Os Vingadores - Entre Herois e Aliens
27 Interrogatório
Ao chegarem na base da SHIELD, Natasha falou levada ainda inconsciente para a sala de interrogatório, a colocaram sentada na cadeira com as mãos algemadas para trás. A cabeça pendeu para frente.
Clint estava em seu dormitório, quando recebeu um aviso de que estava sendo aguardado na sala do diretor, quando ele chegou na sala do Fury, bateu a porta e recebeu a autorização para entrar.
— Estou aqui, diretor — Clint falou olhando-o
— Conseguimos a ficha da Natasha — Fury falou mostrando a pasta — Estude o arquivo, quando ela acordar, conduza o interrogatório.
— Sim, senhor — Clint falou pegando a pasta
Quando ele retornou ao dormitório, Clint leu o relatório, sobre as habilidades táticas dela, logo depois os históricos criminais, quando chegou ao relatório de como havia sido treinada, as informações foram vagas o que o deixou intrigado, parecia que faltava páginas. Ele trocou a roupa e foi para o local onde o interrogatório seria feito, olhou através do espelho vendo-a ainda inconsciente.
— Achamos isso com ela, descubra o significado — Hill falou entregando o papel que havia encontrado.
Ele percebeu quando ela começou a se mover levemente, piscou algumas vezes se adaptando a iluminação da sala, quando foi ajustar a postura, percebeu que suas mãos estavam algemadas, a porta foi aberta atraindo a atenção dela que observou o Clint entrar, ele colocou a pasta sobre a mesa.
— Vai me interrogar, agente Barton? — ela perguntou olhando-o
— Não, só iremos conversar — ele falou se sentando
— Com você perguntando e eu respondendo — ela especificou e ele sorriu.
— É isso aí — ele falou em tom brincalhão — Podemos começar?
— Não tenho muita escolha, tenho? — ela falou tentando mexer os braços — Ficaria mais a vontade pra te responder se minhas mãos estivessem livres.
— Conseguimos um ficha sobre você, suas habilidades são impressionantes — Clint falou olhando-a
— Sabe do que sou capaz? — Natasha perguntou e ele assentiu
Ela deslocou os polegares, se concentrando para não esboçar dor e tirou os pulsos da algema.
— Então não vai se importar por isso — ela falou colocando as algemas sobre a mesa, voltou a encostar na cadeira e puxou os polegares para o lugar.
— Então tudo que está nessa pasta sobre você é verdade? — Clint perguntou olhando-a
— Isso depende de qual arquivo tiveram acesso — Natasha falou simplesmente
— Como assim? — Clint perguntou olhando-a
— Existe três arquivos meus na KGB — Natasha falou tranquilamente — Dois deles contam toda a minha trajetória, uma é verdadeira e outra distorcida.
— E o terceiro arquivo? — ele perguntou
— Certamente esse não tiveram acesso, ele não ficava junto com os meus, mas nos arquivos dos meus pais — Natasha respondeu simplesmente — Então sei que não é esse.
— Como pode ter tanta certeza? — ele perguntou olhando-a
— Porque se fosse o arquivo, você não estaria aqui — Natasha falou com firmeza
— Porque eles teriam um arquivo sobre seus pais? — ele perguntou intrigado
— É a KGB, quanto mais informações, mas controle terão — ela respondeu dando de ombros — Posso ver o arquivo?
Clint empurrou na direção dela, ela folheou rapidamente as folhas e colocou a pasta na mesa.
— É o editado e incompleto — Natasha falou simplesmente
— Então porque não me conta a versão original? — Clint falou olhando-a
— Ela não é muito longe dessa — Natasha falou afastando a pasta
— Quem é você, Natasha? — Clint perguntou olhando-a
— Você não leu? — ela perguntou indicando a pasta
— Li, mas quero ouvir de você — ele falou olhando-a — Quero a sua versão.
— Não vai querer ouvir — Natasha perguntou olhando-o
— Eu quero — Clint insistiu — Me fala.
