Notas iniciais
Gostaria de agradecer novamente a minha amiga Sa-chan (não é uma conta,eu só chamo ela assim ;~-~)pela ajuda com a música que me inspirou desde o começo. Também gostaria de recomendar (isso não é uma songific,pois não segue a letra e etc.) que vocês escutem essa música : https://www.youtube.com/watch?v=BnfgUmJM7ss enquanto leem uma parte desse capítulo,pois foi o que fiz ao escrevê-lo ♥ (Nota: eu fiz uma N.A quando a parte chegou.)

Era sábado,e a única coisa que eu realmente escutava o dia inteiro eram os barulhos do liquidificador e do quebrador de gelo. Tá,também os clientes desesperados e irritados,porque só tinha uma garçonete,atendente e balconista: eu. E eu não estava nem um pouco feliz com isso.

Se eu não ficava irritada? Claro que sim. Sou geralmente uma pessoa paciente,e alegre em atender os outros,mas já é bem mais complicado nas férias dos outros,quando eu ficava sozinha lá. E se você acha que eu estava errada em reclamar,tenta você. Imagina todos os clientes de uma cafeteria movimentada,em Londres,e caso ache que não fica pior,você só poderia sair e almoçar às 15 horas. Não parece tão legal agora,né?

– Saindo um Macchiato de canela para mesa 3! — eu gritei,por costume. Ops,tô sozinha hoje. É mesmo. Saí de trás do balcão e entreguei o café para a cliente,que me deu um sorrisinho. Nossa,que gentil,isso vai realmente me ajudar aqui. Voltei pro balcão,e comecei a preparar o Cappuccino de menta da mesa 6,e liguei a calda de chocolate. E essa agora,começou a emperrar?

– Droga,de todas as horas que essa coisa podia dar defeito.. — eu comentei baixinho,devo ter até enrugado o nariz,se duvidar. Empurrei pra baixo de novo,só que dessa vez ela funcionou. Ótimo. Servi o café e chantilly com folhas de menta pra decorar,e fui atender a mesa 6.

Esse cliente eu não conhecia. Tinha uma cara de importante,mas não falou nada. Devia ser estrangeiro,até. Mesmo aqui sendo uma ilha,na Europa é tudo perto. Podia ser da Estônia e eu não ia saber.

Confesso que encarei um tempo. Ele era bonito,com certeza. E estranho,no mínimo. Não que eu fosse normal: de cabelos ruivos vibrantes e ondulados num estilo meio anos 50,preso atrás com uma faixa de Pinup amarela de bolinhas brancas,eu também era,pelo menos,peculiar. E não ajudava ter olhos grandes e turquesa. Eu era quase uma Luna Lovegood de cabelos acobreados. Mas ele,bem..ele não era estranho na aparência. Era mais um europeu bonito,com cabelos loiro-acastanhados e curtos,penteados para trás,e os olhos azuis igualmente escuros. Tinha a barba para fazer,e usava um terno azul-marinho,que não era muito estranho no bairro,onde muitos advogados moravam. O que ele tinha de diferente eram os modos: minuciosamente organizado,eu notei que trocou o garfo de lugar,só para que se alinhasse com a faca. Apesar de parecer alguém com dinheiro,ele olhava com admiração para o lustre de vidro acima,como se fossem aqueles cristais que brilham com a luz. Parecia até absorvido pelo objeto,não prestou atenção quando coloquei o café na mesa.

– Senhor,hã..o café. — eu disse,tentando chamar sua atenção. Ele se virou rápido,quase como se eu fosse assaltá-lo ou algo do gênero. Nunca tinha visto esse tipo de reflexo. — Espero que goste. — eu disse,com um sorriso costumeiro. No momento,ao contrário dos outros de hoje,até que não tinha sido forçado.

– Obrigado. — ele respondeu. Carregava os 'erres' um pouco,soava diferente. Bolei a hipótese de que ele era,provavelmente,de algum país como Alemanha,Áustria,ou talvez a Bélgica. E isso faz diferença? pensei,levantando uma sobrancelha,o que causou uma olhada estranha dele.

