Os descendentes e o segredo

31 Formatura de Elizabeth


Notas iniciais
Bom dia, meus amores. Tudo bom? Hoje é dia 1º de Setembro e, mesmo não indo para Hogwarts, tentei trazer um pouco de magia e dessa escola para vocês! Espero que gostem! Aproveitem muito.

P.O.V. Cecília Mason

Depois do jogo, não tivemos mais nenhum evento, ao menos, nenhum interessante. O resultado tinha me agradado, pois, mesmo estando na arquibancada da minha casa, torcia para Nathan capturar o pomo, quem sabe, assim, ele ficava mais feliz e menos falante sobre Quadribol.

Nesse momento, eu estava sentada na mesma cama de meses atrás, quando convidamos Nathan e Jennyfer para nossa reunião. Hoje, após todas as comemorações de ambas casas, mesmo acreditando que na vermelha foi maior, o apanhador da Sonserina quis nos reunir para festejar, então nos chamou no mesmo quarto daquela vez.

Enquanto todos dormiam, eu estava lendo as novas anotações que mamãe mandara nos últimos dias. Suspirei e ouvi um barulhinho baixo, olhando para o Dylan, vi seus olhos abertos. Ele se virou para cima e encarou o teto por um tempo, antes de se levantar. Seus passos eram silenciosos contra o tapete em cima do piso de madeira no caminho até minha cama. Ele se sentou na minha frente.

—Não consegue dormir?

—Estou lendo sobre as novas anotações que mamãe mandou. — Ele se acomodou.

—Achou algo interessante?

—Estou lendo ainda. — Ele me olhou, acenando com a cabeça, enquanto saía da cama e ia para o banheiro.

O tempo se passou e Dylan me acompanhou por um tempo antes de dormir. Eu fiquei acordada por um tempo. Amanhã, será o fim oficial do ano letivo em Hogwarts. Afinal, durante a noite, teremos a cerimônia da taça das casas. Seria uma disputa bem apertada. Tanto Sonserina com os Masons, quanto Grifinória com a vitória no jogo, até mesmo a Corvinal com os Whites, possuem chances de vencer.

De acordo com as programações, os estudantes partiriam na Segunda pela manhã, com exceção dos estudantes do último ano, pois eles se formariam, a cerimônia ocorreria na noite de Sábado e apenas eles, seus familiares e namoradas ou namorados tinham permissão para continuar no castelo.

Não sabia quando, mas, apoiada contra a cama, eu acabei adormecendo. Quando abri meus olhos, o Sol entrava levemente, mesmo não se tendo janelas no local, tinha quase certeza que Nathan pedira para a Sala Precisa representar o clima do lado externo da escola.

Levantei antes dos meus primos, Dylan já estava sentado no sofá, lendo um livro bem grosso, vestindo uma camiseta azula clara de manga curta e uma calça jeans clara. Aproveitando a oportunidade, peguei uma roupa qualquer e fui para o banheiro. Mesmo no calor, eu gostava de tomar um banho morno, então fui isso que fiz depois de escovar os dentes.

Quando saí usando uma regata bege, eu tinha uma justinha e uma bem levinha, a escolhida para hoje era a justa, ela fazia parte de um conjunto com uma calça branca de cintura alta, meus cabelos estavam em um rabo de cavalo.

Caminhei até o lado do meu irmão, sentando-me junto. Ele sorriu, indicando-me o livro que lia, eu me estiquei um pouco e vi que era sobre magia avançada em latim. Pelo que eu me lembrava, fora um presente. Colocando o livro um pouco para o lado, Dylan permitiu que eu participasse de sua leitura.

—Ainda não entendo livros em latim. — Uma terceira voz surgiu.

Quando me virei, encontrei-me cara a cara com Nathan, seus cabelos negros estavam levemente bagunçados por ter acabado de acordar, seus olhos encontravam-se fixos nas páginas que segurávamos; também percebi que sua camiseta verde amassada.

