Os descendentes - entre lutas e fugas

2 Pequenas pistas e rumo a Hogwarts


Notas iniciais
Boa tarde, meus amores. Tudo bem com vocês? Aqui está mais um capítulo, o segundo dessa nova temporada, nele, temos a continuação da história tratada na temporada anterior. Espero que gostem ^^ Vejo vocês lá embaixo

P.O.V. Narrador

Depois de descobrir quem realmente aqueles Masons tão diferentes eram, os Weasleys se reuniram para conversar. Nada fazia sentido. Os dois adolescentes seriam mesmo netos dos fundadores de Hogwarts? Isso seria possível? Apesar de tudo indicando ser impossível, eles tinham as próprias experiências com lendas irreais.

—Netos dos fundadores? Isso é uma piada, eles querem manipular vocês. — James Sirius Potter disse, mas sua voz falhou, como se não tivesse certeza do que pronunciava, o sonho que tivera o afetou muito mais do que deixava transparecer para os demais.

—Chega, James. Você não percebe o quanto isso é irritante? Desiste, Cecília Mason podia nos matar em diversas situações e, em muitas outras, podia simplesmente ter nos deixado sem proteção, morreríamos de qualquer forma, e falar que tentou. — A prima que trabalhou duro para descobrir sobre eles, comentou.

—Eu concordo com a Rose. — Alvo defendeu a melhor amiga. — Ela quase morreu para nos salvar. Quando protegeu Lily, ninguém sabia que estariam ali. É bem simples.

—Podemos voltar para a reunião em si? — Lucy puxara o lado sério dos pais.

Com um suspiro, o Potter cedeu. Cruzando os braços e se apoiando na parede, ele apenas olhou ao redor.

—Para ser sincera, faz muito sentido. — Hermione Granger falou. — Eles são muito mais inteligentes.

—Você também é. — O marido comentou.

—Mione tem razão. A poção que ela deu para Lily... ninguém conhecia. — Foi a vez do senhor Potter falar.

—O professor a fez adivinhar em uma das aulas. Ele disse que um ex-aluno deixou lá. Podia perceber que era uma armadilha, mas Cecília Mason acertou. Isso surpreendeu a todos. — A única Weasley daquela aula parou, ela se lembrara de algo. — Bom, não era exatamente a mesma, apesar de ambas serem Summa.

—Provavelmente alguém da família. Eu nunca consegui criar uma poção, exige altos conhecimentos e muitos poderes. Isso explicaria. — A mãe comentou frustrada, ela tentara, mas o processo era realmente complicado.

—O pai? — Gina questionou a amiga.

—É a maior chance.

—Então ela conhece o processo de criar poções; não precisam de uma varinha para lutar, eu já vi. — A sobrinha comentou.

—Eu também. — James comentou contra sua vontade, lembrando-se da vez em que precisou arrumar a biblioteca com a garota. — Ela deixou isso bem claro. — Não pôde impedir uma careta.

—Sem dizer o feitiço de descobrir o que está acontecendo. — Victorie comentou.

Cada um naquele escritório parecia ter as mais variadas situações em suas mentes, uma, até o momento, mais presente: a utilizada na enfermaria da escola.

Todos perdidos em pensamentos e o filho Potter mais velho lembrou-se da comparação que fizera ao observá-la sentada na mesa da Sala Comunal de seu avô. “Uma combinação exótica e afrodisíaca, como se misturasse leão e águia, uma combinação tão manipuladora, fascinante e hipnotizante quanto a presente em uma cobra”. Três dos quatro animais símbolos, talvez, seja porque ela não tenha características de Helga, o garoto pensava.

—Se são poderosos, por qual razão ela não conseguiu fazer o feitiço do patrono? — Lucy parecia realmente confusa e, em sua voz, não tinha sequer uma gota de maldade.

—Ela não conseguiu mesmo? — A mulher do trio de ouro questionou.

