Os Sobreviventes
25 Aceitando o desafio
Notas iniciais
Um pouco de Jake para melhorar seu dia, espero que gostem.
POV Jake
Eu ainda não consegui deletar aquela imagem da minha mente.
Queria muito ver a Bonnie nua, sou humano, não posso evitar. Mas vê-la com Jamie, vê-lo tocando seus seios, aquilo foi como engolir um copo de acido.
Sempre que eu topava com ela no corredor, Bonnie fugia de meu olhar. Não posso culpa-la, meu olhar reprovador era muito forte, até mesmo Heather sentia-se mal quando eu o exibia. A ideia deles juntos me fazia querer vomitar, tem algo pior do que ver a sua garota com outro?
Eu estava ajudando na colheita, Bonnie estava á minha direita, abaixada para recolher o que conseguira. Acabei fitando-a, aquela garota era tão perfeita e linda que devia deixar todas as mulheres em volta dela com vergonha de serem tão inferiores. Ah como eu queria toca-la de verdade, ah como eu queria morder seus lábios, beija-la como se deve, Bonnie era muita areia para o caminhãozinho de Jamie, ela era muito mulher para aquele garoto. Eu queria tê-la só para mim, eu a faria feliz, a faria se sentir bem. Ela não devia saber o quanto era desejada, mas, eu a faria saber disso todos os dias.
- tá olhando o quê? – perguntou Bonnie.
Pisquei, estava parado, encarando a garota. Todos em volta estavam me olhando, Jamie não estava ali, era a minha chance. Sorri e cheguei mais perto dela, as pessoas em volta disfarçaram, mas continuaram olhando.
- estava pensado se não gostaria de ajuda – menti com um sorriso descarado – essa área é muito grande para uma dama colher sozinha.
Ela ergueu uma sobrancelha, sorri ao ver que ela também sorria.
- okay – falou
Soltei a respiração, ela sorriu e continuou á colher trigo. Disfarcei, fingindo desinteresse no modo como sua blusa caia quando ela se abaixava, mostrando seus belos peitos.
- então – comecei, fingindo não querer nada – cadê o seu namorado? Por que ele não está te ajudando?
Ela fez uma careta para o trigo, espiei-a pelo canto dos olhos.
- ele está ajudando Geb com o estoque – respondeu – ficamos separados hoje.
- hum – falei – saquei.
É claro que eu não podia parar por aí, estava apenas conhecendo o território hostil, ainda precisava de mais pesquisa antes de declarar guerra.
- vai fazer o que depois da colheita? – perguntei, ainda fingindo não estar interessado.
Ela deu de ombros, esperei enquanto enchia uma cesta.
- eu vou arrumar os espelhos do teto – respondeu, Bonnie pensou por um segundo – depois vou passar na área de lazer e jogar queimada com Ian, Melanie, Peg, e Jered.
- e o Jamie? – perguntei, fingindo prestar atenção no trigo que estava cortando.
- vai ficar na cola de Geb o dia todo – respondeu, um pouco chateada – ele quer ensina-lo algumas coisas.
- hum – falei outra vez, levantei o olhar, Bonnie estava agachada perto de sua cesta, colocando mais trigo dentro dela.
- pelo visto estão precisando de mais um jogador – lancei as palavras no ar.
- sim – ela disse, indiferente – vou ver se mais alguém quer jogar.
Fingi não ter interesse nisso, dei de ombros.
- hum – repeti – se quiser, eu posso indicar alguém.
- quem seria? Heather? – perguntou, olhando para o pedaço de campo que ainda faltava.
- eu – respondi – sou bom nesse jogo.
Ela me encarou, cética. Fingi não ver nada incomum nisso.
- por que está fazendo isso? – ela perguntou – você passou o fim de semana todo sem falar comigo, por que está agindo como o bom rapaz?
Fingi estar ultrajado, ela estreitou os olhos.
- não vejo nada de errado em querer lhe ajudar – menti – não gosto de injustiça, seu time estaria em desvantagem, eu poderia lhe ajudar, só isso.
- hum – falou, roubando minha fala.
- mas, se não quer minha ajuda... – induzi.
- calado Spencer – resmungou – acho bom você saber jogar.
Sorri e refreei o impulso de gritar um “yeah” bem alto, recompus a expressão e cheguei mais perto dela, ficando á centímetros de sua boca chamativa.
- não vai se arrepender – falei de forma casual, como costumava falar com as garotas da escola.
Ela tentou evitar o sorriso, mas eu percebi. Dei um sorriso maroto, ela revirou os olhos, mas suas faces coraram de leve, pelo visto o meu sorriso galante ainda funcionava bem.
Aquela estava no papo.
- ei Bon! – chamou alguém atrás dela.
Ela virou rápido, Jamie vinha á passos largos em sua direção. A garota sorriu abertamente e atirou-se nos braços dele, pude assistir de camarote enquanto Jamie tentava devorar a boca dela, minha Bonnie foi erguida do chão e girada no ar pelo namorado. Trinquei os dentes, fechei os punhos.
Talvez não estivesse tão no papo assim, mas eu não me importava em lutar um pouco.
***
Passamos a tarde toda na colheita, Bonnie aventurou-se escalando as paredes para ajeitar os espelhos, confesso que gostei bastante de vê-la suada. Sua pele brilhava, deixando ela muito sensual, como aquelas garotas em filmes de corrida. Aquela camiseta fina e aquele short curto também não ajudavam em nada, se ela não queria parecer sexy, falhou miseravelmente.
- o lá em casa – falei baixo.
Ninguém ouviu, sorte a minha, porque todos aqui gostavam de Jamie, ou seja, todos me matariam se eu cantasse a namorada do cara. Eu ligava para isso? Claro que não.
