Os descendentes e o segredo
24 O baile sonserino
Notas iniciais
P.O.V. Cecília Mason
A mansão Mason, casa de Gianne e Peter Mason, era simplesmente estonteante, ela ficava de frente para a praça central, exatamente de frente para o centro dela.
A construção era enorme, possuía, em si, uma estrutura majestosa e imponente, talvez seja a estrutura com algumas pilastras ou a cor preta com os detalhes em prata, ninguém sabe ao certo o que faz isso. De qualquer forma a casa possuía 3 andares visíveis, o mais baixo com a cozinha, as salas – de estar, de jantar –, o salão para o baile e dois banheiros, é nele também que fica a passagem para o porão da casa, local onde ficavam os textos mais secretos da família, bem como o livro com o nome de todos os bruxos e bruxas ou com ancestrais assim e o sangue de cada um; o segundo andar é formado unicamente por quartos, todos suítes e, o andar superior incluía uma biblioteca imensa, espaço usado para treinamentos de magia e mais alguns quartos.
Suspirando, seguimos porta adentro e o caos estava instalado, na entrada, a única parede era a que separava a cozinha dali, ainda que a abertura em arco permitisse uma bela visão do cômodo. À direita, estava um cômodo bem amplo e totalmente ligado com a entrada e a escadaria.
— Ceci. Dylan. Que bom que chegaram, vão se trocar. – Vovó apareceu secando a mão, ela nunca precisou fazer nenhum trabalho em casa, mas sempre cozinhou para todos. – Jade, Emmanuelly, está ótimo. Muito obrigada pela ajuda. – E então virou-se para os elfos que estavam na cozinha. – Essas foram as últimas comidas, coloque-as junto com as demais e terminem de ajeitar tudo.
Subimos correndo.
— Ceci, sua roupa está no quarto da Jennyfer, vocês vão se arrumar juntas. — Pude ouvir o grito de mamãe vindo do andar inferior.
No fim da escada, dirigi-me até o quarto da minha prima, ela estava de roupão verde e parecia ter acabado de sair do banho.
— Ceci. Deixei o banheiro fechado, fica mais quente. – Agradeci, balançando a cabeça. – Depois, você me ajuda?
— Sim.
De fato, quando abri a porta, o banheiro estava quente, suspirando, liguei a banheira, vi um vidrinho de espuma floral na beirada, abri, despejando o conteúdo na água que subia. A temperatura estava ótima, quando entrei; um cheiro floral e vapor d’água dominavam o banheiro. Era muito luxo em uma só casa.
Em poucos minutos, estava igualmente vestindo um roupão de inverno com aestus já no corpo.
—Ceci, me ajuda? — Jennyfer pediu assim que eu saí, fiz um feitiço secando meu cabelo e segui até o local que ela estava, de frente para uma penteadeira.
—O seu vestido é o que está perto do travesseiro? — Ela concordou com a cabeça.
Peguei seus cachos pesados e comecei a fazer um penteado elaborado, deslizei as mãos por seu cabelo, tinha uma ideia do resultado final, mas não muita do passo a passo.
Com um pente, separei a parte de cima da cascata negra e comecei a pegar algumas mechas da parte literal cruzando, não como uma trança, era quase sem um padrão para quem olhasse de fora, alguns na diagonal, outros na vertical até o fim, mas formariam uma linda combinação ao fim de tudo. Coloquei alguns grampos para prender e joguei um produto para fixar o penteado.
—Pronto. — Minha prima se levantou e virou de costas.
—Ficou lindo. Obrigada. Senta, minha vez. — Olhei meio desconfiada, mas sentei. — Seu vestido é lindo.
Senti seus dedos ágeis deslizando, ela pegava, prendia, soltava, prendia, ficou assim por um tempo e finalmente parou. Pegando o mesmo produto que tinha usado em seu cabelo, ela jogou no meu.
