Na manhã seguinte
Sasha e Nathan acordaram cedo, arrumaram duas mochilas com algumas mudas de roupas e comida. Sasha foi preparar o café da manhã, decidiram que seguir com a rotina seria o ideal caso estivessem sendo vigiados. Nathan acordou os filhos e os levou para a cozinha, após o café Sasha foi arruma-los.
— Vamos, a mamãe vai arrumar vocês — Nathan falou ao começar a arruma a mesa
— Por quê? — Clint perguntou curioso
— Um amigo do papai vai nos levar para um passeio — Sasha falou parecendo estar animada e as crianças se empolgaram
— Onde vamos? — Natália perguntou
— É surpresa — Sasha falou — Vão depressa ou ficarão em casa.
Os meninos correram para o quarto, Sasha suspirou e Nathan se aproximou dela.
— Nós vamos conseguir — Nathan falou abraçando a esposa pela cintura e ela assentiu
— Vou arrumar as crianças — Sasha falou e foi na direção do quarto dos filhos
Cerca de duas horas se passaram, até que o Dimitri aparecesse na relojoaria de Nathan.
— Bom dia — Dimitri apareceu e mostrou discretamente o distintivo
— Bom dia — Nathan falou se aproximando
— Seu transporte está a alguns quilômetros daqui — Dimitri falou
— Para não levantar suspeitas, acho melhor irmos separados — Sasha sugeriu
— É arriscado demais — Nathan falou
— Arriscado é irmos todos juntos e desconfiarem — Sasha rebateu — Temos que fazer isso.
— E como faríamos? — Nathan perguntou
— Você e o Dimitri vão na frente, eu e as crianças iremos ao mercado e sairemos pelos fundos, nos encontraremos em 40 minutos — Sasha falou e Nathan teve que concordar
— Tudo bem, iremos na frente, levarei a mochila e nos encontramos no mercado — Nathan falou e se aproximou da Sasha — Por favor, tenha cuidado.
— Vou ter — Sasha falou e deu um selinho no esposo
Nathan pegou a mochila, quando ele e Dimitri se direcionavam a porta o Clint apareceu.
— Nós já vamos sair? — Clint perguntou
— Ainda não, temos que passar no mercado antes — Sasha respondeu
— E porque o papai tá saindo agora? — Clint perguntou sem entender
— Tenho que resolver uma coisa antes de irmos — Nathan respondeu
— Mamãe, posso ir com o papai? — Sasha olhou pro esposo e voltou a olhar pro filho
— Não sei, meu amor. Acho que... — Sasha foi interrompida pelo Clint
— Por favor, mamãe. Eu vou me comportar, prometo — Clint falou juntando as mãos
— Amor? — Sasha falou olhando-o
— Tudo bem, ele pode vim — Nathan falou e Clint sorriu — Se despede e vem
Clint abraçou a mãe e beijou seu rosto
— Eu te amo, mamãe — Clint falou abraçando a mãe
— Amo você também — Sasha falou e beijou a testa do filho antes que ele fosse me direção ao pai
Nathan abriu a porta do carro que os aguardava e eles entraram, Sasha viu o carro se afastar e entrou no quartinho do fundo da relojoaria, ela viu a filha brincando com uma boneca e se aproximou.
— Nat? — Sasha chamou a filha que a olhou — Vamos ao mercado?
— Cadê o Nick? — Natália perguntou ao se aproximar da mãe
— Ele saiu com o seu pai, mas nos encontraremos no mercado — Sasha falou e a filha assentiu
Elas saíram, seguiram o caminho até o mercado, o que era 10 minutos de caminhada, no meio do percurso ela percebeu que estava sendo seguida, manteve o ritmo. Elas entraram no mercado, Sasha pegou um carrinho e começou a andar como se estivesse mesmo fazendo as compras, pôs alguns produtos no carrinho, ajeitou a bolsa e se abaixou ficando na altura da filha.
