Os contos de uma menina insegura
12 Noite sem estrelas
Hoje é uma noite típica de primavera-verão, onde eu não consigo dormir e aquele sentimento ruim de solidão veio novamente à tona, onde parece que todos estão bem e felizes, viajando ou em casa com pessoas queridas e eu aqui, não que minha vida ou minha casa estejam um caos, mas talvez esteja monótona, ao mesmo tempo que parece que a qualquer segundo pode acontecer uma faísca e tudo explodir. Hoje é aquele tipo de noite que todo mundo posta fotos e stories felizes em algum lugar do mundo e da vida e você se encontra só e no tédio, como se ninguém precisasse de você, mas que você estivesse precisando de alguém, de apenas um oi, ok talvez isso seja mendigar atenção e eu achava que já tinha passado dessa parte... Talvez eu não tenha passado, mas amadurecido, hoje eu reconheço que ainda tenho uma certa carência, mas não mendigo amor de ninguém, depois de muito me machucar, hoje eu aprendi essa lição, hoje, eu me controlo e me ocupo com outras coisas...
O céu está limpo, sem muitas estrelas e lá fora tem uma brisa gostosa e refrescante, como aquelas cidades de interior onde de dia faz muito calor, mas À noite é o momento ideal para reunir as amigas e se sentar na beira da calçada ou em um bar qualquer apenas para tomar alguma coisa, comer algo gostoso e jogar conversa fora, quem dera eu poder me dar ao "luxo" de praticar uma ação dessas, a pressão e a necessidade de estudar mais do que tudo e todos, fazendo com que eu me sinta incapaz porque sempre tem alguém melhor que você, tem me consumido do dedinho dos pés, até as pontas duplas do meu cabelo.
Em ocasiões como essa, eu costumo olhar pela janela de madrugada e apreciar o clima fresco e pensar, refletir um pouco sobre a vida e sobre mim mesma, talvez para conseguir encaixar dentro de mim as coisas que ainda estão uma bagunça, para poder dar um pause e falar "calma ai", para conseguir voltar à minha essência e lembrar de quem eu realmente sou, de quem eu quero ser e o que eu estou fazendo para evoluir, eu ainda tenho que me esforçar para não regredir, para não voltar a me machucar por livre espontânea trouxisse, ultimamente eu tenho sonhado bastante, tenho planejado o tão esperado futuro que eu temi por muito tempo.
Ao olhar pela janela, eu percebo o quanto mundo é grande, como eu mesma não conheço por inteiro nem mesmo a cidade na qual eu moro e descubro uma das únicas coisas que eu tenho certeza que desejo fazer nesse mundo e nesse curto tempo que me foi dado para viver: eu quero viajar, quero encontrar pessoas novas e conhecê-las de verdade, quero conhecer histórias e culturas novas, quero poder encontrar um lugar no qual eu realmente me sinta parte dele, um lugar no qual eu consiga me sentir em casa, no qual eu sinta uma paz verdadeira, coisa que aqui em sido um pouco difícil, um lugar onde eu possa começar pelos meus próprios pés, onde eu encontre pessoas que eu possa confiar e chamar de irmãos e irmãs, confidentes. Quero ter asas para poder voar e encontrar novos ninhos e novos desafios, podem me aventurar e aprender com meus erros, poder encontrar um lugar que eu possa chamar de meu, onde eu possa errar e não sentir o peso nos ombros por ter decepcionado alguém, onde eu possa me sentir livre, leve e solta para, de fato, viver a minha vida, quero um local simples, não precisa ter muito luxo, mas com certeza, precisa ser recheado de amor e paz, sem brigas ou gritarias, sem ninguém sendo submetido a stress, não almejo um local perfeito, apenas espero que seja um lugar onde os problemas sejam resolvidos na converso e no afeto, onde as pessoas de fato se importem, de fato estejam interessadas em serem felizes, quero poder voar cada dia para um lugar diferente e encontrar um solo fértil e adequado para firmar as minhas raízes nele.
Eu quero apenas uma coisa: viver e não apenas existir!
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