Levantei-me e, pelo espelho, eu vi o penteado feito, boa parte do meu cabelo estava preso em um coque chique com duas tranças — a parte restante do cabelo -, uma de cada lado, enfeitando-o.
Individualmente, começamos a nos maquiar, após preparar a pele, peguei uma sombra azul clara e passei nas minhas pálpebras até atingir uma tonalidade que se fizesse presente, mesmo com o brilho que adicionaria, ele era branco, mas com a combinação, aparentaria ambas as cores. Se minha mãe tinha me contado algo sobre minha roupa para hoje, esse algo era a cor.
Suspirei, meu sentimento para com maquiagens era tão paradoxal quanto a minha criação, por um lado, fui educada para gostar dessas festas, luxo, maquiagem e vestidos, tudo o que uma vida de alta sociedade poderia dar, uma vida com antigas tradições em pleno 2019; por outro lado, fui criada para a guerra, desde pequena, aprendi a luta, estudei mais do que todas as crianças, abdiquei da minha infância involuntariamente para lutar melhor do que ninguém, Dylan e eu não fomos crianças. Como poderiam as duas criações distintas serem presentes em uma pessoa? Bom, tudo sobre mim era paradoxal, educação baile/guerra, educação White/Mason, educação se proteja/salve pessoas. Suspirei mais uma vez e voltei a foquei no delineador que ia passar.
O delineado estilo gatinho, lápis e rímel pretos iam se destacar sobre a sombra clara. De fato, isso aconteceu. Olhando para o local em que as maquiagens estavam, peguei um batom vermelho e passei.
—Ceci. — Virei-me para Jenny. — Uau. Ficou incrível. Como está a minha?
A sonserina havia feito uma maquiagem linda, passara uma sombra branca prateada na parte interna do olho e uma preta na parte externa, uma combinação perfeita para seu vestido. Delineado, lápis, rímel e, por causa do destaque em seus olhos, batom levemente amarronzado.
—Ficará um conjunto perfeito.
—Obrigada. Vamos colocar os vestidos? — Jennyfer sempre fora animada para essas festas, não do tipo que dá pulinhos e gritos agudos ao saber a data, mas do tipo que gosta de participar de toda a preparação e se ver arrumada.
Ela pegou seu vestido da cama e começou a se preparar para vestí-lo, comecei a procurar pelo meu.
—Jenny, onde está o meu?
—A tia colocou em um cabide para não amassar.
Entrei no closet do cômodo e vi um vestido azul, minha prima tinha razão, ele era lindo, saí com ele em mãos.
—E então? — A sonserina estava pronta, a combinação estava incrível. Seu vestido possuía uma coloração prateada na parte superior, por conta do brilho, o decote v e as alças sem o brilho, traziam atenção para seu corpo. Essa parte ia até sua cintura, dando início a parte inferior preta com uma fenda que começa na metade de sua coxa esquerda, permitindo a todos uma visão de sua sandália prateada. Nas costas, a parte superior era aberta, sem tecido, o pouco que tinha era para a ligação com a parte inferior, permitindo, assim, uma visão quase completa de suas costas.
Em poucos minutos, observava-me pelo espelho de corpo inteiro pendurado em uma das paredes do quarto de minha prima. O vestido azul claro ficara muito bom, o corpete azulado possuía brilhos brancos, ele tinha algo a cima dele, uma continuação, como uma segunda pele azulada brilhante que deixava um decote em u, mostrando apenas uma pequena parte da pele. A alça larga descia por trás, deixando uma parte visível, não até o limite da parte inferior, igual ao da Jenny, era apenas um palmo aproximadamente. A saia do vestido era cheia e de uma cor um pouco mais clara, quase verde-água, o mesmo tom da minha sandália.
O penteado curto que minha prima fizera e a minha maquiagem era uma ótima combinação com o todo.
—Preparada, Ceci?
—Não aprendeu, Jenny? — Cruzei os braços. — Eu sempre estou preparada.
