Os descendentes - entre lutas e fugas
5 Pela primeira vez, aliados
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
Depois do acontecido na noite de Quinta-feira, Jannete foi enviada para a enfermaria e meu pai pediu para eu me afastar um pouco, o fato é que levantei fortes suspeitas sobre minha família. Não são muitas pessoas que conseguem fazer mais do que um patrono, menor ainda é a quantidade de pessoas que produzem patronos diferentes entre si.
Simplesmente por eu ter produzido um patrono no formato de cada animal símbolo de Hogwarts, posso ter revelado nossa identidade acidentalmente. Quem produziria especificamente um leão, uma águia, uma serpente e um texugo? Independente dos questionamentos, Érick Slytherin pediu-me para que eu me afastasse só para eles conseguirem uma desculpa cabível para o incidente.
Dylan ficou encarregado de garantir a recuperação de Jannete, tudo bem, chocolate resolve, mas, por pedido da diretora, ela seria examinada e meu irmão a acompanharia, enquanto John falaria com meus pais.
Em um minuto, tudo fugiu do controle, ao menos um dementador invadiu Hogwarts e isso muda as coisas. Esse ano, os desafios iniciaram cedo. Para diminuir a adrenalina, meu refúgio de pensamentos e treino foi a Sala Precisa completamente montada para esse propósito.
Tentei colocar as informações com magia em uma parede da sala montada. Isso deveria ajudar a organizar tudo. Começamos com os principais grupos, gigantes e dementadores. As últimas localizações desses seres fantasmagóricos eram a poucos quilômetros dessa escola.
—Ceci. — Uma voz surgiu na entrada e eu acabei perdendo a concentração, fazendo com que o feitiço vindo para mim acertasse meu ombro.
—Droga. — Comentei, quando vi uma fina faixa de sangue escorrendo pelo meu braço.
—Vem aqui, Ceci. — Uma mão apareceu na minha frente e eu aceitei. Meu pai me fez acompanhar ele até uma poltrona. — Por que você está fazendo isso? – Sua voz trazia uma certa gentileza.
—Você pediu para que eu me afastasse.
—Sim. Mas qual é razão de você estar treinando? Apesar de que você sempre treinou mais do que o seu irmão, desde pequena. – Ele fechou o corte ao falar.
— Assim como Dylan sempre treinou mais poções.
—A fraqueza só é fraqueza caso não seja trabalhada. – Ele olhou o meu braço. – Vem. Acho que dá para treinamos antes de sua mãe chegar.
Coloquei-me de pé rapidamente. Meu pai se posicionou à minha frente. Pronto para lutar. E assim aconteceu. Sem muito tempo para pensar, feitiços voavam em todas as direções, os dois eram acertados e os dois evitavam, a magia se expandia no local.
—Bombarda maxima. — A voz do meu pai soou no mesmo instante em que a minha dizia o ataque.
—Fogo maldito. – Assim que as duas vozes saíram, nós percebemos o desastre da combinação. Meu pai se lançou para cima de mim, enquanto eu tentei controlar o único feitiço que podia ser controlado dentre os dois.
Senti o impacto quanto meu pai conseguiu me jogar no chão e me proteger, exatamente no momento em que a Bombarda lançada por ele encontrou o pouco do feitiço que não consegui puxar a tempo.
—Protego. – Duas vozes se uniram e as reconheci, mamãe e Dylan tinham chegado a tempo. A sorte é que mesmo com a situação, eu não perdi totalmente o controle das chamas.
Demorou um pouco, mas conseguimos resolver. Minha mãe não gostou muito da situação, porém ela nos ajudou a arrumar tudo.
—Vocês dois estavam lutando. — Sua voz foi firme. — Érick, nós vamos treiná-los, mas não hoje. Temos coisas mais importantes. Vocês dois estão bem machucados. — Ela comentou antes de começar o processo de cura no meu pai e Dylan em mim.
—Coisas mais importantes? — Fiquei confusa por um curto tempo.
Jade Mason concordou no momento em que o fantasma de Helena atravessou a parede. A de cabelos castanhos se afastou da porta e pudemos ver os Weasleys e Potters observando o local. Aos poucos, eles começaram a entrar na sala. Não demorou muito para que os Masons se juntassem a nós, bem como John.
—Reunião. Decidimos que seria bom compartilhar e esclarecer algumas coisas para eles, enquanto aliados.