—Non enim omnis scientia huius (Essa ciência não é para todos). — Comentei.

—O que? — O sonserino fez uma cara confusa.

—Ela falou que você não é tão esperto quanto pensa, maninho. — Jennyfer disse, enquanto arrumava a cama.

—Você entendeu? — O irmão dela a olhou desconfiado.

—Não, mas passou perto. — Dylan começou. — Ceci disse que “essa ciência não é para todos”.

Jennyfer sorriu.

—Eu disse que era inteligente, Nathan. — Ela passou por nós e foi para o banheiro com uma pilha de roupas.

Um brilho irritado surgiu nos olhos do garoto de pé, Jennyfer sabia como zoar com ele.

Assim que a morena saiu do banheiro com um vestido verde simples e uma sapatinha preta, Nathan disparou para o local. Enquanto ele tomava banho, Dylan decidiu guardar o pesado livro na mochila, Jenny sentou-se ao meu lado, não conversamos, apenas ficamos ali. Assim que ouvi o chuveiro desligar, eu me levantei, caminhando para minha cama e pegando todos os materiais a fim de guardá-los.

No momento em que ele saiu e todos se ajeitaram, abandonamos a Sala Precisa, indo com destino ao Salão Principal. Os corredores estavam com a movimentação normal, diversos estudantes percorrendo os lugares para chegar no mesmo destino que nós, a única diferença visível era a felicidade nos rostos deles.

Observei Nathan pelo canto de olho, ele com sua camiseta branca e calça clara, enquanto conversava com Jenny, ainda estranhava o fato de estar na mesma escola que meus primos no fim de um ano letivo, há um tempo, tudo isso parecia algo impossível, uma vida normal era estranha.

O restante do dia passou muito rapidamente e, em pouco tempo, a noite já tinha caído, o Salão Principal estava lotado com estudantes ansiosos para descobrir a casa que levara a taça das casas, por isso, quando a diretora McGonagall se levantou, o local inteiro mergulhou em silêncio.

—Muito bem, alunos. Mais um ano se encerra e o tão aguardado momento de descobrir a posição das casas. Em último lugar, temos Lufa-Lufa com 450 pontos. — A casa amarela e preta comemorou pela pontuação, mesmo se sem muita animação. — Em terceiro lugar, temos Corvinal com 560 pontos. — A casa azul foi a segunda a festejar, essa com um pouco mais de felicidade, mesmo eu percebendo que Elizabeth adoraria vencer no seu último ano.

Era evidente o quanto as duas casas rivais ficaram animadas, afinal a disputa final será entre elas, a ansiedade entre os dois parecia ter triplicado nesse momento. Virei-me para a mesa verde e prata e percebi Nathan olhando para a diretora, louco para saber se havia vencido, pela segunda vez, o Potter.

—Em segundo lugar temos... — A diretora fez uma leve pausa. — Grifinória com 600 pontos. — A casa vermelha e dourada comemorou, mas, aparentemente, não tanto quanto seria se tivessem vencido a sonserina. — Sendo assim, sonserina ficou em primeiro lugar com 610 pontos.

Essa fala foi o que bastou para a respectiva mesa explodir em comemoração. O resultado foi bem interessante, enquanto o time da Sonserina perdia o jogo com uma grande diferença e Nathan capturou o pomo, ganhando 150 pontos e diminuindo a diferença para 10; pelo que soube, a Grifinória estava com uma diferença maior devido a certos acontecimentos envolvendo brincadeiras com descontos de pontos e, graças a vitória no jogo, acabamos ficando apenas 10 pontos atrás.

Ao mesmo tempo, as cores verdes e pratas passaram a decorar o local, as bandeiras com o brasão de Hogwarts foram substituídas pelas da casa vencedora. Ainda em clima de comemoração, Nathan disse que eles iriam continuar na Sala Comunal, algo que eu já esperava.

Os dias foram passando e, com eles, os alunos foram embora de Hogwarts, ficando apenas formandos e familiares. Por esse motivo, Dylan e eu continuávamos, assim como John e Elizabeth, a formanda.

