Notas iniciais
Boa tarde, amores. Tudo bem? Sim, estou de volta com mais um capítulo. Eu tinha separado uma música especialmente para ele, mas não consegui achar; mesmo assim, o capítulo está aqui. Ele volta a ser narrado pela Ceci e tem um segredinho Espero que gostem

P.O.V. Cecília Mason

— Você conseguiu? – Perguntei para Dylan que estava sentado na cama ao lado da minha, mais cedo, ocupada por Nathan.

— Tentei. Queria acalmá-los, mas não sei se deu muito certo. – Ele me olhou.

— Desculpa por aquele comentário.

— Ninguém queria que essa guerra acontecesse nem que alguém importante estivesse nela, Ceci.

— Eu sei — Segurei minhas pernas e coloquei o queixo sobre os joelhos.

— Você não tem medo do que pode acontecer?

— Não quero morrer, se é isso que quer saber, mas não tenho medo disso e nem pensaria duas vezes se fosse necessário escolher entre eu ou vocês. – Ele se levantou e colocou a mão na minha cabeça, mesmo parecendo contrariado pela última parte.

— Você é a pessoa mais corajosa que conheço, Ceci. E a mais inteligente também... Tudo bem, talvez, atrás da mamãe. — Eu dei um pulo da cama.

— Vamos, temos que ir para aula.

— É sério? – Ouvi um tom inconformado.

Ignorei a fala dele e comecei a longa caminhada para sala comunal da Grifinória, minha blusa ainda estava amassada, mas só precisava de um banho e roupas limpas. O Potter saía no momento em que cheguei, mas apenas o ignorei.

Corri até meu quarto para tomar um banho rápido e colocar o uniforme, minha aula começaria logo, então não tinha muito tempo. Tudo ocorreu da forma mais tranquila possível e logo eu percorria os corredores rumo a aula de história da magia, o trabalho havia sido entregue há algumas poucas semanas e, hoje, teríamos os resultados. Não podia garantir tudo,poderiam ter erros na transcrição, mas, pela minha parte, iríamos bem.

A sala estava um pouco lotada já, mas, devido às duplas formadas pelo trabalho, meu lugar encontrava-se livre. Meu parceiro, Lysandre Scamander, tinha o olhar fixo na lousa, não era um olhar concentrado, estava mais para o olhar perdido de quando se tem muitas coisas em mente. O barulho do meu material contra a mesa, o fez pular.

-Ai. — Ele me olhou assustado.

—Não era a minha intenção.

—Tudo bem. Você possui alguns zonzóbulos em sua mente. Tudo bem? — Ele ficou livre de ser ignorado de forma intencional pela chegada do professor.

A aula foi como sempre, monótona e entediante, muitos alunos dormiam e outros muitos, estavam simplesmente alheios ao que ocorria. Eu fizera uma promessa ao Dylan no começo e a manteria.

O tema da aula foi localização no tempo, baseada nas informações dos trabalhos, não que tal assunto fosse novidade, mas seria interessante. Eu sei que alguns assuntos iam além do necessário ao quarto ano, assim como o professor também sabia, mas, aparentemente, ele abordou tudo para introdução e, posteriormente, iria aprofundar.

Exposto o conteúdo desejado, o professor pediu para todos esperarem, enquanto ele chamava dupla após dupla para comentar os trabalhos, esperei pacientemente até sermos chamados, entretanto eu adorei, quando “Mason e Scamander” soou na sala no tom monótono de sempre.

—Trabalho muito bom, alguns pequenos erros na escrita, mas o melhor trabalho de toda classe, fico feliz que alguém se interesse pelo tema tanto quanto os senhores. Eu diria que resumiria um pouquinho mais, porém, pelo interesse, a nota foi O. — O tom tornou-se um pouco mais alegre, diga-se de passagem, o tom mais feliz que já vira nesse professor, meu parceiro olhou-me surpreso com a fala, o interesse pelos fatos ocorridos, aumentou a nota de excede as expectativas para ótimo e ainda vimos animação no fantasma.

A aula foi bem cansativa, devido à animação do professor fantasma, e, assim que finalizou tudo com a nota de cada trabalho, muitos saíram correndo do local. A próxima aula seria de defesa contra as artes das trevas, portanto, caminhei até o andar da sala.

A aula sobre lobisomens havia sido mais interessante que a anterior, o professor sobre explicar muito bem também. Eu gostei dessa aula, apesar de minha mãe ter me feito decorar as diferenças entre eles e lobos comuns, além do resultado de possíveis filhos.

No intervalo entre DCAT e duas de poções, Dylan veio correndo ao meu encontro, ele estava ofegante o que indicava uma grande distância percorrida, ele segurava firmemente um envelope em sua mão direita.