—Ceci, você não parece tão ruim maquiada. Mas nós sabemos como você pode dar medo. — Ela deu um sorrisinho.
Uma batida na porta fez a sonserina pular, eu me apressei para abri-la, enquanto a outra recuperava o fôlego.
—Ceci, você está muito linda. — Dylan me olhou. — Estão prontas?
—Estamos. — O garoto olhou por cima do meu ombro e fez sinal para eu sair.
No corredor, quase todos os Masons se encontravam ali, o som das conversas ecoava pela casa, tínhamos uma tradição, subíamos um pouco antes do primeiro convidado e descíamos depois de todos terem chegado.
Dylan se aproximou da prima, ele vestia uma calça preta, terno e gravata da mesma cor, sua camiseta era branca, ambos à minha esquerda. O mais próximo de mim, era meu pai, ele trajava terno e calça cinzas, camiseta branca e gravata verde escuro. Depois meus tios, Emmanuelly, com um vestido roxo que marcava bem na parte de cima de seu corpo, não a marca de um corpete, mas por tecido justo mesmo e caia com uma leveza incrível, essa cor estava presente na gravata de seu companheiro, meu tio Richard, que usava ternos e camisa da mesma cor do sobrinho.
No momento seguinte, mamãe saiu do quarto, ela estava pendurando brincos de prata nas orelhas, o vestido da cor da gravata de seu marido era justo igual ao de sua cunhada, porém pedras estavam gravadas bem no limite entre a parte superior e inferior dele, a alça fina cruzava suas costas, dando um charme a mais para o vestido.
Por último, apoiado no início do corrimão, mas ainda escondido de toda multidão que nos aguardava, estava Nathan Mason vestindo um terno e calça escuros, enquanto a gravata era de cor idêntica à do meu vestido.
—Podemos nos preparar? — Nathan voltou sua atenção para o corredor ao ouvir a voz da mãe.
—Podemos — Uma nova voz surgiu no corredor, vindo do fundo, vovô e vovó caminhavam lado a a lado, de braços dados, ela com seu belo vestido cinza e ele com sua roupa social de tons verdes e gravata cinza.
Eles eram assim, o casal sonserino, na maioria dos bailes, buscavam se vestir de verde, cinza e prata para exaltar o orgulho de sua casa em Hogwarts. Eles eram aqueles casais que apesar de todos os defeitos – e que a lista era enorme de um dos lados – combinavam e não de um jeito ruim. Parece irônico, mas ouvi histórias que os Masons mais tradicionalistas, cuja estrutura de vida é pautada quase que exclusivamente nos costumes e “pré-requisitos” do sobrenome, acabavam se casando com pessoas um pouco menos rígidas, mesmo não sendo as mais amáveis do planeta, eram bem diferentes de seu cônjuge e, por vezes, da família em si; diziam que o inverso também era verdadeiro. Bom, não sei, não acredito que a criação nos torne tão diferentes assim e, quando tem algo bem diferente, a pessoa se torna alvo, minha mãe é a prova.
Os mais velhos se colocaram na frente da fila, meus tios atrás, seguidos pelos meus pais, os próximos erámos Nathan e eu e, por fim, Dylan e Jennyfer; uma ordem exclusivamente pela idade de cada um. Ou seja, Richard Mason era mais velho do que Érick e, portanto, descia primeiro que esse; dentre todos os Masons mais novos daquela casa, Nathan era o primogênito e desceria primeiro, como irmãos não dançavam juntos, eu era seu par e o acompanhava na escada; por só ter mais um menino e uma menina, não tinha muito o que ver.
A música mudou e, percebendo isso, as vozes se silenciaram, a fila começou a andar lentamente, tinha uma distância obrigatória para se deixar, então não podíamos ir avançando de uma só vez, andávamos um pouco e parávamos, isso se repetia até a sua vez chegar e a distância necessária se fizer presente, só depois o casal descia.
