Os Trinta Colares de Pedra
10 Tengawara
~POV: Equipe 4: Kariya, Hayami, Hamano, Sangoku, Nishiki, Kurama e Midori~
— É por aqui mesmo? — Hamano perguntou enquanto desviava das plantas do pequeno bosque em volta do colégio da Tengawara.
— Deve ser — Kariya respondeu. — Estamos quase chegando.
— Vamos voltar — Murmurou Hayami, tremendo. — Não quero mais fazer isso.
— Vamos só pegar o colar e sair daqui — Hamano riu e bateu nas costas do companheiro, encorajando-o. — Aliás, por que é que não entramos pelo portão? Seria mais fácil!
— Por que não é assim que se faz. Temos que chegar de surpresa, pegar o colar e sair correndo. — Kariya disse. Alguns minutos antes, a equipe 4 havia se se separado e Sangoku, Kurama, Nishiki e Midori entraraqm pelo portão para atacar em outra direção.
— Não foi isso que Shindou disse para fazer — Hamano rebateu.
— Kariya está certo, essa é a melhor maneira contra um seed, se lembra do nosso jogo contra a Tengawara? Eles dão medo.
— Eu não tenho medo de nada — Kariya disse enquanto saía, sem perceber, da área coberta com árvores para um lugar que parecia ser um campo de futebol.
— Isso por que você não estava lá e... AAH — Hayami começou a gritar e Hamano tapou sua boca. Todos pararam de andar e voltaram a se esconder na mata.
Hayabusa da Tengawara estava lá, jogando futebol, ou melhor, brincando de destruir bolas de futebol com seus novos poderes. Ele controlava o ácido para corroer as coisas a sua volta e logo depois soltava uma risada estridente. O toque da substancia ácida nos objetos soltava uma fumaça verde com um terrível ruído sonoro. Kariya engoliu seco.
— Ufa, ele não nos notou — Hayami suspirou.
— Quase acabamos com a chance de um ataque surpresa — disse Kariya. Sabia que seu elemento poeira não era nada contra o elemento ácido, achava que Shindou já estava sem idéia quando chegou nesse elemento e aí juntou essa equipe com quem tinha sobrado.
— Confesso, concordo com vocês agora: 'ataque surpresa'. Não vamos lutar contra ele, vai nos desintegrar — Hamano disse enquanto ouvia as gargalhadas irritantes de Hayabusa. — E eu em sei lutar
— Vamos voltar — Hayami tremia de novo.
— Não, vamos bolar um plano — Kariya reuniu um círculo. — Já sei, o plano é o seguinte: Hayami, você vai sair correndo e Hayabusa vai ir atrás de você e daí Hamano corre atrás da Hayabusa, que vai olhar para trás e aí eu pego o colar e todos vamos correr para o portão. Pronto, o plano perfeito — riu confiante.
— Quem te deixou no comando mesmo? — Hamano suspirou, via falhas terríveis nesse plano.
— Tem uma idéia melhor?
Hamano balançou a cabeça.
— Vou contar a até três a vamos começar o plano — Kariya disse e Hamano e Hayami se prepararam nas posições de corrida. — Um, dois... tre...
— O que fazem aqui? — Disse uma voz atrás deles.
Os três olharam para trás com os olhos arregalados, Hayabusa estava em cima de uma árvore, olhando para eles.
— Nós... nó... va... — Hayami travou.
— Na... nada — Kariya gaguejou. — Já,,, est... estávamos de saída.
— Viemos pegar o seu colar — Hamano falou.
— Vieram o que? — Hayabusa cerrou os olhos.
— Viemos pegar o seu colar, pode nos dar ele, por favor? Hamano repetiu.
Kariya e Hayami puxaram Hamano dali e correram até o campo de futebol.
— Pirou? — Perguntou Kariya. — Essa pergunta serve para todos, menos para ele e os Mannouzaka.
Hayabusa desceu da árvore e saiu da mata lentamente, com um sorriso desafiante. Levantou as mãos para o ar onde se formou bolhas de ácido verde.
— Querem meu colar? — gargalhou. — Então tentem pegar — Jogou as bolhas contra eles, que se esquivaram rapidamente. O ácido ia corroendo o chão onde caía e Hayabusa não se cansava de formar e atirar novas bolhas de ácido.
...
— Eu disse que não ia dar certo — Kurama bufou de braços cruzados, sem tentar se soltar dos galhos que o seguravam.
— Não sei o que deu errado, era um plano tão bom — lamentou Nishiki, tentando empurrar os galhos de sí.
— Plano? Chegar de surpresa e atacar por trás? — bravejou Sangoku. — Como se fosse funcionar contra o capitão da Tengawara.
Entediado, Kita parou de escutar os jogadores da Raimon e pôs as mãos na cintura.
— Então, por que querem pegar meu colar? — Perguntou. Estava treinando dribles até ouvir passos atrás dele, vindo de fininho. Um dos três jogadores da Raimon tentou pegar o colar e Kita usou seu elemento madeira para prende-los. Plantas e árvores era o que não faltavam por ali para controlar.
— Me dá o colar, me dá o colar — Nishiki continuou tentando se soltar.
— Cala a boca Nishiki, seus planos sempre são terríveis — Disse Midori.
