Os amaldiçoados
1 P.O.V. Ross
Notas iniciais
P.O.V. Ross
Eu me lembro perfeitamente daquele dia, estava andando pelas ruas de Florianópolis, eu não irei falar desde o começo, mas, há pouco tempo, eu havia ganhado um estranho anel de um sujeito, mais estranho ainda, que dizia ser um deus. Pensei no Tio Rick e em suas histórias, me perguntava se aquilo poderia ser real, mas duvidava muito.
Naquele dia eu usava um vestido azul bebê, soltinho, que ia até o meu joelho. Os meus cabelos negros estavam soltos. E usava uma sapatilha cor de pele. Eu sempre adorei me vestir neste estilo, denominei esse estilo como clássico.
Enquanto eu andava, me distrai pensando naquele cara, era verdade que ultimamente eu venho fazendo coisas não humanamente possíveis, mas isso indicava que tudo aquilo era verdade? Será que Walt existia? Será que Anúbis esta dentro dele? Será que eu teria chances com Walt? Sim, eu sempre sonhei com Walt, quando li o livro ele me parecia perfeito, nunca fui do tipo de leitora que tem uma paixonite por um personagem, mas mesmo assim quer que ele fique com outra personagem.
Estava tão absorta em meus próprios pensamentos, que não notei um objeto em minha frente, acabei caindo. Olhando para trás, pude ver bem o culpado. Era um djed, um amuleto egípcio.
Curiosa, o peguei para analisa-lo, mas ao simples toque, algo estranho aconteceu, uma luz muito forte fez com que eu não pudesse ver por um momento, quando eu pude, eu estava em frente a uma enorme mansão, em seu grande jardim. Perguntava-me onde estava e como minhas malas haviam vindo também, me lembrava muito bem que havia deixado elas no quarto de hotel em que estava hospedada.
Sem ninguém para perguntar, me aventurei a andar por lá, peguei as minhas malas e fui andando em direção á mansão.
Ao chegar na entrada, puder avistar uma garotinha lendo, não pude ver seu rosto, pois estava tampado pelo livro. Ela tinha pele muito pálida, cabelos negros compridos, indo até o seu quadril. Usava um vestido de Gotic Lolilta, com laços cinzas, também usava um par de meias ¾ pretas e calçava uma bota de cano curto.
—Com licença— tentei chamar sua atenção, ela abaixou o livro, revelando seu rosto delicado e infantil. Seus olhos eram violetas, o que me surpreendeu um pouco. —Onde eu estou? — tentei não aparentar surpresa.
Uma garota de cabelos no tom de ruivo forte e com algumas mechas coloridas, saiu da mansão por uma porta vidro de correr, que estava logo atrás da garotinha.
A garota tinha muitas sardas da extensão de uma orelha até a outra e usava óculos escuros. Ela usava uma saia branca, longa com croppeds, com uma blusa amarela de tecido leve, usava uma sandália branca.
—Olá— ela disse para mim. Eu estava um pouco confusa, mas preferi ser simpática, ganharia mais assim do que agindo como se não soubesse de nada, como realmente era.
—Olá... Eu sou Rossella Ayamovich... Onde estou? E quem é você?
—Muito prazer—Ela estendeu a mão para mim—Sou Emily Lambrini. Você esta no jardim da casa do Brooklyn, 21º nomo. —ela ajeitou seus óculos. Surpreendi-me. Como assim 21º nomo?
—Casa do... Aquele lugar do livro de Rick Riordan? Mas, como...?
Outra garota ruiva, mas em um tom mais claro, saiu do mesmo lugar que Emily. Seus olhos eram verde água, sua pele alva, ela também tinha sardas de orelha a orelha, embora as duas fossem bem parecidas, os rostos das duas eram muito diferentes um do outro. Ela usava um casaco de moletom cinza, calças jeans e um tênis preto.
—Exatamente, os Kane também existem, mas já faz um tempo que a Sadie não mora aqui. —Emily disse.
—Então somos como eles? —Perguntei e ela assentiu.
—olá— a outra ruiva se dirigiu a mim— Quem é você?
—Sou Rossella Ayamovich, e você é...?
—Sophie— Ela não disse seu sobrenome—De onde você veio?
—Eu sou da Servia, mas... —eu hesitei— Ah, nada! Eu estava em Florianópolis, encontrei um djed e acabei aqui.
—Hm... —Ela enfiou suas mãos nos bolsos do casaco. —É de que nomo? —Embora ela tenha me feito a pergunta, Sophie notou a garotinha, essa já tinha voltado para seu livro. —Ririchiyo! você viu o Napoleão?
—Não vi gato nenhum— a Ririchiyo, como Sophie havia chamado-a, voltou seu olhar para ela. —Ele deve estar procurando algo para comer.
—Ele tem comida... E muita! Por isso é tão gordo... Caso o veja, me diga— Sophie disse e começou a procurar Napoleão pelo jardim.