Eu devia esperar por algo assim, porém nunca contei planos para ninguém além de meus pais e Dylan; Nathan, Jenny sabiam de coisas mais básicas, de certa forma, nada de estratégia para vencer. Minha tia se aproximou de mim em sua forma fantasmagórica.
—Vai ser interessante.
—É, tia, vai ser. — Meu pai caminhou para tomar a frente, depois de todos terem se ajeitado para ouvir.
—Acredito que a maioria de vocês tenha muitas dúvidas, descobrir a verdadeira origem de alguém, pode ser complicado, ainda mais quando se percebe o quão intrínseca ela pode ser com importantes pontos de nossas histórias. A ideia de minha esposa de juntá-los aqui é para nos permitir tirar algumas dúvidas. — ‘Isso vai ser estranho’, pensei.
—Eu não fui a primeira pessoa a aceitar que vocês descobrissem sobre quem somos, mas me convenceram de que poderia ser importante em nosso momento. Eu acredito. Como Dylan e Cecília lhes contaram, eu me chamo Jade, sou a Jade White ou Mason anunciada pela diretora, mas também Jade Ravenclaw Gryffindor, filha de Rowena e Godric. Meu marido não é apenas Érick Mason, ele responde como Érick Hupplepuff Slytherin também, filho dos outros dois fundadores dessa escola, Helga e Salazar.
—O motivo de nos pedirem para revelar isso a vocês é permitir que conheçam exatamente o que está acontecendo. São poucas pessoas daqui que sabem disso. Não conseguimos explicar muito bem no dia, pois minha irmã não queria contar, ela assim como mamãe foi contra revelar isso. — Dylan falou.
—Mas, se a intenção é resolver isso, vamos lá. — Eu terminei sem muita animação e pude ouvir um leve som debochado, usei todas minhas forças para ignorar. Nathan parecia compartilhar do mesmo sentimento do que eu, pois, assim que entrou na sala, ele trazia uma expressão irritada. — Quem quer perguntar primeiro? — Uma mão se levantou.
—Como você fez o patrono hoje? Você não sabe fazer. — Rose Weasley comentou.
—Por que diz isso, Weasley? — Questionei.
—Na aula que tivemos juntas, você não conseguiu e no dia em que nos protegeu perto do lago também não.
—Não conseguir é diferente de não saber, Weasley. — Ela me olhou sem entender. — Eu não podia fazer o feitiço por motivos óbvios, fazê-lo revelaria quem eu era. — Peguei a varinha e me posicionei. — Expectro patronum. — Os animais saíram um a um da ponta do objeto, posicionaram-se um ao lado do outro e eu caminhei atrás deles, apontando individualmente. — Leão, águia, serpente e texugo. Os símbolos de Hogwarts. — “Mesmo não podendo, realizei o feitiço para proteger Jan”, completei mentalmente.
—Eu não acreditei muito, quando vi. São difíceis as pessoas que produzem patronos corpóreos; raras, as que produzem mais de um e nunca conheci quem fazia mais de um patrono corpóreo e com formas diferentes. — Lucy comentou, observando os majestosos animais à sua frente.
—Lucy tem razão, nunca conheci também. — Um garoto loiro com a gravata da corvinal levemente solta concordou, pelo que ouvi no tempo em que passei com os Potters, ele era Louis Weasley, o irmão caçula de Victorie e Dominique. — Isso exige muito poder.
—De fato exige, mas não se esqueçam, nossos pais – meu pai indicou a si e minha mãe — são os bruxos mais poderosos de todos os tempos, ao lado de outros igualmente famosos, como Merlin e Alvo Dumbledore.
—E a poção que foi deixada por um ex-aluno, uma poção summa? — Rose Weasley não pôde conter a curiosidade e Érick Mason deu um leve sorriso, quase imperceptível.
—Responsabilidade minha, mas pedi para que a diretora não falasse para ninguém, era meu presente de despedida de Hogwarts e de agradecimento para a McGonagall.
—Agradecimento? — Molly II indagou e vi o casal de herdeiros se entreolharem.
—Isso não posso dizer. É muito pessoal. — Pude ver alguns olhares decepcionados.
—Vocês são mesmo filhos deles? — Lily Luna foi a próxima.
—Somos. — Jade respondeu.
