Os descendentes e o segredo
7 Lupins e Masons
Notas iniciais
P.O.V. Nathan
A Cecília não pensa, ela sequer deveria ter salvado aquela mesticinha e ainda vai visitá-la. Apoiei-me na parede, minha raiva estava me dominando.
— Nathan. – ouvi sua voz fria. – O que faz aqui? – ela se aproximou.
— Vim te ver, não deveria vir aqui, você sabe.
— Não te devo satisfações. – começou a andar, segui-a.
— Desconfiaram? Foram grossos? – ela não me respondeu. – Quem? Eu vou... – ela parou.
— Você não vai fazer nada. Além do mais, os três têm motivos.
— Três? Espera, está defendendo eles? – ignorado. – Hein?
— Não sou burra, no lugar deles agiria até pior.
— Quem? – ela não respondeu. – Cecília.
— Não se cansa de ser insistente?
— E você, não se cansa de sempre se achar certa? Você é impulsiva, não pensa, e fria também. – ela me olhou, vi seu rosto rígido, seu olhar era de pura raiva, voltou a andar.
— James Potter. – ao ouvir o nome dele, fechei as mãos em punhos. – Rony Weasley e Teddy Lupin.
— Como você sabe se são eles?
— Jornais da última guerra.
— Ainda não entendi os motivos.
— James Potter tem você como maior inimigo e eu tenho seu sobrenome, maninho. – sua voz, mesmo fria, pingava ironia. – Ronald Weasley é casado com uma nascida-trouxa e seus filhos são mestiços. Achei que se lembrasse dessas coisas.
— Sou tão Mason quanto você. Falta o Lupin.
— Não conhece a história?
— Qual?
— A história dos Masons envolvendo os Lupins. – ela exalava impaciência.
— Não. — olhou-me confusa para, em seguida, acelerar o passo. – Não vai me contar? – silêncio. – Você começou para não terminar. – silêncio novamente, corri segurando seu braço. – Termina. – ela apenas me olhou.– Não ia dizer os motivos para eu não ir atrás deles?
— Vai fazer chantagem?
— Se for necessário. – olhou por mais um tempo.
— Não faça eu me arrepender. – soltou-se. – Há alguns anos, um garoto, Remo Lupin, fora mordido por um lobisomem após seu pai ter deposto contra ele em um interrogatório.
— Qual era o nome dele?
— Dele quem?
— O lobisomem.
— Ferir Grayback. – senti um frio percorrer minha espinha. – Seu pai torceu para que o garoto não se transformasse, porém não teve jeito, na primeira lua cheia, Remo deixou a forma humana para se transformar em lobo.
“Motivado pelo desespero, na manhã seguinte, o homem pegou o filho nos braços e correu buscar ajuda com uma família de bruxos os quais tinham profundos conhecimentos de arte das trevas.”
— Masons.
— Robert Mason atendeu eles e, com a ajuda de seu filho, Peter Mason, procuraram em livros algo, deram algumas poções, também fizeram feitiços, mas a licantropia no tinha cura.
— Espera – ela suspirou, não era a primeira vez que a interrompia. – Robert e Peter Mason não são...
— Nosso bisavô e avô? Sim.
— Os Lupins são mestiços, qual a razão de tentarem ajudar o garoto?
— Lyall havia se casado com Esperança Howell não tinha tanto tempo, alguns anos talvez, eles não saiam anunciando por aí.
— O livro...
— O livro que os Masons usam se atualiza sozinho, é verdade, contudo, todos os filhos de Robert já tinham passado da idade de lê-lo e você sabe que depois disso só olhamos de vez em quando para vermos as novidades. Isso pode levar anos.
“Mesmo sendo lobisomem, Remo Lupin veio para Hogwarts e aqui o inferno lhe aguardava, a cada vez que algum Mason via ele zoavam e ameaçavam contar sobre sua condição para todos. Peter, por ter ajudado o pai, era o pior. O próprio Robert fazia isso quando via o garoto.”
— Os Masons são mais velhos.
— Nem tanto, alguns ainda estudavam aqui como Augustus Mason e o vô, bem, ele ajudava no controle das artes das trevas.