—Aconteceu algo? — Perguntei, ele entregou-me o envelope marcado por seus dedos, enquanto se recuperava.

Percebi que o garoto a minha frente já tinha visto o conteúdo daquela carta, então a puxei e comecei a ler.

“Olá, Dylan.

Espero que esteja tudo bem com vocês.

Estou escrevendo, pois tive algumas conversas interessantes após a partida de vocês e gostaria de ressaltar mais uma vez que algumas pessoas são confiáveis, porém você e Ceci devem tomar cuidado como sempre.

De qualquer forma, a diretora entrou em contato comigo sobre uma ideia, admito que acho arriscado, mas também sei reconhecer que ela pode ser muito boa no momento atual. Peço que a escutem e sigam o que será dito. Mais uma vez, é arriscado, mas estamos em época de riscos e isso é algo que me atrai.

Dylan, mostre isso para sua irmã, ambos devem estar cientes.

Sem mais no momento,

J.M.W.M.”

Eu encarei o grifinório, ele tinha uma leve confusão em seu rosto. Minha mãe disse sem explicar, não que eu esteja surpresa, mas acredito que tenhamos que confiar nela.

—Você acha que foi ela mesmo? Ela não disse nada e disse muito. É normal dela, mas por qual razão ela escreveu, teriam outras formas mais seguras para isso.

—Temos um jeito de descobrir. — Ele entendeu rapidamente.

Apoiando-me contra a parede, foquei em Jade Mason, sussurrando Sermone Permentis no meio do processo. Logo a voz de minha mãe soou surpresa em minha mente. Rapidamente, eu li a carta em minha mente, questionando sobre a autoria.

“Sim, Ceci fui eu. Entendo a preocupação quanto a isso, mas não tinha certeza sobre qual horário não atrapalharia vocês, por isso não os chamei por esse feitiço.”

“Obrigada por esclarecer.”

“Disponha, Ceci. Fale tchau para seu irmão.”, essa foi a última fala antes da ligação ser encerrada. O garoto olhava-me curioso.

—Foi ela, disse que não sabia o horário ideal para usar Sermone Permentis.

—Você acredita?

—Sim, ela só se preocupa com estudos mais do que a guerra.

—Isso é verdade. De qualquer forma, — ele disse com tom mais baixo – sabemos que a diretora é confiável desde antes de nascermos. — Suspirei.

—Por que você me mostrou agora? Tínhamos muito tempo.

—A diretora espera o melhor momento, mas ela não enrola. Pode ser que descubramos a ideia hoje.

Não sabia o que as duas mulheres planejavam, mas devia ser algo bem útil, considerando a personalidade de ambas. Entretanto, eu me sentia meio estranha, não gostava de não saber das coisas, especialmente, se envolvia estratégias para a guerra. Suspirei. Sabia que não seria algo ruim.

Estranhamente uma frase de sua última carta não saia de minha mente, “mas lhes peço a confiança deles, um pequeno laço que os levem para nosso lado”.

O dia passou de forma totalmente normal, o professor de poções passou a ser mais amigável comigo depois do desafio de quando chegamos; agora, alguns poucos dias, ele decidia conversar sobre determinados exemplares. Hoje, a primeira aula foi entender “detalhes delicados sobre a arte de preparar poções”, como o professor chamara; a segunda parte, consistiu em cada dupla conduzir o preparo mais próximo da perfeição possível para a poção sorteada. A minha e de Jenny foi amortentia, sem surpresa, o resultado final ficou perfeito.

Logo após o almoço, minha aula foi trato de criaturas mágicas e, dessa vez, foi especificamente sobre o tópico testrálios, incluindo como vê-los, características e alimentação, pude ver que o Scamander corvino ficou super interessado, assim como em todas as outras aulas dessa matéria.

A última aula do dia foi de feitiços, na qual vimos a introdução do tópico de “feitiços intermediários de ataque e estratégias para defendê-los”, o professor Flitwick era muito bom lecionando e, por isso, sua aula passou bem rápida.

Em poucos minutos, os alunos caminhavam rumo ao Salão Principal e eu enfrentava a multidão para ir até a Torre da Grifinória, Dylan me pedira para o encontrar em seu quarto e era isso que fazia.

—Sou eu. — Meu irmão abriu a porta.

Tínhamos lá suas vantagens em as meninas terem acesso aos quartos masculinos, isso seria prático e relativamente mais tranquilo do que o Salão Comunal.

—Entra. — Ele fechou a porta, jogando abaffiato no cômodo. — Seguinte, a carta da mamãe não me deixou prestar total atenção no que precisava hoje, mas estou quase certo de que é um plano para conquistar aliados.