—Cecília é inegavelmente cópia de minha mãe. — Pudemos ouvir Helena Ravenclaw pela primeira vez falou para todos ali, a voz fantasmagórica ressoou em todo local. — Ela é, fisicamente, mais parecida com a Ravenclaw original do que eu ou Jade.
—Bom, alguém tem mais alguma dúvida? — Quando ninguém lhe respondeu, a mais velha continuou. — Sendo assim, podemos seguir para o próximo passo. Vocês são aliados e devem saber com o que lidamos. Dividimos aliados com o lado inimigo, aliados não muito queridos ou fáceis de lidar. — Minha mãe parou.
—Esse dementador foi o primeiro de muitos que podem vir. Afastamos os que estavam nas proximidades, porém não podemos garantir segurança interna. Comensais estão vindo em nossa direção também. Infelizmente, esperem ataques nesse ano, estamos cuidando da segurança, mas com barreiras fracas e uma quantidade grande de inimigos, alguns podem passar.
—Mas vocês estão aqui para evitar que isso aconteça. — James Potter trazia toda sua raiva para as palavras.
—Senhor Potter, qual é o máximo de pessoas contra as quais pode lutar? — Meu pai tentava ser o mais calmo possível.
—Não sei, mas não preciso proteger uma escola.
—Responda, senhor Potter. — A voz do ex-sonserino não estava mais tão tranquila, na verdade, foi firme e firme o bastante para, com o olhar intenso dele, fazerem o garoto recuar.
—Não sei... Dois ou três? — Um som irônico veio um pouco da esquerda dele.
—E, no entanto, apanhou feio de Ceci e nunca me enfrentou sozinho. — Não necessitava de olhar para saber que as palavras foram pronunciadas por Nathan Mason. — Tio, sabe que estamos aqui para ajudar, certo? Digo, eu e Jenny. — Minha prima balançou a cabeça concordando com a fala do irmão.
—Agradeço isso, Nathan. — Slytherin fez uma pausa – Retornando ao assunto, senhor Potter, o que faria se dez pessoas, por exemplo, tentassem entrar em um local, onde você é o responsável?
—Lutaria com todos.
—É corajoso, mas até eu sei que existe um limite. — Minha mãe retomou a palavra. — Senhor Potter, em uma luta, você pode até tentar batalhar contra todos, mas é difícil, sempre passa um. Isso é mais comum do que parece quando se luta contra mais inimigos do que o seu limite. Por isso, Potter, existem estratégias e treinos. Não deixe que a sua coragem atrapalhe uma guerra.
Com isso James Potter ficou quieto, dando espaço para outros perguntarem. Ele não parecia realmente satisfeito com a resposta, mas não acho que tenha ficado muito satisfeito com a situação como um todo.
—Peço para que fiquem atentos às mudanças. E cuidem da segurança de todos vocês. — Minha mãe terminou.
Todos a observaram por um tempo e então algumas perguntas voltaram a ser feitas. Espero só que isso surgisse algum efeito, porque eu sabia de Jade Mason não entregaria todas as informações para eles. A noite ainda durou um pouco, devido esses questionamentos, mas todos conseguiram retornar para seus dormitórios sem problema. Ficando apenas eu, meu pai, minha mãe e Dylan.
Independentemente do que aconteceu, dividimos o nosso tempo antes de dormir entre as lições e as investigações sobre os aliados e a invasão ocorrida. Paramos novamente na madrugada.
O dia seguinte se iniciou de forma muito semelhante, a diferença, talvez, era apenas a animação dos estudantes por ser Sexta-feira. Isso era perceptível pelos risos e sorrisos da maioria.
—Hoje, não vamos ter uma reunião, eles terão compromisso. — Dylan comentou nas escadas.
—Tudo bem. — Eu não precisei completar a frase para ele saber que eu estudaria da mesma forma.
Falando nos estudos, eu me lembrei dos livros que minha mãe trouxe para Hogwarts esse ano, ela os conseguira antes da vinda para cá.
—Ceci, Dylan. Olá. — A voz de Jennyfer me afastou das memórias de minhas futuras leituras.
Nathan seguia levemente irritado pela reunião de ontem. Ele não acreditava que o Potter havia conseguido informações de que Hogwarts podia ser atacada. Muito menos que, aparentemente, meus pais realmente começaram a tratá-los como aliados.