—Como assim? – A sobrinha se mantia confusa.

—Digo, ela não conseguiu ou foi preciso não conseguir? Patronos são únicos e representam sua personalidade. — O silêncio voltou a se manter após aquela fala.

—O anel. — Rose de repente gritou, assustando os mais próximos de si.

—Que anel? — O irmão perguntou.

—Cecília Mason usava um anel no baile, pelo jeito que Scorp comentou e a reação de todos... ele devia esconder algo, eu me lembro de ter visto algo como C.W.M. Será que não tinha as iniciais certas em outro lugar?

—É verdade, Rose. — Sua prima Roxanne concordou. — Mas por qual motivo ela usaria um anel que contivesse o maior segredo?

—Se o anel não sair do dedo dela, ninguém descobria. — Surpreendendo a todos, fora outra ruiva quem comentou, antes de dar um suspiro. — Sempre achei meio estranha a relação deles com Hogwarts... pareciam sentir as mudanças.

—Isso é verdade, Domi.

A voz de Fred morreu, enquanto eles se relembravam de Cecília Mason se debatendo no chão sentindo dor; mas um deles estava levemente aterrorizado, pois via a cena de forma tão clara como se ocorresse no momento atual.

O que aquelas pessoas não sabiam eram das brigas entre Cecília e Nathan Mason, se ele se considerava sangue puro e arrumava discussão com a considerada prima por esse motivo; ela perguntava se ele realmente queria falar sobre, uma vez que o sangue da garota era mais puro, pela ligação com Salazar. Nem sobre o feitiço que sua mãe tentava criar, Rose e James ouviram sobre ele, mas mantiveram segredo, a ruiva sabia que o processo era longo e exigia muito poder, informação confirmada pela mãe há pouco.

As horas se passaram e a discussão se estendeu por um bom tempo, o objetivo até seria ver se acreditavam ou não neles – ao menos, o dos adolescentes seria –, mas se tornou mais uma caça ao tesouro, porém diferente da vez na sala comunal, dessa, o tesouro era as dicas.

Uma questão ignorada durante essa grande reunião era a ofidioglosia, afinal Harry tinha essa habilidade por causa da horcrux de Voldmort existente em si, esse, por sua vez, a adquiriu por ser descendente de Salazar. Seria então que os irmãos poderiam falar com as cobras? E, se isso acontecesse, eles a usariam para o bem de fato? A simples menção do sangue sonserino nas veias dos jovens parecia o bastante para qualquer um duvidar das reais intenções.

Era incrível como tudo o que acontecera parecia se encaixar como peças de um quebra-cabeça, mesmo sendo apenas mais uma coisa comum – ou nem tanto – na época e parecendo ter ocorrido há um bom tempo atrás.

Ninguém soube ao certo como reagir à revelação quando foi dada, todos ficaram sem saber o que falar ou fazer. O primeiro a demonstrar algo foi aquele cujo foco mais esteve presente nesse capítulo, o dono do nome resultante da junção dos dois marotos. Enquanto todos Weasleys tentavam absorver a notícia, seus narradores observavam a todos. Cecília Mason foi a primeira dos irmãos ao sair dali, ainda irritada por falhar em uma promessa e por se sentir pressionada, ela virou as costas caminhando para o andar superior.

Como que esperando por algo, James Sirius Potter se levantou, completamente irritado e foi para o quintal, batendo a porta no caminho. Sentia-se dominado pela raiva, era como se tivesse sido enganado, mas enganado por quem? Ao se questionar a imagem da garota que odiava surgiu em sua mente... Odiava? Seria mesmo essa a palavra? Ele não tinha mais certeza, ao fechar os olhos, só via a morena com o vestido da noite passada. Mas ela era uma cobra, não pela sua casa e nem mais por ser Mason, simplesmente estava acima disso, era uma Slytherin; então traição devia ser comum, certo? James chutou uma pedra frustrado. Aquela era apenas mais uma pergunta para a sua lista infinita.

