Os caminhos de um destino
6 Segundas intenções
Passei à tarde em meu quarto estudando, entrar no meio do andamento de todas as disciplinas não facilitava as coisas, eu precisaria dar o máximo de mim para acompanhar cada matéria e passar de ano.
Charlie chegou do trabalho e então sentamos a mesa para o jantar. – Como foi o primeiro dia de aula Bella? – ele perguntou.
— Foi ótimo pai, gostei muito da escola e dos alunos – Respondi enquanto comia. Charlie continuou comendo, porem mais interessado na conversa. – Fez alguma amizade?
— Sim, Leah e Seth me apresentaram seus amigos, os quais foram muito amigáveis. — Olhando para todos eu continuei – Aproveitando a ocasião gostaria de agradecer a todos vocês por me acolherem tão bem, isso está sendo muito importante para mim. – Nesse pequeno momento vi Charlie sorrir pela primeira vez. Sue e Leah me olhavam perplexas, enquanto Seth parecia estar confuso.
— Isso está sendo muito importante para mim também. – Charlie disse, por sua personalidade acredito que essa pequena frase significava muito mais que aquelas palavras. Ele estava sim feliz por ter uma filha, ela aceitar e se adaptar a sua família, entretanto, muito mais por ver sua vida em harmonia, nesse sentido ele sentia cumprido o seu papel. Eu não iria fazer o jogo de Leah e Sue, não iria ser a adolescente rebelde que só trás problemas ao lar, elas tinham que aceitar isso e parar de forçar essa situação. Por mais que eu desejasse dizer a ele tudo o que estava acontecendo, isso não mudaria nada, só traria discórdia e mais sofrimento, eu era o elo mais fraco, mas tinha que parecer ser o mais forte.
No outro dia eu acordei muito cedo, antes mesmo de Charlie sair de casa, fiz o café da manhã para todos e esperei por Leah e Seth no sofá. Durante o percurso até a escola nenhum dos três pronunciou nenhuma palavra dentro do carro. Seth estava tranquilo como sempre jogando em seu celular e Leah estava praticamente espumando de ódio, mas mesmo que ela me mandasse descer do carro, no meio do caminho, eu chegaria muito antes do inicio da aula. Eu estava apenas observando a neve que caia e se acumulava. Definitivamente isso não seria algo fácil de acostumar-se, era bonito sim, mas só na TV, o dia tão nublado e frio me deixava desanimada, seria muito mais agradável estar na cama.
Quando chegamos à escola cada um seguiu para seu prédio, sentei em minha mesa compartilhada de biologia e fiquei fazendo desenhos a toa em meu caderno.
— Preparada para a guerra de neve? – aquela voz era inconfundível. É claro que eu não deixara de amar Stefan, ele surgiu em minha vida quando eu mais precisava de alguém, ele me mostrou que é possível seguir em frente, sentir-se viva. Mas aquele fascínio que Edward exercia, quando simplesmente falava, era inexplicável.
— Definitivamente estarei a quilômetros de distancia nesse momento. – respondi com sinceridade. Ele aparentava ser alguém que poderia me aceitar sem teatrinhos ou frases feitas, eu gostaria de aproveitar enquanto estivesse dando certo, e ele sorriu.
— Sabe, dessa forma será extremamente difícil para você se encaixar aqui — Ele provocou com tom zombeteiro.
— Você também não parece fazer parte de nenhum padrão estudantil e mesmo assim está sobrevivendo muito bem ao colegial. – Rebati rindo e ele fez uma careta.
— Eu sinto muito por tudo o que você deve estar passando, eu espero que a experiência com seu pai esteja sendo recompensadora o suficiente – ele falou. Seu olhar era tão profundo que ele realmente parecia saber dos maus bocados que eu estava passando ultimamente. Eu não queria mentir para ele, talvez ele fosse a única amizade que eu ainda quisesse manter depois que fosse possível ir embora, então eu queria que nossa relação fosse real.
