Os Visitantes de Nárnia

1 Capoeirão dos Tucanos


O Rei Edmundo havia sumido. Como? Ninguém em Nárnia sabia. Ele simplesmente havia desaparecido assim, do nada, sem mais nem menos! Bom, os outros Reis e Rainhas não podiam ficar sem fazer nada, foram procurar pelo irmão. Os guardas do palácio fizeram o mesmo, assim como os outros habitantes de Nárnia. Ninguém queria perder um de seus Reis!

Quando Pedro, Susana e Lúcia procuravam o irmão no Ermo do Lampião, a menina mais velha teve uma ideia:

— E se eu usar a minha trompa? Não estamos em perigo, mas o Edmundo provavelmente está, se o socorro vier, o acharemos.

— Eu não acho que o Edmundo esteja em perigo — disse Pedro. — Talvez ele só esteja brincando com a gente...

— Por que ele faria isso? — Perguntou Lúcia.

— Porque essas brincadeirinhas são bem típicas dele...

— Eu não sei, não, Pedro...

— A Lúcia tem razão. O Edmundo é um rei agora, ele nunca mais fez brincadeiras desse tipo.

— Isso é verdade... Tá bom, então talvez ele esteja mesmo em perigo, como você falou...

Susana imediatamente tocou sua trompa e, poucos segundos depois, Aslam apareceu.

— Seu irmão está em perigo, precisam ajudá-lo. Mas tomem cuidado — foi tudo o que o leão disse antes de soprar os três irmãos.

***

O sopro de Aslam foi como uma ventania. As crianças fecharam os olhos até passar e, ao abrirem, perceberam que não estavam mais no Ermo do Lampião, mas em uma mata desconhecida. Olharam em volta, intrigados.

— Que lugar é esse? — Perguntou Susana.

— Eu não sei, mas algo me diz que é no nosso mundo... — respondeu Lúcia.

— Isso não parece nem um pouco com o nosso mundo.

— Não com a parte do nosso mundo que a gente conhece — disse Pedro. — Tá mais pra uma floresta tropical ou sei lá...

— Que estranho... Por que o Aslam nos mandaria pra cá?

— Porque o Edmundo deve estar aqui! — Respondeu a mais nova. — Em algum lugar... Será que tem animais ferozes nesta floresta e é por isso que ele está em perigo???

Naquele instante, os irmãos avistaram uma espécie de redemoinho que ia chegando cada vez mais perto. Tentaram fugir, mas o redemoinho passou por eles, deixando seus cabelos (principalmente os de Susana) todos bagunçados. Depois, ele continuou rodopiando para longe e as crianças puderam ouvir uma risadinha antes que desaparecesse pela mata.

— O que foi isso?! — Perguntou a mais descabelada, enquanto passava as mãos pelos cabelos.

— Parece até que aquele redemoinho deu uma risada... — Lúcia disse com um ar de admiração, dúvida e felicidade ao mesmo tempo.

— Ainda acha que estamos no nosso mundo, Lúcia?

— Hmmm... Eu não tenho tanta certeza...

— Susana, cadê a sua aljava? — Perguntou Pedro.

Susana nem tinha percebido, mas realmente estava sem a sua aljava. Isso era horrível! Se Edmundo estava mesmo em perigo, ela provavelmente precisaria usar seu arco e suas flechas. Os três começaram a procurar a aljava pelo chão e até pelas árvores.

— Foi o redemoinho! — Ela disse, depois de um tempo. —Ele levou a minha aljava, só pode ter sido!

Pedro olhava para ela um pouco incrédulo, nem em Nárnia havia visto algo tão estranho! Já Lúcia, parecia acreditar.

— Agora eu acho que não estamos mesmo no nosso mundo...

Então Pedro viu uma coisa na qual não acreditaria, mas que não pôde não acreditar, já que ele mesmo estava vendo:

— Gente, aquilo é uma boneca de pano andando?

Era mesmo. Uma boneca de pano segurando uma canastra e andando.

— Que legal! — Exclamou Lúcia. — Antes de ir pra Nárnia, sempre quis que uma das minhas bonecas tivesse vida! Será que ela também fala? Vamos lá falar com ela!

— Lúcia, uma boneca com vida é uma coisa um pouco sinistra... — disse a mais velha. — Eu não sei se é seguro a gente se aproximar.

A boneca estava um pouco longe e não conseguia vê-los. Apesar de seus olhos de retrós poderem enxergar qualquer coisa, no momento ela estava preocupada apenas em procurar seu amigo. Os Pevensie perceberam que ela parou de andar, olhou para trás e chamou alguém:

— VISCONDEEEE!