—Eu concordo. Mas que tipo de plano seria?

—Eu não sei. De qualquer forma, tenho que falar com a diretora sobre profissões no primeiro período de amanhã. Vou tentar descobrir alguma coisa. — Eu parei por um momento.

—Isso é estranho. Pensar no que vamos trabalhar com tudo acontecendo. Escolher o que fazer, teoricamente, pelo resto de nossas vidas, sem saber se terminaremos a escola vivos e digo de forma literal.

—Muito, Ceci. — Percebi que ele se mexeu de forma desconfortável, coloquei a mão em seu ombro. — Não sabemos se a guerra será antes ou depois disso. — Ele me olhou e esticou sua mão direita. — Vamos jantar?

Ao invés de responder, segurei sua mão e o acompanhei. Ele, provavelmente, não dormiria muito hoje, o conhecendo como eu conheço e sabendo sobre todas suas atividades, acredito que ele pensará mais do que o necessário sobre a carta, além de aproveitar para estudar.

Eu também tinha trabalhos a fazer, considerando isso, somado ao fato de ter dormido muito cedo ontem, não seria má ideia seguir o exemplo do meu irmão. Era isso que faria durante a noite.

Já decidida, assim que acabou o jantar, retornei para o quarto e, após um banho quente e pijamas vestidos, ajeitei o material sobre minha cama, eram diversos livros espalhados, muitos pedaços de pergaminho entre eles, a pena, tinta e disposição que, por um momento, questionei-me se tudo caberia na cama de solteira daquela escola; mas coube.

Peguei minha varinha no meio de tudo para fechar a cortina e poder iluminar o pequeno espaço. Suspirei. A noite seria longa, muitas matérias resultavam em muitas lições.

O terceiro ano de Hogwarts era um dos que marcavam novidades. Durante os dois primeiros, os alunos tinham acesso a 8 ou 9 matérias básicas e obrigatórias, sendo elas defesa contra as artes das trevas (DCAT), feitiços, transfiguração, poções, herbologia, história da magia, astronomia, voo, apenas para o primeiro ano, e duelos, a qual retornou nos últimos anos. Então, a primeira novidade ocorre ao início do ano 3, com a adição de disciplinas opcionais, categoria composta por: adivinhação, estudo de runas antigas, aritmância, estudo dos trouxas e trato das criaturas mágicas para serem escolhidas pelos estudantes. A próxima mudança começa no quinto ano, no qual ocorre a aplicação dos N.O.M.s para as matérias escolhidas, possibilitando diferentes níveis divididos entre aprovação e reprovação, indicando as possíveis matérias para os próximos anos e direcionando para as profissões cujas matérias e notas atingidas são necessárias. Por último, no sétimo ano, ocorre os N.I.E.M.s, uma prova semelhante a anterior, porém essa serve para admissão em um trabalho.

No meu caso, eu escolhi trato das criaturas mágicas, runas antigas e aritmância; meus pais ensinaram algumas coisas dessas matérias, mas não teve tanto foco assim nos estudos ou, pelo menos, o foco era diferente, então era realmente bom fazer algo desafiador. Vale ressaltar que não escolhi a última exatamente por me interessar em previsões, mas por ser conhecidamente uma matéria de complexidade elevada.

A primeira lição a ser feita foi a de tratos das criaturas mágicas, não era complicada, consistindo apenas em preencher dados sobre as criaturas das últimas aulas, uma forma de revisão para avançar, e seria uma lição tranquila de ser feita com as conversas do quarto, apesar de ter ido visitar Dylan, comemos rápido e não ficamos conversando, isso permitiu que retornássemos antes da maioria.

Assim que o silêncio se instaurou e já tinha feito também o trabalho de poções e DCAT, dei início a mais demorada e também a mais complicada, a de aritmância, por ser necessário uma redação baseada em uma tabela passada na aula e criação de uma outra. A lição surpreendeu-me, pois, apesar de demorada, manteve-me focada de forma a não perceber a passagem das horas.

Mesmo cansada, decidi finalizar a noite com o trabalho de localização dos astros no céu e identificação dos mesmos, por precisar desenhar com uma precisão quase que milimétrica, decidi apenas começar um leve rascunho. Agradecia meus pais, pois só consegui essa alta produtividade pelos conhecimentos que eles passaram, uma vez que estudo as obrigatórias desde criança e as outras também tiveram influência.

A longa noite terminou depois de longas horas, assim que guardei todo o material e resolvi dormir.

Os raios do Sol começavam a nascer, quando eu acordei. Mesmo um pouquinho lenta e indecisa sobre a eficiência da noite anterior. Todo meu receio foi embora quando encostei o pé no chão frio e a temperatura percorreu meu corpo até o cérebro, fazendo-o funcionar.

