Os Três Amores Da Minha Vida

23 Coração Clandestino


Notas iniciais
Quero agradecer inicialmente por todas as reviwes do capítulo anterior. Fiquei bem feliz que vocês concordem com uma segunda temporada... *---*
Bem, agora que estamos quase chegando ao final, os capítulos tenderam a ficar um pouco maiores, mas espero que absorvam todo seu conteúdo.

Aquela semana estava sendo particularmente difícil.

A noticia sobre o termino de meu namoro com Jun já havia se espalhado há alguns dias atrás, e eu vira e mexe, deparava-me com provocações de algumas fãs rancorosas.

Estava me preparando para a semana de provas, que seria na semana seguinte, e minha cabeça explodiria de tanto estudar. Diante dessa situação, permiti-me não pensar tanto em assuntos sentimentais. Concentrando-me na escola e no trabalho, tentando me esquecer da falta que Jun me fazia, e tentando ignorar Kiseop, mesmo vendo-o todos os dias em casa.

Sinceramente, estava sendo difícil ordenar meus pensamentos, pois via Jun constantemente e desde nosso termino, ele nunca mais falara diretamente comigo. Apenas acenava de longe, ou sorria sempre que me flagrava olhando para ele.

Onew é quem me salvava da dor muitas vezes. Ele estava sendo um bom amigo de estudos e sempre nos divertíamos juntos.

Eu estava na biblioteca. O lugar em que ultimamente, estava se tornando meu refúgio. Foliava as paginas do livro de Biologia a procura do capítulo que falava sobre artrópodes.

_ Encontrei esse! – Onew aproximou-se da mesa deixando sobre ela um livro de biologia ainda maior do que o que eu tinha em mãos.

_ Aish... – resmunguei. – Pra que um livro tão grande?

_ Pelo menos esse aqui fala sobre o que precisamos... – sorriu. – Está no capítulo 39.

Estudamos por todo o intervalo. Às vezes me distraia com Onew, que tinha uma mania engraçada de colocar o lápis atrás da orelha e depois se esquecer de onde havia colocado-o.

*mensagem*

“Nos desculpamos por termos sumido ultimamente, mas estávamos investigando uma história interessante, e agora finalmente encontramos seu desfecho! Confiram no Blog da Escola...

Atenciosamente, Comitê.”

_ A vida de quem elas vão infernizar agora? – Onew abandonou seu celular na mesa.

_ Não sei... – suspirei com um frio na barriga. – Só não entendo porque elas mandam essas mensagens no celular de todos...

_ Para que a humilhação seja ainda maior... – franziu o cenho.

O intervalo terminou enfim. Nos despedimos e seguimos cada um para sua respectiva sala. Onew estava sendo meu refúgio ultimamente.

Desde a noite em que nos embebedamos, ele estava sendo diferente e compreensivo. Sendo um bom ouvinte quando eu não resistia e entregava-me desolada aos prantos. Eu sentia muito a falta de JunHyung.

Andei pelo corredor principal, mais uma vez com aquela sensação de desconforto. Todos os alunos olhavam-me enquanto eu passava, novamente com aquele olhar de reprovação. Senti uma espécie de Deja Vu, aquela cena me era familiar.

_ Em pensar que por um momento, ela quase nos enganou... – uma garota dizia a sua amiga ao esbarrar em mim.

O que estava acontecendo?

Não sei por que, mas desta vez tinha certeza de que eu estava sendo mais uma vez, alvo daquele blog inútil.

Depois que JunHyung saiu de minha vida, as coisas estavam simplesmente regredindo, e eu estava passando por tudo de novo.

_ UUUH! SUA VADIA! – alguém vaiou-me subindo as escadas.

Certo, aquilo estava me constrangendo.

Todos os alunos passaram a me encarar no corredor, com olhos odiosos. Até que uma menina de aparência perfeita pôs-se a minha frente.

_ Você! – apontou o dedo em minha cara. – Quantas vezes vai precisar apanhar para aprender a não mexer com nossos amores? – gritou descontrolada.

_ O que? – incrédula. Aquilo era ridículo.

_ Não se faça de idiota! Rainha do baile! – aproximou-se mais. – Você é uma vagabunda, é isso que é! – todos gritaram a seu favor.

Não entendia aquilo. O que havia sido postado naquele blog afinal?