Então, tão logo o resultado das provas chegou para eles, a cerimônia de formatura chegou. O tédio não se fez presente por conta dos estudos que estava fazendo com o Dylan e ao fato de ter sido convidada para acompanhar a minha prima na compra do vestido.

Quando percebemos, estava na noite da cerimônia, eu com um vestido lilás, na qual a parte de baixo era lisa e de cetim, enquanto a de cima era rendada com decote em v e cuja manga seguia até a largura do meu vestido, deixei meu cabelo semi-preso caído sobre meu ombro direito e uma maquiagem formada por uma sombra lilás e preta, esfumaçada, batom um pouco mais rosado, rímel, blush e delineado. Para completar, usava um par de brinco com pequenas pedrinhas pratas em duas linhas que se cruzavam, com uma pedra lilás presa no espaço entre o último cruzamento e o fim do brinco que ia até a altura do meu maxilar; e um colar no mesmo estilo, porém a pedra estava bem no centro.

Quando desci, Dylan trajava terno e calça sociais pretos, camisa branca e gravata combinando com o meu vestido. Era estranho ver esse salão tão vazio, por mais que tivessem os alunos do sétimo e alguns de outros anos, a diferença estava mais do que óbvia.

Após cumprimentar meu irmão, seguimos para fora da sala e nos encontramos com nossos pais no corredor, eles deviam estar no Salão Principal juntamente com meus tios e Alice. Por ser Elizabeth a formanda, meu tio Luke e a esposa, Alyssa, vieram prestigiar a filha mais velha, trazendo a caçula, Jannete, junto; além deles, a tia Beatrice, tio Mike, Alice, meus pais, minha avó e meu avô teriam permissão para voltarem a Hogwarts.

—Mamãe. Papai. — Cumprimentei. — Achei que os encontraríamos lá embaixo.

—E iam, mas a diretora pediu para conversar com a gente, então aproveitamos para passar aqui no momento em que a reunião terminou.

—Obrigado por isso. — Meu companheiro agradeceu.

—Não precisam agradecer... É bom estar de volta e vir para um lado não tão comum nos nossos dias de estudantes. — Meu pai comentou, considerando o fato dele ser ex-sonserino e minha mãe ex-corvina, realmente a rota para a Torre da Grifinória não devia ser o destino mais popular.

—Tem algo preocupante? — Perguntei, mas meus pais me olharam confusos. — A diretora quis falar com vocês, isso é incomum.

—Não se preocupe, Cecília. — Minha mãe disse de forma bem tranquila, mas, mesmo a diretora falar com ela ser algo normal, mesmo que não se estendendo muito ao meu pai, não fiquei bem convencida.

Decidindo ignorar essa sensação, caminhei ao lado dos meus pais e Dylan até o Salão Principal que estava decorado com um palco com o grande brasão de Hogwarts e várias cadeiras cobertas por panos brancos, fazendo-me lembrar das cadeiras usadas em grandes festas como alguns casamentos que já presenciei simplesmente por ser Mason; essas eram separadas em quatro grupos, semelhantes aos locais das mesas, na frente de cada fileira, uma bandeira com o brasão da casa respectiva estava pendurada no teto e caia levemente.

Nenhum estudante havia chegado e sabíamos o motivo. Enquanto todos os convidados se ajeitavam nas cadeiras e os professores se acomodavam no palco.

—Ainda bem que encontrei vocês, tinha medo de não conseguir, considerando a quantidade de pessoas nesse local. — John comenta.

Ele cumprimenta todos nós e se senta próximo aos pais, ao lado do corredor principal. Ali, os pais e parentes acabavam se sentando na fileira de cadeiras referentes a casa do formando.