— Charlie é uma ótima pessoa, acho que essa experiência está tendo um lado positivo para nós dois. – foi o melhor que eu podia fazer.
— Mas você está triste – ele disse. Sim, eu estava, mas é um preço que eu aceitei pagar e desde que as pessoas que eu amava estivessem bem, isso tudo teria valido a pena.
— Isso não importa. – Eu respondi cortando a conversa e agradecendo mentalmente ao Sr. Tomas por iniciar a aula.
Edward não disse mais nada, não que nossa conversa tenha feito muito sentido. Qualquer pessoa normal que não se adaptasse a vida com um dos pais poderia simplesmente voltar a morar com o outro, mas não tinha essa escolha, a grande questão é que ninguém sabia disso. Eu não sei se era sobre isso que ele pensava quando me olhava de vez em quando, mas fiquei agradecida por ele não fazer eu me enrolar mais.
Quando o sinal tocou ele saiu sem falar comigo, eu segui para o refeitório pensando sobre a possibilidade de sentar na mesa dos amigos de Seth, quando Mike me chamou: — Hey Bella, senta aqui! – Bom, ele gritou alto o suficiente para todos escutarem então peguei minha bandeja e segui em direção da grande mesa dos amigos de Leah.
— Então Bella, estávamos conversando sobre a festa de aniversario de Lauren Sábado, você vai? – Mike perguntou totalmente de costas para Jessica que me olhava com puro ódio.
— Eu não sei, tenho muita matéria para por em dia. – Eu falei. Eu realmente não fazia questão de ir a essa festa, com essas pessoas. Tudo o que eu queria agora era, apenas, um pouco de paz.
— Essa é a pior desculpa que já vi, vamos lá, vai ser divertido! – Tyler disse. Ele parecia querer muito que eu fosse, mas antes que eu pudesse responder Lauren disse:
— Não acho que tenha mais senhas disponíveis. Sinto muito Bella. – Eu realmente duvidava que ela sentisse, mas sorri e assenti grata primeiramente por ninguém mais poder me forçar a ir e em segundo lugar por ela falar tão pouco, já que o som da sua voz soava extremamente irritante.
Depois da segunda aula eu procurei Seth e Leah por toda a escola sem encontra-los. Quando eu já estava preparada para voltar andando para casa Tyler acenou para mim.
— Hey quer uma carona? – Ele ofereceu com um sorriso aberto.
— Não se preocupe, eu vou andando mesmo. – Sem estresse, por mais que ele estivesse sendo legal, fazer vinculo com os amigos de Leah não parecia ser uma boa ideia.
— Com toda essa neve é extremamente perigoso, se você fizer questão pode me dar o dinheiro da gasolina depois.- ele brincou.
— Ta certo, vamos logo então. – Finalmente concordei, ele não iria desistir.
Quando chegamos em casa agradeci e me preparei para sair do carro, quando me virei Tyler trancou as portas.
— O que é isso Tyler? Vai me sequestrar agora? – Respondi com a voz tremendo de irritação.
— Não, outro crime em comparação. – Ele disse me olhando fixamente.
— O que é, vai me matar então? – Eu perguntei com o coração acelerado.
— Não, vou roubar um beijo seu. – Ele disse, e antes que eu pudesse responder ele veio usando toda sua força para forçar um beijo em meus lábios. Por mais que eu tentasse empurrar o peito dele com minhas mãos eu não conseguia move-lo um centímetro sequer, então desisti, tirei minha mão do peito dele e bati com tudo na buzina. Com o susto ele me soltou eu lhe dei um murro com toda a força que me sobrou.
— Aiii sua vadia! – Ele gritou.
— Isso é só o começo, seu idiota asqueroso! – Sai do carro, batendo a porta. Ele acelerou e eu corri para o meu quarto, desejando nunca ter confiado nele.
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