Os Sobreviventes
23 Doente
Notas iniciais
Vou justificar, eu sofro de gastrite aguda, e esses dias ela tem me atacado direto. Acabei tendo um bloqueio criativo e não escrevi mais nada. Mas, hoje eu to melhor e já escrevi dois capítulos. Fiquem com o primeiro.
*Aviso: olha as hot scenes...
- pneumonia? – guinchou Jake.
Doc assentiu, Jamie apertou minha mão, gerando um calor agradavel.
- ah – foi só o que eu pude dizer.
Silencio momentaneo, senti os olhares de todos sobre mim.
- como tratar? – perguntou Melanie
Doc olhou para o meu rosto, desviei o olhar, detestava sentir o olhar de compaixão das pessoas.
- até onde eu sei, o curar pode resolver – respondeu
Doc não pareceu convencido disso, engoli em seco, sentindo um novo acesso de tosse formando-se em minha garganta. Jamie afagou minhas costas enquanto eu dobrava-me sobre meu próprio corpo, tossindo sem poder parar.
- o que estamos esperando? – perguntou Jake – dê o remédio á ela?
O garoto parecia nervoso e preocupado, eu não podia culpa-lo. Passei as ultima duas horas tossindo sangue, e o pior, por cima dele e de Jamie na area de banhos.
- não sabemos se vai funcionar – ponderei – vai gastar o remédio á toa comigo.
Jamie se agachou na minha frente, ficando cara á cara comigo.
- Bonnie, você está doente – falou – precisa do remédio.
Neguei com a cabeça, os estoques de curar estavam baixos graças á um queda que Kyle levou, machucando boa parte de seu tórax.
- não vamos gastar tudo comigo – falei.
Doc segurou minha outra mão, fazendo-me encara-lo.
- Bonnie, podemos sair em incursão e pegar outros – disse Peg – eu faço isso, mas você precisa melhorar.
Olhei para a garota, ela parecia estar vendo algo que a deixava depressiva.
- Peg, você não pode se arriscar por isso – falei
- ora Bonnie, não seja idiota – disse Ian – fazemos isso sempre, você pode ficar boa, isso não vai ser problema.
Soltei um suspiro pesado, meu olhar encontrou-se com o de Jamie..
- tome – pediu – por favor.
Respirei fundo, olhei na cara de todos os presentes antes de fixar meu olhar em Jamie.
- querem que eu tome? – perguntei
Todos assentiram, endureci a expressão.
- muito bem – falei – conssigam mais curar, assim que quantidade não for um problema, eu tomo.
É claro que eles não deixariam barato, tapei as orelhas para tentar abafar a confusão de vozes que se iniciou assim que eu formei a frase.
- Bonnie, você pirou? – perguntou Jake
- não faça isso consigo mesma – disse Jered
- garota, eu te daria umas boas palmadas – disse Melanie
- tome o remédio – pediu Peg.
- chega! – decretou Geb
Silencio total, respirei fundo, aliviada.
- se ela quer assim, assim será – disse – chega de discutir.
- valeu Geb – falei
Todos me olharam, revirei os olhos.
- eu estou bem – menti – não vou morrer agora.
Como eu sou uma criatura muito sortuda, tive mais um acesso de tosse sangrento e agoniate, apenas para fizar a ideia de que eu não estava bem. Consegui parar de tossir, forcei um sorriso ironica para Jamie, que me olhava com preocupação.
- tudo bem – falei – eu posso morrer, mas não agora.
- estamos perdendo tempo aqui – resmunguou Jamie – quem vai para a incursão?
Todos olharam para Peg, isso era meio óbvio, contando com seus olhos prateados. Melanie deu um passo á frente, assim como Jered e Ian, eles não deixariam suas amadas irem sozinhas.
- só nós é o suficiente – disse Jered
- e você, Jamie? – perguntou Geb
Jay negou com a cabeça.
- eu não vou deixar a Bonnie – respondeu
Dei um sorrisinho, meu namorado depositou um beijo em minha testa.
- okay então – disse Geb – quanto antes vocês saírem, melhor.