“Nessa época Richard e Érick Mason já tinham nascido, eram pequenos, o mais velho tinha uns dois anos, mas desde cedo ouviam o pai falar sobre isso. Até as crianças seguiam o exemplo dele quando encontravam Lupin.”
Estava impressionado, jamais imaginaria isso, fazia sentido o que Cecília disse sobre terem motivo.
— Quer saber de uma coisa curiosa? – ela perguntou.
— Sim
— Érick sempre foi considerado o pior de todos os Masons, porém ele era mais tranquilo que o irmão nisso, como se o problema com Lupin fosse apenas o sangue.
— Isso não faz sentido.
— Não disse que fazia.
— Por falar nisso, por qual razão não me contaram.
— Existe alguma, mas não sei lhe dizer qual.
— Como o Lupin, sabe? Não ficou órfão?
— Não faço ideia. – estávamos de frente para a entrada da Grifinória, Cecília já tinha falado a senha.
— Espera, e você? Como sabe? – entretanto era tarde demais, ela já desaparecera.
Fiquei uns minutos olhando o quadro, por fim decidi ir para a sala de Slytherin. Desci as escadas perdido em pensamentos, algumas vezes, passava um conhecido ao meu lado.
— Rastro de serpente. – disse ao chegar na parede de pedra a qual dava acesso a sala da Sonserina.
— Mason – virei-me
— Nott. – Edward Nott era o filho do meio de Theodor e Daphne Nott, tínhamos a mesma idade, apesar dele estar um ano a frente. – Vem. – chegando no meu quarto, joguei-me na cama. – O que aconteceu?
— Estamos separados.
— Oi? – o olhei confuso.
— Os Masons, Malfoys, Nott estão espalhados pelo mundo atrás de comensais. — sentei-me.
— O que está acontecendo?
— Os comensais invadiram Salazar's town. Não entraram em lugar nenhum, mas as pessoas estão inseguras.
— Como sabe?
— Uma carta de minha mãe.
— Vou ver o que faço. – o silêncio tomou conta do ambiente por um tempo.
— Você não vai comer? – suspirei, levantando, havia gastado tempo demais preocupado com Cecília.
— Quando você disse Masons...
— Eu quis dizer todos: Emmanuelly e Jade continuam lá, estão reforçando a proteção é a última está querendo terminar um feitiço que começou há anos, vai nos ajudar muito. Mas errei, estão na Inglaterra e não no mundo. Richard e Érico estão no sul, Malfoys, oeste, meus pais, norte e as Masons, leste.
— Elas não tinham continuado?
— Vão para leste, seus avós cuidarão da cidade assim que elas terminarem a proteção.
— Você disse mundo mesmo, por quê?
— Estão esperando ataques em outros países, por isso o feitiço de Jade é tão importante, temos que estar um passo a frente e os comensais não podem chegar a França ou Bulgária.
— Mas existem outras escolas como no Brasil e Japão.
— Sim, porém Beauxibatons e Dirmstrong são mais conhecidas por causa do Torneio Tribruxo.
O assunto acabou aí, seguimos para o salão onde o jantar foi servido, comi de forma automática, a situação era tão feia assim? A guerra estava próxima, muito próxima. Olhei para a mesa da Grifinória, Cecília e Dylan conversavam, um pouco longe encontrava-se Potter encarando a morena com ódio, nessa hora tomei uma decisão.
No momento em que o jantar acabou, voltei para a Sala Comunal da Sonserina, subi até meu quarto, peguei minha mochila e voltei, sentei na mesa a qual se fazia presente no local, começando a escrever já com a pena e pergaminho na minha frente.
Reli seu conteúdo tantas que já decorava.
