Os Vingadores - Entre Herois e Aliens
11 Hospital
Notas iniciais
O senhor e a senhora West estavam surpresos. Eles estavam conversando frente a frente com uma das pessoas mais importantes da Rússia, com uma das pessoas que idealizou o torneio que os filhos participaram há pouco tempo.
— Devo parabeniza-los, seus filhos são muito talentosos — Ivan falou cordialmente — Dois de três venceram o torneio.
— Obrigado, Senhor — sr West respondeu enquanto a Sra West sustentava um sorriso fechado e um pouco sem graça.
— Me acompanham até a cafeteria? Certamente logo nos passaram as informações sobre como estão as crianças — Ivan falou tranquilamente, indicou o caminho e todos foram
Quase uma hora se passou e Victor foi o primeiro a ser liberado, afinal seus ferimentos eram superficiais, o enfermeiro o acompanhou para a cafeteria onde os pais e o Ivan conversavam, ao se aproximar foi direto ao assunto.
— Alguma notícia da Tasha? — Victor perguntou aos pais
— Ainda não, mas está sendo atendida — a Sra West respondeu e chamou o filho para mais próximo — Querido, esse é o senhor Petrovick, ele é...
— Um amigo da família — Ivan interrompeu — Como você está?
— Estou bem. É uma satisfação conhece-lo — respondeu mesmo estranhando esse amigo da família que nunca tinha ouvido falar.
— Igualmente, a propósito, meus parabéns pela vitoria foram lutas surpreendentes — Ivan falou olhando o Victor
— Obrigado, Senhor — Victor respondeu simplesmente, antes que dissessem algo Fernando se aproximou com o braço imobilizado e os curativos nos pequenos ferimentos das lutas.
— Ele tá bem. Só teve uma inflamação muscular no ombro devido ao deslocamento, mas em alguns dias ficará totalmente recuperado — o enfermeiro avisou
— Obrigado — o Sr West agradeceu — Alguma informação sobre a Natasha?
— Como visivelmente era a mais machucada, achamos melhor fazer uma radiografia e tomografia para nos certificar de que não há nada mais sério — o enfermeiro informou — Com licença.
— Tudo isso realmente era necessário, James? — a senhora West perguntou preocupada.
— É apenas para ter certeza de que ela tá bem — Ivan falou acalmando a família West
Mais trinta minutos se passaram desde a saída do enfermeiro, quando o médico pediatra se aproximou deles.
— São a família da Srta Romanoff? — o médico perguntou com o prontuaria em mãos
— Somos nós — a Sra West falou — Como minha filha está?
— Apesar das lesões, a menina está bem — o médico falou olhando-os
— Graças a Deus — a senhora West falou aliviada
— Mas ela terá que ficar algumas semanas internada para se recuperar totalmente — o medico falou
— E quais foram as lesões da minha irmã? — Victor perguntou olhando-o
— Ela teve a mandíbula deslocada, um hematoma no tórax nos fez pensar na possibilidade de uma fratura nas costela, mas graças a Deus não foi, ela só atingiu algo com muita força — o medico falou olhando o prontuario — Mas devido ao impacto ela sente dores ao respirar.
— O Mikhail chutou com força — Fernando murmurou
— Podemos ir vê-la? — a senhora West perguntou
— No momento ela ainda está sedada, estava muito agitada para fazer os exames — o medico falou olhando-os — Evitem fazer com que ela fale, precisará ficar um tempo sem falar para a total recuperação do osso.
— E quanto a alimentação dela? — Ivan perguntou olhando-o
— Ficará a base de líquidos, se forçar a mandíbula e fraturar completamente, teria que submete-la a cirurgia — o médico falou
— Compreendo — Ivan falou olhando-os — Acredito que minha presença aqui não seja mais necessária, desejo melhoras para a Natasha.
— Obrigada, Senhor — o senhor West agradeceu e o Ivan se retirou, assim como médico
— Quem ele é? — Victor perguntou curioso
— Conversamos depois, Victor — foi a resposta do senhor West
Minutos depois, uma enfermeira apareceu para acompanha-los até o quarto que a Natasha estava. Ao entrarem, encontraram a menina deitada, o hematoma no rosto estava mais visivel, a senhora West colocou a bolsa sobre a mesa e eles se acomodaram no sofá que tinha no canto do quarto.
— Esse com certeza, não é um quarto hospitalar comum — Victor falou olhando o banheiro que tinha no quarto e as poltronas próximo a mesinha de centro.