“De qualquer forma, tenho que falar com a diretora sobre profissões no primeiro período de amanhã.”. Era hoje. Enquanto ele estaria lá, eu tinha, ironicamente, a antiga matéria lecionada por Minerva McGonagall.

Pelo que meus pais contam, antigamente, a conversa profissional era realizada pelos coordenadores de cada casa e seus respectivos alunos do sétimo ano, porém, após tornar-se diretora, a mulher animago quis auxiliar todos eles nessa fase.

Dessa forma, a manhã passou de forma bem lenta, tendo início com café-da-manhã de panqueca e água. Seguida por uma das mais difíceis matérias, título dado pelos demais bruxos, realizada com aprendizado dos tópicos intermediários da lei de Gamp sobre transfiguração elementar.

O lado bom era que a minha próxima aula, história da magia novamente, se localizava no mesmo andar, então ninguém precisava correr para a sala. Assim, todos podiam caminhar tranquilamente, mesmo a maioria caminhando de forma extremamente lenta, o aprofundamento das guerras e revoluções antes da Primeira Guerra Bruxa acaba não interessando a todos.

Pelo que pude perceber, o conteúdo do Quinto ano seriam as grandes guerras e consequências; aparentemente, o curso pós-N.O.M.s trataria de aprofundar ainda mais os temas históricos.

Fui uma das primeiras a entrar naquela sala que muitos resistiam a colocar os pés, não me surpreendi com o fato de apenas Rose Weasley ter me ultrapassado, mesmo incomodada com a ruiva me encarando, coloquei os materiais na mesa e me dediquei a ler o grosso livro de Batilda Bagshot.

A novidade da manhã fora o senhor Binns lecionando com a voz animada, nem o fato do lufano cuja mesa dividimos chegar atrasado o afetou, na verdade, pareceu ter o efeito contrário, ao visualizar um dos seus “alunos mais interessados” na porta, o professor quase o acompanhou até o meu lado.

Pela primeira vez, após o sinal, os estudantes não correram com seus materiais, desesperados para aumentar a distância entre eles e a tediosa matéria. Tal fato pareceu animar ainda mais o fantasma, ele observava todos com uma felicidade grande que podia afirmar que, se estivesse vivo, seus olhos estariam brilhando.

Assim que cruzei a porta, ouvi passos apressados atrás de mim e a voz de meu parceiro soou, diminui o passo permitindo que ele me alcançasse, mas não me virei em momento algum.

—Mason... como... você... consegue? — Sua pergunta saiu completamente entrecortada pelo exercício. — Prestar atenção até na aula mais tediosa. — Ele continuou, após não ter resposta, mas continuei ignorando até que ele segurou meu ombro. Tal fato me fez parar, virar-me e o fuzilar o bastante para que o loiro recuasse.

—Não encosta em mim, Scamander. — Disse firme. — Quando você aprende a matéria antes, fica mais fácil separar o conteúdo da didática, o primeiro pode ser interessante mesmo sem o segundo estando presente. — Virei de costas e continuei o caminho anterior.

Queria saber se Dylan conseguira algo, mas não sabia ainda de nada, realmente não estava com muita vontade de ir para runas antigas, sem saber nada. Quase como se lendo meus pensamentos, a voz de meu irmão soou em minha cabeça. “Não descobri muita coisa, mas te conto o que sei no almoço. Boa aula.”.

Só o fato dele ter descoberto algo, por menos que seja, deixara-me menos tensa. Sendo assim, segui meu caminho de forma muito mais tranquila; igualmente tranquila, a própria interpretação das runas ocorreu, a cada aula conhecíamos mais runas e traduzíamos mais textos. A aula de hoje ocorreu da mesma forma. Era uma aula exigente, mas tranquila. Eu gostava.

Queria muito ter conhecimento das recentes descobertas de meu irmão, mas ainda tinha uma aula que me separava das informações, uma longa aula de DCAT ainda sobre lobisomem, enquanto ontem foi mais a identificação; hoje, seria causa da transformação, tratamento, sensibilidades e auxílios nessa condição. Segundo comentários do dia anterior.

A sala era ampla, as grandes janelas do local clareavam o cômodo com a luz do fim da manhã, o professor nos aguardava sentado na beirada da mesa.

—Bom dia, alunos. Espero que tenham descansado bem essa noite. Podemos começar? — Vendo que ninguém se opôs e que os lugares já estavam ocupados, ele sorriu, dando início a explicação. — Retomaremos do ponto da aula ontem. — Então ele desceu da superfície, caminhou ao redor da mesa até ficar à frente e apoiou-se.

