não ligo, agora me acho no devido peso, então não ligo se tiver que ficar aqui, serão dias a mais de folga, embora a comida daqui, e o pouco que como dela, sejam horríveis, ainda contento-me com aqui do que com lá fora, onde Ariana está. Ela não veio me visitar nenhuma vez desde que saiu daqui, batendo a porta, já parei de ter esperanças de ver ela entrando por ali, com flores nas mãos.

Busco a maçã, e pego-a em minhas mãos. Olho bem para ela, observando cada linear de sua casca, sua vermelhidão exagerada e sua folha, no caule da fruta. Dou um sorriso de leve. Ariana gostava muito de maçãs, assim como de melancias. Nunca fui fã de frutas, na verdade, nunca fui fã de comida nenhuma. Levo a maçã à boca e mordo um pedaço.

Mastigo lentamente, e mil pensamentos invadem minha mente, mas o mais belo, é este: A liberdade é algo a ser conquistado, algo que só aparece para você, quando você está no ápice de sua felicidade, ela é algo a ser sentido, algo a ser felicitado. A liberdade é uma coisa para poucos. Não sou um desses poucos.

Fecho meus olhos, indo de encontro com a morte, meu fim chegara, eu estava finalmente liberta dessa vida de sofrimento.

Fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!