Saí,e voltei ao balcão. Eu tinha mais clientes para atender. Bem,isso se eu realmente o fizesse: Estava intrigada demais com o estrangeiro da mesa 6. Notei que rejeitara as folhinhas de menta,e colocou-as no guardanapo,bem no centro. Que espécie de ser humano fazia isso? Bem,eu ouvi que os alemães eram organizados.Talvez,fosse de lá.

Não tinha jeito. Atendia um atrás do outro,e meus olhares sempre se desviavam para a mesma mesa 6. Ele não vai embora nunca? pensei,confusa. O jeito era esperar até o fim do turno.

(...)

Eu já tinha acabado o dia de serviço. Fui até o banheiro e troquei de roupa: coloquei uma blusa turquesa,de ombro caído,com uma branca básica embaixo,com uma saia jeans até o meio das coxas,e fiquei com a melissa-aranha coral. Tive de pegar meus óculos,brancos e quadrados,que mal apareciam no meu rosto. Me deixavam com cara de 'hipster',acho.

Saí do banheiro,e levei um susto quando aquele estrangeiro estava na minha frente. Ele me esperou no banheiro? Mas o quê..

– Sabe onde fica o Comfotel Grn? — ele me perguntou,casualmente. Ah,claro,não era estranho esperar uma garota que você não conhece no banheiro. Eu corei um pouco. Bem,pelo menos eu precisava de blush.

– Ah,é..é meio longe daqui. Quer que eu te leve até lá e mostre? — eu perguntei,ainda um pouco confusa,mas não faria mal. Eu ajudava os outros sempre,por quê não agora?

Ele assentiu,e eu andei até lá fora com ele,um pouco a frente. {N.A : Parte da música começa aqui}

Era um dia até ensolarado,o que era bem incomum. Sempre chovia aqui,e eu tinha trazido minha sombrinha azul.

– É ali? — ele me perguntou,finalmente me alcançando e virando a cabeça pro lado. Eu ri,e fiz que não.

– Bem mais longe. Tudo bem,a gente pode pegar um táxi. — eu ofereci,com um sorriso. O mesmo santo sorriso de atendente tentando convencer alguém. Acho que me acostumei a ele.

– Não. Eu prefiro andar. — ele disse,o que me surpreendeu um pouco. — Tenho que conhecer mais a cidade.

– O.K,sem nenhum problema. A gente anda. — eu respondi,e saí saltitando na frente. É,bem infantil da parte de uma mulher de 20 anos,mas..eu não me importava. Ele veio atrás,andando normalmente,mas acho que sorriu. Não tenho certeza. Só sei que demorou um bom tempo.

– De onde você é,hein? — eu perguntei,durante o caminho. Não sabia nem o nome dele,mas isso,eu descobriria depois.

– Laren. Na Holanda. Você? — ele me perguntou. Ah,então era holandês. Bem,ainda relativamente perto. Não era tão ruim assim.

– Stratford-upon-Avon. O lugar onde nasceu Shakespeare,sabe? — eu disse,com um sorriso um tanto orgulhoso. Ele fez que sim.

– Então,por quê é..tudo numa loja de café? — ele perguntou,erguendo a sobrancelha. Eu suspirei baixinho,e olhei pro chão por um momento.

– Não levo jeito pra teatro. E também preciso de dinheiro,meu aluguel já atrasou. — comentei. Voltei a minha atitude alegre,então. — Mas tudo bem,não é problema. Meu anjo da guarda pode ajudar.

Isso arrancou um sorriso sarcástico dele.

– Isso não existe. Posso ser bem cético como um homem da ciência,mas..não. — ele disse,e me deu um cutucão no ombro. Eu fingi ficar irritada.

– Sei. Bom,um dia,ele me ajuda. E aí eu mostro que existem,sim.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^Por favor,comentem. Eu aceito sugestes ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.