Olhando ao redor, pude ver o quanto os Whites estavam bem arrumados. Próximos a mim, estavam meus pais, optando por um conjunto mais neutro, sendo assim, minha mãe usava um vestido comprido e levemente justo preto com uma faixa horizontal perfeitamente do limite entre a parte de cima e a saia, apesar das mangas regatas largas, tudo nele parecia se encaixar perfeitamente, seus cabelos estavam presos de forma que o fim dele batiam no início do tecido em suas costas. Sua maquiagem trazia um esfumado que começava com um bege, terminando com o preto, seu batom vermelho, rímel, blush e realçava os traços dela, para completar, usava um brinco prateado com uma parte sólido e outras com pequenas faixas que ficavam coloridas, conforme a luz batia e um colar também prata que realçava o discreto decote; seu companheiro trajava peças da mesma cor do vestido, exceto a camisa que era branca.

No meu outro lado, estava Alice com seu cabelo cacheado preso de forma tão leve que nem parecia, seu vestido azul claro possuía as alças em seus ombros que seguiam pelo vestido, destacando o decote dele, ao tempo que um dos lados descia do jeito como quando se veste uma blusa de frio e, sem fechar os botões, a fecha em seu corpo. O tecido caía perfeitamente, de forma leve e sem volume, a sandália prateada de salto combinava com o look. A maquiagem era bem leve, aparentemente, brilho nos olhos, batom rosado, blush leve, delineado delicado e rímel.

A próxima pessoa era a sua mãe e minha tia Beatrice que tinha o cabelo em um coque firme, porém elegante, valorizando a maquiagem de tons rosados que combinava perfeitamente com o seu vestido simples e bonito da mesma cor. Ele tinha um adorno ao redor do pescoço responsável por prender as duas partes que desciam para formar a superior do traje com um pequeno espaço de quatro dedos, aproximadamente, e estreito na região do colo sem tecido. Essa região trazia um charme para a roupa e, após o fim, ela se unia para determinar a parte superior, a qual acabava com as rendas, presentes nela, em destaque na região da cintura, trazendo um tecido um tom mais escuro para a saia que tinha um caimento pouco volumoso.

Ela usava um brinco circular e uma pulseira delicada em seu braço esquerdo que completava o traje de uma forma incrível, para finalizar, tia Beatrice calçava um sapato de bico fino nude. O marido ao seu lado, usava terno que já ouvi algumas pessoas chamando de “cru”, mesmo estranhando o nome, era o único jeito que achei para descrevê-lo, calça da mesma cor e uma combinação de camisa branca e gravata rosa. O tio Mike realmente tinha acertado na combinação.

Ao lado do filho, estava minha avó com um vestido branco, ele era justo de forma a realçar seu corpo, e, nele, tinha alguns pequenos detalhes dourados, a alça larga dava estrutura ao resto do tecido que descia de forma levemente mais aberta na saia, porém o suficiente para mantê-lo formal; contrastando com o sapato escuro. Ela usava um brinco que eram duas linhas verticais finas unidas por pedras e um colar que tinha apenas uma pedrinha quadrada no final. A maquiagem leve trazia destaque para os lábios vermelhos – a única cor mais forte – dando-lhe um ar muito bonito, principalmente, se somado ao coque firme de seu cabelo. A seguir, estava o marido com terno e calça pretos e camisa branca.

Mais próximo ao corredor, tinha meu tio Luke com o terno e calça cinzas, camisa branca e uma gravata azul esverdeada. Ao seu lado, minha tia Alyssa usava um vestido com a cor da gravata do marido, o caimento era tão marcado quanto ao restante de nós, mas com uma fenda do lado esquerdo; a parte superior possuía um padrão muito bonito formado por pedrinhas e lantejoulas pretas, ele se estendia pela alça média e o decote em v bem marcado como um losango, não muito distante do pescoço. Para completar, um cinto de pedras redondas igualmente escuras se destacava no tecido e formava um charme bem bonito.

Completando o visual, ela usava uma sandália prata presa em volta do tornozelo e que tinha uma faixa na região dos dedos e brincos pequenos visíveis pelo cabelo loiro claro preso. Na maquiagem, ela com um tom bem leve de rosa, nos momentos em que a luz batia nos brilhos, o batom era mais forte que o da cunhada, mesmo mantendo a tonalidade; o delineado era mais marcado um pouco, o blush e rímel terminavam o visual.