Nós quatro caminhamos juntos até o Salão Principal, iria ver Jannete de manhã, mas descobri que ela já seria liberada, espero conseguir encontrá-la na enfermaria a tempo. Abrindo as grandes portas, eu pude ver o amplo local, essa era a primeira vez que entrei depois do incidente com os patronos. De fato, era mais fácil explicar minha mãe ter aquelas duas formas do que eu ter as quatro, porém eu sabia que havia sido resolvido, então evitei me preocupar com isso.
Despedindo-me dos nossos primos, segui com Dylan para a mesa vermelha e dourada, passamos pelos Weasleys, mas eu continuei caminhando para um local mais à frente. Pelo canto de olho, pude perceber a ausência do famoso casal Mason junto aos professores. Isso até seria estranho, se eu não os conhecesse.
Já até imagino minha mãe, como a boa Ravenclaw e White que é, entre vários livros, lendo cada linha da forma mais concentrada possível, buscando por alguma informação que pudesse ser útil, seja para nos prepararmos, seja para vencer a guerra ou só para evitar alguma consequência específica. A informação podia ser a menor possível, mas, se ajudasse, minha mãe iria utilizar.
Enquanto isso, meu pai, provavelmente, podia percorrer os olhos pelos títulos, até leria algum, mas sem o tamanho foco da esposa. A verdade é que ele sempre fora estudioso enquanto aluno, isso não mudara, se ele precisasse ler um livro gigante, ele leria; mas a atenção e foco entre o casal era diferente, Jade herdara a atenção aos mínimos detalhes e Érick, a vontade quase sufocante de vencer.
O casal caminhava juntos, tinha uma conexão muito forte, mas é verdade que carinhos, abraços e beijos não eram fáceis de se presenciar em público, tal fato acredito já ter sido percebido por algumas pessoas.
Então, eu suspirei. As aulas começariam logo, então eu tinha que acelerar para conseguir ver Jannete antes do horário. Despedi-me rapidamente de Dylan e percorri o caminho até a enfermaria rapidamente, não fora nada sério, mas dementadores já são motivo de preocupação por si só.
Bati na porta, assim que cheguei e a Madame Pomfrey logo permitiu a entrada. A última vez que estivera ali fora para visitar também a caçula de uma família, mas, daquela vez, estava rodeada por várias pessoas e se encontrava desmaiada; para completar, meu primo ameaçava entrar no local.
Agora, o clima era mais calmo, apenas John estava ali, segurando a mão da irmã que se encontrava sentada e acordada. Assim que a Jannete me viu, ela abriu um grande sorriso e foi quase impossível não esperar por uma bronca, quando gritou meu nome. A madame Pomfrey pediu por silêncio, deixando Jannete envergonhada.
—É bom ver que está bem. — Comentei, aproximando-se de onde a caçula White estava.
—Obrigada, Ceci. Não só por vir, mas por ter me ajudado. Eu sei que você se arriscou. — Ela segurou a beirada do lençol, como se se sentisse mais envergonhada por ter me feito realizar o feitiço do patrono. Enquanto apertava o lençol, ela me olhou leve olhar de culpa e abaixou os olhos. — Desculpa por isso.
—Jan, você sabe que a culpa não foi sua.
—Eu sei, mas e se eu não tivesse me levantado.
—Outra pessoa podia ter feito ou eles podiam ir atrás de você do mesmo jeito, certo, Cecília? — O irmão a interrompeu.
—John tem razão.
—Senhores, as aulas já vão começar e preciso realizar os últimos exames na senhorita White para liberá-la. Por isso, acabou a visita.
Sabendo que não teria nenhum efeito argumentar, eu acenei com a cabeça para a Jan e saí do local, podia até esperar do lado de fora, mas não teria efeito, então continuei caminhando até a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Como o esperado, dessa vez, a sala estava cheia, porém ainda sem o professor, entrei no cômodo, seguindo firmemente para um espaço vazio na frente. Aparentemente, nem quando eu chego tarde, esses lugares ficam ocupados.
Parando de pensar sobre o quão desinteressado a maioria aparenta ser, afinal, também não eram eles que corriam risco de vida, caso não soubessem.
—Bom dia, alunos. Vamos começar a aula? Como todos sabem, hoje será nossa última aula de revisão, na qual abordaremos sobre os lobisomens e faremos uma prova sobre esse conteúdo, afinal, o próximo será sobre conflitos e prefiro começá-lo na semana que vem.