Mesmo com os dias seguintes, essa memória ainda tinha poder sobre ele, isso era perceptível por apertar seu nariz na região próxima aos olhos e a respiração acelerada. A irritação estava mais do que clara e ele saiu quieto da sala, chamando a atenção de todos, apesar de ignorar, ele sabia que lá no fundo acreditava em cada palavra dita por aqueles dois e isso aumentava sua raiva.

No dia seguinte, todos tinham os pontos claros que caracterizavam os irmãos Masons, ou melhor, Slytherins. Ainda estranhavam pensar como quem eram, a facilidade maior estava em aceitá-los como adolescentes Masons um pouco diferentes. Ninguém sabia o que era mais complicado, pensar neles como netos do fundadores das respectivas casas ou como também netos de Salazar, aquele que desprezava os não sangue-puros, cujo basilisco seria responsável por várias mortes... Basilisco. “Inimigos do herdeiro, cuidado.”. Será que se repetiria?

Todos dali torciam para que não, eles não aparentavam ter como preocupação deixar uma fera a solta para matar, afinal já carregavam uma carga de morte. A guerra era culpa deles, culpa do poder que corre nas veias daqueles jovens. Isso emanava deles. Todos bruxos possuíam magia, essa tem grande ligação com a força pessoal de cada um deles; essa mágica expande, em especial, com fortes emoções, quando atinge o ponto máximo, o de rompimento, ocasiona a chamada “explosão de magia", na qual todo o poder sai de uma vez, podendo lançar quem estiver por perto para longe. Pode-se se comparar com uma bexiga que, ao se encontrar totalmente cheia, estoura.

Fora isso que acontecera na luta em que Cecília não lutou até o fim. Ela teve uma explosão de magia, abaixando sua energia de modo que desmaiou, ficando em estado bem complicado. Aquilo pareceu tão estranho e inesperado para os que possuíam sangue Weasley ali, mas os Masons já haviam passado, até mesmo o Malfoy sabia como agir.

Finalmente, tudo parecera se encaixar. Os Masons contaram a verdade e, por mais impossível que fosse, Dylan e Cecília Mason eram netos dos fundadores de Hogwarts, herdaram, de sua mãe, o sangue de Rowena e Godric e, de seu pai, sangue Slytherin e Hufflepuff. Isso os tornavam mais fortes e poderosos do que todos os bruxos de sua idade, na verdade, podiam ser mais poderosos que todos vivos, exceto os pais.

P.O.V. Cecília Mason

Um novo dia amanhecia e eu não sabia exatamente como me sentir, estávamos no fim do verão, especificamente no retorno para a escola... Dos meus avós. Sinceramente, eu saber sobre quem sou, não fazia menos estranho pensar naquela construção como uma casa para eles. Mas, agora, mais do que nunca eu estou pronta, seja para voltar, seja para encarar os desafios. Sabia que o ano não seria fácil, entre a aproximação da guerra e o segredo revelado, esperar um ano tranquilo seria exagero.

Olhando-me no espelho, terminei de prender meu cabelo em um simples rabo de cavalo, a regata azul escura mais curta formou um belo conjunto com a calça creme e a sapatilha preta. Sabia que não fazia muito tempo desde que o segredo fora quase que inteiramente revelado, assim como a aceitação. Eu suspirei, lembrando de uma cena há muito anos.

Em poucos minutos, retornei para o meu quarto, pegando a mochila na cama. Eu sentiria falta daqui, mas, assim como uma cobra, eu sabia tirar vantagem de qualquer situação. Não nego que, apesar de não querer mortes por minha culpa, pelo meu segredo, poder ser eu mesma era libertador.

Ao lado do objeto, eu reli a manchete do jornal. “Novos ataques tomam conta da Inglaterra, pânico toma conta de sua população”, passei a noite lendo e me preparando. Sentia um pouco de adrenalina nas minhas veias, minha mãe comentou que era a coragem de Gryffindor.

