Os astros conspiram a favor de nós

7 Promessas feitas não podem ser desfeitas.


Notas iniciais
Memories consume Like opening the wound I'm picking me apart again You all assume I'm safe here in my room Unless I try to start again -( Breaking the habit) linkin park

Havia algumas considerações a fazer a respeito da pequena Gabriella.

Ela era muito inteligente para a sua idade, me fazendo esquecer por diversas vezes que eu estava conversando com uma criança de nove anos. Também era curiosa e desconfiada. Era divertida, enérgica, e muito persuasiva.

Durante a tarde que passamos juntas, eu pude conhecer um pouco mais dela. Ela era a filha mais velha do Lucas, e amava muito o pai. Queria ser rockeira, gostava de musicas em inglês, por mais que não entendesse uma palavra sequer do que era dito. Queria ser branca, ao invés de morena, e adorava as minhas roupas e as maquiagens que eu fazia. Pena que eu não me lembrava nem pra que servia aquele monte de pincéis que estavam no meu estojo de maquiagem.

– Sério que você não lembra de nada? – Ela quis saber mais tarde naquele dia, enquanto nós duas assistíamos a uma maratona de clipes na Tv à cabo.

– Nada. – Eu sacudi a minha cabeça para dar ênfase. – Por mais que eu tente forçar, nada aparece. É como se não tivesse nada para ser lembrado, sabe?

– Que show. –Disse ela, sorrindo. Me peguei sorrindo junto.

– Não é tão legal quanto parece, acredite.

– Não, não é nada legal. – A voz do meu marido foi ouvida da cozinha. – E a janta ta pronta.

Gabriella saltou da cama com um pulo ao ouvir as palavras do Lucas. Calçou os chinelos que estavam ao lado da cama e foi até a cozinha.

Eu hesitei.

– Vem comer, Ju. – O Lucas chamou. – O médico disse que você precisa de descanso e boa alimentação. Nada de ficar sem jantar.

– E põe boa nisso. – A voz da Gabriella murmurou. – O pai fez risoto!

Eu não sabia o que era um risoto, mas me movi para a cozinha para ver o que meu marido havia cozinhado.

Dei de cara com uma única panela de ferro, em cima do fogão. Dentro havia um tipo de arroz solto, misturado com frango desfiado. O Arroz tinha uma coloração diferente, meio marrom avermelhada, diferente do branco habitual. O cheiro que exalava da panela fez meu estomago roncar para a vida.

Lucas serviu um prato e estendeu para uma Gabriella desejosa, em seguida serviu outro prato e me entregou, junto com um garfo e uma faca. Eu segui a pequena Gabriella até o sofá de três lugares e sentei ao lado dela. Repousei o prato no meu colo e dei uma garfada na montanha de risoto que Lucas havia posto no meu prato.

– Ai, ta quente! – Praticamente gritei, quando a comida tocou minha língua e o calor queimou minha boca.

Lucas me olhou espantado enquanto eu abanava loucamente minha boca aberta, e a Gabriella ao meu lado ria descaradamente do meu tormento.

Tive que admitir que se não fosse comigo, também acharia engraçado.

– Toma um pouco de refrigerante. – Lucas me estendeu um copo de coca-cola gelada.

Eu levei desesperadamente o copo aos lábios, sorvendo em grandes goles o refrigerante e engolindo os grãos de arroz do risoto sem nem ter tido tempo para mastigar. Só esperava não acabar me engasgando.

Quando afastei o copo dos meus lábios, havia tomado toda a coca. Respirei fundo e relaxei meus ombros tensos. Gabriella ainda soltava gargalhadas.

– Ta melhor? Quer mais refri? – Lucas perguntou enquanto pairava sobre mim preocupado.

Eu apenas assenti com a cabeça, uma resposta positiva para ambas as perguntas. Não ousei abrir a boca para responder, estava muito envergonhada pelo ocorrido.

Lucas me trouxe mais refrigerante, e eu deixei o copo no chão, ao lado dos meus pés. Dei uma nova garfada no risoto, mas dessa vez assoprei copiosamente antes de levar a boca. Felizmente não me queimei mais nenhuma vez durante o jantar.

– Pai, to indo lá pra vó. – Gabriella avisou após terminar de jantar e ter deixado seu prato na pia. Peguei meu próprio prato e fiz o mesmo.

– Ta bom. Beijo. – Lucas disse, estendendo a bochecha para que ela pudesse beijá-lo.

Gabriella beijou Lucas e abraçou ele antes de vir até mim e fazer o mesmo.

– Boa noite, gatinha. – Eu disse a ela, e ela sorriu para mim.

– Tem certeza que não lembra de nada? – Ela perguntou novamente?

– Não. – Eu neguei. – Nada. Por que?

– Quando a gente conversou a primeira vez pelo face, você me chamou de gatinha. Na verdade, você sempre me chama assim. Ou Gabi, ou Bi, ou gatinha. – Ela me informou, e eu apenas dei de ombros.

– Eu queria poder dizer que te chamei de gatinha por que lembrei de algo, mas não foi o caso. Apenas me veio na cabeça e eu disse.

– Ta bom. Boa noite então. Tchau pra vocês. – Ela disse tranquilamente e saiu pela porta onde eu havia entrado mais cedo.

Lucas apenas olhou para o lugar por onde Gabriella havia saído, e sacudiu a cabeça rindo.

– Ela é inteligente, né? – Ele me perguntou sorrindo, todo orgulhoso.

– Muito. E muito bonita também. – Eu respondi solenemente.

– Ah, mas eu sou bom de cria... – Ele disse, e eu ri do comentário convencido. – O Luan também vai ser metido.

Eu inconscientemente levei minhas mãos até a minha barriga e acariciei brandamente. As vezes eu acabava me esquecendo que estava carregando um filho do Lucas dentro de mim, mas tinha a impressão de que ele não deixaria eu me esquecer por muito tempo. Esse parecia ser o assunto preferido dele.

– O que te faz ter tanta certeza de que é um menino e não uma menina? – Eu perguntei a ele.

Ele deu de ombros.

– Você me prometeu que seria um menino. – Ele disse simplesmente.

E naquele momento eu desejei intensamente ser capaz de manter minha promessa.

Notas finais
Mas que tonta, se queimar com comida... UIAHSIAUHSAIUHS