Fora desse jeito que iniciara nossa última aula semanal – e de revisão também — de DCAT. O professor revisou os pontos abordados no último ano, dando mais foco para alguns pontos diferentes e aprofundando outros.
—E é dessa forma que finalizo nossa revisão. — A voz do professor soava, no momento em que ele pegou pedaços de pergaminhos para começar a distribuir. — Peço para que guardem todos os materiais. Esperarei até todos terminarem para entregar e, depois, terão 20 minutos para realizar os exercícios. Solicito para que, ao deixarem a provinha na minha mesa, peguem o trabalho da semana.
Outra pilha se encontrava sobre a mesa indicada, essa era ainda maior do que a carregada. O bom é que não demorou muito para o professor começar a entregar, então, assim que consegui a minha, já iniciei, as perguntas eram fáceis, porém exigiam conhecimento de nossa parte.
Consegui terminar até antes do tempo indicado, o que foi ótimo. Então, consegui ser a primeira pessoa da Grifinória a chegar na aula de Feitiços, inclusive, cheguei antes que muitos estudantes da Corvinal.
Dessa vez, o professor Flitwick já estava na sala e me cumprimentou, quando me viu sentando em um local na frente.
—Senhorita Mason. Vejo que já chegou. Estava falando com a sua mãe há um tempo atrás, ela queria saber no que errava em um feitiço. — Eu ergui a sobrancelha, imaginava que seria o que criava.
Um barulho na mesa ao lado, encerrou a conversa e me deixei lembrar das tentativas de minha mãe fazer o feitiço tão esperado funcionar.
A aula caminhou de forma rápida, sem a Jennyfer aqui, ela não comentou pela quantidade de dever, pois deveríamos escrever 50 centímetros de pergaminho para a próxima aula. Todos os professores passavam muitas lições, mas isso era até bom para treinar para os NOM’s.
Era muito visível que nem todos concordavam comigo, mas eu não ligava. Tínhamos combinado de estudarmos amanhã, tentar adiantar ao máximo os tópicos nos quais a “família Slytherin” vinha trabalhando.
A próxima aula seria herbologia, portanto, a turma da Grifinória teria que descer até os jardins, rumo à estufa. Aproveitando o tempo entre as aulas, desci calmamente, toda a turma da minha casa estava bem mais distante e, aparentemente, eu seria a primeira aluna dos leões a chegar. As estufas encontravam-se sem movimentação alguma, então sentei-me apoiada contra aquela em que seria nossa aula.
Eu suspirei, fechando os olhos, por um momento, lembrei-me de que meu dia seria mais curto hoje, ouvi boatos de que teríamos uma nova matéria, provavelmente, ela seria encaixada no espaço vago da última aula de Sexta na grade dos estudantes do 5º ano da Grifinória. “Boatos”, ouvi uma conversa dos meus pais sobre isso, eu tinha até uma ideia de qual seria, se eles fossem os professores; de qualquer forma, não havia nenhuma definição se participariam de tal atividade apenas os alunos que quisessem ou se seria obrigatória. Não nego ter curiosidade para saber onde me encaixaria...
Um barulho leve me fez ficar atenta, interrompendo meu pensamento pela metade, e, mesmo mantendo os olhos fechados, eu me preparei para caso precisasse lutar.
—Cecília Mason. — Uma voz interrompeu meus pensamentos, apesar de identificá-la, fazia um tempo que não a ouvia.
—Scamander. — Cumprimentei antes de abrir os olhos, decidida a ignorar o restante da conversa.
Pelo canto do olho, pude ver o professor se aproximando, então, antes que o gêmeo lufano falasse a próxima palavra, eu me afastei para a porta da estufa. Eu realmente preferia ter essa aula com a Sonserina, assim como Dylan e Nathan.
O garoto me seguiu comentando sobre assuntos como “zonzóbulos”, eu não fazia questão de entender o que era falado, mas, no instante em que pensei em lançar o feitiço que tiraria a voz do loiro, o professor Longbottom abriu a sala, desviando a atenção do meu companheiro para si e me permitindo adentrar a estufa sem maiores problemas.
A aula passou tranquilamente, o professor começou a explicar sobre os graus de envenenamento e passou quatro perguntas para respondermos para a próxima aula. O lado bom é que teremos o final de semana, mas algo me dizia que alguns planos podiam mudar rapidamente, só torcia para não ser na velocidade que eu imaginava.