Nathan apertou a minha mão e, de braços dados, começamos nossa descida pela grande escada, sentia meu sapato encostando em cada degrau, meus dedos tocavam de leve o corrimão; aqui, as mulheres não seguravam os vestidos, a intenção era mostrar o caimento dele sem atrapalhar em nada e, por isso, o tecido encostava de leve no piso. Com o rosto levantado, percorremos todo o trajeto até pararmos alguns centímetros ao lado do casal anterior, era possível ver meu irmão e sua companheira entrando na sala, o baile estava lotado como sempre, centenas de membros e ex-membros da casa verde e prata com sangue puro enchiam o local.
Assim que o último par se posicionou, uma valsa começou a tocar e iniciei a dança entre minha mãe e minha prima, os homens estenderam a mão esquerda e peguei a mão de Nathan, eles nos fizeram girar até estivéssemos com as costas rentes ao nosso parceiro; abaixaram as mãos e seguraram a outra com a que estava livre, nos prendendo, colocando-nos um pouco para o lado, sendo possível o contato visual e então começamos a valsar em pares.
Quando o ritmo começou a acelerar, Nathan soltou minha mão esquerda, girando-me até ser possível eu ficar de frente para ele e com sua mão direita em minha cintura, puxando-me um pouco para perto, seguíamos o ritmo que preenchia o salão, nossos passos em sincronia, há muito tempo não precisávamos ter medo de tropeçar nos pés, mesmo que sem tênis.
Em um momento, a música acelerou ainda mais só para parar, então os parceiros nos inclinaram. A valsa retornou mais tranquila, então fomos levantadas para voltar a valsar por mais alguns minutos e, na verdadeira finalização, os rapazes nos afastaram girando até que os braços de ambos estivessem esticados – mas com o contato entre a mão esquerda deles e a direita nossa inquebrável — e nos puxaram, fazendo com que os corpos ficassem colados e os rostos a centímetros de distância, bem quando a última nota soou.
Aplausos soaram pelo cômodo e eu me afastei um pouco de Nathan para poder respirar ar puro, eu preferia oxigênio a carbônico, apesar de julgar ser uma opinião universal. Percebi meu primo encarando algo ou, o que achava ser mais provável, alguém. Virei-me e acertei, seu alvo era Scorpius Malfoy.
Enquanto meu primo se afastava na direção do loiro, resolvi olhar a decoração, o grande lustre majestoso localizado no centro do teto era o principal responsável pela iluminação, dando ao local uma claridade amarelada, uma grande mesa – talvez coubessem aproximadamente 20 cadeiras ao redor – estava bem de frente para a entrada da sala e ali, diversos alimentos estavam postos, doces e salgados, comuns e exóticos, simplesmente agradava a todos. Ao seu lado, uma mesa menor estava posta com bebidas, as únicas duas com toalhas brancas. Também era possível visualizar alguns elfos caminhando para servir os convidados mais preguiçosos.
Algumas mesas circulares para 6 pessoas encontravam-se espalhadas pelo o cômodo, mesmo que todos os ocupantes estivessem se sentado aos poucos, uma tradição era assistir a dança de pé, mesmo sendo exagero alguns detalhes, estávamos acostumados e eu amava essa atenção dirigida a mim. Em cada uma tinha flores em um vaso comprido de vidro e as cores que decoravam eram verde e prata, elas se alteravam entre as duas toalhas, uma maior que cobria tudo e a outra menor, cuja o tamanho era aproximadamente metade da superfície em que se encontrava.
Senti alguém tocar meu ombro e me virei só para encarar Zabini, infelizmente, a obrigatoriedade de comparecer aos bailes de meu avô trazia como brinde aturar certos desaforos e idiotices em forma humana.
— O que foi, Zabini? – Procurei deixar clara minha falta de paciência.
— Queria conversar com o raio de luz da festa.