Antes que pudessem falar algo, eles ouviram um gemido vindo da Natasha, todos olharam da direção dela e viram a menina tentando se mover. Victor que estava em pé foi praticamente correndo até a Natasha.
Quando ela abriu os olhos, não reconheceu o lugar que estava, tentou se levantar e Victor a impediu.
— Calma. Tá tudo bem, você precisa descansar — Victor falou
— Ele está certo, querida — a senhora West falou olhando-a — Foi um dia muito agitado.
— O que aconteceu? — Natasha perguntou com a voz abafada devido a máscara e oxigênio
— Deslocou a mandíbula e a força do chute que recebeu vai causar dores por alguns dias e isso vai dificultar sua respiração por um tempo — O sr West falou se aproximando
— E evitar falar muito. Ordens médicas — Fernando falou e Natasha apenas assentiu
— Amor, leva os meninos pra casa — a senhora West falou — Eles precisam tomar um banho e comer alguma coisa
— Quero ficar aqui — Fernando falou olhando-a
— A Natasha ainda tá sobre efeito de remédios, tá meio sonolenta — a senhora West falou olhando o filho — Vamos deixa-la descansar um pouco. Ficarei caso ela precise de algo.
— Tá bem — Fernando se deu por vencido
— Aproveito e trago algumas roupas da Natasha — o senhor West falou, olhando a esposa
Victor se aproximou da Natasha.
— Volto logo — ele falou olhando-a
— Vamos meninos — o senhor West chamou e eles saíram.
— Descansa, querida — a senhora West falou ao se aproximar
Natasha assentiu levemente, fechou os olhos e dormiu novamente
Duas Semanas Depois
POV Natasha
Já estou internada há duas semanas, desde que cheguei ao hospital não dei uma só palavra. Tenho me comunicado através do caderno que o Victor trouxe pra mim, diariamente os médicos me avaliavam e diziam que estava me recuperando dentro do tempo previsto. E finalmente hoje receberei alta, não vejo a hora de ir pra casa.
A senhora West praticamente não saía do meu lado, os meninos me visitavam diariamente, o Sr West também e ficava comigo sempre que a senhora West tinha que ir em casa. Todos estavam no meu quarto, por saberem que devo sair hoje, a senhora West estava sentada no sofá lendo um livro, o senhor West na poltrona lendo o jornal e os meninos estavam na minha cama pra podermos jogar cartas. Ouvimos alguém bater a porta, todos olhamos na direção da mesma e a vimos ser aberta por um enfermeiro que trouxe um jarro com sete rosas vermelhas.
— Entrega para a família West — o enfermeiro informou colocando o vaso no criado mudo e saiu
Peguei o envelope que veio junto com as rosas e o abri
"A família West foi convidada para um jantar com Sr Ivan Patrick, em reconhecimento do desempenho de Victor West e Natasha Romanoff no torneio de luta."
Logo a baixo havia o endereço da residência.
— O que é isso, Tasha? — Victor perguntou e eu apenas entreguei o convite
Havia um pequeno papel no envelope e peguei
"Fico feliz em saber que se recuperou bem. Espero vê-la novamente, em breve. Ass: I. Petrovick"
— Mãe, é um convite — Fernando falou olhando o convite nas mãos do Victor
A senhora West pegou o papel e leu, notavelmente ela ficou tensa, mas tentou disfarça.
— Teremos que preparar nossas melhores roupas para esse jantar — a Sra West falou tentando mudar de assunto
— Pensamos nisso depois que a Natasha receber alta — o sr West falou simplesmente
Peguei o caderno e escrevi "Quem é Ivan?" e mostrei pro Victor que escreveu a resposta "Não sei, mas o papai sabe"
Continuamos o jogo e o médico entrou no quarto.
— Trouxe boas notícias, a Natasha já está de alta — o médico falou com certa empolgação — Se ela estiver se sentindo confortável com a mandíbula pode voltar a falar quando quiser, mas ainda terá que passar uns dois dias sem forçar a mandíbula. Entendeu?
Apenas assenti, o médico começou a dar as orientações dos cuidados que eu deveria ter em casa, terminamos a partida e me levantei da cama.
— Onde está indo? — Fernando perguntou me olhando e apontei para o banheiro
Peguei uma muda de roupa, entrei no banheiro e fui tomar banho. Quando sai, apenas o Victor e o Sr West estavam no meu quarto. Coloquei a roupa que usava anteriormente dobrada sobre o braço do sofá. E me aproximei deles.