Os quatro retiraram-se, deixando apenas Jamie, Jake, Doc, Heather e eu no recinto.
- muito bem – falei – já sabemos o que eu tenho, posso sair daqui agora?
Todos me encararam, fechei a cara.
- gente, eu preciso ficar um pouco sozinha – falei – por favor.
- okay – cedeu Doc – mas, se sentir qualquer coisa...
Revirei os olhos, levantando do catre.
- já sei – falei – valeu.
Passei por eles e caminhei sozinha até a caverna dos vagalumes, sentei na borda das pedras e abracei as pernas.
Ainda não tinha superado a perda do Daniel, ainda doia muito saber que ele não estava mais comigo, doia ainda mais pensar que ele podia ter sido usado como hospedeiro, sendo usado como veiculo para algum parasita nojento.
Eu juro por tudo que me é mais sagrado (Daniel) que se eu visse o parasita que o aprisionou, eu o esmagaria com as duas mãos, e daria um sorriso tão brutal que faria todos ficarem com medo de chegar muito perto de mim.
- sabia que estaria aqui – disse alguem atrás de mim.
Virei o rosto, Jamie vinha até mim á passos lentos, mas decididos.
- você me conhece melhor do que ninguem – concordei – sabe que eu viria para cá se precisasse ficar sozinha.
Ele deu um meio sorriso e sentou ao meu lado, não relaxei até estar com seu braço envolto em minha cintura.
- como você está? – perguntou
Dei de ombros, ele pousou o rosto em meu ombro.
- bem – respondi
- como está – repetiu – de verdade?
Suspirei, Jamie me olhou nos olhos.
- arrasada, destuída, devastada – respondi – sem poder abraçar meu irmão, ou ao menos, soca-lo.
Ele assentiu, suspirei e voltei á encarar os vagalumes.
- desculpe por ter perguntado – sussurrou – mas, eu precisava saber.
- não peça desculpas Jay – falei – eu me sinto melhor agora, porque disse isso.
Ele deu um pequeno sorriso, fiz o mesmo, ainda que me sentisse mal demais para respirar. Estar doente ajudava nisso, não poder respirar.
- Bonnie, eu quero conversar com você – falou
Assenti, ele me abraçou, aconcheguei-me em seu peito.
- preciso tentar convence-le á tomar o remédio – falou
Suspirei, Jamie esperou minha reação.
- você já ouviu minha condição – respondi – é minha ultima palavra.
Ele soltou um suspiro pesado, o ar fresco do local me ajudou á respirar.
- eu sei, não vou tentar contrariar você porque eu te amo demais para discutir – falou – mas, se for necessario, eu quero que me prometa que vai tomar.
- Jamie... – comecei.
Ele predeu meu rosto nas mãos, segurando meu olhar no seu.
- prometa para mim – pediu
Suspirei, ele continuou com aquela expressão firme.
- eu prometo – cedi com certa relutancia – só se for muito necessário. Até lá, vou esperar os outros voltarem da incursão.
Ele fechou os olhos, claramente aliviado demais para conseguir continuar sério. Aproximei minha boca da dele e beijei-o com todo o carinho que consegui reunir. Jamie acariciava meus ombros enquanto nossas bocas estavam seladas, tão unidas quanto eu pensei ser possivel. O meu ar faltou, mesmo assim eu não encerrei o beijo, não podia, não conseguia solta-lo. Segurei sua nuca e puxei-o para mim, sentia uma grande necessidade de aproxima-lo de mim, tão forte que eu não conseguia explicar, ou, me controlar.
- vamos para o quarto? – perguntei, sem desgrudar nossos lábios para falar.
- vamos – respondeu da mesma forma.
Que bom saber que ele queria tanto quanto eu, isso fez meu coração bater mais forte, impulsionando uma onda de energia, fazendo-me levantar e conseguir ter fôlego suficiente para aguentar os apertos de Jamie. Meu namorado pegou minha mão e me conduziu pelo corredor, só paramos de andar roboticamente quando chegamos no quarto. Jamie me encostou na parede, nossos lábios colaram-se novamente, para falar a verdade, eu quase devorei os lábios dele, assim como ele quase dovorou os meus. Separei nossos lábios por um segundo, vi seu sorriso contente e feliz, assim como o meu.