— O que quer saber? — Natasha perguntou olhando-o
— Tudo, do início — Clint falou e Natasha assentiu
— Nasci na Rússia, quando tinha 5 anos, meu pai e meu irmão saíram com um amigo da família, iríamos nos encontrar no mercado próximo — Natasha começou a contar — Até que minha mãe, pediu pra eu voltar pra casa sozinha. Pouco tempo depois, ela chegou em casa com três homens, estava escondida e vi eles agredirem minha mãe querendo saber do meu pai, quando ela se recusou a dizer atiraram na cabeça dela e colocaram fogo na casa.
— Como saiu? — Clint perguntou olhando-a
— Quebrei a janela de vidro com a vassoura, molhei um lençol, me cobrir pra não me queimar muito e passei pela janela — Natasha respondeu — Fui para um lugar que achei que seria seguro, mas ele me encontraram.
— O que aconteceu depois? — ele perguntou olhando-a
— Fui levada para o hospital, fiquei inconsciente por alguns dias, quando acordei me informaram que meu pai e meu irmão tinham sofrido um grava acidente de carro quando estavam indo para o hospital e faleceram — Natasha respondeu olhando-o — Quando recebi alta fui para a casa do West que se tornaram meus responsáveis legais, fiquei com eles por aproximadamente três anos.
— Como foi viver com eles? — Clint perguntou olhando-a
— Foi bom, eram carinhosos, protetores, amorosos — Natasha respondeu — Mas não era a minha família.
— Foi por isso que os matou? Porque não eram sua família? — Clint perguntou olhando-o
— O quê? — ela perguntou olhando-o
— Foram encontrados três corpos carbonizados na residência dos West, no relatório diz que eram eles — Clint falou olhando-a — Vai me dizer que não foi você?
— Fui eu — Natasha falou desviando o olhar — Mas não fiz aquilo porque não gostava deles.
— Jeito estranho de demonstrar afeição — Clint comentou olhando-a
— Fiz para que o filho deles não fizesse — Natasha falou levantando o olhar pro Clint — Era a missão de iniciação da KGB, se eu falhasse teriam mandado o Victor para cumprir essa missão, se ele também falhasse todos nós morreriamos.
— Então, para não morrer cinco, sacrificou três? — Clint perguntou olhando-o seriamente
— Mais ou menos isso — Natasha falou
— Porque só passou três anos com os West? — Clint perguntou
— Tínhamos atividades extra curriculares, luta era uma delas, foi quando a KGB iniciou um novo recrutamento, selecionando os melhores alunos das academias de luta — Natasha falou olhando-o — Foi feito um torneio e os melhores passaram, dias depois foram recrutados pra um treino intensivo para nos tornarmos agentes.
— São pessoas dedicadas — Clint falou em deboche
— São jovens e crianças que tiveram a mente manipulada para servir a uma ideologia doentia — Natasha rebateu
— Você não? — ele perguntou
— Eu tinha um propósito quando entrei — Natasha falou — Vingar a morte da minha mãe e pude fazer isso quando matei o Armaturov.
— Aqui diz que você é uma agente nível 10 da KGB — Clint comentou olhando a pasta — Você tem quase dezesseis anos, presumo que as exigências da KGB não seja tão rigorosas, para alguém da sua idade ter uma patente tão elevada.
— Você tem o quê? Dezessete anos? Qual o nível da sua patente? — Ela perguntou olhando-o seriamente
— Nível sete — ele respondeu e ela sorriu
— Então a SHIELD pega leve com vocês — Natasha falou olhando-o e abriu o macacão revelando a regata que usava por baixo
Se levantou ficando se costas e levantou a regata mostrando parte das costas, deixando visível suas cicatrizes.
— Cada uma delas, representa uma falha — Natasha falou abaixando a blusa — Sempre quem terminava por último, era chicoteado na frente de todos para servir de exemplo, mesmo machucados tínhamos que continuar no dia seguinte e se falhassemos apanhariamos novamente.
Clint engoliu em seco ouvindo os relatos da Natasha.
— Vi crianças da minha idade morrerem durante o treinamento por não aguentarem mais na época, foram mais de cem selecionadas e apenas duas dezenas restaram depois de cinco anos — Natasha falou ajustando o uniforme — Quando o treinamento inicial foi concluído era agente nível 6, marcaram um jantar em comemoração a conclusão.