_ Você vai pagar por ter pisoteado o coração de nosso amado JunHyung Oppa, e por seduzir Kiseop! – outra menina aproximou-se, empurrando meu ombro.

_ Minha vontade é quebrar você Chiao Ana! – outra ameaçou.

Estava paralisada com aquela reação. Eu simplesmente não conseguia dizer nada em minha defesa, uma vez que não entendia o porquê de elas estarem tão irritadas.

Fez-se então um tumulto no corredor. Os alunos não entravam para suas salas, e mais alunos aproximavam-se para testemunhar a baderna.

Foi quando inesperadamente, fui atingida por um tomate.

De onde eles tiravam tantos legumes para desperdiçar?

Aquilo surpreendeu-me, atingindo meu pescoço dolorosamente, enquanto eu recuei de dor, mas não havia para onde escapar.

_ Nós vamos acabar com você sua vadia suja! – a garota cuspi em minha roupa.

_ Porque estão fazendo isso? – perguntei em pânico, as coisas iriam piorar, e eu iria sair perdendo, sem dúvida alguma.

_ Vejam só... – riu irônica. – Ela ainda se faz de desentendida!

_ Vai se arrepender por ter traído JunHyung com Kiseop! – suas palavras me chocaram. Como ela sabia daquilo?

A palavra “traído” arrepiou-me a espinha. Ainda me odiava por ter feito aquilo, mas como aquilo havia tornado-se do conhecimento de todos?

_ Vai se arrepender por envolver Kiseop Oppa em suas sujeiras, e cegar Onew com suas mentiras! – estapeou-me a face.

Estava paralisada. Eram muitas informações para que eu assimilasse tão rapidamente.

O tomate, o cuspe, a verdade, o tapa. Tudo nem sequer havia estado a meu controle alguma vez, como eu poderia livrar-me daquilo?

_ Não faça isso... – pedi constrangida.

Mal conseguia ouvir meus pensamentos enquanto todos gritavam eufóricos, pedindo para que eu fosse espancada. Não conseguia suportar aquela humilhação, mas chorar seria a pior escolha naquele momento. Eu não podia chorar, não podia.

_ Você nos obriga a castigá-la! – bateu-me novamente, e quando eu tentei revidar, fui surpreendida por outra garota puxando meus cabelos.

_ Dessa vez você vai ter que raspar a cabeça inteira! – continuou puxando-me.

Fui literalmente atacada. Alguns alunos atingiram-me com ovos, ou qualquer tipo de objeto que tinham em mãos. Canetas, bolinhas de papel e alguns alimentos. As meninas me batiam, enquanto eu tentei em vão proteger-me com meus braços.

Não conseguia suportar aquilo. O pior é que eu merecia aquilo.

Daquela vez, eu merecia. Não tinha como contestar, eu estava sendo castigada por uma coisa que JunHyung não teve coragem de castigar-me. Então me rendi aquela situação. Segurando ao maximo, um choro.

Surpreendia-me cada vez mais com os ataques. As pessoas não cessavam, não se cansavam de atingir-me, e eu concordei com aquilo. Talvez, fosse uma forma covarde de pedir desculpas.

Aquilo estava sendo para mim como uma redenção. Estava punindo a mim mesma, deixando-me coagir por aquelas pessoas, e mesmo com a dor, sabia que aquilo não era o mínimo de dor que havia causado em JunHyung.

Foi quando um tênis voou em minha direção, atingindo-me a cabeça, e eu caí de joelhos, tornando-me um alvo ainda mais fácil. Perdi a noção de quantos minutos se passaram, e eu ainda estava ali.

Todos foram surpreendidos com o alarme de incêndio soando, e correram de imediato para suas salas enquanto a água esguichava do teto, e eu permaneci ali, caída, sentindo vagarosamente a dor insuportável apossando-se de meu corpo.

Debruçada sobre o chão ensopado, notei alguém aproximando-se de mim, e abraçando-me.

_ Me desculpe! – beijou o topo de minha cabeça, sem que eu identificasse quem era. – Me desculpe Ana! – tornou-se uma voz tremula.

Permiti-me chorar então.

Parece que com o consolo, o choro passa a fazer algum sentido.

Ergui os olhos, buscando saber de quem eram aqueles braços que me acolhiam, mesmo embaixo a água que caia sem cessar.

Meu coração disparou.

Kiseop encarava-me com olhos amargurados e atenciosos, enquanto a água gelada caia sobre nossos corpos.