“ Eu sei que é raro escrever para você, porém preciso contar algo, por mais difícil e trágico que o resultado possa ser. Não sei se já sabe, mas Cecília e Dylan participaram de uma luta no dia da chegada, luta essa na qual Cecília salvou a mesticinha sangue-ruim Potter. Porém não estou aqui para lhe contar a luta de final triste, nesses dias, minha tão amada maninha conversou com os gêmeos Scamander e além de salvar a imunda Potter, ainda foi visitá-la hoje. Sei que provavelmente o momento não é o melhor, contudo, preciso de ser sua ajuda, ela é impulsiva e pode estragar tudo. Além do mais, a última vez foi péssima, não quero ver tudo outra vez.
Espero que possa tomar uma atitude, pois recorro a você como minha esperança.
Nathan”
É verdade que também lembrava a saudação e a observação da carta.
Devolvi o tinteiro com a pena para a mochila, pegando um envelope onde escrevi: “Jade Mason”, voltei ao meu quarto, joguei a mochila na cama e coloquei meu casaco preto, fechando-o enquanto guardava a carta no bolso.
Atravessei o salão rapidamente mesmo com a quantidade de pessoas lá.
— Nathan — virei-me.
— Jennyfer? – ela estava com os braços cruzados.
— O que vai fazer?
— Nada que te interesse. – comecei andar, mas senti sua mão no meu braço.
— Nathan, não estraga.
— Não vou, prometo. É só uma carta a qual vou mandar. – ela não pareceu muito convencida, porém me soltou, voltando para a Sala Comunal.
Meus passos eram sonoros no piso, não era um bom sinal, provavelmente estava perto do horário proibido de caminhar pelos corredores. Que saber? Ergui a cabeça e segui, ainda era permitido, pelo menos no castelo e o que fariam com um Mason? Nada.
Não encontrei grandes barreiras até as portas, abri-as e sai. Fiz bem de trazer um casaco, quase geava, algo não muito comum para o fim de Novembro.
Era engraçado como havia duas famílias extremamente conhecidas no mundo, contudo apenas uma era temida: os Masons.
Os Masons sempre foram sonserinos, sangue-ruim, seguidores fiéis dos ensinamentos de Salazar, família tradicional, reconhecida e temida, extremamente poderosa. Muitos dizem que somos arrogantes, metidos e preconceituosos, porém a culpa não é nossa de mestiços, sangue-ruins e trouxas poluirem o ar o qual respiramos. São perda de tudo utilizado. Famílias Sonserina verdadeiras perseguidas buscam auxílio com a gente bem como o “vilão”, afinal temos amplos conhecimentos de artes das trevas, os usamos e não temos problemas de admitir. Ser Mason não é fácil, mas compensa muito e dá orgulho.
O corujal erguia-se a minha frente, entrei.
— Dark – a coruja totalmente negra pousou em meu ombro. – Leve para Jade Mason. – depois de amarrar a carta nela, Dark voou perto de mim algumas vezes antes de cortar o céu noturno.
Após Dark ir, saí do corujal, voltando para o clima frio lá de fora, a cada vez que respirava, saia fumaça pelo meu nariz, lembrei de Cecília.
“ – Como consegue ficar nesse frio apenas com essa camiseta? – perguntei olhando para a peça azul de manga comprida.
— Sed aestus. Mantém sua temperatura corporal, formando uma blindagem contra o frio; às vezes, mesmo com esse feitiço é necessário usar blusa, mas a quantidade de peças é menor. Facilita a luta.”
— Sed aestus. – lancei em mim, não mudou muita coisa, minha temperatura corporal encontrava-se baixa, contudo, evitaria congelar.
A segunda família são os Whites. Família corvina sangue-pura, seguem Rowena Ravenclaw, são considerados bonitos, inteligentes, perceptivos e misteriosos, não vejo nada de interessante em nerds antissociais, porém as pessoas veem.
Eles têm conhecimentos avançados também, entretanto não em arte das trevas. É óbvio que não possuem o prestígio dos Masons, ninguém possui.
O caminho de volta foi mais rápido, provavelmente graças ao feitiço, destranquei a porta e entrei. Apoiei-me nela, recuperando minha temperatura. Uma sombra na escada chamou minha atenção. Filch. Voltei para aminha casa rapidamente, um único pensamento durante o caminho.
“Espero acabar com a felicidade daqueles mestiços e, principalmente, espero não ser morto.”
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