— É, Lúcia, ela fala, e bem alto! — Pedro disse às irmãs, que riram.

— E pelo jeito conhece um Visconde! — Complementou Susana.

Em seguida, um boneco de sabugo de milho, também com vida, apareceu e foi para perto da boneca de pano. Os dois conversaram, mas os três irmãos não podiam ouvi-los. Então o tal do Visconde pegou a canastra da boneca e os dois continuaram a andar.

— A gente tem que falar com eles! — Disse Lúcia. — Estamos perdidos, mas eles parecem conhecer o lugar, talvez possam nos ajudar...

Os dois mais velhos concordaram. Era estranho pedir ajuda para bonecos, mas um dia eles também acharam estranho receber ajuda de castores falantes, então por que não?

Começaram a andar em direção aos bonecos. A boneca pode vê-los antes de chegarem perto. Ela cutucou o sabugo e disse:

— Visconde, olha! Um príncipe e duas princesas!

— Emília, não aponta! — Sim, Emília tinha apontado para eles, às vezes ela não era muito educada...

Quando o Rei e as Rainhas finalmente estavam perto, a boneca de pano perguntou:

— De que história vocês são?

Os três estranharam a pergunta e resolveram se apresentar.

— Bom, eu sou o Rei Pedro...

— Você é um rei?! Eu achei que fosse um príncipe...

— Fomos coroados muito cedo. Prazer, eu sou a rainha Susana.

— E eu sou a Rainha Lúcia, somos todos de Nárnia.

— Muito prazer conhecê-los, vossas majestades! — Disse Visconde, fazendo uma reverência. — Eu sou Visconde de Sabugosa.

— E eu sou Emília, Marquesa de Rabicó. Essa tal de Nárnia é o Reino de vocês?

— Sim, é o país onde moramos — respondeu o Rei Pedro.

— Um país? Existe algum país com esse nome, Visconde?

— Não que eu saiba...

— Então vocês são do Reino da Fantasia? Mas eu não conheço nenhuma história que fale sobre Nárnia*... E você, Visconde?

— Eu também não, Emília, mas acho que o Rei Pedro e as Rainhas também não conhecem o Sítio, eles devem estar perdidos... — então voltou-se para os irmãos. — Será que podemos ajudá-los?

— Sim, obrigada! — Disse Lúcia. — Você acertou, estamos mesmo perdidos...

— Ah, tá. — Emília voltou a falar. — Esta mata aqui é o Capoeirão dos Tucanos. Faz parte do Reino do Sítio do Picapau Amarelo, que é onde a gente mora.

— Então "Sítio do Picapau Amarelo" é um país ou algum assim?

— Não, Rainha Lúcia, o nosso país é o Brasil. O Sítio do Picapau Amarelo é um sítio, mesmo. Mas um sítio muito especial!

Os irmãos estavam um pouco confusos, mas Pedro percebeu uma coisa:

— A Lúcia tinha razão, se estamos no Brasil, significa que estamos no nosso mundo!

Agora foi a vez de Emília e Visconde ficarem confusos. Eles não disseram que eram de um país chamado Nárnia? Como podiam ser do mesmo mundo que eles? Os três perceberam a confusão dos bonecos e explicaram que, na verdade, eram da Inglaterra e haviam ido para Nárnia após entrarem num armário mágico. Por incrível que pareça, a boneca de pano e o sabugo acharam que aquilo fazia muito sentido. Eles, então, convidaram os Pevensie para o Sítio e pediram que, no caminho, eles contassem como haviam ido parar no Capoeirão.

***

Enquanto isso, na Caverna da Cuca...

Edmundo estava amarrado em uma cadeira e dentro de uma cela. Uma jacaré de cabelos loiros olhava para ele de um jeito assustador.

— Rei Edmundo, o Justo...

Ele já estava assustado antes, mas agora estava ainda mais.

— Como você sabe quem eu sou?

— Ué, você nunca ouviu falar na tecnologia das bolas de cristal? A gente consegue encontrar quem quiser e onde quiser com elas — Cuca deu uma risada de bruxa.

— O que você quer comigo?

— Nada de mais! Só quero a sua ajudinha para... umas coisas.

Notas finais
* Na fanfic, os livros de Nárnia não haviam sido escritos, por isso a Emília nunca ouviu nenhuma história a respeito e não reconheceu os personagens.