— Preciso conversar com vocês — o senhor West falou e eu me sentei ao lado do Victor — O senhor Ivan Petrovick é uma pessoa muito importante, é uma honra podermos entrar na casa dele, vocês terão que ser melhores do que já são e respeita-lo sempre.
— Quem ele é, Pai? — Victor perguntou olhando-o
— Ele é o diretor de uma organização russa — o senhor West falou e soube exatamente qual era a organização — Ele é o responsável pela KGB.
— O que ele quer com a gente? — Victor perguntou fingindo não saber do que se tratava o jantar
— Parabeniza-los por vencerem o torneio — o senhor West respondeu — Lembrem-se, vocês devem sempre trata-lo com respeito
— Sim, senhor — Victor respondeu e apenas assenti
Minutos após aquela breve conversa, estávamos no carro indo para casa. Assim que chegamos fomos todos preparar nossas melhores roupas para o jantar com o senhor Petrovick, escolhi um vestido preto simples, sem muitos detalhes, apenas uma faixa branca na cintura. Uma sapatilha da mesma cor do vestido, amarrei meu cabelo em um rabo de cabelo simples e aguardei no quarto, passei o dia inteiro quieta, não me comuniquei com ninguém, nem mesmo pelo meu caderno. Quase uma hora havia se passado desde que me arrumei, a senhora West entrou e me vou.
— O carro chegou, vamos? — ela falou e apenas assenti
Quando desci as escadas, todos estavam na sala próximos a porta. O sr West abriu a porta e fomos até os carros que nos aguardavam.
— Porque dois carros? — Victor perguntou
— Um dos carros está reservado exclusivamente para os campeões do torneio — respondeu um dos motoristas
— Sr e Sra West, os senhores e o seu filho mais novo irão no carro de trás — o outro motorista falou — Me acompanham, por favor
Eu e Victor fomos guiados para o carro da frente, o motorista abriu a porta de trás e entramos. Em seguida o motorista se direcionou ao seu acento, ligou o carro e começamos a ir até o local que seria o jantar.
— Tasha? — Victor me chamou e eu o olhei — Trouxe pra você poder se comunicar comigo durante o jantar
Ele tirou do bolso duas folhas em branco grande dobrada e uma caneta
— As folhas são limitadas, então não conversa de mais — Victor brincou e dei um sorriso
Cerca de trinta minutos depois o carro estava em frente a um dos mais luxuosos hotéis da cidade, o motorista desceu e abriu a porta do carro para que saíssemos, assim que descemos, o carro que estava com o senhor, a senhora West e o Fernando estava chegaram. Uma mulher vestida elegantemente se aproximou de nós e nos guiou até o local que seria realizado o jantar. Assim que entramos na sala de jantar do hotel, pude ver o nosso anfitrião nos aguardado, assim que nos avistou se levantou e veio em nossa direção para nos cumprimentar.
— Sejam bem vindos, por favor, sentem-se — o Ivan indicou a mesa que estava posta
Nós o acompanhamos, nos sentamos e em pouco tempo o jantar foi servido, a refeição foi silenciosa, trocava discretamente bilhetes com Victor que estava sentado ao meu lado, aquele jantar estava tedioso, acredito que nem os dias que passei no hospital estava assim. Ouvimos o senhor West limpar a garganta e todos olhamos na direção dele.
— Senhor Petrovick, agradeço em nome de toda a família pelo convite — o senhor West falou — Estamos honrados
— Eu que agradeço por aceitarem o convite — o senhor Petrovick falou educadamente — Se me permitirem, gostaria de falar com nossos vencedores, antes da sobremesa chegar.
— Mas é claro, senhor — o senhor West respondeu, o senhor Petrovick se levantou, seguido pelo Victor, Natasha se moveu, mas sentiu a mão da senhora West segurando leve e discretamente o seu braço sob a mesa
Eles começaram a se afastar, Ivan olhou para trás e me viu sentada
— Podemos? — Ivan perguntou me olhando e tomei um gole de água na tentativa de ganhar tempo
— Ela não pode falar devido ao... — A senhora West começou a explicar
— Mas é claro, perdoe-me a demora — falei interrompendo, todos me olharam surpresos, minha voz estava um pouco mais grave devido ao tempo que fiquei sem falar
Me levantei e os acompanhei, quando cheguei perto do Victor trocamos um simples olhar, sabíamos o que essa conversa em particular significava. E fomos seguindo o senhor Petrovick até uma sala, quando a porta foi aberta vimos que era muito semelhante a um escritório, o Ivan indicou duas poltronas próximas a janela, nos acomodamos e ele se sentou no sofá
— Acredito que devam estar se perguntando a razão de querer falar com vocês em particular — ele falou abrindo o botão do paletó, Victor e eu nos olhamos brevemente e direcionamos nosso olhar para o Ivan
— Presumo que seja em relação a KGB — Victor falou e vimos a surpresa no olhar do Ivan
— Vocês sabiam? — Ivan perguntou nos olhando
— Não nos arriscaríamos tanto se não soubéssemos — falei simplesmente
— O West informou sobre o que era o torneio? — Ivan perguntou nos olhando
— Não senhor, apenas estranhamos a reação dele ao ler os papeis e descobrimos por conta própria — falei olhando-o
— Tão novos e tão inteligentes — Ivan sorriu — Então sabem o que quero falar com vocês. Sabem o que significa ser um agente da KGB?
