Notas iniciais
OLÁ CUPCAKES! Eu sei, eu sei, podem me me mandar para o Tártaro ou para o Purgatório, pois eu mereço... Yoh! Estou de volta e com capítulos prontos. Nem sei mais como me desculpar pelo sumiço, então vamos direto ao assunto...

CAPÍTULO 11: A voz do além me pede um favor

BELA PARALISOU QUANDO OUVIU AQUELA voz.

Eles estavam no meio do passeio pelo Acampamento Meio-Sangue com Malcolm lhes mostrando o lugar e contando histórias. O menino ruivo, Kurt, arregalava os olhos cada vez que eles viam algo novo e não parava de falar sobre jogos de videogame. Malcolm os guiou pelos campos de morango que pareciam suculentos, ele explicou que a plantação era uma das fontes de renda do acampamento e que funcionava perfeitamente bem graças ao Sr. D e a magia da natureza dos sátiros – inclusive havia uma porção deles por ali, uma mistura louca de metade homem e metade bode tocando flautas de bambu.

Malcolm explicou que o Sr. D era o antigo diretor do acampamento, mas foi chamado ao Olimpo e desde então não retornou. A propósito o Sr. D era Dionísio, o deus do vinho. Bela tentou não ficar tão chocada quando Malcolm lhes contou que os deuses e a mitologia eram reais. Quer dizer então que deuses existiam e ainda tinham filhos com mortais? Monstros também existiam e caçavam esses meios-sangues? Fala sério! No entanto, depois de tudo que eles viram naquele dia, os cavalos carnívoros, os pégasos, o dragão e o centauro, bom, ela não tinha como duvidar.

Mas ela era uma semideusa? Durante todos aqueles anos, Bela sempre se achou estranha, diferente das outras meninas, diferente de todo mundo. Ela tinha aquele dom, que não tinha nada de bom e que só a tornava ainda mais estranha. Às vezes ela detestava ser tão esquisita, detestava o modo como sua madrasta e as meninas da escola olhavam para ela – como se ela fosse um ser de outro planeta assustador e perigoso.

– Se somos isso o que você disse... – perguntara Kurt com os olhos âmbar semicerrado e as mãos enfiados nos bolsos do casaco marrom. – Então, qual deus é meu pai?

– Bom, ainda não sabemos – dissera Malcolm. – Mas talvez a gente descubra ainda hoje ao redor da fogueira. Geralmente os deuses reclamam seus filhos lá.

– Ah – Kurt pareceu decepcionado. – E quem é seu pai?

Os olhos cinzentos de Malcolm faiscaram.

– Minha mãe é Atena, deusa da sabedoria – disse ele como se tivesse muito orgulhoso disso. – E aqueles dois que os resgataram, a Piper é filha de Afrodite, a deusa do amor, e Jason é filho de Júpiter, a forma romana de Zeus, deus dos céus e de todos os deuses.

Bela franziu a testa. Seja lá que deusa fosse a sua mãe, ela não queria saber. Sua mãe nunca se importou com ela antes. Abandonou-a com o pai quando ela era ainda um bebê e nunca mais voltou, nunca nem lhe enviou um cartão no natal ou de aniversário. Se ela era mesmo uma deusa como Malcolm dissera, então sua mãe devia ser poderosa, poderia ter impedido que aquilo acontecesse ao seu pai. Poderia ter impedido que muitas coisas ruins tivessem acontecido, mas ela nunca fez nada.

Ela tentou não pensar nisso e focou sua atenção no acampamento a sua volta. Eles passaram pela Arena de Combate onde alguns dos campistas treinavam esgrima. As espadas produziam um barulho metálico ruidoso toda vez que se chocavam.

– Isso não é perigoso? – Ela perguntou de olhos arregalados, tanto de horror quanto de fascínio. Naquele momento a espada de um campista passou raspando pela cabeça de outro que se abaixou na hora. Eles usavam armaduras de batalha, mas ainda assim parecia perigoso, um golpe errado e seria o fim de alguém.

– É sim – respondeu Malcolm com sinceridade. – Mas é só um treinamento, já faz algum tempo que ninguém se feriu gravemente.

– Incrível! – disse Kurt olhando embasbacado para os campistas que duelavam. – Preciso de uma espada.

Bela não gostou muito da ideia, não gostava muito do olhar hiperativo e malicioso daquele menino, de alguma forma a ideia de vê-lo com uma arma não era muito tranquilizadora.

Eles passaram pelos chalés – havia cerca de vinte. Todos construídos de forma completamente diferentes uns dos outros, cada um com características próprias, juntos eles formavam uma espécie de ômega gigante com um gramado no centro. E foi ali que ela ouviu aquela voz fria e sussurrada que ela temia tanto quanto detestava.

A missão, a voz sussurrou em sua mente. Aceite a missão. Sua hora está chegando. Faça o que precisa ser feito. Encontre-me.

Bela ouvia aquela voz sussurrando coisas em seu ouvido desde o acontecido com seu pai há algumas semanas. Antes a voz só a atormentava em seus pesadelos, pedindo coisas que ela não compreendia. Quem ela deveria encontrar afinal? Então ela começou a ouvir aquela voz mesmo estando acordada como se alguém invisível sussurrasse em seu ouvido. Bela chegou a pensar que estava ficando louca. Ouvir vozes era mais um item na lista de coisas esquisitas que podia classificá-la como alguém muito bizarro.

– Você está bem? – perguntou Malcolm olhando-a com preocupação.