— Está com eclipse.
— É luz de anjo.
— Eu caí. – Fui embora rapidamente, ainda bem que era ágil, senti seus dedos tocarem meus dedos em uma tentativa de me manter ali.
Gostava da atenção durante a dança, mas, algumas vezes, o resto era entediante. Decidi ir para fora, observar a paisagem, isso acabava ajudando-me, por causa da minha infância. Aproximando-me da porta no fim da sala, a mesma que permite acesso para o quintal ao fundo da casa, ouvi vozes bem irritadas.
—Malfoy, você já se esqueceu do seu lugar, não se lembra do acordo?
—Qual foi o problema? Eu fui sincero.
—Qual foi o problema? — Ouvi a voz irritada de meu primo e ouvi um barulho, provavelmente, Nathan socara algo. — Malfoy, não preciso te lembrar do passado. Vocês têm a nossa confiança, não a desperdicem. Cecília não é amiga de ninguém, nem de você, portanto não se sinta no direito de comentar coisas sobre ela. Cuidado com seu tom... — Pelo visto, a discussão entre os dois ia longe.
Dei meia volta, atravessando todo o salão, imaginava que o motivo de tudo isso foi a reação de Malfoy durante o baile em Hogwarts; virei-me à direita, a entrada dali e cheguei na entrada da casa, suspirei, muita coisa estava em minha cabeça.
—Cecília Mason. — Matthew McCurdy deu um sorrisinho. — Está tudo bem?
Eu arrumei minha postura.
—Pensando em estratégias. — Dylan apareceu.
—Você não para, maninha. Vem aqui. — O grifinório me estendeu sua mão, puxando-me para o salão. — Eu sei que não é meu plano a, mas é só um pouco. — Ele sussurrou, piscando.
Uma música tocava, ainda era no estilo valsa, mas essa era um pouco mais alegre. Meu irmão posicionou-me a sua frente e começamos a dançar.
—Você ouviu o Nathan e o Malfoy, né? — Dylan sussurrava durante os momentos em que a coreografia nos permitia ficarmos próximos. — Mas não entendo como a tão famosa Ceci está deslocada, atenção é tudo o que você tem. — A música parou e vi meu parceiro olhar para a esquerda, para o acesso ao jardim, Nathan voltava ao salão. — Vem.
O grifinório puxava minha mão com firmeza ao passar por entre os convidados, na entrada, ele parou, retirou o terno e colocou sobre meus ombros. Atravessamos a porta de acesso da casa, Salazar’s Town erguia-se majestosa a nossa frente. A neve parecia dar a tudo um toque tão perfeito.
—Você sempre adorou a neve, mamãe diz que gostava já com poucos meses.
Dylan estava a alguns metros na minha esquerda, uma expressão preocupada tomava seu rosto.
—O que houve, Dylan?
—Sabe o que te falei lá dentro? Sobre não saber sobre você está deslocada? Eu sei. Eu te entendo, foi muita adrenalina em pouco tempo, não que isso seja novidade. – Ele riu de leve. — De qualquer forma, você sempre é tão durona...
—Dylan, eu só queria estar pesquisando, a guerra está cada dia mais próxima e você sabe disso, quanto mais soubermos, melhor será. — A postura dele se tornou mais rígida, seus olhos também refletiam isso. — Eu não vou falhar.
—Ninguém está falando sobre falhar, Ceci. Pensa nisso como um pouco de descanso, você precisa.
—Descanso? Descanso como Little Flower? — Eu atingi ele, sabia e eu acabei me interrompendo.
—Não peço para você se desligar da sua vida, só para um pouco; se quiser ir para casa estudar, vai, eu falo que você passou mal. — Suspirei.
—Desculpa, não queria abrir a ferida.
—Eu sei que você se culpa, mas para com isso. Nada dali foi sua culpa, só entenda. — Ele colocou a mão em meu ombro. — Você é muito corajosa e suas intenções sempre são boas, pelo menos, a melhor possível dado tudo, mas se desliga um pouco, ok? — Meu irmão deu um beijo em minha testa.