Foi assim que ele começou a discorrer sobre os pontos programados, abordando a mordida por um lobisomem, a limpeza a ser realizada com prata em pó e ditamno, os pontos fracos deles inclusive o chamado de alguém da espécie até finalizar a aula com a poção mata-cão, fazendo um comentário sobre os ingredientes – que seriam melhor explorados em nossa próxima aula de poções -, a história de sua criação e focando no efeito de manter a racionalidade humana no lobo.

—Muito bem, foi isso por hoje, recomendo que leiam o capítulo sobre lobisomens para ver se restou alguma dúvida, caso haja, tirem-na. Esse será um tema importante para a nossa prova. Estão dispensados.

Todos saíram bem animados, eu gostava da didática aplicada a essa matéria, mas conhecendo o conteúdo e querendo saber o possível destino nos aplicado pela nossa mãe e a diretora McGonagall, eu realmente não fiz muitas anotações com foco, foi mais automático.

Com o material guardado, percorri o caminho até o Salão Principal de forma rápida, a mesa da Grifinória já tinha alguns integrantes, mas não o bastante para dificultar a minha procura, Dylan estava no centro da enorme mesa vermelha e dourada, porém não sentado, Nathan conversava com ele, entregando diversos pergaminhos. A passos firmes, aproximei-me da cena.

—Nathan, o que faz aqui? — Ele olhou-me surpreso.

—É... — Percebi que o sonserino encarou o primo, que assentiu. — O Dylan está me ajudando com umas coisas. — Não sei se ele pensou que eu iria julgar, mas tinha preocupações maiores no momento. — Obrigado, Dylan. Tchau, Ceci. — Nathan ia saindo, mas ele pareceu ver alguma coisa e voltou, depositando um beijo em minha bochecha.

—O que foi isso? — Perguntei confusa, na esperança de que o garoto a minha frente pudesse ajudar como sempre, mas minha resposta foi apenas um dar de ombros. — Enfim, qual foi a descoberta?

—Sobre isso... — Ele indicou a mesa, sentamos lado a lado e seu tom diminuiu ao ponto de eu ter dificuldades para entender, mesmo próxima a ele. — Ela quer nossa presença na sala dela essa noite para um pedido complicado. — Olhei para ele com expectativa. — Sinto muito, mas disse que a quantidade de informações não era grande. Ela pediu que fosse após o jantar.

Sabia do esforço dele, então, mesmo levemente frustrada, decidi esquecer um pouco do que estava acontecendo e digamos que aula dupla de herbologia me ajudaria com isso. Bebendo o último gole do suco de laranja do meu copo, despedi-me de Dylan e segui para as estufas.

Depois da noite gelada que tivemos, a temperatura permaneceu levemente mais quente; não quente o bastante para se ver as garotas usando as saias do uniforme, mas o bastante para, a cada dia menos, a neve ser um problema para caminhar.

O professor Longbottom era bem inteligente no que dizia respeito às plantas. Isso era bem admirável, aprendemos que elas eram um meio indispensável para salvar uma vida, além de estar caminhando junto com poções. Ninguém sabia muito o que esperar de uma aula dupla de herbologia, provavelmente, explicação sobre uma planta, um trabalho rápido e, pronto, todos estariam livres.

—Boa tarde. — O senhor Longbottom cumprimentou, adentrando o cômodo. — Para a aula de hoje, estudaremos a artemísia, uma planta cujo aroma é usado em seções espíritas de adivinhólogos, e a beladona. Ambas são responsáveis por causarem transe dada a proporção e, por isso, não teremos nenhuma demonstração. — Pude ouvir alguns lamentos e o professor deu uma leve risada. — Sinto muito decepcioná-los, mas, daqui a alguns anos, aprenderemos a manusear cada uma com o devido cuidado. Muito bem, vamos começar.

A aula se passou sem mais lamentos por parte dos estudantes e com explicações cuidadosas e detalhadas por parte do mais velho. Ele prestava atenção em tudo o que era falado, de forma a guiar aqueles mais jovens para o conhecimento, despertando o interesse, mas sabendo controlá-lo.

A primeira planta possuía uma explicação menor, mesmo com todos os detalhes expostos, enquanto a segunda ocupou quase uma aula e meia. Muitos dali, estavam bem cansados e, por isso, agradeceram quando o professor liberou a turma antes do horário.

Percorri o espaço entre as estufas e o Salão Principal rapidamente, muitos alunos começavam a se aglomerar nesse percurso, então só fui o mais rápido que deu, não na velocidade que eu gostaria. No térreo, encontrei o restante dos Masons, aparentemente o Dylan estava no segundo andar, Nathan estudou nas masmorras e Jenny encontrava-se no primeiro andar.