— Servir a Rússia quando preciso — Victor falou
— Significa lealdade, obediência, sacrifício — Ivan perguntou e permanecemos em silêncio — Fazer parte da KGB é abrir mão dos seus sonhos, sua vida, sua família para servir unicamente a sua nação. E preciso de uma resposta de vocês ainda hoje.
Antes que pudéssemos abrir a boca para responder. Ouvimos uma batida na porta
— Entre — Ivan disse olhando em direção a porta
— Perdoe-me o incômodo, senhor — o homem entrou, ajoelhou diante do Ivan, pegou a mão do Ivan e beijou o anel que estava no dedo anelar — Mas os seus convidados estão um pouco agitados a mesa, mesmo tentando disfarçar
— Estou terminando a conversa com eles, logo retornaremos — Ivan respondeu simplesmente — Retire-se
— Sim senhor — o rapaz se levantou
— Espera — o agente e o Ivan olharam-me — Preciso de uma coisa
Minutos Depois
POV AUTORA
Eles retornaram a sala de jantar. Os West que estavam a mesa pareciam nervosos, Natasha e Victor estavam relaxados. O que fez a Sra West sa acalmar um pouco. Sentaram-se respectivamente em seus lugares e saborearam a sobremesa. Quando finalizaram a refeição Ivan fez questão de acompanha-los até os carros que iriam leva-los. Quando passaram pelos portões do hotel um funcionário se aproximou. Como foi no percurso de ida, o Sr e Sra West foram com o Fernando no primeiro carro.
— Com licença, senhorita Romanoff? — o rapaz falou, Natasha assentiu e entregou a garota um lindo buquê com onze flores amarelas — São do seu agrado?
— Perfeitas. Obrigada — a garota responde com um sorriso gentil e o funcionário sa afastou
O segundo carro estacionou, o motorista abriu a porta para que entrassem.
— Obrigado pelo jantar e a pela hospitalidade, senhor Petrovick — Victor falou olhando-o — Boa noite.
— Boa noite, Sr West — Ivan respondeu com formalidade
Victor seguiu em direção ao carro, Natasha olhou para o Ivan, segurou sua mão e repetiu o resto do rapaz que entrou no escritório onde conversavam. Beijou o anel e o olhou nos olhos, dando a resposta a pergunta feita momentos atrás.
— Boa noite, senhor Petrovick — Natasha falou normalmente
— Boa noite, senhorita Romanoff — Ivan falou satisfeito com a escolha da garota
Natasha acompanhou o Victor até o carro. O motorista fechou a porta, logo estavam seguindo o caminho a casa dos West. Quando chegaram o Victor foi o primeiro a descer, Natasha logo seguiu seu gesto. Antes que pudessem abrir a porta, a mesma foi aberta pela senhora West que praticamente puxou as crianças quando viu que o carro havia se afastado.
— Sobre o que conversaram? — o senhor West parecia realmente agitado
— Ganhamos bolsas de estudo no melhor internado do País — Victor deu uma desculpa qualquer enquanto Natasha sentava ao seu lado
— O que é um internato? — Fernando perguntou
— É uma escola especial, além de aulas didáticas tem outras extracurriculares — Natasha respondeu — E os alunos passam a morar nessa escola até a conclusão dos estudos
— Então, não nos veríamos? — Fernando perguntou
— Basicamente isso — Victor respondeu
— Qual foi a resposta de vocês? — a senhora West estava se controlando para não chorar
— Ele nos deu um tempo pra pensar — Victor mentiu para amenizar o impacto, afinal ele havia aceitado a proposta — Mas é uma oportunidade única
A menina simplesmente levantou e começou a seguir indo em direção a escada.
— E você, Natasha? — o sr West perguntou — Aceitou a bolsa?