Por último, estava John com a roupa social azul clara, ele era o único homem com um colete, mas essa peça tinha realçado a gravata borboleta do exato tom das restantes e uma camisa branca. Eu terminei de analisá-lo no momento em que a cerimônia teve início, os estudantes entravam no amplo salão em filas, quando sua casa era anunciada. Em seu colo, a pequena Jannete se encontrava sentada com seu vestido de alça grossa azul claro, cuja saia era rodada e uma fita branca amarrada na altura da cintura; sua sapatilha era branca também.

A formatura foi longa e muito bonita, claro que não se comparava com o luxo dos bailes Masons, mas ainda assim tinha sua beleza. Minha tia Alyssa chorou e pude ver a tia Beatrice mexendo os lábios de modo a formar as palavras “Eu me lembro de quando erámos nós lá em cima” para minha mãe.

Eu me esforcei para prestar a atenção em cada momento e detalhe dali. Elizabeth estava linda com seu vestido claro, formando um par perfeito com o irmão. Ele tinha uma alça fina no ombro esquerdo, com decote em u, nas costas, o tecido ia das alças até a altura do busto e voltava um pouco a cima do quadril, mesmo de frente era possível ver a pele da cintura exposta. Uma faixa de pedras rosas e azuis de tamanhos variados enfeitava a borda dele, desde a alça até o lado direito para então fazer uma curva, retornando para o lado esquerdo, mas, dessa vez, era mais fina e não seguia o limite do tecido. Por último, ela descia uma inclinação tão leve para a direita que era quase imperceptível e acaba alargando para seguir o desenho do vestido; além de uma faixa um pouco mais fina que o palmo dela, unindo a faixa principal com o retorno do tecido nas costas.

O cabelo, mesmo penteado, estava solto sobre o ombro direito. O brinco comprido com um losango com uma pedra azul a cima da borda com pequenas pedrinhas prateadas era visível, bem como as delicadas pulseiras que ela usava no braço direito e a sandália incrementavam o visual de uma forma linda. Para finalizar, a maquiagem, mesmo leve, marcava presença, com um batom que parecia ser nude e cremoso, sombra rosada, delineado, blush e rímel.

Com o fim da noite, os quartos das casas foram liberados para os pais, uma vez que o retorno ocorreria na manhã seguinte e, acredito eu, iriámos direto para a casa de campo dos Whites. O lado bom de se nascer em duas famílias antigas é que elas têm dinheiro o suficiente para algumas residências extras. Meus pais chamaram a mim e Dylan um pouco antes para se despedir de nós, eles tinham algo para resolver e não poderiam ficar, então apenas tomaram um banho rápido e trocaram de roupa ou essa era intenção, a pedido de Elizabeth, quase que implorando, eles decidiram, após uma longa discussão, a contragosto continuar, mas partir o mais rápido possível.

No dia seguinte, o Sol nasceu bem cedo, o primeiro raio bateu no meu rosto, fazendo-me acordar, essa foi minha última noite aqui antes de partir para casa e eu ia estranhar isso, mas, ao mesmo tempo, podia focar no que era mais importante: a preparação para um futuro não tão incerto na vida dos bruxos.

Levantando, eu caminhei para o banheiro para tomar um banho e colocar a roupa para a viagem. A água do chuveiro estava morna, mas isso não me fez demorar além do tempo normal, por isso, eu saí logo e me vesti com a roupa que escolhi, uma camiseta salmão de manga curta, fresquinha, mas justa e uma saia preta, com caimento mais ou menos reta, para completar, coloquei uma sapatilha igualmente escura.