- eu nem sei o que deu em você – sussurrou Jamie – mas, confesso, estou amando.
Soltei uma risada, Jamie deu um grande sorriso e me jogou na cama, e logo depois, jogou-se por cima de mim e me beijou. Arfei, Jay beijou minha clavícula enquanto suas mãos passeavam em meu corpo, fazendo uma parada especial e demorada nas minhas pernas.
- soldado pedindo permissão para vasculhar o território – murmurou na minha orelha.
- permissão concedida – murmurei de volta.
Ele riu enquanto eu subia sua camisa, exibindo seu peitoral levemente musculoso, onde eu passei minhas mãos e dei beijos. Jamie baixou seus labios em meu pescoço, levando arrepios bons por onde sua lingua passava. Ofeguei um pouco, Jamie tirou minha camisa e beijou o centro do meu peito, o espaço entre os seios e meu queixo antes de subir para a minha boca. Mordi o lábio, Jamie encontrou o fecho do meu sutiã, abrindo-o e exibindo meus seios.
- estão maiores do que eu me lembro – comentou
- Jamie! – protestei.
- o que? – perguntou
Não tive tempo de responder, porque meu namorado começou á beijar meus seios, massageando-os com a ponta da língua. Gemi de leve, Jamie colocou minha perna em volta de seu quadriu e beijou minha boca. Mordisquei seu labio, ele sorriu em meio ao beijo, e fez o mesmo comigo.
Alguem empurrou a porta, só deu tempo de Jamie tapar meus seios com as mãos e ambos olharmos para a porta. Acho que eu nunca vi alguem ficar chocado como Jake, ou alguem ficar vermelha como Heather, ou alguem ficar sem graça como Jamie, muito menos alguem ficar furiosa como eu.
- o que é isso?! – rosnou Jake
- o que é isso digo eu?! – rosnei de volta.
Eu não pensei ao agir, pulei da cama com o braço na frente dos seios e empurrei a porta, fechando-a parcialmente. Vesti minhas roupas com uma rapidez fora do comum, Jamie fez o mesmo, enquanto Jake esmurrava a porta. Abri-a com uma força desnecessária, encarei meu amigo com uma careta tão furiosa que fez Heather tremer.
- Jake Spencer – comecei – o te deu na sua cabeça?
- na minha? Bonnie Clark, o que deu na sua cabeça?! – rosnou – o que ia fazer?
- você deve saber bem como funciona os métodos humanos para propiciar prazer – soltei sem pensar.
Corei muito quando disse aquilo, não mais que Jamie, não mais que Heather. Jake parecia estar tentando engolir uma bomba, pois engoliu em seco umas cinco vezes seguidas.
- eu não cosigo crer no que eu vi – Jake disse, mais para ele mesmo do que para mim.
Respirei fundo, olhei para Jamie, tentando buscar o apoio que precisava, mas ele parecia tão perdido quanto eu.
- o que fazem aqui? – perguntei, tentando destrai-los.
- moramos aqui – respondeu Jake, sua carranca era tão furiosa quanto a minha.
Revirei os olhos, Jamie se aproximou de mim.
- digo, aqui, no quarto – falei
- estamos aqui – respondeu Heather, sua voz saiu tão fraquinha que me deu certa pena.
Olhei para o meu namorado, ele pôs as mãos na minha cintura e fez uma careta desastrada.
- quando ia me contar? – perguntei
Jake deu um passo á frente, encarando Jay.
- não contou pra ela? – perguntou, cuspindo as palavras.
Jamie cerrou o maxilar, recuei um passo.
- eu contaria quando quisesse – respondeu – ou, quando terminássemos o que fazíamos.
Jake arregalou os olhos e me olhou, corei e olhei para o chão.
- davia ter contado antes, Jay – falei
Ele baixou a cabeça, peguei sua mão.