Suspirei, ele sabia que natureza e livros me acalmavam, sempre soube. Fechei os olhos, sentindo o vento gelado tocar meu rosto e minha nuca descobertos.
‘-Ceci, calma. — Dylan de 6 anos me olhava assustado, minhas mãos estavam fechadas em punho, enquanto em me apoiava nos cotovelos e as árvores próximas encontravam-se no chão.
—Por que? — Minha voz de criança soou.
Eu estava irritada, mamãe e papai tinham ido comprar comida na cidade próxima e nos deixaram ali, eu acordei com eles saindo, estava com muito sono, devido às poucas horas dormindo e pode-se dizer que as tentativas do meu irmão de contar histórias para me fazer adormecer somadas a minha falta de concentração, me deixaram irritada e frustrada. E ambos tinham a mesma reação em mim.
Digamos que depois de acabar minha paciência para ficar quieta, eu me levantei e fui para fora, tendo uma pequena explosão de magia, como minha mãe chamaria. Isso derrubou árvores e me fez quase desmaiar, o pequeno menino saiu correndo da barraca para ir atrás de mim e quase foi atingido.’
Uma mão tocou meu braço e por reflexo, movimentei minha mão para lançar um feitiço, mas a pessoa foi mais rápida e segurou minha mão, entrelaçando os dedos de forma a evitar qualquer magia. Um segundo depois, vi os olhos castanhos de Dylan.
—Acho que já conseguiu esfriar a cabeça.
—Não me assusta.
—Eu sei como me proteger, não se esqueça. Vamos entrar? — Ele me soltou e ofereceu o braço.
Aceitando o braço, voltamos para o quente da casa e ele retirou o terno dos meus ombros, colocando-o no local original. Já no salão, resolvemos nos alimentar, com o prato em mãos, peguei um pedaço de peru, um pouco de creme de abóbora, farofa, panqueca de carne e duas batatas temperadas. Antes de sentar em uma mesa, apoiei o prato na mesa de bebidas e coloquei um pouco de suco de morango em um dos copos.
Encontrar um local para se sentar não era difícil se você fosse uma das anfitriãs, ainda mais se a maior parte dos convidados estavam dançando, logo mais, sentei-me em uma mesa vazia e comecei a comer.
—Finalmente, eu te achei mais uma vez. — O idiota do Nicolas Zabini resolveu vir acabar com o meu bom humor. — Eu queria...
—Que você ficasse quieto. — Levantei-me e aproximei-me lentamente – Escuta aqui, eu não quero falar com você, eu não quero escutar você, a única coisa que desejaria era não te ver pelo resto da noite. Então, se me perturbar, eu vou lançar um feitiço que vai fazer você se arrepender. Entendeu? — Pela expressão em seu rosto, pude perceber que meu olhar devia ter endurecido, como sempre acontecia, quando eu me irritava. Ele concordou. – Obrigada. — O sonserino se afastou rapidamente.
Voltando para a mesa, pude comer em paz e, quando menos esperava, estava conversando com os Notts, Theodore, Daphne – anteriormente Greengrass – e os filhos. Toda minha família estava espalhada pelo local, ninguém visível no momento, não os mais próximos, uma vez que, apesar de não conhecer muito bem, sabia que os irmãos do meu avô, Penélope e Augustus, estavam ali com seus respectivos filhos.
Os Malfoy e os Zabinis mais velhos se juntaram a nós e, pouco depois, uma mão tocou meu ombro, Nathan havia chegado.
— Senhores Nott, Zabini, Malfoy; senhoras Malfoy, Zabini e Nott. É um prazer recebê-los em nossa casa e nosso baile. Espero que estejam se divertindo.
— Estamos.