_ Me desculpe meu amor... – beijou-me a testa. – A culpa disso tudo é minha! Por favor, não chore! – ajeitou-se para me levantar.

Eu estava sem forças. Fedendo a ovo e suja de comida, fui tomada pelos braços de Kiseop, que carregou-me para longe, andando cuidadosamente para não escorregar no corredor que agora, estava vazio.

Eu chorei em silêncio, controlando meus soluços com a cabeça encostada em seu ombro. Foi um longo caminho até a parte de fora da escola, e eu sentia os hematomas latejando.

Ele entrou no estacionamento afobado, encontrando seu carro e deixando-me deitada no banco de trás. Kiseop dirigiu apressado. Não conseguia ver para onde ele me levava, não tinha curiosidade em olhar pela janela o caminho que fazíamos. Estava envergonhada, fedida e com dor.

_ Alô? – ele atendeu ao telefone que vibrara no banco do passageiro. – Sim, eu estou com ela... – pausa. – Obrigada por isso!... Isso não será necessário, eu cuido dela a partir de agora. – assegurou. – Não precisa, ela ficará bem...

Com quem Kiseop falava?

_ Não se preocupe, se algo acontecer, eu telefono... Mas creio que ela estará melhor assim que chegarmos em casa...

Pelo menos agora sabia que estávamos indo para casa.

_ Com todo respeito... – hesitou. – Você teve muitas oportunidades de protegê-la, e a abandonou agora que ela precisava de você, de modo que eu cuidarei dela agora... Agarrarei minha chance. Obrigado pela ajuda! – desligou após alguns segundos.

_ Kiseop... – murmurei baixo.

_ Não se esforce, estamos chegando em casa! – olhou-me pelo retrovisor.

__

Eu estava envergonhada, sentada sobre o vaso sanitário enquanto Kiseop encarava-me encostado na pia.

_ Vamos, tire a roupa logo! – ele disse também envergonhado.

Suas palavras não soaram bem.

_ Não vou! – teimei.

_ Você vai conseguir tomar banho sozinha? – questionou-me.

Me calei. Eu mal conseguia ficar de pé, com o joelho ralado sangrando, e uma leve torção no pé esquerdo. É claro que não conseguiria tomar banho sozinha, logo, não tomaria banho.

_ Como você vai dormir com esse fedo? – zombou-me. – Vai sujar a roupa de cama com suas roupas sujas...

Encarei-o silenciosa. Aquilo estava sendo muito constrangedor para mim.

_ Anda logo... – hesitou. – Eu não vou olhar pra você! – assegurou. – Mesmo porque, nada será novidade... – riu de lado, constrangido.

_ Como? – surpresa.

_ Eu já dei banho em você... – calou-se com a cena repetindo-se em sua mente. – Você não se lembra porque estava bêbada, mas eu já vi tudo que tinha pra ver! – encarou-me.

_ Mentiroso! – que absurdo...

_ É, estou mentindo! Eu não vi tudo, mas vi boa parte!

_ Kiseop, não seja tão mentiroso! – contestei, contorcendo-me com uma dor na coluna.

_ Prometo que não vou olhar pra você! – aproximou-se abaixando em minha frente. – Confie em mim, não vou faltar-lhe com respeito. – disse baixo, segurando a barra de minha blusa.

Hesitei por um segundo, mas permiti aquela situação. Kiseop morava comigo, e mesmo indignada, não duvido nada que ele tenha realmente me dado banho algum dia. Eu provavelmente já havia aprontado muitas coisas bêbada, sem que me lembrasse no dia seguinte.

Kiseop livrou-se de meu colete com rapidez, erguendo cuidadosamente minha blusa, tirando uma parte de cada vez. Arrepiei-me com suas mãos delicadas tocando minhas costas, e me envergonhei por isso. Ele percebeu, deixando que uma risada suave escapasse por sua boca.

Ele tirou minha blusa, como uma mãe que tira a roupa de seu bebê.Com muito cuidado para não machucá-lo. Eu não conseguia movimentar meus braços com facilidade, por isso precisava de sua ajuda. Infelizmente.

Ao livrar-se de minha blusa, Kiseop olhou para o lado, não encarando-me por nenhum segundo sequer, ajudando-me a tirar os tênis, depois a meia, e finalmente a saia.