— Nat, amor — Sasha falou ajeitando o casaco da filha e sorriu — A mamãe precisa que você faça uma coisa. Mas tem que obedecer exatamente o que eu disser. Tá bem?
— Tá bem — Natalia prestou atenção em cada palavra da mãe
— Esse mercado tem uma saída de funcionários pelos fundo, preciso que você saia sem ser vista e se fuja, sem deixar rastros — Sasha falou com um sorriso discreto
— Tá bem — Natalia falou
— Lembra do quartinho que não pode entrar sem permissão? — Sasha falou arrumando o cabelo da filha
— Sim — Natalia respondeu
— Tem uma planta próximo a porta, derrube, pegue a chave e abra a porta — Sasha falou virando a filha para si como se avaliasse o cabelo dela — Tem um botão vermelho próximo a tela, quero que aperte esse botão e saia de casa.
— Onde devo ir? — Natalia perguntou
— O mais longe que puder, não deixe rastros e vá pro lago que eu e seu pai te mostramos — Sasha falou e a filha assentiu — Anda pelo mercado como se fosse pegar algo e depois dê um jeito de sair
— E a senhora? — Natalia perguntou
— Nós nos encontraremos no lago — Sasha falou sorrindo — A mamãe sempre vai amar você. Nunca esqueça disso.
— Também amo você — Natalia falou e Sasha tentou conter a emoção
— Agora vai — Sasha falou, Natalia sorriu e fez exatamente o que a mãe pediu
Sasha continuou a suas "compras" e depois de 5 minutos ela parou como se procurasse alguém.
— Onde essa menina se meteu? — falou alto suficiente para que as duas pessoas que a seguiam ouvisse
Deixou o carrinho com as compras e virou o corredor, as pessoas a acompanharam e quando viraram o corredor Sasha, deu um soco no estomago do primeiro homem, socou o rosto dele deixando-o desnorteado, e bateu a cabeça dele contra a prateleira, o homem que estava mais atrás disparou alguns tiros, Sasha se jogou atrás do balcão de frutas e sacou a arma que estava escondida na sua roupa, a unica preocupação da Sasha era distrair eles tempo suficiente para que a filha estivesse segura. Outros dois homens apareceram, o que estava na frente foi atingido no ombro e na barriga, a troca de tiros durou alguns minutos até que a Sasha foi atingida no ombro e ficou impossibilitada de lutar, mesmo com as dores continuou a atirar até que acabaram as balas.
Natalia conseguiu entrar pela janela dos fundo e fez o que a mãe mandou, ao apertar o botão os equipamentos começaram a fumaçar quando o curto aconteceu, Natalia foi ao quarto pegou uma mochila, colocou algumas roupas, encheu com biscoito, a garrafa de água e algumas fruta, quando estava indo em direção a janela dos fundos, ela ouviu um barulho na porta da frente, Natalia foi obrigada a se esconder no armário de casacos com fundo falso na sala. Ao entrar no compartimento, a porta foi aberta, três homens entraram arrastando a Sasha que estava amarrada.
— Revirem a casa e encontrem a garota — um dos homens ordenou
Os homens começaram a entrar em todos os cômodos, revirar todos os cantos a procura da Natalia, o homem que ficou na sala com a Sasha começou a procurar na cozinha, ao retornar ao comodo ele viu o armário, Natalia pode ouvi quando ele tocou a porta do comodo, e prendeu a respiração para evitar fazer qualquer ruido, ela conseguia ouvir com clareza o homem movendo os cabides de lugar puxar as caixas para ver se encontrava alguma pista.
— Reviramos a casa inteira, nem sinal da garota — um dos homem falou, fazendo o que aparentemente era o líder se afastar do armário.
— Mas encontramos alguns equipamentos em curto no quartinho dos fundos — falou o segundo cara.
— Onde eles estão? — o líder perguntou a Sasha
— Eu não sei — respondeu quando tiraram a mordaça, sua voz demonstrava cansaço, dor e tristeza
— Não minta — Sasha recebeu um forte tapa no rosto, o barulho fez Natalia tremer levemente por causa do barulho — Onde estão os outros Romanoff?