—Ok— Ririchiyo voltou a ler. Percebi que havia um passarinho em seu ombro, como se quisesse ver o que a garotinha fazia.
Ririchiyo não me pareceu muito legal, admito, mas nada que a convivência não resolvesse.
—Então... —Me voltei para Sophie— Eu não sou de nenhum nomo... Há algumas horas conversei com o deus... —pensei um pouco em qual nome o sujeito havia dito— Khonsu! Ele me deu uns conselhos e... —mostrei o anel— isso aqui.
—Hm... — Ela olhou para o anel, interessada, saindo da sua procura— intrigante... Quer entrar? Assim poderemos conversar sobre isso mais
—Sim, vamos entrando... Onde deixo minhas malas? —vou acompanhando ela, que já esta entrando pela mesma porta que saiu. O lado de dentro é um grande salão, quase exatamente como tinha sido descrito no livro. Sophie pegou minhas malas e foi em frente.
—Temos alguns quartos vazios, já que você foi enviada para cá, acho que tem que ficar... —Ela subiu as escadas e eu estava logo atrás. Dirigiu-se para o corredor a direita, pegou um molho de chaves de seu bolso e abriu a porta, logo depois tirou a chave que havia acabado de usar do molho e me estendeu— a chave do seu quarto. Esse quarto era o de Carter, então tem bastante estantes para livros... — ela me deixou entrar primeiro. O quarto era enorme e realmente bem parecido com o do livro, realmente haviam muitas estantes encostadas na parede. — e então...? Sabe qual a utilidade do anel? —A essa altura, eu já sabia que Sophie era calma e serena, não mostrando muitas mudanças em seus sentimentos.
—Ele disse que posso controlar o tempo ao meu favor, então tem utilidade. —Respondi.
—Sabe usa-lo? —indagou-me
—Acho que estou aqui para descobrir isso. —Eu comecei a desfazer as minhas malas.
—De qualquer modo, isso parece interessante. O ruim é que não sei como te ajudar, faz pouco tempo que estou aqui, mas sempre há a biblioteca. —Eu congelei por um momento e olhei para Sophie.
—Eles realmente têm uma biblioteca aqui? —meus olhos deviam estar brilhando de empolgação.
—Sim! Eles têm uma coleção enorme! Se não encontrarmos algo por ali, não encontraremos em lugar algum.
—O que acha que vamos encontrar? —perguntei—o manual de instruções disso aqui?
—Informações e lendas já são o suficiente, mas um manual de instruções será muito útil— achei graça, vendo que ela realmente havia levado a sério e dei uma gargalhada, ás vezes eu rio fácil pelas coisas mais bestas...
Ela olhou para um relógio que havia em seu pulso e levemente levantou suas sobrancelhas, logo depois voltou a sua expressão de sempre.
—Tenho que ir! —ela puxou um papel dobrado de seu bolso—aqui tem os horários das refeições e das atividades, tem três números de celular anotados aí, caso aconteça algo, não hesite em me chamar. Ah, o meu quarto é aqui ao lado, caso precise de algo no meio da noite, pode ir diretamente até mim —Eu assenti.
—Sabe, eu tenho um pressentimento de que algo ruim vai acontecer... —Eu digo isso mais para mim mesma do que para ela, ela já estava no batente da porta, quase a sair.
—Acho que é uma sensação daqui mesmo... ah! —ela pareceu se lembrar de algo— cuidado com a terceira porta do corredor! Todos dizem que ela dá uma sensação muito ruim... Lá é o quarto do Walt...
—Qual o problema dele?
—Não acho que ele tenha problema, mas dizem que a aura dele é um pouco ruim... Todos ficam dizendo que sentem algo...
—Entendo...
—Bem, tenho que ir, hoje é o meu dia de fazer a comida pro batalhão...
—Possi ir junto? —Eu não queria ficar o dia todo arrumando o meu quarto, e estava com muita vontade de ver como era o resto da mansão.
—Se quiser me ajudar a fazer a comida... Aliás, eu ainda tenho que encontrar o meu gato antes da Felícia...
—Deixe-me procura-lo, sou boa com animais e assim logo teremos terminado tudo! —ofereci e ela assentiu— Qual o nome dele?
—Napoleão— Ela pegou um celular de seu bolso, mexeu um pouco nele e me mostrou a foto de um gato preto, gordo e peludo. —Aqui! Geralmente ele fica no telhado, mas já o procurei lá e ele não esta.
—Ok... Pode me emprestar o seu celular? —ela estendeu a mão com o celular para mim.
—Já que vai ficar com esse, caso algo aconteça não ligue para o segundo número que esta anotado no papel, pois é desse celular. —ela disse enquanto eu pegava o celular. —Eu estarei na cozinha, é a terceira porta a esquerda do hall de entrada.
—Ok— assenti e segui Sophie para fora do quarto, logo depois eu tranquei o mesmo com a chave que ela me deu.
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