Uma multidão adentrou as grandes portas do local onde jantaríamos, acenei para meus primos, seguindo meu irmão até a nossa mesa. O silêncio reinou até cada um se servir, eu peguei uma fatia fina de frango, purê de mandioca, arroz e um molho; para beber, foi apenas uma água.

—Dylan, como foi a reunião?

—Eu te disse. — Ele respondeu após mastigar a comida.

—Não, você me disse sobre a carta, não sobre o real motivo de você ter visto a diretora. — Percebi ele me analisando, enquanto eu me servia de um pedaço de frango que passei no purê.

—Foi estranho, como você disse. — Ele fez uma pausa para comer um pouco do arroz. — Mas ela entendeu a situação. — Fiz uma careta, não conseguiria ir em algo assim.

Por não saber exatamente o que respondeu ao comentário, resolvi continuar minha alimentação. Era possível observar a ex-professora McGonagall no centro da mesa principal, não estava na hora ainda.

—Ceci. — A voz do garoto ao meu lado chamou. — Você tem alguma ideia do que vai acontecer? — Ele me questionou, não precisava ser mais específico, eu entendia perfeitamente que ele não estava falando de profissão ou da própria guerra, mas sobre o que aconteceria daqui a pouco.

—Não, “é arriscado” a mamãe disse, não sei quais riscos ela assumiria na guerra; a linha é bem tênue.

—Então sabemos que não vamos morrer.

—Ou, pelo menos, isso é o que Jade Mason pensa. — Suspirei. Alguma coisa nessa situação me incomodava, eu não tinha o costume de ficar tão tensa com alguma estratégia, exceto tudo ocorrer conforme o planejado.

Dylan foi o primeiro a acabar o jantar e eu logo depois, era possível ver que a diretora começava a ficar impaciente na mesa, mas não se levantara ainda.

—Vou trocar de roupa e guardar o material. Acredito que não pegaremos o horário de grande movimentação. — O grifinório se levantou e eu o acompanhei, o jantar não estava finalmente no fim, então daria para ajeitar algumas coisas.

E foi isso que fizemos. Na torre da Grifinória, nos separamos para nos arrumar; eu segui até meu quarto. O cômodo vazio me trazia paz, então pude, calmamente, guardar tudo o que carregava e entrar no banheiro para um banho rápido carregando uma calça escura, camiseta azul de manga longa, blusa bem fininha branca e bota de cano curto.

A água morna contra minha pele descarregou toda a tensão surgida desde ontem e ativou meu cérebro. Pensei em quantas vezes tomara banho em águas geladas de rios e cachoeira, um tremor percorreu meu sistema nervoso; ter água quente era uma benção depois daquilo.

Meus pensamentos sempre a milhão, estavam ainda mais rápidos, devido ao banho. Um defeito que minha mãe dizia ser a responsável. Esse era um dos desafios por ter sangue corvino de sua casa.

Eu não queria me demorar muito, então, assim que as primeiras vozes apareceram no corredor, indicando o possível fim do jantar, eu saí da banheira e me sequei, a roupa já estava pronta para vestir. Sendo assim, quando a porta do quarto abriu, eu já estava ajeitando tudo no malão.

Eu não tinha medo de alguém vasculhar ali, pois, sempre que saía, eu ativava um feitiço de proteção que, caso alguém vença a dificuldade de abrí-lo, não veria nada de anormal, nenhum livro em latim ou que não seja recomendado, verá pergaminhos com anotações básicas das aulas e alguns deveres incompletos. Nada além disso.

Ignorando a nova presença dali, eu saí, encaminhando-me para a Sala Comunal. Dylan estava sentado no sofá, observando o fogo da lareira do local crepitando, mas não se assuntou, quando encostei em seu ombro. Com o toque contra sua pele, o garoto se levantou e começou a se dirigir para a saída dali.

A fama em Hogwarts era que a Sala Comunal mais luxuosa era a da Sonserina, “uma sala digna de seu poder”, como Nathan dissera uma vez. Mas não podia negar que aquele cômodo vermelho e dourado tinha seu encanto. A sala circular, cheia de poltronas e mesas tornava um bom ambiente para estudos; a vista para os jardins e a grande lareira, permitia relaxar; os quadros estavam para lembrar o quão grande cada estudante poderia ser. Logo acima da grande lareira, tinha uma grande pintura de Godric Grynffindor, o fundador daquela casa, seu nome vinha escrito em uma placa logo abaixo e algo ali me fazia pensar se não fora ele mesmo que escreveu; para terminar o encanto, de ambos os lados tinha o brasão da casa.