— Eu já disse... — Sasha cuspiu o sangue da boca — Eu não sei.
— O que você falou a sua filha no mercado? — o líder perguntou
— Dei a ela cinco minutos pra escolher o lanche que ela quisesse, mas ela não voltou — Sasha falou calma e com o restante de força gritou — O QUE VOCÊS FIZERAM COM ELA?
— Você é boa, mas não iremos cair na sua conversa — o líder falou olhando-a — Eu irei encontrar a sua família, com ou sem sua ajuda
— Eu já disse que eu não sei — Sasha insistiu olhando-o, Natália abriu um pequeno espaço do esconderijo para ver o que acontecia
— Receio que terei que encontra-los sem a sua ajuda — o líder levantou, pegou a arma e atirou duas vezes no peito da Sasha.
Natalia, cobriu a boca com a mão, para não emitir som enquanto as lagrimas escorria pelo seu rosto. Ela viu a mãe tombar para o lado respirando com dificuldade.
— O que fazemos? — um dos homens falou
— Coloquem fogo na casa — o líder guardando a arma — E vamos sair daqui.
Os homens sairam, Natalia começou a abrir seu esconderijo, quando parou ao ouvir o barulho da porta, um dos homens entrou, subiu a escada, e começou a despejar gasolina no andar superior e foi descendo, jogou sobre a parede e alguns acendeu um esqueiro e jogou não chão onde havia gasolina e saiu. Natalia ouviu o barulho do carro saindo, Natalia saiu do armário e correu até a mãe.
— Mamãe? — a menina chamou enquanto mais lagrimas escorriam pelo seu rosto
— Nat? — Sasha falou com dificuldade — Você tem... que sair... daqui
— Você vai ficar bem, mãe — Natalia falou
— Natasha... foge — foram as ultimas palavras antes dos olhos da Sasha ficarem sem foco
A pequena Natalia só conseguia chorar, a medida que as chamas se espalhavam gradativamente, a menina olhou em volta e decidiu obedecer o ultimo pedido de sua mãe, ela correu até o armario e tirou a mochila e um lençol grosso antes que as chamas atingissem o seu antigo esconderijo, foi até a cozinha cobrindo a mão e o nariz, colocou o pano na pia e ligou a torneia deixando-a encharcar com a água, ela subiu na pia pegou o lençol molhado se aproximou da janela de vidro, se cobriu completamente e se jogou contra a janela, no momento que a janela foi quebrada, as chamas aumentaram e consumiram completamente a casa. Natalia rolou pelo chão e se levantou, pegou o lençol e começou a correr. Ela não conseguia pensar, apenas correr, correu até o cansaço a dominar e ela desmaia antes de alcançar o único lugar seguro que conhecia.
Nathan, chegou ao local onde a nave estava pousada, o esperando. Quando desceu do carro a porta abriu e ele viu a mãe descendo.
— Felipe — Eleanor falou sorrindo
— Oi mãe — Nathan abraçou a mãe com carinho — Esse é o Nickola
— Quem é ela, papai? — Clint perguntou se aproximando mais do pai
— Essa é a sua avó, Eleanor — Nathan falou
— Porque ela te chamou de Felipe? — Clint perguntou olhando o pai
— É uma longa história — Nathan falou e se abaixou ficando na altura do filho — Eu preciso que fique com a vovó
— Onde o senhor vai? — Clint perguntou
— Vou buscar a mamãe e a Natalia — Nathan respondeu
— Mas o nome da minha irmã é Natasha — Clint rebateu
— Natasha é um apelido que demos a ela, o nome dela é Natalia — Nathan falou e o filho assentiu um pouco confuso — Eu não posso demorar, fica com a vovó
O menino se aproximou da Eleanor e segurou a mão que estava estendida para ele e entrou na nave, entraram no carro e em minutos estavam chegando no mercado onde havia combinado de encontrar a esposa e a filha. Quando se aproximou viu alguns carros da policia e ambulancias levando pessoas feridas para sairem nas macas.