Aquilo era embaraçador. Mesmo que ele não estivesse me olhando, mesmo estando ainda com minhas roupas intimas, aquela era uma situação constrangedora. E pela primeira vez em alguns dias, eu e Kiseop estávamos nos falando.

Levantei-me com muito cuidado, enquanto Kiseop me apoiava com seu braço. Entrei embaixo do chuveiro que pingava sobre meu corpo, gotas relaxantes de água. Aquilo estava me ajudando de certa forma.

Fiquei de frente para Kiseop, assegurando-me de que ele não tentaria me espiar um segundo sequer. Fitei seu rosto por um segundo, notando que ele mantinha seus olhos baixos enquanto esperava paciente na porta do boxe.

Eu deixei que a água livrasse-me de toda a sujeira, deixei que caísse sobre meus cabelos e ombros, relaxando meus músculos.

_ Obrigada. – tive coragem para agradecer pela ajuda, finalmente.

_ Por...?

_ Por me ajudar. – confessei. – Se você não tivesse soado o alarme de incêndio, creio que não teria saído de lá consciente. – disse fechando o chuveiro enquanto Kiseop afastou-se em busca de uma toalha.

Ele aproximou-se novamente com a toalha em suas mãos. Abriu-a para que eu me enrolasse a ela.

Senti um frio na barriga. Eu apenas encostei meu corpo à toalha enquanto ele tratou de envolvê-la por meu corpo, protegendo-me do vento gélido que entrava pela pequena janela.

Ele finalmente encarou-me, olhando diretamente em meus olhos sem desviar. Senti-me um tanto constrangida, pois estávamos muito perto e ele ainda segurava a toalha que me cobria.

_ Kiseop... – disse piscando freneticamente, tentando livrar meus olhos das gotas de água que caiam de meus cabelos.

Ele passou uma de suas mãos em minha testa, livrando-me da água que escorria. Sua outra mão passou a segurar minha cintura.

_ Kiseop? – disse baixo paralisada.

Fui tomada por um grande frio na barriga. Kiseop estava aproximando-se ainda mais de meu corpo, enquanto minhas pernas tornaram-se bambas, e eu tremi ligeiramente pelo frio.

_ Eu não apertei o alarme de incêndio... – sussurrou baixo, colando nossos corpos.

_ Não? – perguntei automaticamente, paralisada por aquilo. Eu não tinha condições de lutar contra ele.

Ele apenas balançou a cabeça em negação, agarrando forte minha cintura, dessa vez com as duas mãos.

_ O que esta fazendo? – pressionei minhas mãos contra seu peito.

_ Eu prometo, que vou proteger você de agora em diante... – disse ignorando minha pergunta e pousando seu queixo em minha cabeça.

Suas mãos escorregaram até minhas costas, e subiram até encostarem-se em meus ombros nus.

_ Kiseop... – eu não conseguia dizer mais nada, completamente tomada por um arrepio.

Senti então, uma sensação nova. Meu sangue bombeava forte em meu coração, fazendo com que ele acelerasse de uma maneira anormal. Estava certa de que ele também podia ouvir meu coração quase pulando para fora.

Ele passou os dedos por baixo da alça de meu sutiã, tentando livrar-se dela. Kiseop respirava ao pé de meu ouvido, desregular.

_ Eu amo você! – sussurrou, mordendo o lóbulo de minha orelha, fazendo-me arrepiar paralisada. – Você é perfeita...

Estava constrangida. O que Kiseop estava tentando fazer afinal?

Ele retornou suas mãos em minha cintura, levando sua boca até meus ombros molhados e beijou ali.

_ Pare... – ordenei contrariada. Estava envolvida por ele.

Ele ignorou-me, apertando-me mais ainda contra seu corpo, tomando-me em um abraço forte. Gemi baixo com dor nos hematomas, enquanto ele afastou-se rapidamente, antes que não pudesse se controlar.

Nos encaramos por alguns segundos enquanto ele recuava de costas, até voltar a escorar-se sobre a pia.

_ Me desculpe por isso... – piscou tremulo.

_ Ta... – disse desconfiada.

Kiseop deixou o banheiro, desistindo de me ajudar, enquanto eu dei conta de vestir sozinha e com muita dor, a roupa limpa e dobrada sobre o cesto.

Adentrei-me no quarto, e ele estava lá, sentado sobre minha cama, contemplando o chão hipnotizado.

O que estava acontecendo comigo afinal? Minhas mãos estavam tremulas e minhas pernas bambas. Eu engolia a seco e um milhão de borboletas voavam desgovernadas em meu estomago.