Saí do quarto, o jornal em minhas mãos, a casa estava vazia nesse andar. As vozes soavam de forma intensa vindas da cozinha. Por esse motivo, caminhei tranquilamente até lá, mais do que os outros dias, eu me encontrava sem fome, por isso, peguei apenas uma torrada e me dirigi para a Praça Central. Entretanto, ao abrir a porta, eu tive uma surpresa.

—Marlene? — Marlene Jackson era uma das melhores amigas de minha mãe na época da escola e posso dizer que a única que permaneceu após tudo, ao menos, a única que conheço.

—Cecília. Tudo bem? Sua mãe me chamou. – Ela abriu um sorriso, a também ex-corvina vestia uma calça jeans, camiseta coral de manga curta e tênis, seu cabelo negro caia sobre os ombros e, mesmo se o conjunto com seus olhos castanhos escuros trazia semelhança com os Masons, qualquer um que olhasse percebia a diferença, Marlene tinha um ar leve em si.

Sua postura tensa contrastava com o corpo mignon dela, ela estava em alerta, a visita podia ser perigosa, porém nem o medo a fez desistir, quando minha mãe pediu para ela vir. Era bom ter... pessoas que nos apoiassem assim.

—Et viderit nos aquilae, caelum et crosses, caeruleum enim prope est. (A águia nos olha, o céu ela cruza, o azul está perto)

—Solus, omnia quietam. (Sozinhas, tudo quieto)

Minha mãe disse que ensinou a amiga a falar as poucas palavras em latim para poderem conversarem sobre algumas coisas. A frase dizia que estavam sozinhas e o sigilo seria mantido. Elas pararam de utilizar com a mesma frequência de antes.

Eu sabia que era ela, até por fazer um outro feitiço ao mesmo tempo que confirmou, então dei espaço para Marlene entrar, enquanto eu seguia para a me sentar no degrau de entrada. Isso acabava sendo mais para nos acostumarmos, pois nossa casa tinha enorme proteção.

Salazar’s Town estava bem tranquila, o Sol batia diretamente na estátua do fundador, dando-lhe um brilho intenso. Algumas pessoas saiam para a praça principal, enquanto a maioria ainda estava nas casas.

—Preparada? — Meu irmão falou nas minhas costas e senti sua mão no meu ombro.

—Sempre.

Eu me levantei, assim que meu pai apareceu, todos sabiam que, independente do que fosse acontecer, eu sempre estaria preparada e sei que posso aguentar. E foi com esse pensamento que segui com ele para a Praça Central, meus pais vieram em seguida e, logo após, Nathan e Jenny chegaram com os pais. Nós acabamos fazendo o mesmo caminho da última vez e aparatamos.

Era diferente a animação que tomava conta de toda plataforma entre o retorno pós férias de Natal ou a semana da guerra e o retorno das aulas. Dessa vez, uma ansiedade era possível de se sentir na maioria dos adolescentes dali, algo antes apagado por não se ter novidade.

Observando ao redor, pude ver os Weasleys em uma roda um pouco afastados, porém o único que percebeu foi James Potter, que já olhava em nossa direção; ainda ali, no canto um pouco mais distante da locomotiva, estavam os Whites, Elizabeth tinha uma expressão leve ao ver a caçula animada para o primeiro ano, dessa vez, John seria o White mais velho na escola.

—Ceci. – Nathan me chamou.

—Sim? – Respondi, mas não sem antes ver os Malfoys, juntamente com os Notts e Zabines, Scamanders, dentre outras famílias já conhecidas.

— Está quase na hora de partir, eu vou procurar uma cabine, quer vir junto? — Eu fiz um sinal de que demoraria um pouco ainda, havia escondido o jornal de hoje mais cedo na mochila, mas ainda parecia sentir o peso das palavras, ignorando meus tios, resolvi fazer uma pergunta.

