Os Sobreviventes
2 O desastre
Continuei ajoelhado no chão ao lado de meu vômito. Fitei a televisão por um bom tempo. Ela mostrava a visão de cima da cidade. Aquela era realmente a cidade que eu morava? Por que estava um completo desastre. Prédios e carros em chamas, motos e carros virados. Um verdadeiro apocalipse. Denny — meu melhor amigo — ajoelhou-se ao meu lado. Me pegou pelos ombros e me levantou.
— Senta aqui cara. — Ele me colocou em uma cadeira de ferro dobrável.
— Mas que porra é essa? — Gritou Samantha olhando para a televisão. — Esse é o jornal local?
— Sim! — falou o professor Jonathan. — Essas são visões aéreas da nossa cidade.
O que me deixou mais chocado foi ver que eles olhavam atentamente para a televisão, e conseguiam não olhar para a droga do corpo ensanguentado.
— Ficar aqui é a melhor opção. — começou o professor Jonathan. E o pior é que o velho desgraçado tinha toda a razão. O colégio tinha três andares e era cercado por um muro de quase 2 metros.
Continuamos ali sem trocar uma palavra, somente olhando para a televisão. BUUM! ouve-se uma explosão distante e tudo escurece. AHH! Ouve-se gritos por todo o colégio.
— Faltou energia. — Começou o professor Jonathan. — Que ótimo!
— MALDIÇÃO! — grita Samantha.
Ouve-se um baque surdo de ferro rangendo na parte de baixo do prédio, seguido de gritos. Do terceiro andar era quase Imperceptível o som, mas sem sombra de dúvidas estava acontecendo algo no térreo. Algo rangeu como uma grande porta de ferro sendo aberta. Foi aí que caiu a ficha. Estávamos todos fodidos. Todos corremos em direção à janela, atropelando uns aos outros. Olhei para baixo e vi que o portão principal tinha sido arrombado pelos alunos, que agora corriam desesperadamente para fora do colégio.
— Filhos da puta — gritei. — Agora estamos fodidos!
— Corram e tranquem a porta da entrada do terceiro andar. — gritou Jonathan. Como ninguém se mexeu ele gritou mais alto. — RÁPIDO!
Denny e Jonathan correram para fora da sala, em meio a escuridão. Eu, Samantha, alguns professores e alunos continuamos olhando pela janela. Os alunos que haviam saído do colégio estavam voltando desesperados, e o pior de tudo: os mortos-vivos vinham atrás deles.
— É agora não tem como a situação piorar! — comentou o professor Andrews, de matemática. — Eles vão entrar e dominar o colégio.
Algumas pessoas atrás de nós respiravam com dificuldade, talvez pela apreensão, talvez pelo medo. Mas isso não importa o que realmente importa que a garota ruiva e sexy que tinha grava no mínimo uns 5 vídeos pornográficos acabara de desmaiar. Os professores correram e a deitaram sobre a mesa.
— Samantha. — falei pegando no braço dela — Vem comigo. Vamos ver se está tudo bem com Denny e Jonathan. Corremos para fora da sala em meio a escuridão. Bati minha perna em algo e cai. Uma maldita cadeira de plástico. Samantha me ajudou a ficar de pé e ligamos a lanterna dos nossos celulares. Fomos mais devagar, ouvimos várias pessoas gritando e batendo — provavelmente na porta.
Começamos a acelerar o passo quando batemos com força em dois corpos. Denny e Jonathan.
— Conseguiram fechar as portas? — perguntei.
— Sim! — respondeu Denny.
— Mais com toda a certeza não vão durar muito. — Falou o professor Jonathan.
— A garota — falou Samantha — A vadia dos vídeos pornôs... ela desmaiou na sala da diretoria! É melhor irmos dar uma ajuda lá.
Todos concordamos com um aceno de cabeça. Enquanto voltávamos correndo, algo fez meus olhos ofuscarem e ficarem doloridos. A luz havia voltado.
— Graças à Deus. — falou Jonathan.
Continuamos correndo com pontinhos de luz pulando nos meus olhos. Entramos na sala meio exaustos.
— Como a vadia está? — Perguntou Samantha. Todos a olharam. — Digo, Carol McGreavy.
— Melhorando — falou uma garota loira, bonita e muito atraente. — Já está semi-consciente!
Algo no meu bolso fez eu dar um pulo. Meu celular vibrava. Peguei-o na mesma hora. Olhei para a tela e tinham 3 mensagens de voz. O sinal tinha voltado. Digitei o número de minha mãe. Nada. Tentei novamente. Nada de novo. Continuei tentando até que a rede caiu novamente.
— Verifiquem se os celulares de vocês está tendo rede. — Pedi.
Todos pegaram o celular apressadamente porém com um balanço de cabeça pude compreender. NADA!
Batidas e gritos continuavam a vir. Nessa hora eu tinha mais do que 100% de certeza de que quem tinha ficado nos andares abaixo do nosso estavam mortos, ou pelo menos escondidos. Um baque surdo veio do corredor. A porta fora aberta. Carol McGreavy já estava completamente acordada agora. Peguei no braço de Samantha e Denny e corremos para fora da sala em busca de algum lugar para se esconder. Os outros fizeram o mesmo. Corremos para o outro corredor que dava acesso ao teto do colégio. Entramos num armário em que ficavam os produtos de limpeza, vassouras, dentro outras coisas. Fechamos a porta. Ouve-se uma batida nela. Abri somente o suficiente para ver quem estava lá fora. Carol McGreavy. Abri a porta e ela entrou.
— Não vamos sair daqui com vida. — disse ela com os olhos cheios de lágrimas.
— Cala a boca sua vaca. — falou Samantha. — Se você conseguiu sobreviver a tanta rola entrando e saindo de você agente sem dúvida sobrevive à isso.
Eis uma pequena coisa sobre Samantha Lins... Ela é digamos... Meio histérica?
— Pelo menos eu não preciso ficar a mais de três anos com o mesmo namorado e ainda não ter transado. — devolveu Carol McGreavy.
— Calem a boca vocês duas — disse eu. — Vão acabar atraindo a atenção dos zumbis.
Elas finalmente se calaram, porém, continuaram se olhando ferozmente. A pequena sala era escura e estava quente. Todos suávamos. Mas a verdadeira pergunta que não queria se calar nos nossos olhares aflitos, é: conseguiríamos realmente sair com vida daquele inferno que um dia fora minha escola?
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