– Sim – disse ela, tentando disfarçar o calafrio que ainda sentia percorrer por sua espinha. – Estou bem.

Ele não pareceu acreditar muito, seus olhos cinzentos a analisaram.

– Sei que é muito para se absorver no primeiro dia – disse ele, solidário. – Mas você se acostuma.

Antes que Bela pudesse responder qualquer coisa, uma trombeta de concha soou fazendo-a se sobressaltar.

– Hora do jantar – explicou Malcolm. – Vocês dois ficarão no chalé de Hermes enquanto não forem reclamados. Não se preocupem, são pessoas legais e eles já estão acostumados a receber novatos, a maioria dos campistas que ainda não foram reclamados fica por lá.

– Hermes, tipo, o deus dos ladrões? – perguntou Kurt e por algum motivo seus olhos âmbar brilhavam.

– Sim... E quanto a isso, sugiro que vigiem caso tenham algo de valor com vocês. Eles podem ser bem... Curiosos.

Malcolm não parecia estar brincando, Bela segurou seu colar protetoramente. Poderia parecer uma simples bijuteria, mas tinha muito valor tanto material quanto sentimental. Aquele colar era uma relíquia histórica e de família, passada de geração a geração. Ela o escondeu por trás da blusa regata.

– Vamos lá – disse Malcolm guiando-os pelo acampamento.

– Ω –

Bela não havia percebido o quanto estava faminta até aquele momento. A comida no acampamento era uma delícia, principalmente porque ela podia comer o que quisesse. Ela pensou nas panquecas e bacon que seu pai costumava preparar para ela no café da manhã, era a especialidade dele, e então magicamente a comida surgiu em seu prato e incrivelmente tinha o mesmo gosto que a de seu pai, ela até podia sentir o bacon mais crocante do que deveria exatamente com o de seu pai, pois ele sempre esquecia a frigideira no fogo e acabava queimando a comida. Sua bebida se transformou Pepsi.

Ela tentou ignorar a dezena de outros jovens e crianças ao redor dela, apesar de ser praticamente impossível. A mesa estava lotada e barulhenta. Kurt estava ao seu lado e parecia tremendamente à vontade naquela bagunça. Naquele momento ele estava conversando avidamente com um dos jovens sobre videogames, gesticulando e fazendo barulhos de explosões com a boca.

Ela observou as outras mesas, onde os campistas sentavam-se de acordo com seus pais divinos. A mesa de Hermes era sem dúvida a mais cheia e mais barulhenta e a única que parecia realmente animada.

Os outros campistas conversavam e faziam barulho em outras mesas, mas ainda assim Bela podia sentir um grande clima de tensão e desanimo por ali, principalmente no chalé de Hefesto. Os campistas do chalé 9 pareciam exaustos, a maioria estava com os cabelos bagunçados e o rosto sujo de graxa. Havia um menino latino que tentava animá-los provavelmente contando piadas e gesticulando com uma chave de fenda.

Bela avistou Jason numa mesa solitária remexendo em seu prato de comida. Piper parecia apreensiva na mesa de Afrodite – onde um monte de meninas e meninos bonitos como modelos pareciam mais preocupados em se maquiarem e darem risadinhas que com a comida. A menina de olhos de caleidoscópio lançava olhares na direção de Jason como se quisesse se sentar com ele. Malcolm havia explicado que os campistas não podiam se sentar à mesa de outros deuses, era uma das regras do acampamento.

E então ela o avistou. Sam Winchester estava acompanhado pelo centauro Quíron, o diretor de atividades do acampamento, e por uma menina ruiva que ao contrário dos campistas não estava usando a blusa laranja do acampamento. Eles caminharam até a mesa no centro do pavilhão. O Winchester parecia desconfortável e era possível ver a tensão em seus movimentos mesmo daquela distância.

Os olhos verdes dele encontraram os dela e ele franziu a testa. Ela desviou o olhar para seu prato de comida que de repente não estava mais tão boa assim.

Ela ainda não conseguia entender porque Sam a estava tratando como se não fizesse a menor ideia de quem ela fosse. Talvez ele estivesse fingindo não conhecê-la, talvez estivesse apenas ignorando-a tentando parecer superior ou algo do tipo. Ou talvez algo sério tenha acontecido, insistia uma pequena parte de si.

De qualquer forma ela não se importava com Sam Winchester, nem sequer o conhecia realmente. Eles só se encontraram uma vez e não foi um grande momento. Na verdade, esse pequeno infortúnio envolveu uma quase morte, ameaças e muita perda de dinheiro – ou pensando bem não tanta assim, considerando o desfecho.

Ela suspirou e se concentrou em seu prato de comida, até ouvir o som da trombeta de concha novamente.

– Hora da fogueira – anunciou um dos meninos do chalé.

Notas finais
Pelos deuses, tantas coisas aconteceram que nem sei como explicar... Tentarei compensar minha displicência com os capítulos novos (graças a Zeus!). Esse capítulo ficou 'meia-boca' e 'enrolão', mas é importante para o desenrolar da história, espero que gostem dos próximos e que tenham sentido minha falta. Obs.: O próximo capítulo está programado para sexta-feira (tentarei postar todas as sextas ou sábados sem falta). Até o próximo, hunters! P.S.: Modifiquei uma coisa na história, o Kurt agora é ruivo (sei lá por que). :S P.S. 2: E aí, quem vocês acham que são os pais olimpianos de Bela e Kurt?