—Impetus in Anglia... quae autem vere reversusque est cum hunt pro auxilio? (Os ataques na Inglaterra... vamos mesmo voltar ao invés de ajudar na caçada?) – Ao ouvir o latim, meus pais olharam-me surpresos.

—Ceci, sit amet. Crede mihi habeo quaedam consilia. (Ceci, é importante. Acredite eu tenho alguns planos) – Minha mãe falou primeiro.

—In pluribus locis non sumus, ad melius. (Enquanto mais lugares estivemos, melhor.) – Não podia discordar do comentário feito pelo mais velho.

—Fortis esse, in virtute, intelligentia, doli circum et misericordiam socius, quamvis non demonstrant. (Sejam fortes, a coragem, inteligência, ardilosidade e gentileza acompanham vocês, por mais que não demonstrem). – A Ravenclaw completou me encarando.

Eu concordei, só o fato de minha progenitora ter um plano envolvendo no retorno era o bastante para me tranquilizar. Ela era a estratégia dali, mesmo alguns dizendo que eu tinha essa posição, a verdade é que considero ela muito melhor nisso.

Comecei a me despedir dos ali presentes, antes de me deixar ir, a filha de Rowena comentou um “se cuide, sei que é impulsiva, mas acho que não precisarei ficar tão pensativa quanto a isso esse ano", deixando-me levemente confusa. Antes de seguir para a locomotiva que anunciava pela primeira vez sua partida próxima, acenei discretamente para os Whites e entrei naquela máquina.

Percorri o trem procurando a cabine onde Nathan estava, quando alguém trombou em mim, erguendo meu olhar frio já conhecido, encontrei Potter que, apesar de ter observado não disse nada antes de sair. Sinceramente, se achavam eles bons aliados, tudo bem, mas eu não me encontrava muito certa da decisão.

Após revelar o segredo, passei muito tempo me questionando da decisão e pensando o que poderia ter feito as duas bruxas a tomarem; três dos Weasleys pareciam mais crianças do que todos, a maioria eram bem novos, acabando seus primeiros dois anos antes, eu não tinha certeza no que agregariam, mas daria uma chance. Esperava não ter desperdiçado a chance de não provocar mais mortes com pessoas desnecessárias, ao menos, os que não fossem o Lupin, a namorada dele e Rose Weasley. Porém aquele que trombara em mim realmente passava uma imagem oposta à necessária.

Decidindo ignorar, segui pelo caminho metálico até, finalmente, encontrar Nathan sentado em uma cabine, deu para ver seu camiseta verde e bermuda clara, o cabelo arrumado assim como os Masons e o olhar perdido para a plataforma. Abri a porta da cabine e entrei, sentando-me a sua frente, logo em seguida, entrou Jennyfer com seu vestido cinza simples balançando levemente e acomodou–se ao lado do irmão; a última pessoa a adentrar foi Dylan, com uma camiseta branca e calça clara.

O silêncio reinou por um tempo, eles ainda não sabiam sobre o conhecimento dos Weasley sobre minha origem. Eu tinha que admitir, pensar em mim como realmente sou, me dava um poder muito maior do que precisar me esconder e sabia que Dylan também.

Para os dois jovens a minha frente, tudo estava incrivelmente normal, exceto talvez pela aproximação da guerra, mas se manteriam as aulas, os jogos e até mesmo brigas... tudo como conheciam. Era estranho pensar que, em algum momento, isso se perderia, ao menos, para eles deveria ser.

Educada para a luta, nunca esperei por algo diferente em nenhum momento, só queria diminuir as mortes por minha culpa. Culpa, era até engraçado me condenar por algo fora de meu controle, nasci como neta dos fundadores, mas não era responsável por isso. De qualquer forma, por que não tentar aproveitar isso? Mamãe tinha razão, eu possuía a coragem de Gryffindor, a inteligência de Ravenclaw, a ardilosidade de Slytherin e leal como Hufflepuff.