— Então, algum plano sobre Salazar's e tudo? — Draco Malfoy perguntou sussurrando.
— Não. Não é o lugar. — Olhei firme para os olhos acinzentados assim como os do filho.
— Sinto muito.
— De qualquer forma, agradeço o auxílio.
— Não é necessário, cumprimos nossa parte. — Daphne Nott, anteriormente Greengrass, disse.
— Tenho certeza de que meu avô ficou muito compassivo, por falta de palavra melhor, diante da lealdade de vocês. — Eu havia tomado o antídoto da poção de verdade assim que cheguei em casa, mas, de qualquer forma, permanecia sincera, dentro do possível.
Peter Mason não era a pessoa mais alegre e contagiante desse mundo mesmo, então "compassivo" realmente era o termo que melhor se adequava a ele. Para o bem dos casais parados a minha frente.
Fiquei mais umas boas horas conversando com todos os convidados, estranhamente, a única pessoa que não encontrei foi Scorpius Malfoy, não sei o que Nathan falou, mas parece ter assustado o loiro. Mais para o fim da festa os Masons mais novos resolveram dançar mais uma vez, não valsa como antes, mas nos colocamos um ao lado do outro: Jennyfer, Dylan, eu e Nathan; assim que o som começou, iniciamos uma dança mais agitada e ainda clássica, muitos do que nos viam deviam pensar que só dançamos clássicos, não que vou morrer pelo pensamento equivocado ou pela opinião intencionalmente venenosa, porém sim, sabemos dançar o que não é clássico, mas, para isso, alguém deve informar e convencer o meu querido avô de que existem jovens no mundo e, ainda mais, que existem jovens nos bailes dele.
Giramos, nos movimentamos, fizemos passos aparentemente complexos, mas de fácil realização e, no fim da música, o baile terminou. Tão logo a última nota soou e agradecemos os aplausos, já estávamos na porta da casa — e na ordem de descida — cumprimentando os convidados que saiam e agradecendo a presença de todos, talvez, essa tenha sido a única vez em que vi o jovem Malfoy, afinal, após o pouco que ouvira da conversa, eu não o vi.
E assim o baile acabou, o relógio anunciou 2 horas da manhã, os convidados que moravam na cidade caminhavam até suas respectivas casas; os que não moravam, mas tinham permissão, iam até a praça central para desaparatar; e os demais, sem moradia ali e sem permissão, se dirigiam até a fronteira de Salazar's para realizar o mesmo processo.
Nathan tocou meu ombro, ele segurava um copo com um líquido dentro, pela coloração amarronzada, eu já sabia o que era, peguei o recipiente e tomei um pouquinho, o sabor era bom e agradável ao paladar, mesmo sempre descendo queimando até meu estômago, Whiskey de Fogo era assim, gostoso, mas bem forte.
— Mais um sucesso. — A Mason mais velha possuía um sorriso cansado, enquanto abraçava o marido com a cabeça apoiada em seu ombro. — Bom, vamos ajeitar. — Ela se afastou e com a varinha já em mãos, começou a fazer os objetos levitarem.
Tudo o que sobrara de comida foi sobre o mármore da ilha na cozinha, o que precisava ser lavado se dirigiu para dentro da pia e o que precisava ser guardado já ia para o local correto.
Todo mundo se juntou e logo a organização voltou a reinar ou parte dela, afinal, seriam os elfos que guardariam e lavariam o necessário. Despedimo-nos dos meus tios, primos, meu avô e minha avó. Falando tchau uma última vez, a porta foi fechada, rapidamente caminhei pelo caminho até a minha casa, Dylan estava na minha cola. O baile cansava e tudo o que queríamos era descansar, principalmente por acordar cedo amanhã, ou hoje, considerando o horário, por isso, chegando lá, fui para o meu banheiro, tirei a maquiagem, soltei o penteado e tomei um banho rápido. Em pouco tempo, o edredom me cobria e tudo ficava escuro.
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