Sangoku suspirou e começou a contar ao Kita por que precisavam do colar e os efeitos desastrosos que poderiam acontecer se eles continuassem com os jogadores..
— Por que não disseram antes? — Kita disse normalmente após ouvir a breve história. — Estava curioso sobre esse colar que apareceu de repente.
— Não disse? Devíamos ter conversado desde o início — disse Midori, furiosa por ainda estar presa na árvore..
— Você nem devia ter vindo — Nishiki disse para ela.
Kita moveu uma mão e os galhos da árvore que prendiam Sangoku, Nishiki, Kurama e Midori foram se desprendendo e voltando ao lugar.
— Agora sim — Midori desabotoou seu vestido.
Uma gargalhada cortou o ar, fazendo todos olharem para o canto mais distante do campo. De lá começaram a ouvir gritos e risadas.
— Hayabusa — Kita reconheceu.
...
— AAAH — Kariya gritou enquanto se abaixava novamente para desviar de outro ataque de Hayabusa que ria descontroladamente.
— Misericórdia — gritou Hamano, correndo de um lado para outro.
— Faça alguma coisa, você tem um colar — Hayami gritou para Kariya enquanto se escondia atrás de uma moita.
O chão estava repleto de manchas negras do qual saiam fumaça, feitas dos golpes de ácido que Hayabusa errou. Kariya, desesperado, usou sua pedra para jogar poeira no rosto do Tengawara.
— Arff — Hayabusa rosnou — O que é isso? — tentou esfregar os olhos para tirar o pó, abriu-os, mas arderam e os fechou rapidamente.
— Um ponto para mim — Kariya comemorou.
— Ainda não — Hayabusa falou e começou a atirar mais bolhas de ácido, sem ver aonde acertaria.
— AAAAH — Hayami gritou e foi para trás de uma árvore para se proteger.
— O maluco pirou de vez — Kariya disse, sem saber o que fazer.
— Tente tirar o colar dele — Hamano gritou, desviando das bolhas.
— Não dá — Kariya disse enquanto parecia dançar balé para evitar os golpes aleatórios de ácido. — Não consigo me aproximar.
Kariya tentou concentrar mais poeira e atirar contra o Tengawara, mas só o que conseguiu fazer foi enche-lo com mais de sujeira.
— Não fez nem cosquinha — ironizou Hayabusa.
— Droga — Kariya disse, com raiva, já estava se cansando de desviar dos ataques e Hayabusa nem suava.
— Vou acabar com vocês — Hayabusa gargalhou.
— HAYABUSA, O QUE ESTÁ FAZENDO? — uma voz gritou.
— Ca.., capitão? — Hayabusa tremeu e abriu lentamente os olhos que ainda ardiam.
— Ufa — Kariya suspirou e pode parar de correr. Hayami tirou a cabeça de trás da árvore.
Kita vinha com o resto da equipe 4 e controlava seu elemento: madeira, para os proteger das bolhas de ácido que voavam para todas as direções. Hayabusa parou imediatamente de atirar, desconcertado, Kita o encarava com um olhar sério e questionador.
— Eles queriam roubar o meu colar — defendeu-se. — eu tinha que me defender.
— Destruindo todo o campo, machucando as árvores e, pior, ameaçando a vida de pessoas — Kita rebateu.
Hayabusa olhou para baixo, com raiva, não podia contrariar a autoridade do capitão, mas não concordava com o jeito certinho dele.
— Eles queriam me roubar — repetiu baixinho, furioso.
Kita andou calmamente para mais perto do companheiro, estudando o cenário destruído.
— Agora vai dar o colar de bom grado ou vou ter que lutar com você? — Kita propôs.
Kariya ria por dentro e, por fora, tentava segurar o riso "bem feito para ele" pensou.
Hayabusa cerrou os dentes e apertou os olhos, relutante, em seguida arrancou o colar de seu pescoço e jogou-o no chão. Saiu dali a passos largos.
— Conseguimos — Kariya pegou o colar do chão com um ar vitorioso.
— Sabe que não foi você — Hamano foi até ele.
— Eu estava quase botando ele para correr — Kariya disse.
— Sei — Hamano diz à Hayami.
Kita suspira ao ver seu companheiro andando.
— Desculpa por isso, o orgulho de seed ainda está na cabeça dele — Kita diz enquanto tira o seu colar. — Ainda estou tentando mudá-lo, mas está difícil.
— Tudo bem — Sangoku pega que Kita lhe oferece. — Não desista, se um Mannouzaka pode mudar, Hayabusa também pode.
Kita olhou curioso para Sangoku.
— Um mannouzaka? — Perguntou, sabia que esse era um time problemático.
— É, um Mannouzaka — Sangoku sorriu.
— Agora preciso ir, se Hayabusa pensa que vai destruir esse campo e deixar assim, está muito enganado — Kita se despediu, se perguntando qual Mannouzaka poderia ser, já tinha jogado contra esse time e não conseguia imaginar, seu time havia voltado cheio de hematomas naquele dia.
— Tchau — Os jogadores da Raimon responderam.
— O que faremos agora? — Kariya perguntou, torcendo para que Sangoku dissesse que poderiam voltar para casa e descansar.
— Vamos nos separar e ver como estão os outros — Sangoku respondeu.
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