—Ceci? — A voz do meu primo me tirou dos pensamentos. — Está pensativa, tudo bem?

—Sim. — Era incrível o poder do costume, nem Nathan nem Jenny eram, de fato, meus primos, mas eu cresci os considerando assim.

—Preocupada com o que esse ano prepara? — Percebi que tentava descobrir o motivo de tantos pensamentos ao meu redor.

—Nem uma única preocupação. Sei que daremos conta – “Ao menos, eu darei”, completei mentalmente.

Minha resposta pareceu surpreender ele, mas não foi feito comentário algum com relação a isso. Jenny mexeu-se ligeiramente incomodada com a fala do irmão, ela parecia mais tranquila desde a reunião da qual participara, porém ainda assim tinha medo. Eu podia entender a situação dela, talvez, melhor do que ninguém. Muitos me chamam de fria, mas não queria meu irmão na posição em que se estava, linha da frente contra aqueles comensais.

Éramos bons em luta? Sim. Entretanto, guerra é guerra, uma preparação não significa controle da situação. E esse era o motivo desse sentimento. Por outro lado, confiava em Dylan para saber que ele podia se cuidar. Conflito? Sim. Mas era comum. Ano passado, eu me preocupei demais com coisas banais, está na hora de focar no principal: guerra.

Diferente do ano anterior, eu me sentia no caminho certo e tinha certeza que minha origem tinha ligação extremamente forte com Hogwarts o bastante para me sentir em casa. E era. Eu conhecia todo o sistema e já percebia a diferença na energia da escola, eu até que estava animada para esse ano e as novidades que ele vai trazer.

—Cecília, vem aqui? — Dylan perguntou na porta.

Eu me levantei, seguindo o garoto pelos corredores até que ele parou na frente de uma das cabines, Dylan se manteve escondido da vista de seus ocupantes, olhando pelo vidro da porta, era quase difícil imaginar que aquele tanto de pessoas caberia ali. Potters e Weasleys dividiam os bancos e o chão do cômodo apertado, quase todos os espaços dali tinha alguém, muitos escolheram duas cabines para ficar, porém eles preferiam ficar ali, reparei que o olhar de meu companheiro fixou-se neles.

— Acha que lidaram bem com a revelação?

— Eles parecem bem – Todos ali parecem estar agindo tão normal quanto Nathan, porém aqueles sabiam o quanto a mudança surgiu.

— São confiáveis mesmo?

— Não sei, mas já teriam comentado algo, não? E ninguém demonstrou saber. Duvido que o Potter não tentaria provar isso ao Nathan.

— Talvez...

— O que fazem encarando eles? – Minha expressão mudou antes de me virar, Zabine tinha seus braços cruzados.

— Procurando – Comentei.

— Procurando?

— É, em que parte nós te chamamos. – Percebi minha expressão se endurecendo. — Já comentei algumas vezes, Zabine, mas se meta com o que é seu.

— É o que estou fazendo. – Ele me encarou, mas Nathan chegou na hora em que comecei a me aproximar, estava pronta para atacar, se eu compartilhava algo dos Masons era realmente não ter medo de certas consequências.

Uma mão me segurou e um olhar atento se seguiu, podia ver a irritação nos olhos do sonserino. Mas eu não precisava de alguém me defendendo. Afastei a mão do meu primo e caminhei até seu companheiro de casa, seria possível ver minha irritação à distância.

— Pare de se intrometer, Zabine. Sabe o quanto isso pode ser perigoso, basta uma palavra e... bom, você entendeu. Se afasta. Se precisarmos, chamamos; enquanto isso não acontece, chega. Da próxima vez, eu não vou só falar. — Antes de sair, lancei um feitiço que o fez ir para trás com força, aproveitando a parede próxima, ninguém repararia.