Natasha parou e retornou até onde eles estavam com as flores nas mãos.
— Toma. Essas flores nunca foram para mim — Natasha falou entregando as flores nas mãos da Senhora West que permitiu que algumas lágrimas rolassem — Obrigada por tudo.
A senhora West sorriu entre as lágrimas e acariciou o rosto da menina.
— Eu que devo agradecer o bem que fez a essa família — a Sra West falou carinhosamente, Natasha assentiu e foi para o quarto
— O que essas rosas amarelas significam? — Fernando perguntou contendo as lágrimas pelo clima da sala
— Significa despedida — Victor respondeu
— Então sabemos a sua resposta para o sr Petrovick — Fernando falou e Victor não conseguiu olha-lo — Quanto tempo?
— Uma semana — Victor respondeu simplesmente
— Então os dois irão — o Sr West afirmou e Victor assentiu
— Sim, senhor — Victor respondeu
— Vamos para a cama, já está tarde — a sra West falou secando as lagrimas — Precisamos descansar
— Sim senhora — os meninos responderam em uni som
Subiram as escadas em silencio, Fernando foi para o quarto sem olhar pro irmão, Victor ao invés de ir para o quarto, foi para o que Natasha e entrou bater a porta.
— Não te ensinaram a bater antes de entrar? — Natasha estava sentada na janela, olhando para o céu estrelado
— Porque fez aquilo? — Victor perguntou se aproximando
— O quê? — Natasha perguntou olhando para ele
— Porque disse a eles que iria para a "escola"? — Victor falou ficando de frente para ela
— Porque adiar o sofrimento de todos? — Natasha rebateu
— Eu só queria... — Victor começou
— Queria prepara-los pra noticia — Natasha falou interrompendo-o e desviou o olhar pro céu novamente — Mas não dá pra fazer alguém se preparar pra isso.
— Tem razão — Victor falou, suspirou e se encostou na janela
— Não se cobre tanto — Natasha falou — Eles sabiam que isso iria acontecer no momento que aceitamos participar do torneio.
— O Nando não sabia — Victor falou olhando-a
— O que queria fazer? — Natasha perguntou olhando-o — Viu o que a preparação desse torneio fez com a gente, não podíamos fazer o Nando passar por isso, não podíamos destruir a inocência dele.
— Vocês tem a mesma idade — Victor comentou
— É diferente — Natasha falou descendo da janela
— Como poderia ser diferente? — Victor perguntou olhando-a
— Porque já perdi tudo — ela falou olhando-o — Perdi minha infância, minha inocência, minha família, diferente do Nando não tenho nada a preservar.
— Nós somos sua família, Tasha — Victor falou se aproximando
— Eu tentei, mas não consegui — Natasha falou — Aqui me senti acolhida, amada, mas não me senti em família, porque não consegui esquecer o que aconteceu comigo, não depois de tudo que eu vi.
— Como assim? O que aconteceu com você? — Victor perguntou preocupado, mas Natasha recuou — Tasha, me fala.
— Não posso te contar — Natasha falou se afastando dele — É arriscado demais.
— Natasha, olha pra mim — Victor falou colocando-se na frente dela e ela o olhou — Me conta o que aconteceu, juro que nunca vou contar a ninguém. Tem a minha palavra.
— Eu assisti a morte da minha mãe — Natasha respondeu surpreendendo o Victor — Invadiram a minha casa, mataram a minha mãe por se recusar a falar onde eu estava e como não me encontraram colocaram fogo na casa para me matar caso eu estivesse lá.
— Meu Deus, Tasha — Victor falou surpreso — Porque fizeram isso?
— Eu não sei, mas pretendo descobrir — Natasha respondeu convicta
— É por isso que você parece tão madura, parece que nada te surpreende, que não teme a nada — Victor falou ainda surpreso
— Sou assim porque já perdi tudo — Natasha falou deixando algumas lagrimas cairem — E o Nando não precisa passar por isso também.
Victor simplesmente abraçou a Natasha, ele queria poder consolar a menina que aprendeu a amar como irmã.
— Sei que não me vê como sua familia, mas te amo como se fosse da minha — Victor falou abraçando-a
— Desculpa por tudo isso — Natasha falou durante o abraço
— Não se preocupe — Victor falou — Não vou contar a ninguém, não se preocupe
— Obrigada — ela falou quando desfizeram o abraço — Acho melhor irmos dormir.
— Tem razão, Boa noite — Victor falou indo em direção a porta
— Boa noite — Natasha respondeu quando ele fechou a porta
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