Os Sobreviventes
3 Confusa
Notas iniciais
- faz silencio agora – cochichei
- como quiser – falou
Escalei a grade, a escuridão ajudou-me á passar despercebida. A caminhada de cinco horas deu tempo de anoitecer. Jake pulou logo atrás de mim, ele estava empolgado e sorridente.
- não vai dizer onde estamos indo? – sussurrou
- silencio – repeti
Ele riu silenciosamente, sorri e abri a grade do clube de tiro abandonado. Almas não treinam tiros, o lugar estava vazio, mas eu sabia de um esconderijo para armas.
- venha comigo – falei – segura minha mão.
Ele sorriu, mas fez o que eu disse. A parte era muito escura, mas eu já conhecia o caminho. Pulei a janela e puxei Jake para dentro, ele tropeçou e caiu por cima de uma mesa. Rindo, soltei sua mão e fui para a área de tiros.
- vai mesmo me matar? – perguntou
- me dá um segundo de raiva e vai se arrepender – falei, minha voz saiu mais sensual do que eu esperava.
Ele riu, coloquei um silenciador em cima do balcão de armas. Escolhi uma pistola calibre 38. Automática, Jake assoviou.
- temos cindo balas – falei – pode começar.
Dei-lhe a arma, ele sorriu e colocou o silenciador. Posicionamos na sala com isolamento sonoro, fechei a porta para garantir. Engatei o alvo e dei á Jake espaço, ele se posicionou e atirou. O barulho foi abafado pelo silenciador, Jake sorriu.
- marquei trinta pontos – falou
- bom – falei – mas é minha vez.
Ele me passou a arma com um sorriso, mordi o lábio e me posicionei. Apertei o gatilho, um impulso me botou para trás, mas eu não me abalava assim. Peguei o alvo, Jake abriu a boca.
- cem pontos – falou – impressionante.
Sorri, ele pegou minha mão e não a soltou, senti um formigamento agradável.
- você foi muito bem – falou
- obrigada – falei
Ele ficou me olhando, sorrimos um para o outro.
- vamos embora – falei – podemos ter chamado atenção.
Ele sorriu, mas não soltou minha mão. Guardei a arma e escondi nossas evidencias, pulamos a janela, Jake só saltou minha mão na hora de escalar a grade. Ele pulou na minha frente, me atrapalhei na hora de descer, Jake acabou precisando segurar em minha cintura e me ajudar á descer.
- obrigada – falei
- não foi nada – falou
Sorrimos um para o outro, desviei o olhar, Jake percebeu.
- vamos por aqui – chamei
Ele assentiu, puxei-o para o outro lado da rua. Me agachei, trazendo Jake comigo.
- fica aqui – falei
Ele me olhou, pisquei e pulei o muro de uma casa. Entrei rápido e peguei algumas latas de refrigerante, corri para fora. Jake estava boquiaberto onde eu o tinha deixado, dei-lhe uma lata de refrigerante.
- sede? – perguntei
- você é louca – falou
- ué, você não gosta dos loucos? – provoquei
Ele sorriu, um carro passou na rua, bem devagar.
- silencio – sussurrei
Jake me puxou para seu colo, esprememo-nos junto ao muro do clube de tiro abandonado. O carro passou, a rua voltou á ficar deserta. Suspirei, Jake segurava minha cintura, eu estava em seu colo. Pigarreei e saí de cima dele, ficamos um pouco sem graça.
- melhor irmos – falei – podemos chamar muita atenção.
- vamos – falou
Voltei para o deserto, correndo. Parei bem longe do clube de tiro para esperar por Jake, ele veio até mim sorrindo.
- vamos – falei
Corremos á toda, Jake já estava atrás de mim, ria e falava algo de vez em quando. Chagamos no pedregulho de mais cedo, escorei-me nas pedras e respirei fundo. Jake se encostou ao meu lado, estávamos suados e calorentos, o brilho da lua refletia nos olhos dele. Sorri, ele também.
- cansada? – perguntou
- sim – falei – mas já estamos perto.
Fiz menção de andar, Jake me segurou pelo pulso.
- não quer ficar de bobeira? – perguntou
Olhei para as estrelas e sorri para o céu antes de virar para ele, Jake sorria de forma linda.
- já ficamos de bobeira – falei – é melhor irmos, Dan e Heather devem estar preocupados.
- um segundo – pediu – por favor?
Suspirei e sorri sem querer.
- um segundo – falei – o que quer fazer?
Ele me puxou em um abraço, suas mãos estavam em minha cintura. A confusão invadiu minha mente, Jake sorria e me olhava nos olhos.
- posso fazer uma coisa? – pediu
- se for o que isso tá parecendo, não – respondi – acho melhor voltarmos, o segundo já passou.
Ele me puxou mais, encostamos-nos á pedra. Seu sorriso mostrava algo novo para mim, desejo.
- eu gosto de você – falou
Pensei em algo para responder, mas estava confusa. Ameaçava chover, pequenas gotas caiam do céu.