— Parece divertido — Clint falou com ironia
— Foi divertido, até sermos dopadas e estupradas — Natasha falou com frieza — Um após o outro, até eles estarem cansados, nos deixando feridas, paralisadas com as roupas rasgadas.
Clint ficou sem reação com as palavras dela.
— Dias depois, quase metade das agentes cometeram suicídio por não terem aguentado as lembranças do que havia acontecido — Natasha falou se sentando novamente
— Porque fizeram isso? — Clint perguntou em murmúrio
— Mostrar que nossos corpos não pertenciam a nós, mas aos propósitos da KGB — Natasha respondeu olhando-o — Fomos treinadas a conseguir o que fosse ordenado.
— Sedução? — Clint perguntou
— Se fosse preciso — Natasha falou olhando-o — Quer saber mais detalhes?
— O que isso significa? — Clint mudou de assunto mostrando o papel — Passado, Escolhida, Noventa, Reco...
— Para de ler isso — ela pediu fechando os olhos com força ao sentir um pontada de dor
— O que é isso? — Clint perguntou intrigado
— Isso é um gatilho — Natasha respondeu olhando-o — Como um botão reset.
— Pra quê? — ele perguntou
— Pra minha memória — ela respondeu preocupada — Fui cobaia em um experimento que eles chamaram de projeto Viúva Negra, aplicaram um soro para aprimorar o meu corpo e reflexos, mas pra me tornar a espiã perfeita não poderia ter consciência. Então eles programaram meu cérebro pra responder a esse gatilho.
— Essas palavras podem apagar seu memória? — Clint perguntou
— Isoladas não causam efeito, mas se ditas nessa sequencia, sim, isso pode apagar essa memória — Natasha respondeu olhando-o — Por isso um relatório editado, sempre que apagavam a minha memória, davam um relatório pra ler e colocar na minha mente que deveria ser a agente perfeita, sem escrúpulos, consciência ou sentimentos.
— Se isso é verdade, como consegue se lembrar de quem realmente é? — Clint perguntou olhando-a
— Tive a ajuda de um amigo — Natasha respondeu — Ele sempre me trouxe de volta quando apagavam a minha memória
— A KGB sabe que conseguia voltar? — Clint perguntou olhando-a
— Não, sei fingir bem — Natasha respondeu olhando-o — Eles me treinaram pra isso.
— O que pretende fazer agora? — Clint perguntou
— Eu não sei, talvez aproveitar que estou nos Estados Unidos e tirar férias na Califórnia — Natasha brincou
— Não é um plano ruim — Clint falou rindo e se levantou — Mas por hora você fica aqui.
— Você quer que eu fique aqui, não é, Barton? — Natasha perguntou em tom divertido e Clint parou próximo a porta — Pra salvar a sua pele quando precisar.
— Até a próxima, Romanoff — Clint falou abrindo a porta e saiu sorrindo
Quando a porta foi fechada, Natasha sorriu divertida olhando para as próprias mãos, sobre a mesa. Pouco tempo depois a porta foi aberta novamente, mas dessa vez quem entrou foi a agente Hill.
— Agente Romanoff, sou a agente especial da SHIELD Maria Hill — ela se apresentou formalmente
— É um prazer, agente Hill — Natasha falou olhando-a
— Acompanhamos a sua conversa com o agente Barton — Hill falou se sentando — Para a comprovação do que disse sobre os experimentos, gostaríamos de coletar uma amostra de sangue para comparação.
— Isso é consciência pesada, agente Hill? — Natasha perguntou tranquilamente
— Como? — ela perguntou sem entender a pergunta
— Quando mostrei as cicatrizes ao agente Barton, notei um pequeno hematoma no braço, muito semelhante as marcas que se formam em torno de perfuração de agulha — Natasha falou tranquilamente — Já pegaram as amostras enquanto estava inconsciente, o que faz perguntar o que realmente a trás aqui?
— Muito bem, vamos direto ao assunto — Maria falou tranquilamente — Barton nos contou o que fez em Budapeste, como traiu a KGB, como derrubou sozinha um grupo da SHIELD e o pequeno esquadrão de reforço, você certamente tem habilidades únicas.