Andávamos lado a lado, o silêncio reinava de tal forma que podíamos ouvir o som das vozes dos estudantes que ainda estavam fora de suas salas. A gárgula que permitia acesso ao nosso destino estava lá, parada e completamente imponente.

—Sorvete de limão. — Meu companheiro pronunciou e a pedra a nossa frente permitiu nossa entrada, mostrando as escadas.

Olhei para Dylan uma vez e dei o primeiro passo para nosso objetivo. Ele disse que a diretora queria conversar conosco essa noite, mas vozes saiam de sua sala, indicando que, possivelmente, ela já estava em uma reunião. Ergui a mão direita e bati contra a porta.

—Podem entrar. — A voz de McGonagall soou.

Não precisei tocar na porta, pois ela se abriu sozinha, mas minha surpresa veio ao ver dois casais ali, dois casais que eu conhecia, Harry Potter e sua esposa, Gina Potter, estavam sentados logo de frente para a diretora; enquanto Hermione e Ronald Weasley encontravam-se de pé ao lado dos dois primeiros.

—Senhor e senhorita Mason, entrem, por favor.

Eu procurava analisar tudo, enquanto caminhava para um local mais no fundo daquele círculo, não sabia que assunto a mulher de expressões sérias poderia querer com esse estranho grupo. Percebi que meu companheiro pensava a mesma coisa, sua testa estava franzida e podia ver a confusão em seus olhos.

Como lendo nossos pensamentos e a fim de tornar as coisas ainda mais incompreensíveis, a lareira do local assumiu cores verdes, trazendo mais duas pessoas, mais dois Weasleys, os pais de Victorie, amiga de Alice.

Reparei o retrato de Salazar Slytherin nos olhando com intensidade, assim como alguns outros já conhecidos. A cada minuto, o grupo ficava o mais diferente possível e a cena piorava ao se notar a falta de alguns quadros.

Uma última vez, as chamas tornaram-se verdes e uma mulher negra surgiu acompanhada de mais um ruivo, ambos estavam no dia em que garantimos a segurança de Lupin e sua namorada.

—Percy e Audrey não poderão vir, eles tiveram imprevistos no Ministério. — O homem anunciou.

—E a senhora pediu discrição. — A esposa terminou.

—Sim. — Os lábios da diretora tornaram-se finas linhas. — Imaginei que isso pudesse acontecer.

—Diretora McGonagall, com todo o respeito, mas o que a senhora deseja? — Minha voz saiu mais alta do que o esperado, podia perceber que o pai de Rose Weasley não estava feliz.

—Claro... Senhor e senhora Weasley, os senhores se importam de se virarem para os jovens Masons.

Não precisava conhecê-los muito bem para saber que aquela era a última vontade do homem, mas a firmeza em que a esposa segurava seu braço o fez ceder.

—Obrigada. — As expressões da mais velha se suavizaram. — O que planejo não é nada simples e fácil, mas todos conhecem os sinais, uma nova guerra está sendo anunciada há um tempo. — Com essa fala, todos ficaram tensos.

Então era isso? Ela queria passar informações? Queria que todos trabalhassem juntos? Isso explicaria a fala de minha mãe. Senti a mão de Dylan tocar meu braço, estávamos sentados em pilhas de livros dali.

—Como eu disse nas mensagens para os adultos, alguém poderia esclarecer mais sobre isso, bom, nesse caso, são duas pessoas. — Todos os olhares se fixaram em nós, mas não me abalei, não gostava muito do rumo disso. — O que acontecem é que esses jovens possuem um segredo, um segredo muito bem guardado...

Não! Isso não! De relance, pude perceber os olhos de Dylan arregalados. Nossa mãe não iria concordar... iria? O pedido explicava muito mais do que eu imaginava, pois não apenas a estranha fala de nossa progenitora, mas as sensações que eu tive poderiam estar ligadas ao fato.

—Eu sabia que eles eram perigosos, eu te disse Harry... — Minha mente trabalhava tão rápido que mal registrei a fala de Ronald.

—Ronald Weasley, não fale desse jeito, deixe a diretora terminar. — A mulher de cabelos cheios cortou o marido. Não sei o que o fez se calar, a fala da esposa ou o olhar de Minerva McGonagall.

Forcei-me a focar no rumo que tudo estava tomando.

—Como eu dizia... — O tom irritado da mais velha alertou a todos. — Os senhores enfrentaram uma guerra já contra Voldemort, não peço que participem na linha da frente ou arrisquem suas famílias, mas é inegável de que o apoio será importante. — Ela se virou para onde eu e meu irmão nos encontrávamos, falando de um jeito mais gentil. — Eu levei um bom tempo para mostrar os pontos positivos para seus pais e sei que terei um trabalho parecido com os senhores, em especial com a senhorita, Cecília. — Aparentemente, ela não evitava mais mostrar a aproximação conosco. — Mas, precisam de confiança, que tal contarem a história de vocês?

