Os astros conspiram a favor de nós
8 Quando minha pele toca a sua...
Notas iniciais
Alguém estava tentando derrubar a janela do quarto.
Ou, ao menos foi o que me pareceu.
É claro, eu estava ainda naquele momento em que você não está completamente acordado, nem completamente dormindo e as coisas que acontecem próximas a você parecem ser um sonho muito real, mas na verdade estão realmente acontecendo. Só que o cérebro ta de vagar quase parando e você não dá a mínima. Você só quer voltar a dormir.
– Vamo Lucas! – Alguém gritava com uma voz grossa e parecia engolir metade das letras das palavras. Meu cérebro lerdo travava várias vezes enquanto tentava entender o que era dito. – Vamo levantar! Tá na hora já.
Ao meu lado, Lucas dormia feito uma pedra. Ele estava virado de costas pra mim, dormindo de lado. Ele havia ido para a cama somente de cuecas noite passada, o que me deixou mortalmente envergonhada. Eu usava uma camisola de pijama que ia até o meio das minhas pernas, e assim que vi como ele iria dormir, dei as costas para ele e fiquei encarando a parede, consciente de que o corpo dele estava muito próximo ao meu.
Eu tive que contar até quinhentos até pegar no sono.
– Vamo rapaz! Eu não vou chamar de novo! – A voz berrava junto à janela, enquanto o homem batia tentando acordar ao meu marido.
Toda vez que a janela chacoalhava, eu pensava que ela ia cair. Felizmente não aconteceu isso.
– Lucas. – Eu chamei gentilmente, próximo ao seu ouvido.
Eu havia me virado de frente para as costas dele, a parte superior do meu corpo estava meio erguida enquanto eu apoiava o peso no meu cotovelo e antebraço. Levei minha mão direita até a sua cintura e chacoalhei levemente. O contato dos meus dedos com a pele nua e quente dele fez minha pele arrepiar e a todo momento eu estava extremamente consciente da proximidade dos nossos corpos.
– Lucas! – Eu chamei novamente, dessa vez com um pouco mais de urgência. Chacoalhei a cintura dele novamente.
Sem que eu pudesse prever, Lucas pegou minha mão que estava pousada na sua cintura, enlaçou seus dedos nos meus, e puxou nossas mãos unidas até seu peito, fazendo com que meu braço direito passasse ao redor do seu corpo como um meio abraço. O gesto fez com que meu corpo se colasse às costas dele, e cada pedaço de pele meu que estava descoberto tocava a pele nua e quente do corpo dele.
Parecia que uma carga elétrica percorria meu corpo. Minha pele se arrepiou, meu coração começou a pulsar mais rápido, minha respiração ficou ofegante. Eu sentia como se milhões de pontos do meu corpo estivessem sido massageados ao mesmo tempo, e minha musculatura ficou tensa e em seguida relaxou, várias vezes. O calor da pele dele, adicionado ao cheiro do perfume que ele exalava era de mais para os meus sentidos.
Em um gesto impensado, tentei puxar minha mão da dele. Ele apenas a segurou mais forte, e seu braço que repousava em cima do meu se pressionou mais forte contra o peito dele.
– Fica. – Ele pediu. Sua voz era pouco mais alta que um sussurro, e por um momento pensei que estava ouvindo coisas. Mas então, ele adicionou. – Só um pouco, por favor.
Eu travei por alguns segundos. Não sabia o que responder. Não sabia o que fazer.
Mas seu toque era de mais para mim, despertava coisas que eu não entendia. Meu corpo parecia reagir ao seu, mas minha cabeça parecia observar tudo a distancia.
– Lucas. – Eu gemi em sofrimento.
– Por favor. – Ele pediu novamente. – Você não sabe a saudade que eu senti de ti. De ter teus braços ao meu redor, de você me fazendo carinho. – Ele inspirou fundo. – Por favor, eu só quero sentir você perto um pouco.
Deus, aquilo estava me matando por dentro. Sua voz continha tanta dor que parecia que ele sofria fisicamente. Meu coração se apertou em uma bola.
– Lucas! – O grito, seguido pelas inúmeras batidas na janela, fizeram eu me afastar dele em um pulo, como se tivesse sido pega fazendo algo errado. Eu me movi o mais distante que eu pude dele na cama de casal e olhei para ele me sentindo estranhamente culpada pelo meu medo.
– Já vou! – Ele gritou em resposta.
As batidas na janela pararam, e quem quer que estivesse chamando se afastou para outro lugar.
Lucas sentou na cama e apoiou os punhos cerrados no colchão. Seus ombros largos e bronzeados estavam encurvados, sua cabeça tombada. Ele respirou fundo duas vezes e levantou da cama. Foi ao banheiro, que era adjacente ao quarto. Depois voltou e pegou uma calça Jeans e uma camiseta azul do guarda roupa usando a luz do banheiro para encontrar as coisas que precisava. Colocou na cabeça um boné vermelho que estava pendurado atrás da porta, e abriu a porta do quarto.
Ele parou por alguns momentos no umbral da porta como se decidisse o que faria a seguir. Virou-se para mim e me olhou com aqueles olhos castanhos cheios de dor.
– Eu vou lá fora lidar com os cavalos. Tu pode ficar dormindo até mais tarde. – Ele me considerou por alguns instantes. – O médico falou que seria bom você ficar em repouso por mais umas duas semanas. Qualquer coisa que você precise, é só me chamar.
Eu concordei com a cabeça, mas não ousei dizer nada.
Ele hesitou por um momento, e então se moveu até a cama. Apoiou os braços próximo ao meu corpo e deu um beijo terno na minha testa. Seus lábios se demoraram sobre a minha pele por um momento ou dois, e então ele se afastou lentamente, como se temesse a minha reação.
Eu apenas fiquei olhando para o rosto dele, analisando os traços que eu já havia decorado na minha mente. Meu coração reagiu de uma forma esquisita, como sempre fazia quando ele estava por perto. E por mais estranho que pudesse parecer, depois do pequeno gesto de carinho eu queria envolver meus braços ao redor dele e pousar minha cabeça na curva do seu pescoço.
Mas minha mente se acovardou e eu apenas fiquei ali, olhando dentro dos olhos dele, tentando desvendar sua alma.
Lucas pareceu aliviado por eu não ter me afastado ou ter demonstrado desagrado, e um pequeno sorriso triste surgiu nos seus lábios.
– Bom. A gente se vê mais tarde. – Ele murmurou, e saiu encostando a porta atrás de si.
Eu pude ouvir quando a porta da entrada se fechou, e eu me aninhei melhor na cama, abraçando o travesseiro em que a cabeça do Lucas tinha estado repousando.
A ausência dele na cama trouxe um estranho vazio. Embora a temperatura estivesse amena, um estranho frio se aconchegou ao meu redor e eu puxei o edredom para mais perto.
Fechei meus olhos esperando que o sono viesse me buscar. Mudei de posição duas ou três vezes. Tentei deixar minha mente vagar pra longe. Mas nada adiantou.
Ao que parecia sem ter o Lucas por perto eu não me sentiria bem o suficiente para poder descansar.
Me perguntava se isso era um indicio de que eu estava começando a me apaixonar por ele novamente.
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