- chuva – falei – é algo incrível
- sabe o que é incrível? – perguntou
- o que? – falei
- isso – falou
Ele me puxou pela cintura e me beijou na boca, para tudo! Seus lábios beijavam os meus com carinho, carinho que eu nunca recebi antes. Suas mãos acariciavam minhas costas, minhas mãos mexiam no seu cabelo. O ar faltou, a chuva aumentou, nada disso nos separou. Jake separou nossos lábios, já estávamos ensopados pela chuva. Ele me puxou para seu peito e me abraçou, meus lábios ainda estavam quentes e formigantes, fechei os olhos para aproveitar o momento. Eu estava confusa, Jake beijava minha testa delicadamente. Separei-me dele, Jake me fitou intensamente.
- precisamos voltar – sussurrei
Ele não fez nada, apenas me olhava daquela maneira intensa, como se tentasse ler meus pensamentos. Baixei o olhar e fitei o chão, ouvi um barulho ao norte.
- corra! – falei
Jake pegou minha mão, corremos juntos até o casebre. Heather e Dan conversavam sobre algo engraçado, ambos riam. Pulei em cima de Dan e o sacudi.
- alçapão, agora! – falei
Eles levantaram, os três pularam para o alçapão, fiquei para esconder nossas evidencias.
- Bonnie! – chamou Jake
- to indo – respondi.
Alguém lá fora passava pelos cactos, estavam poucos metros alem do pedregulho. Apaguei o candeeiro e pulei no alçapão, mãos fortes me ajudaram á descer de forma silenciosa, Jake me puxou para trás de uma caixa.
- silencio – sussurrei
Estava escuro ali, o candeeiro fora apagado por mim, não via nada. Sentia mãos em minha cintura, sabia que não era Dan, ele não faria isso. Aconcheguei-me no peito de Jake, ele roçou a boca no meu pescoço, fazendo-me ficar arrepiada. Como poderia ficar assim em um momento como esse? Por que eu estava assim, tão arrepiada?
- não tem ninguém aqui Chamas – disse alguém acima de nós – não eram humanos aqueles que você viu naquele rochedo.
Jake me apertou contra seu corpo, senti a aproximação de outra pessoa. Passos acima de nós.
- tem razão Luz da Noite – falou outro – eu devo ter visto apenas uma miragem, a mitologia dos humanos diz que elas existem.
Mais passos, coloquei a mão para trás e apalpei o peito de Jake, só para ter certeza de que ele estava mesmo lá, e não uma miragem.
- vamos embora, nosso turno acabou – disse o primeiro, Luz da Noite.
Os passos cessaram, ouvi a porta bater. Jake me soltou na hora que Dan acendeu o candeeiro, livrando-nos de algumas explicações.
- onde estavam? – perguntou
- passeando – falei – estávamos perto do rochedo quando vimos que estávamos sendo seguidos.
Jake se aproximou de mim, Heather ficou curiosa.
- estavam fazendo o que? – perguntou
- caminhando para chegarmos aqui – menti – não é mesmo Jake?
Ele demorou para perceber, Dan semicerrou os olhos.
- sim, isso mesmo – falou – uma longa e agradável caminhada.
- longa apenas – falei
Jake esqueceu dos que estavam perto e colocou as mãos em minha cintura.
- não foi agradável? – perguntou – achou meus passos um pouco capengas?
- seus passos foram perfeitos, embora, precipitados – falei – foi agradável, mas espero que você tenha paciência e espere outra caminhada, uma mais longa e desenvolvida.
- e se eu não quiser esperar? – perguntou – se eu quiser meter o pé na estrada.
- você vai sozinho – falei – eu não caminho com você, preciso de tempo para melhorar meu fôlego.
Ficamos nos olhando, Dan e Heather trocaram um olhar.
- isso está um pouco estranho – disse Daniel – posso estar enganado, mas acho que foi mais do que uma caminhada.
- Dan... – falei
A porta bateu outra vez, ficamos alertas, Dan apagou o candeeiro. Passos ecoaram acima de nós, Jake me puxou para seu peito outra vez.
- acho que deveríamos procurar mais – disse uma voz, uma mulher – pode ser que eles não tenham achado o que queriam.
Jake tapou minha boca com a mão, sua respiração esquentava meu pescoço.
- aquelas almas deveriam estar loucas, ninguém mora aqui – disse outra voz, um homem.
- Jared, acho que está enganado – disse a mulher.
- Mel, você está cansada, vamos embora – disse o tal Jared
- Peg está esperando por nós – disse uma terceira voz, um garoto.
- espera aí Jamie – disse a garota – tem algo aqui, um alçapão.
Jake ficou ofegante, agachei-me e nos escondi atrás de uma pilha de caixas enquanto Dan e Heather pulavam no buraco de banho. A porta do alçapão foi aberta, alguém pulou para dentro, sendo seguida por apenas um deles.
- procure – disse a mulher – pode ter mantimentos aqui
- Melanie, vamos embora – disse o homem – devíamos ter voltado logo, Ian e Peregrina estão esperando.
- calado Jared – disse Melanie
- teimosa – disse Jared
Jake beijou meu pescoço, apertei suas mãos.
- vai ficar tudo bem – sussurrou na minha orelha.
- eu sei – menti no mesmo tom.
Alguém puxou as caixas que nos escondiam, não pensei, apenas ataquei quem nos descobriu.
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