A viagem era ao mesmo tempo longa e curta, eu já viajara distâncias maiores no mesmo tempo, porém, em meio às conversas, companhias e piadas, a sensação era que podia durar mais. A última parte parecia quase unanimidade dentre os alunos, eu realmente preferia aproveitar meu trajeto de outras maneiras.

As horas se passaram e logo precisávamos vestir nossos uniformes, então Jenny e eu deixamos nos meninos na cabine, seguindo para o banheiro feminino, a sonserina com o uniforme em mãos e eu com a mochila sobre o ombro. Infelizmente, já tinha algumas pessoas em fila, sem nada a ser feito, aguardei nem tão pacientemente até que minha vez chegasse. Jennyfer me deixou passar a sua frente.

Agradecida com a atitude, passei pela porta, trancando-a. Colocando a mochila em um apoio dali, peguei o uniforme dentro dela, trocando assim a minha roupa pela saia, camisa, gravata, meia e sapatos já conhecidos da escola.

Rapidamente, terminei ali, guardando a roupa no objeto pendurado e saindo local, permitindo acesso à minha prima. Caminhei de modo a ficar meio afastada e não atrapalhar o fluxo do local, eu observava ao redor, então pude ouvir um grito de “Cecíliaaaa" antes de sentir alguém me abraçar.

— Jannete. – Eu a cumprimentei, enquanto ela ainda me abraçava, Jannete com seus onze anos, batia na minha barriga.

— Que bom que te encontrei, estava perguntando ao John quando íamos te achar. – A garota dizia animada, gesticulando suas mãos enquanto o azul dos olhos brilhavam.

Isso me fez lembrar de quando muitas pessoas diziam que os Masons venceram na cor do meu cabelo, mas nos olhos, eu havia herdado a cor White escurecida pelo tom negro da família sonserina. Era engraçado pensar como as pessoas buscam explicação para tudo, mesmo a resposta sendo parcialmente errada, afinal de fato herdei a cor dos olhos da parte materna, só que essa era a exata coloração da minha vó.

Jannete me chamou a atenção ao questionar onde era o banheiro feminino daquela locomotiva, eu virei-me, indicando a fila. Ela sorriu, me falou tchau e seguiu o caminho, passando por Jennyfer no caminho, a loira a cumprimentou.

Fiz um sinal com a cabeça, despedindo-me de John à distância. No fundo, era possível ver o trio Weasley/Potter observando a cena, talvez, os únicos que soubessem da caçula White não estavam ali. Ignorando a presença deles na minha linha de visão, acompanhei Jenny de volta para nossa cabine, onde os meninos já se encontravam sentados.

Pouco tempo se passou até que o trem parasse completamente e tão logo isso aconteceu, o barulho na locomotiva aumentou de forma rápida, preenchendo todo o corredor e entrando na cabine. Ninguém dali precisou falar nada para entrarmos em um consenso mútuo de esperar os alunos se acalmarem para sairmos.

E assim foi feito. Quando o som diminuiu, pegamos nossas malas e saímos à procura dos testrálios, realmente, o que não faltavam eram motivos para tanto Dylan quanto eu enxergarmos esses animais esqueléticos parados ali nos esperando.

Eu suspirei, observando o castelo ao longe. O primeiro ano ali, teve seu efeito, qual seria o resultado do segundo?

Notas finais
Volteeei. Vamos para nossas conversas? 1. Aparentemente, James não mudou, hein? 2. Gostaram das lembranças da primeira temporada? 3. O que acharam das pequenas dicas? Qual foi a favorita de vocês? 4. Quem será que estava levemente aterrorizado com a cena de Ceci se debatendo? 5. Gostaram de descobrir um pouco mais sobre a magia? 6. Alguma suspeita do plano de Jade? 7. Qual foi a parte favorita de vocês? É isso... Até a próxima...