Um silêncio se instaurou, nem os quadros se mexiam, foquei em um deles, mas nada me mostrava como agir, trechos das cartas de mamãe, falas delas e tudo que já aconteceu no passado. Pessoas já morreram por bem menos. Todos sabiam que Dylan seria mais fácil de convencer, mas, para mim, tudo parecia uma incrível ironia do modo mais cruel possível. Sempre ouvi que o segredo era para ser guardado com nossa vida, até meus tios levaram muitos anos para descobrirem e nos pedem para contar a pessoas mal conhecidas? Isso não podia ser sério, podia? “Mais uma vez, é arriscado, mas estamos em época de riscos”. A frase não saia da minha cabeça. Jade Mason achara isso um risco suportável?

Com minha mente em um turbilhão, não percebia as movimentações ao redor, nem que a diretora conversava especificamente com meu irmão. Talvez, eu tenha registrado apenas no momento em que mãos tocaram meus pulsos e os olhos do grifinório estavam bem de frente para os meus.

—Ceci, lembra do que mamãe falou? “Peço que a escutem e sigam o que será dito”? Ela já ouviu isso e concordou. Ceci, nós conhecemos e estudamos isso desde pequenos, mas ela está nesse meio há muito mais tempo. Deveríamos ouvi-la, não? — Mesmo querendo passar confiança, podia perceber que as dúvidas também estavam presentes. Ele suspirou. — Não sei como te fazer considerar isso, eu não me sinto mais confortável com o pedido do que você, mas eu confio na mamãe.

Eu adoraria dizer que a confiança era o bastante para isso, mas eu me pergunto se nossa progenitora se encontrava sã no momento. Foi preciso muitas horas de conversas tanto com a diretora quanto, em menor escala, com meu irmão para me fazer questionar a decisão. Até uma conversa mental com mamãe teve. Suspirei. Tudo bem, concordaria a contragosto.

—Muito bem. — Disse ainda irritada, isso era uma das últimas coisas que queria. — Mas, para isso, os senhores têm que prometer que serão nossos aliados. — Eu estava de pé, olhando firmemente para os adultos ali presentes, pude ver um quadro olhando-me com... aquilo era um leve orgulho?

—Eu prometo. — O senhor Potter concordou.

—Nós estarremos do seu lado – A única loira do local disse, após olhar seu marido, o leve sotaque francês ainda presente.

Mas eu balancei a cabeça.

—Nós — indiquei Dylan um pouco atrás. — salvamos as filhas dos dois, não quero uma compensação, uma dívida quitada. Estou falando sério, enfrentaremos uma guerra, mortes acontecerão. A lealdade é para ser sincera. Caso alguém não seja capaz de manter o segredo, esteja à vontade para ir embora. — Realmente não sei se a palavra “segredo” ainda é passível de aplicação. — A informação obtida até o momento não é mais do que muitos sabem.

—Senhorita Mason. — A voz do marido da loira começou. — Nem eu nem minha esposa concordamos por isso. Tudo bem, os dois salvaram Victorie e somos eternamente gratos. Sim, isso conquistou nossa confiança, mas a diretora tem razão, já enfrentamos guerras antes, sabemos as consequências. — Ele olhou para a francesa. — Nossas motivações são as mesmas da guerra contra Voldemort. — A mulher concordou. — A aliança é por já confiarmos nos dois, além de que, não precisavam pedir, o outro lado já nos atacou.

Aos poucos, os demais casais concordaram e fizeram seus comentários adicionais. Os Potters foram os próximos, seguidos pelo casal menos conhecido dali e que descobrir serem George e Angelina; os últimos a concordar, não surpreendendo a ninguém, foi o segundo já presente ali ao chegarmos, vale ressaltar que a esposa fora muito mais rápida e o ruivo só concordou por insistência.

—Obrigado pela confiança. — Dylan disse sincero. — Agora, quais lendas as senhoras e os senhores conhecem?

Notas finais
Volteeeeiiiii 1. Ceci parece ter fugido da conversa, hein? 2. Cecília conseguiu um ótimo em História da Magia, aparentemente, o esforço valeu a pena. 3. O que acharam da carta de Jade? 4. Gostaram das aulas? E das lições que a Ceci fez? 5. Qual é a teoria de vocês para "a conversa"? Acertaram? 6. Por que acham que Nathan deu um beijo na bochecha de Ceci? Algum motivo especial? 7. Qual será o quadro no qual Ceci se focou? 8. Alguma teoria para o segredo? 9. O que acharam do capítulo? 10. Estão gostando dessa maior frequência?