A minha última aula seria trato das criaturas mágicas, afinal não tinha adivinhação e a última era livre. Essa aula seria com a Corvinal e, portanto, com o outro gêmeo Scamander, ao menos, esse era mais quieto e era o único estudante que já estava no local quando cheguei. Ele realmente gostava dessa matéria.
—Sejam muito bem-vindos, alunos. Hoje, estudaremos pelúcios. — Foi a primeira fala do professor, quando todos alunos chegaram.
Essa era a matéria opcional que mais tinha alunos, talvez, por ser considerada relativamente mais fácil e interessante – se comparado com adivinhação e estudo dos trouxas –, por isso, era a única que possuía a mesma divisão das obrigatórias com duas casas apenas. A aula passou rapidamente e com mais deveres, mas até que foi interessante.
—Muito bem, alunos, por hoje, é isso, não se esqueçam das redações para nossa próxima aula.
A voz do professor mal pôde ser ouvida, devido à grande movimentação dos estudantes, afinal teríamos o almoço e, aparentemente, todos deviam estar famintos, até o professor possuía um grande sorriso no rosto.
Calmamente, guardei o material utilizado na mochila antes de fechá-la e jogá-la sobre meus ombros. Meus pais disseram que aproveitaríamos todos os espaços possíveis, seria como nos velhos tempos, estudos atrás de estudos, intercalando entre matérias de escola, treinos e os chamados preparativos para a guerra.
—Ceci. — A voz de Nathan soou ao meu lado, assim que adentrei o castelo, ele, Jenny e Dylan me aguardavam para a refeição. Eu balancei a cabeça em um cumprimento geral. A cada passo dado, o volume das vozes se tornava mais forte.
O Salão Principal foi revelado sem que precisássemos abrir as portas, ainda com uma multidão próxima, Nathan e Jenny se despediram, antes de seguirem para a mesa da Sonserina. Rose Weasley acenou para nós pedindo para que nos juntássemos a eles, olhei para o Dylan e caminhei até um lugar um pouco afastado da família; desde que revelamos O segredo, os Weasleys e Potters, em sua maioria, tentavam se aproximar de nós, isso me incomodava um pouco, mesmo tentando me lembrar de que era necessário.
Depois de um curto tempo, meu irmão se sentou ao meu lado, pegando uma colher de purê de abóbora e mais umas comidas do local, antes de se virar para mim.
—Está gostando desse retorno?
—É um pouco estranho ainda, não tanto quanto o ano passado, mas mesmo assim... É bom não precisar me esconder de todos.
—Nisso, eu concordo. Você vai treinar, nessa sua folga. — Ele indicou meu prato com a cabeça.
—Eles não iam ter reunião? — Questionei me recordando do que o meu companheiro disse mais cedo.
—Ela ocorreu mais cedo. — Foi seu único comentário.
—E vai ser treino mesmo? — Ele apenas concordou, eu sorri internamente, era bom praticar duelos.
E Dylan tinha razão, depois do almoço, meus pais me chamaram, caminhamos até a Sala Precisa e eu treinei com os dois até a hora do jantar, foi um treino bem intenso, então tomei meu banho antes da refeição, tirando todos os rastros de sangue do meu corpo. Meu irmão praticaria depois do jantar, enquanto eu teria “um tempo livre”, na verdade, acordaria mais cedo para ajudar minha mãe e, talvez, treinar mais um pouco.
Decidindo aproveitar melhor esse tempo, eu estudei por algumas horas, não me lembro o tempo exato, mas desci até o Salão Comunal para falar com Kishi e Dylan retornou no meio, portanto, devia ter estudado por um longo tempo. Ele se juntou a nós, mas logo subiu para tomar banho e eu encerrei a conversa.
Assim que caí na cama, eu dormi.
“Eu caminhava por uma praça, estava de noite e uma brisa gelada percorria meu corpo. Eu conhecia aquele lugar, mas, no sonho, não sabia qual era. De repente, eu vi uma sombra no chão, eu me aproximei, varinha em punho, pronta para atacar, mas a pessoa estava morta e eu sabia quem era, flashes começaram a passar rapidamente, ataques, mortes, lutas... um som de tiro soou e a imagem se estabilizou, na minha frente, corpos, todos sem marca alguma, indicando terem sido mortos pela Maldição da Morte e o pior é que eu conhecia todos. Eu ouvi um leve barulho do meu lado e ergui o olhar...”
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