Voltando para o quarto, terminei de guardar os itens no malão e na mochila, após isso, diminui o tamanho do baú como fizera meses atrás para as férias do Natal, colocando-o na bolsa e saí do cômodo. Tudo estava incrivelmente silencioso, quando desci, o Sol acabara de nascer, o trem sairia não muito mais tarde e tudo parecia isolado. Eu realmente preferia assim, porém os alunos não me parecem muito responsáveis desse jeito.

Já estava quase chegando na janela, quando vi um movimento sutil próximo ao sofá, ficando em estado de alerta, caminhei lentamente para lá, entretanto, antes de chegar, Dylan levantou a cabeça, percebi pelo seu olhar que ele também se encontrava na mesma condição.

—Ah. É você. Eu estava te esperando, mas acabei distraído. — Ele indicou as folhas espalhadas sobre o móvel.

Eu me aproximei até conseguir identificar o conteúdo delas e posso dizer que não me surpreendeu em nada identificar a letra de mamãe em palavras que me recordo ter lido há algumas noites; mesmo Dylan tendo tido um período um pouco mais agitado, ele estava extremamente próximo.

Ele começou a guardar e, em instantes, saímos da Torre com mochilas que contiam nossos malões, planejávamos encontrar papai e mamãe no Salão Principal para nos despedir, mas, assim que colocamos o pé para fora, nossa figura materna estava observando a porta.

—Mamãe. — Meu irmão comentou, com alegria em sua voz.

—Olá, Dylan – Ela sorriu levemente diante da felicidade do filho. — Olá, Ceci. — Ela me cumprimentou, ainda com o leve sorriso no rosto.

Depois do encontro, retornamos ao nosso caminho para o Salão Principal. Nesse meio tempo, descobrimos que o marido da mulher nos aguardava no destino. O estranho era que, de fato, eu me sentia em casa aqui, uma sensação que eu não percebera até o momento; não podia dizer ser igual a minha verdadeira casa, mas era algo próximo.

Quando chegamos no piso principal, vimos o ex-soserino apoiado na parede ao lado da porta, ele encarava o chão fixadamente, mas, ao descermos da escada, o Mason mais velho ergueu a cabeça e nos viu. Desencostando-se do sólido, ele caminhou para a porta, abrindo-a, permitindo, assim, nossa passagem. Percebi mamãe agradecendo-o, conforme passava.

Hoje, as mesas tinham sido liberadas para permitir que as famílias se sentassem juntas, mas mamãe parou e olhou para o papai que lançou um olhar para a mesa verde e prata um pouco demorado, antes de seguir para onde os irmãos da esposa estavam, eles tinham acordado super cedo para se despedirem.

—Como vocês conseguem estar acordados assim? — Elizabeth perguntou, quando nos aproximamos, seu rosto refletia as poucas horas dormidas.

—Costume, Liz. — A mulher recém-chegada respondeu à pergunta da sobrinha.

—Não faz tanto tempo que saí, mas senti falta de me sentar nessa mesa.

—Eu também. — Surpreendendo a todos, quem respondeu foi papai; sabíamos que ele não se referia especificamente a onde estava, mas à sua antiga casa.

Começamos a nos servir, mamãe pegou um copo de suco de laranja, com uma porção pequena de panquecas, enquanto papai colocou suco de limão em seu copo e um pedaço de torta de abóbora; Dylan optou por um suco de abóbora e umas frutas que tinha; por último, eu peguei suco de laranja e duas torradas com geleia.

Enquanto comíamos, a fantasma da Corvinal apareceu, eu já ouvira falar tanto sobre isso antes de entrar aqui que não registrava muito tais fatos, mas considerando o quanto a mesa estava vazia e o fato de Helena ser minha fantasma favorita, aquilo chamou minha atenção.

—Sejam bem-vindos, Whites. — Ela passou pela superfície, antes de parar na minha mãe. — Jade, há quanto tempo.

—Faz mesmo, Helena. — A Ravenclaw sorriu, eu ouvira histórias sobre o passado da Mason na qual ela passava horas conversando com aquela fantasma nessa escola. Aparentemente, a amizade continuava mesmo após os anos afastadas.