— Obrigada — Natasha falou como se não fosse nada
— Sabe que o Armaturov foi apenas um peão pra a morte da sua família, ele era um agente obedecendo ordens — Maria falou olhando-a — Por isso quero te oferecer um novo propósito, a chance de impedir que aconteça com outras pessoas o que aconteceu com você. Conhece a KGB melhor do que qualquer um de nós, queremos que nos ajude a derrubar a KGB.
— Eu aceito — Natasha falou olhando-a
— Ótimo, seja bem vinda a SHIELD — Maria falou, ambas se levantaram e apertaram as mãos
— Mas preciso de uma coisa — Natasha falou olhando-a
— Do que seria? — Maria perguntou
— Quando me apagaram, retiraram todos os meus pertences e preciso de um deles de volta — Natasha respondeu com firmeza
— Muito bem, me acompanhe — Maria falou e saíram da sala
A medida que elas andavam muitos agentes abriam caminho, Maria a levou para o depósito de pertences, solicitou um agente que pegasse a caixa com os pertences da Natasha. Elas foram para a área com uma mesa iluminada entre as prateleiras, o agente espalhou todos os pertences e armamentos. Natasha estendeu a mão e pegou o dispositivo que o Dimitri havia dado para manter contato.
— Não quer mais nada? — Maria perguntou olhando-a
— Só preciso disso — ela falou segurando o dispositivo
— O que é esse objeto? — Maria perguntou
— A única coisa que restou dos meus pais — Natasha respondeu
— Vou te acompanhar para um alojamento e entregarei novas roupas para você — Hill falou simplesmente
Elas saíram, Maria a acompanhou para um dos alojamentos, era um pouco maior do que o que tinha na KGB, Maria mostrou algumas peças padrões da SHIELD no closet, Natasha colocou o dispositivo no criado mudo e foi tomar um banho, quando voltou para o quarto, se vestiu, procurou pelo quarto algum dispositivo de escuta ou câmeras, quando não encontrou sentou na cama, pegando o dispositivo e o acionou.
— Dimitri? — ela chamou
— Estava preocupada com a sua demora para entrar em contato — Dimitri falou
— Só consegui pegar o comunicador agora — Natasha respondeu
— Como foi? — ele perguntou
— Tudo bem, eu acho — Natasha respondeu preocupada
— O que aconteceu? — ele perguntou preocupado
— Durante a missão, uma coisa estranha aconteceu comigo — Natasha falou — Não sei explicar.
— Tentarei de encontrar assim que possível, está bem? — Dimitri falou
— Tudo bem — Natasha falou simplesmente — Nesse momento o que eu quero é me livrar desse gatilho pra apagar a minha memória.
— Daremos um jeito nisso — Dimitri assegurou — Até breve
— Até — Natasha falou guardando o dispositivo no criado mudo
Natasha se deitou na cama, se permitindo relaxar um pouco. Maria Hill assim que saiu do quarto da Natasha foi para a sala do diretor, assim que entrou viu o agente Barton sentado na cadeira em frente a mesa do diretor.
— Fez a proposta? — Fury perguntou e Maria assentiu
— Ela aceitou ser uma agente da SHIELD e nos ajudar a derrubar a KGB com as informações que ela tem — Maria falou tranquilamente
— Ótimo — Fury falou e direcionou o olhar para o Barton — Espero que isso não seja um erro.
— Não será, senhor — Clint falou olhando-o
— Ela está sob sua responsabilidade, qualquer problema que ela causar, será culpa sua — Fury falou com firmeza — Está ciente disso?
— Sim, senhor — Clint falou se levantando
— Pode sair, preciso conversar com a agente Hill — Fury falou e Clint se retirou após assentir
— Ele parece realmente confiar na Romanoff — Hill comentou olhando-o e ele assentiu em concordância
— Trouxeram os resultado do exame — Fury falou olhando-a — Deu positivo, ela é a irmã do Clint
— Ele não parece se lembrar dela — Maria falou intrigada
— A questão é... ela realmente se lembra dele? — Fury questionou
— Acho que só saberemos com o tempo — Maria falou e Fury concordou
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