- oh não – resmungou Bonnie
Ela estava presa em cima das rochas, não podia descer sem pegar uma queda feia.
- de novo não – ela gemeu de frustração, mesmo assim, isso foi meio excitante.
- uma ajudinha? – perguntei, dando aquele sorriso de canto que ela não resistiu da primeira vez.
- por favor – respondeu
Estendi os braços, ela pulou em meus braços. Senti aquele corpo perfeito e quente colidir contra meus braços, apertei-a contra meu peito, mesmo não sendo necessário.
- valeu – agradeceu com um sorriso pacifico – já pode me por no chão.
- não mesmo – respondi
Ela estreitou os olhos, sorri maliciosamente e joguei-a por cima do meu ombro, como Shrek fez com Fiona no primeiro filme. Ela socou minhas costas, não pude deixar de rir de sua cara de brava.
- me solta Spencer! – mandou
- er... Não – respondi.
Ela bufou, mas cedeu e deu uma risada. Carreguei-a pelos corredores de pedra, ela ria de vez em quando, assim como eu.
- eu ainda sei como chegar onde quero com minhas próprias pernas – ela falou
- mas isso tira toda a graça – brinquei.
- tem algo errado com as minhas pernas? – perguntou
- errado? – fingi pensar – não, tem algo muito certo com elas, mas eu não vou dizer isso em voz alta.
- que lindo – resmungou – eu não tenho cinco anos, já entendi.
Ri, ela deu uma risadinha baixa. Joguei-a no chão, ela suspirou de alivio, peguei-a no colo outra vez, segurando sua cintura e suas pernas.
- tava mesmo bom demais para ser verdade – resmungou
Sorri para ela, ela fugiu de meu olhar, mas sorriu.
- eu gostaria muito de ser deixada no chão – falou, suspirou e forçou uma expressão sonhadora.
- eu sou muito mal, não vou obedecê-la – falei.
Ela revirou os olhos, passou o braço direito em volta do meu pescoço com certa relutância, mas logo relaxou sua postura.
- sabe o que seria ótimo aqui? – perguntei – uma piscina.
- também acho – falou, ainda sem olhar para mim.
- por que não fala com Geb? – perguntei – você deve saber fazer uma carinha de cachorro pidão.
Ela revirou os olhos, sorri.
- talvez eu fale – Disse – mas, posso ser ignorada. Não se pode discutir com Geb.
- o que é isso? Olha para você, Bonnie – falei – eu tiraria meu rim com uma tesoura cega se você falasse, Geb deve ceder.
Ela revirou os olhos, estávamos passando por uma parte escura e deserta agora.
- o que eu tenho de tão persuasivo? – perguntou
Parei de andar, resisti ao impulso de beija-la nesse exato memento, sacudi a cabeça e recomecei minha caminhada, Bonnie esperava pela resposta.
- você sabe como persuadir alguém – falei – tem jeito para isso.
- hum – resmungou – sei.
Ela devia ter ficado com raiva, trinquei os dentes. Sempre sabia como me portar com uma garota, mas Bonnie realmente me deixava sem saída.
- acho que estamos perto – falei – ainda não decorei direito essas passagens.
- nem eu – confessou – eu vivo andando com o Jay por isso, sempre me perco quando to sozinha.
Lá vinha ela falar do Jamie, respirei fundo, acalmei meu coração.
- sabe, posso perguntar uma coisa? – perguntei
- já perguntou – falou ironicamente – nesse caso, eu deixo você perguntar duas coisas.
Sorri, ela também.
- quando você começou á namorar o Jamie? – perguntei
Seu sorriso se desfez um pouco, devo ter tocado na ferida.
- acho que um mês depois de chegar aqui – falou – ou quase isso.
Ela levou um mês para superar meu beijo, isso devia ser bom. Tentei não focar com expressão presunçosa, Bonnie não era burra, ela notaria.
- hum – falei – saquei.
Ela mordeu o lábio, identifiquei isso como um sinal de distração.
- tá pensando o que? – perguntei
Ela sacudiu a cabeça, voltando á realidade.
- coisas minhas – falou – nada que seja da sua conta.
- hey – protestei – isso foi grosseiro.
Ela deu de ombros e sorriu para mim, dei um meio sorriso.
- achei que você já estivesse acostumado – falou – eu sempre tratei você assim.
- pensei que ter me perdido iria descongelar seu coração frigido – falei.
Ela deu de ombros outra vez, fitei seu rosto enquanto andava.
- talvez sim, talvez não – falou – você está aqui, não está?
- estou – falei isso com firmeza, para deixar bem claro.
- sendo assim, vai tudo ser como antes – falou – com um pequeno detalhe.
Olhei para seu rosto, ela exibia um sorriso maroto.
- qual detalhe? – perguntei
Ela sorriu mais abertamente e aproximou sua boca da minha, fiquei surpreso, mas logo correspondi.
E então, eu estava no chão, novamente. Afaguei meu próprio estomago, a trapaceira agachou-se por cima de mim, comprimindo minha garganta com seu cotovelo.
- eu namoro o Jamie – falou ameacadoramente – e, a menos que queira acordar com uma faca atravessada em seus órgãos genitais, eu quero que respeite isso.
Ela levantou, deixando-me no chão, gemendo de dor. Bonnie chutou-me no ponto chave antes de ir embora.
- comecemos com um aviso – gritou ao longe – da próxima vez, eu vou mostrar que posso ser muito má.
Ri de sua ousadia, ela não sabia, mas tinha me atiçado ainda mais.
- já comentei o quanto adoro ser desafiado? – perguntei para o nada.
Levantei, segui pelo corredor com um grande sorriso no rosto.
Ela ainda não sabe, mas é minha. E eu não vou desistir até tê-la para mim.
Notas finais
Beijos, até mais.
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