Os Vigilantes- Parte Dois

5 E eu nunca sonhei que perderia


—Por que eu sou importante? Eu não sou ninguém! Exclamou Carol, ainda muito abalada com a notícia da morte de seus amigos.

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"Eu não sou ninguém".

O mais engraçado dessa frase é que toda vez que o indivíduo (no caso, um indivíduo feminino) profere tais dizeres, ele não só é alguém como é alguém muito, muito importante. Foi assim com Neo em Matrix, com Verbal Kint em Os Suspeitos, Bilbo dizia que não era um herói em O Hobbit e todos nós sabemos que ele foi (Inclusive muito mais que Frodo).

O fato é que: Carol Jones, ou Danger, é importante sim. Mesmo você não gostando dela ou não querendo que ela seja. A primeira parte não tinha bem um protagonista, no início parecia ser Peter mas todos sabemos o que aconteceu com o pobre homem (nem tão pobre assim, na verdade).

Mas posso te garantir uma coisa dessa vez, a parte dois é sobre a Carol, a história toda é resolvida por causa dela e ao redor dela. Então... Não se engane, Carol, você não é ninguém, você é importante sim. A mais importante de todas.

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Carol havia feito uma pergunta:

"Por que eu sou tão importante" e na maioria das vezes, perguntas são respondidas.

Em algumas palavras, a Entidade Suprema disse o por quê. Pobre Carol, já sofreu tanto em sua vida, mas o sofrimento parece não acabar mesmo assim.

Carol ainda não acreditava no que havia escutado, era surreal demais pra ela. Sabe quando você tem um ideal e chega em um momento de sua vida que você percebe que esse ideal estava errado desde o início?

—Espectral, minha senhora, eu encontrei esse sujeito tentando fugir. Tinha duas garotas com ele porém não as encontramos.

—Magnum... Admiro sua coragem garoto, porém não tanto sua tolice. Seja sensato, aonde elas estão? Perguntou a Entidade Suprema, com a maior frieza do mundo.

—Eu não sou um garoto. Respondeu Magnum, a altura.

—Tem razão, é um homem. Sabe, pena que não é suficiente pras pessoas que ama.

—O que quer dizer? Perguntou ele, intrigado.

—Sua mãe.

Magnum, no fundo sabia p que estava por vir, mas não acreditava que a Líder do Olho ia dizer que...

—Você não foi bom o suficiente para salvá-la

A Entidade Suprema contava o que aconteceu com um excesso de detalhes doloroso. Magnum não lembrava daquele dia fazia muito tempo, na verdade até tinha esquecido. Aos poucos a dolorosa lembrança surgiu em sua cabeça:

Era uma tarde tranquila, no pátio da pequena casa de Magnum, debaixo de um viaduto.

—Você gosta de cigarros, filho? Perguntava a ainda jovem Karen.

—Não gosto do cheiro. Disse Magnum, ainda criança.

—Então nunca provou. Quer experimentar? Perguntou Karen, oferecendo um cigarro para o garoto.

—Karen! O que está fazendo? Gritou o pai de Magnum, Chris.

—Eu só estava testando o garoto, para quando oferecerem para ele lá fora ele não aceitar. Tentou se justificar Karen.

—Aham, vou acreditar nessa. Sussurrou Chris.

—Querido, sabe que eu jamais faria isso com nosso filho, no máximo está com inveja por que ele gosta muito mais de mim do que de você. Disse Karen, convencida.

—Você é muito engraçada, diz aí de quem você gosta mais, filho. Respondeu Chris, dando um sorriso.

—Não dá pra gostar igualmente de vocês dois? Perguntou Magnum, meio receoso.

—Dá... Mas se você pudesse escolher quem você mais gosta nesse mundo, quem seria? Perguntou Chris.

—O Howie. Disse Magnum.

—Ah, ótimo, entre o pai e a mãe meu filho prefere o gato. Menino é só decepção mesmo. Disse Karen, passando o cigarro para Chris.

De repente, um caminhão carregando material inflamável acabou caindo do viaduto que ficava em cima da pacata casa, destruindo uma parte da residência de Magnum.

Karen e Chris agiram rápido, pegaram o filho pelo braço e saíram em direção a porta da frente, porém, na correria Magnum se soltou.

—O Howie ali, eu vou pegá-lo, me esperem! Exclamou Magnum, enquanto o pai e a mãe tinham acabado de tropeçar e não conseguiram pegar o garoto antes que ele corresse.