- desculpe amor – falou
Assenti para ele, encarei os outros dois presentes. Jake parecia querer vomitar, Heather parecia querer enfiar-se em um buraco.
- foi mal – falei por entre os dentes – eu não sabia que também estavam aqui, desculpa.
Puxei Jamie para fora sem ao menos olhar na cama de Jake, dei um sorriso mínimo para Heather, ela fez o mesmo, ainda que tivesse certa relutancia ao fazê-lo. Dirigi-me á caverna dos vagalumes, Jamie não disse uma só palavra até chegarmos lá.
- desculpe Bon – falou cabisbaixo – eu devia ter contado logo que fiquei sabendo, mas...
- eu sei, também fiquei triste com isso – fiz uma careta e soltei um suspiro – adeus dormir á vontade.
Ele prendeu o riso, olhei para ele, me deu vontade de rir.
- para de me fazer querer rir – resmunguei
Ele continuou da mesma forma, deixei uma risada escapar, fazendo-no rir ainda mais.
- chega – falei
Ele riu, ri também. Abracei-o com carinho, enterrando meu rosto em seu pescoço
- eu te amo Jay – suspirei
Ele beijou meu pescoço, sorri e fechei os olhos.
- eu também te amo – respondeu
Afastei meu rosto de seu pescoço, olhei bem dentro de seus olhos lindos e muito vivos.
- eu não sou burra Jamie Stryder – alertei
Ele piscou, pareceu sem ação.
- eu sei disso – falou
- eu sei o que fez – falei
Ele continuou sem ação, fiz um biquinho e dei-lhe um selinho.
- devia ter contado antes, mas assim que eu soubesse do que aconteceu, eu não iria mais fazer você sabe o quê com você – acusei – então, escondeu a informação de mim, esperando lucrar com isso.
Ele arregalou os olhos, estreitei os meus.
- to sabendo – falei – eu não vou fazer nada dessa vez, não faça isso outra vez.
Ele engoliu em seco, suspirei e voltei á abraça-lo.
- o que queria com isso? – perguntei – eu sei que não foi apenas por beijos á mais.
Ele hesitou, acariciei sua nuca com meus dedos.
- eu queria que o Jake visse – cedeu com relutancia – não gosto do jeito que ele trata você.
- ciumes! – acusei – que lindo!
Sorri e dei três pulinhos, Jamie ficou me olhando, como se refletisse com que louca ele estava namorando.
- eu amo você – falei – amo mesmo, muito.
Ele deu um sorriso hesitante, percebendo minha loucura.
- eu também amo você – respondeu
Pulei em seu pescoço, beijando-o com carinho e amor. Separei nossos lábios, olhei em seus olhos.
- não precisava fazer isso – falei – Jake nunca teria chance, você sempre foi o dono do meu coração, e ele sabe disso.
- como ele sabe? – perguntou
- eu mesma contei para ele – respondi
Jamie piscou, sorri.
- contou? – perguntou – quando?
- quando ainda estava com Daniel naquele casebre – respondi
Ele franziu as sobrancelhas.
- isso foi antes de nos reencontrármos – falou
Assenti, Jay deu um pequeno sorriso incrédulo.
- eu sempre te amei Jamie – falei – sempre. Nunca dei esperanças á Jake, sempre amei você.
Ele sorriu de maneira apaixonada, dei um sorrisinho, admirando seu olhar intenso e incrivel.
- Bonnie – falou – você é perfeita.
Sorri e encostei meus labios nos dele, beijando-o com todo o amor que eu guardava no peito.
- agora você já sabe – sussurrei por entre seus labios – não precisa ter ciumes, eu amo só você.
Ele sorriu em meio ao beijo, abraçou-me pela cintura e me apertou contra seu corpo. Enganchei meus dedos em seus cabelos, suspirei enquanto beijava meu namorado.
Eu tinha muitas dúvidas e incertezas, muitas tristezas e muitas mágoas. Mas sabia, enquanto tivesse Jamie ao meu lado, eu estaria bem, seria amada.
Notas finais
Beijo, até o próximo.
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