— Pare — Nathan falou e eles pararam observando em volta — Vai pra minha casa, rápido!
Dimitri seguiu o caminho para a casa dos Barton, havia um caminhão dos bombeiros no lugar.
— Não — foi tudo que o Nathan sussurrou, ele tentou abrir a porta, mas foi impedido pelo Dimitri
— Se quem incendiou sua casa quer ferir você e sua família, não é uma boa ideia você sair desse carro — Dimitri falou olhando-o — Eu irei ver o que aconteceu
Dimitri saiu do carro e foi em direção as pessoas, demorou cerca de 15 minutos até que ele retornasse.
— Onde está a minha esposa e a minha filha? — Nathan perguntou assim que Dimitri entrou
— Morreram no incêndio. Todos que estavam na casa morreram- Dimitri falou com pesar — A visinha foi chamada pra reconhecer os corpos. Eu sinto muito.
— Não — falou sentindo os olhos lacrimejarem — Não pode ser, eu tenho...
— Felipe, o seu filho agora só tem você. Se sair ele ficará sozinho — Dimitri falou — Precisamos ir.
Apesar da dor da perda, Nathan apenas assentiu ao pensar no seu filho.
Dimitri seguiu caminho até a nave, saíram do carro e foram até a nave, Clint estava brincando com a Eleanor quando Nathan entrou visivelmente abalado.
— Papai? — Clint perguntou olhando na direção do pai e se aproximou — Onde está a mamãe e a Nat?
— Elas... não vão poder ir com a gente — Nathan falou tentando conter as lágrimas.
— Onde elas estão? — o pequeno Clint perguntou lacrimejando quando sentiu que algo estava errado — Eu quero ver a mamãe.
— Filho, você não pode ver a mamãe — Nathan falou tentando encontrar palavras pro que ocorreu
— Eu quero a mamãe. Quero a Natasha — Clint começou a chorar, Nathan não conseguiu se controlar e chorou abraçando o filho
Eleanor vendo a dor de ambos se aproximou dele e tocou o ombro do neto.
— Foi um dia agitado, você precisa descansar — Eleanor falou usando seus poderes e o Clint automaticamente adormeceu
— Obrigado, mãe — Nathan falou acomodando o filho nos braços
— O que aconteceu, meu filho? — Eleanor se abaixou ficando frente a frente com o filho
— Eu as perdi, mãe. Perdi minha esposa e minha filha — Nathan falou chorando — Não consegui salva-las
— Eu sinto muito, meu filho — Eleanor falou consolando o filho — O que vai dizer quando ele acordar?
— Não direi nada — Nathan falou controlando o choro — Porque ele não vai lembrar
— O que quer dizer? — Eleanor perguntou
— Preciso que manipule as memórias dele — Nathan falou olhando pra mãe.
— O quê? — ela perguntou surpresa
— Faça ele esquecer do tempo que esteve na Rússia, coloque memórias de uma criança normal que cresceu em Bellwood. — Nathan falava olhando pro filho que dormia em seus braços — Faça-o esquecer da Natasha e da Sasha.
— Quer que ele esqueça da mãe e da irmã? — Eleanor perguntou sem reação
— Não se sofre, pelo que não é lembra — Nathan falou
— Felipe, sabe como isso é perigoso, a mente não é algo que se pode brincar — Eleanor falou
— Sei que parece errado, até mesmo cruel, crescendo em Bellwood, comigo, você e o papai, sem lembranças do que tinha será melhor — Nathan falou — Por favor, mamãe. Me ajude a poupar meu filho desde sofrimento que sinto agora.
— Está bem — Eleanor cedeu ao pedido desesperado do filho
Usando seus poderes anoditas, com seu conhecimento em magia, ela atendeu ao pedido do filho e alterou as memórias do neto. Assim dando uma nova vida ao Clint e um pouco de paz ao coração atormentado pela perda do Nathan.
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