—Continua bonita e inteligente.

—É de família — Papai interrompeu as duas.

—Mason. — Helena o olhou um pouco indecisa. Um sonserino sentado na mesa de sua mãe? Isso não a devia agradar. E realmente a fama dos Masons não ajudava, mesmo se casado com uma velha amiga.

Então ela acenou e voou para longe, porém não sem antes olhar para Dylan e parar na minha frente para sussurrar “É bom vê-la novamente, Ceci”. Acenei em sua direção, antes que partisse. Eu me lembrava claramente da primeira vez que a encontrei na escola fora desse salão.

“Caminhando pelos corredores de Hogwarts, eu planejava chegar na Sala Precisa o mais rápido, queria estudar um pouco. Enquanto percorria essa distância, um fantasma surgiu ao meu lado.

—Helena. — Eu a cumprimentei, quando a reconheci.

—Cecília Mason, estava ansiosa para te conhecer. — Eu observei o rosto dela, por isso percebi o choque em seu rosto fantasmagórico. — Você é realmente parecida com a sua avó.

—É o que dizem. — Dei de ombros.

—Eu a conheci. E sua mãe também, ela tem uma personalidade interessante.

—Tem, sim. — Ela me acompanhou até eu virar o corredor, parando na frente da parede onde a Sala Precisa aparece.

—Você vai no lugar onde tudo se esconde, que, se souber, só precisará pedir? Vai esconder algo? — Ao invés de responder, eu segui pela porta, quando ela apareceu, e fiz sinal para que a conhecida Dama Cinzenta me acompanhasse. Ao adentrar o local, percebi Helena olhando ao redor. — Isso definitivamente não é um local para esconder.

—Não. — Concluí, enquanto tirava livros pesados, provocando uma risada leve da fantasma, a qual se aproximou, a fim de ver o conteúdo de transfiguração.

—Você realmente poderia ser corvina.

As horas se passaram, enquanto eu lia o grosso livro e, por um tempo, a fantasma da casa azul e prata me fez companhia, algumas vezes, tentando puxar conversa e, outras, se interessando no conteúdo. Como não passei todo o tempo em uma só matéria, ela conseguiu pegar uma parte de treino antes de decidir partir para outras partes do castelo que era sua casa.”

A refeição correu com conversas leves sobre diversos assuntos, indo desde a formatura de Elizabeth e a entrada de Jannete em Hogwarts, pelo visto, a Corvinal não teria dois Whites ao mesmo tempo na casa tradicional, ao menos, nessa geração. Não demorou muito mais para todos dali acabarem de comer e para as outras pessoas começarem a chegar no salão.

Um pouco antes da hora de partir, a diretora McGonagall começou a fazer um discurso para a despedida para, então, liberar todos, nesse momento, meus pais já tinham ido embora há um tempo. Assim que ela acabou, nós nos levantamos e seguimos para o jardim daquela enorme escola.

—Prontos? — Tia Alyssa perguntou, entregando objetos que eram chaves de portais.

Dentre os itens tinha um livro que ficou com a tia Beatrice, o marido e a filha; uma mochila que ficou comigo, Dylan e Jannete; e, por último, um caldeirão médio para os demais.

—Sim. — Respondemos instantes antes de a chave nos sugar.

Notas finais
Chegamos ao fim mais um capítulo... Estamos muito perto do fim dessa temporada e estou um misto de emoções. Mas vamos lá 1. Só eu que acho que a Ceci falou do Nathan no comecinho, mas ela estava orgulhosa do primo? 2. Quem vocês acham que vai levar a Taça? 3. Jenny adora zoar com o irmão, hein? 4. Gostaram do resultado? 5. Sobre o que acham que a diretora quis falar com Jade e Érick? 6. Gostaram das roupas? Qual foi a favorita de vocês? 7. O que acharam do primeiro encontro de Ceci com Helena? 8. Ansiosos para conhecer a casa White? 9. Qual foi a parte do capítulo favorita de vocês?