Aproximei-me de Kiseop,sentando ao seu lado no colchão, e ele passou a me encarar.

Tomada por um impulso, pousei uma de minhas mãos em cima de sua perna, e permanecemos nos encarando, silenciosamente.

_ Obrigada... – hesitei. – por me amar... – porque eu o agradecia por aquilo? Porque eu estava fazendo isso?

_ De nada! – ele sorriu de lado, acalmando seu olhar que antes, encontrava-se tenso.

Mesmo depois de agradecê-lo, a sensação estranha não abandonou meu corpo, e eu sentia necessidade de algo mais.

Encarei ligeiramente seus lábios carnudos, um tanto constrangida por ter sido tentada a encará-los. Nada passava despercebido de Kiseop, e ele notou meu foco, encarando meus lábios também.

Em questão de segundos, nossas respirações chocaram-se uma contra a outra e de olhos cerrados, senti seus lábios tocando os meus.

Foi uma sensação nova desta vez. De grande satisfação. Diferente da primeira vez, eu não estava afobada, nem tão confusa. Raciocinava claramente sobre minhas ações, e estava feliz. Estranhamente feliz.

Nossos lábios abriram-se em sintonia, aprofundando ainda mais o beijo. Kiseop pousou suas mãos em meu rosto, enquanto eu o puxava para mim pela nuca, brincando com seus cabelos. Pressionávamos nossos lábios, uns contra os outros, sentindo intensamente sua língua dançando com a minha, em perfeita harmonia. Kiseop mordeu meu lábio inferior com certa fora, fazendo-me abrir os olhos surpresa, enquanto ele passou a apertar-me pelos braços.

Interrompemos o beijo, deixando nossos rostos colados, controlando nossas respirações ofegantes. Deixei escapar um gemido de satisfação, enquanto ele mordiscava-me levemente o pescoço. Eu estava me rendendo ao desejo de ter Kiseop.

_ Prometo que não vou ousar nada com você! – disse ofegante, empurrando-me para o centro da cama.

Eu não contestei. Estava completamente envolvida por Kiseop, de tal forma, que concordaria com qualquer coisa que ele quisesse fazer, mas já que seus pensamentos não iam tão além quanto os meus, não me manifestei em nenhum momento.

Nos deitamos, e eu passei uma de minhas pernas por sua cintura. Ele acariciou o topo de minha coxa, encarando em meus olhos enquanto eu pousei uma de minhas em seu rosto, ele a beijou.

_ Você me ama também, não ama? – perguntou baixo, enchendo minha mão de beijos.

Eu permaneci em silêncio. Não sabia ao certo sobre aquilo. Eu o amava?

Acho que sim. Acho que eu amava a Kiseop, mas não conseguia dizer.

_ Se for difícil dizer, apenas afirme com a cabeça... – ele disse, provavelmente lendo meus pensamentos.

Eu afirmei com a cabeça, fazendo com que ele abrisse um sorriso encantador.

Acariciei seu rosto, passando meus dedos por seus lábios, permitindo-me sentir com as mãos, aqueles traços perfeitos.

Ficamos ali, boa parte da tarde. Ele beijou delicadamente todos os meus ferimentos, assegurando-me de que eles iriam sarar logo, e uma vez ou outra, selávamos nossos lábios. Nos encaramos durante muito tempo, enquanto meu pensamento viajava a mil e um lugares diferentes, e ele provavelmente, perguntava-se sobre o que eu deveria estar pensando.

Por incrível que pareça, não estava me sentindo culpada. Na verdade, nem procurei raciocinar muito sobre isso. Era muitos problemas e muitas coisas que eu deveria resolver assim que o dia seguinte clareasse, de modo que me permiti descansar pelo resto do dia. Não queria estar tão preocupada.

__

_ Vamos! Coma isso! – Kiseop empurrava-me uma tigela de sopa de legumes.

_ Onde estava isso? – perguntei sobre a origem da sopa.

_ Eu acabei de fazer! – ele sorriu orgulhoso de seu trabalho.

Estávamos na sala, a televisão murmurava ao fundo um filme qualquer, enquanto eu encarava aquela sopa suspeita, um pouco insegura com relação ao seu sabor.

_ Experimente! – ele abaixou-se em minha frente, com olhos arregalados.

Comi então, desejando morrer em seguida.