O Pequeno gato estava respirando com muitas dificuldades e ainda muito machucado, porém Magnum o pegou.

Chris e Karen sabiam que não iria dar tempo de o garoto voltar sozinho, então Chris disse que iria buscá-lo. Mas Karen não concordou.

—Você é grandalhão demais. Eu sou esguia e mais ágil, eu vou! Afirmou Karen, correndo em direção ao garoto.

—Magnum foi pego nos colos da mãe, quando aconteceu a explosão, ela ainda teve tempo de jogar Magnum em direção a Chris que conseguiu agarrar o garoto, mas o impacto da explosão veio antes, junto com o calor. Howie escapou dos braços de Magnum quando o mesmo fora lançado e Karen, infelizmente, foi atingida.

Chris voou longe com Magnum em seus braços, eles haviam ficado machucados e estavam desacordados. Alguns minutos depois, os bombeiros vieram, Magnum e Chris acordaram.

Karen estava caída, havia sangue em seu rosto, ela ofegava mais e mais até que finalmente parou.

—Vocês fizeram minha vida incrível, obrigado. Agradeceu Karen com muita dificuldade.

—Karen? Karen? Não. Não, por favor. Você não pode me deixar. Eu nunca sonhei que conheceria alguém como você, eu nunca sonhei que perderia você assim. Karen? Não... Lamentava Chris, desabando em lágrimas.

Magnum olhava com tristeza e decepção de si mesmo para seu pai, então ele viu seu pai pegar o corpo de sua mãe em seus braços e começar a cantar a música preferida dela.

"Que jogo malvado de se jogar, para me fazer sentir assim

Que coisa malvada para se fazer, permitir que eu sonhe com você

Que coisa malvada para se dizer, você nunca se sentiu assim

Que coisa malvada de se fazer, fazer eu sonhe com você"

Os dois cantavam e choravam, não acreditavam que aquilo tinha acontecido, Magnum não conseguia se perdoar.

A música havia cessado. Chris continuava a cantarolar a melodia e balançar o corpo em seus braços, Magnum, chorando muito, se levantou e olhou para Howie, também morto. Se sentiu um idiota, de uma hora para a outra, ele matou duas das coisas que mais importavam para ele.

Magnum então sentiu a mão de seu pai no seu ombro, eles olhavam fixamente para Karen.

—Sei o que está pensando, não tem que ser desse jeito, não foi sua culpa. Aconteceu por que tinha que acontecer. Disse Chris, calmamente.

—Eu a matei pai. Não vejo outra explicação. Respondeu Magnum em choque.

—Não. Olhe para mim, foi um acidente, ninguém sabia que isso ia acontecer. As vezes a vida faz esse tipo de coisa para nos botar para baixo, para nos fazer sentirmos igual a monstros.

—Eu sou um monstro. Eu tirei tudo de você, está sem nada agora.

—Eu ainda tenho a você, filho. Você é a coisa mais importante, eu amo você e aconteça o que acontecer, você também terá a mim, eu prometo.

—Isso é só uma das suas brincadeiras, não é pai? A mamãe vai acordar e dizer o quanto eu sou um chorão não é?

Magnum olhava para Chris, esperando alguma resposta, Chris olhava no fundo dos olhos de Magnum, que começou a chorar outra vez. Chris chorava também e Magnum se agarrava a ele como se fosse a última coisa que ele tinha, e ele era a última coisa que ele tinha.

Carol olhava para Magnum com muita pena, querendo ajudá-lo, abraçá-lo, dizer que tudo ia ficar bem, mas não podia.

Magnum, no momento se encontrava no chão. Chorando tudo que não tinha chorado em todos esses anos, ele tentava se recompor, mas simplesmente não dava.

Entre grandes suspiros e mais dor, lágrimas, a única coisa que Magnum conseguiu dizer foi:

—Como você sabia?! Gritou ele, em um tom de dor e raiva.

—Ah, eu sei de tudo, sério, afinal, eu vejo tudo. E ninguém melhor para me contar sobre algo que alguém que esteve lá. Disse a Entidade, com um sorriso satisfatório no final.

—Não... Sussurrou Magnum, ainda no chão.

—Se eu não te convenci, acho que o Sr. Chris vai.

FIM DO CAPÍTULO CINCO.