_ O que tem na sopa? – disse controlando-me para não engasgar. Esforçando-me para engolir pelo menos aquele pouco.

_ O que? – espantou-se. – Está ruim? – tomou a tigela de minhas mãos, experimentando sua sopa. – AAAISH... – cuspiu de volta na tigela. – Está mesmo horrível! – rimos.

_ O que você colocou ai? – perguntei.

_ Tudo que tinha na geladeira... – pensou. – Legumes, aquele molho que minha mãe fez e...

_ Aquele molho estragado?! – espantei-me.

_ Estragado? – incrédulo.

_ Não Kiseop... ele só esta lá a duas semanas! – ironizei. – Você não cheirou antes?

_ Cheirar? – riu. – Porque eu cheiraria um molho? – arqueou a sobrancelha. – Cheirar eu cheiro você... – brincou cheirando rapidamente meu pescoço.

_ Ta palhaço, mas agora, vamos comer o que? – levantei-me com esforço, seguindo até o telefone.

_ O que vai fazer? – encarou-me confuso.

_ Ligar pra policia... Você com certeza tentou me assassinar com essa sopa! – brinquei.

Kiseop riu, atirando-se sobre a poltrona.

_ Sério, o que vai fazer?

_ PIZZA! – gritei empolgada.

Pedi pela pizza, e enquanto esperávamos, Kiseop me ajudava com os curativos.

_ Os alunos dessa escola, são vândalos! – disse indignado.

_ Não quero falar sobre isso... – realmente, queria esquecer.

_ Não pode fugir de coisas como essas! Você tem que fazê-los pagar! – apertou o ferimento com algodão.

_ Só quero esquecer que dias como esse existiram...- disse convencida.

_ Fala do dia inteiro? – passou a encarar meus olhos.

_ N-não! – dei-me conta de como havia se passado o dia inteiro.

Não queria me esquecer de como Kiseop podia ser doce, encantador e irresistível quando queria.

_ A culpa disso tudo foi minha... – contemplou o chão.

_ Não existem culpados quando se trata de pessoas ignorantes... – tentei conforta-lo.

_ Não! Eu não pensei na repercussão que isso teria quando sabotei o resultado da votação de rainha do baile. – suspirou. – Isso faz com que a culpa seja minha.

Calei-me. Aquele assunto me irritava de certa forma. Kiseop conseguia ser muito cabeça dura e inconseqüente muitas vezes, o que resultava em péssimas situações.

Mas suas palavras não faziam sentido pra mim, uma vez que eu não havia lido o que estava escrito no blog da escola. E não queria ter conhecimento de nada daquilo. Queria mesmo me esquecer daquele episódio, e permanecer sem saber o porquê das pessoas estarem me odiando.

_ Quem apertou o alarme de incêndio? – lembrei-me de tal pergunta. Quem quer que tenha sido, acabou salvando minha vida.

Kiseop tornou-se estranho. Abandonando o esparadrapo na maleta e sentando-se a minha frente.

_ Sabe quem foi? – insisti.

Ele apenas afirmou com a cabeça, com o olhar distante.

_ Quem foi? – perguntei nervosa com seu suspense.

_ Foi... – suspirou. – Foi JunHyung quem soou o alarme. – encarou-me por fim.

Senti meus olhos perdendo-se por um instante, enquanto meu pensamento voava longe. Involuntariamente, meus olhos encheram-se de lágrimas, e eu balancei a cabeça, tentando me desfazer de tantos pensamentos.

No fim das contas, JunHyung havia ajudado Kiseop a me salvar. Ele não havia me abandonado por completo, assim como havia me prometido.

Perdi-me em pensamentos enquanto Kiseop encarava-me confuso, arrependido por me confessar aquilo.

Meu coração batia forte por JunHyung, meu coração batia forte por Kiseop, meu coração batera forte por Onew um dia. Que tipo de coração clandestino era o meu? Que havia batido de forma inexplicável tantas vezes, por pessoas diferentes. Coisa que jamais havia acontecido antes.

Eu estava confusa, só de tentar começar a entendê-lo. Senti por um momento, que meu coração não era meu amigo, agindo por conta própria, sem importar-se com meus sentimentos. Ele realmente não se dava conta de quantas pessoas havia machucado, alem de mim?

Notas finais
Até eu estou me sentindo confusa, tentando entender os sentimentos de Ana .~. Gostaram? *--*