Os Sobreviventes
9 Conseguimos!
Não conseguimos dormir nem por um minuto sequer. Os mortos-vivos do lado de fora não nos permitiram isso. Ficamos somente ali, calados em silêncio. Britany, levantou-se.
— Pessoal, — começou — eu sei que é tarde da noite, e talvez isso seja uma vantagem pra agente. Sei que parece loucura, mas... Temos que sair daqui... Agora!
Todos ali odiavam a ideia de ter que sair dali, para servir de alvo para os morto-vivos. Mas estávamos a muito tempo sem comer ou beber água. Para falar a verdade nem comemos ou bebemos qualquer coisa desde que tudo isso começara.
— Britany tem razão — disse.
Todos me olharam.
— Agente precisa de comida e água — falou Annie. — E, não vamos conseguir nada se ficarmos aqui, parados!
— Quer saber... — falou Samantha. — Vocês estão com toda a razão, desculpe-me mas esqueci de um detalhe... Tem água em uma pequena sala à direita, indo pra lá. — Apontou ela para um corredor a nossa frente.
Comecei a levantar-me e Annie também levantou-se.
— Vou buscar água. — Dissemos juntos.
Todos fizeram que sim com a cabeça.
— E quando voltarmos iremos dar o fora daqui. — disse Samantha. — Por isso, tratem de levantar suas bundas sujas do chão e procurem por uma saída alternativa.
Eu e Annie começamos a andar em direção do corredor, mal iluminado.
— E, então... — começou Annie, com seu rosto perfeito me fitando. — Como você está levando tudo isso? Eu simplesmente estou tentando não começar a gritar e enlouquecer, mas... — lágrimas brotaram de seus olhos. — É... tão difícil!
Peguei sua mão, com as minhas duas mãos. E, sussurrei no ouvido dela.
— Se ficarmos juntos dará tudo certo.
Suas lágrimas se cessaram. E, ela olhou com aqueles olhos castanho claros. Passei minha mão por trás de sua cabeça e aproximei-me de sua boca selando um beijo perfeito. Descolamos nossa boca.
— Acho... Acho que temos que levar essa água. — Disse ela.
— Olha... — falei. — Sei que parece bizarro, mas...Eu estou realmente afim de você. Nunca tinha te observado na escola, mas você é tão...
— Claro que não me observou na escola... Você fazia parte dos populares. — Rebateu, só que não violentamente, e sim como se ela também sentisse algo por mim.
— Mas... mas... eu gosto realmente de você! — falei.
— Gosta tanto que transou com outra garota...
Como ela sabia? Carol havia contado? Ela prometera que não contaria nada. Mas... O que aconteceu com Carol, foi simplesmente, por que eu precisava sentir algo.
— Como você sabe sobre isso? Ela...
— Não! Ela não me contou... Todos escutamos os gemidos de prazer de vocês naquela sala.
— Me desculpe... Eu só... precisava sentir algo!
Ela me olhou bem no fundo dos meus olhos como se estivesse vendo a minha alma.
— Entendo como se sente... — Outra lágrima caiu de seus olhos. — Eu também precisava sentir algo...
Ela tirou sua pulseira do pulso mostrando uma parte da pele rasgada.
— Meu Deus! — Meu coração palpitou. — Por que você se cortou?
Ela começou a chorar. Abracei-a.
— Não chore! Não chore! — sussurrei, com meus braços em volta de seu corpo. — Prometa que não fará isso jamais? Me prometa.
Ela olhou em meus olhos e beijou-me.
— Eu prometo! — sussurrou.
Ela desvencilhou-se e foi até o bebedouro. Pegou um copo de plástico, e encheu-o. Bebeu tudo. Colocou mais e bebeu novamente. Colocou novamente e bebeu-o por completo. Eu fiz o mesmo. Minha barriga roncava, e foi doloroso quando a água desceu por minha garganta, seca como rocha, meu estômago deu uma terrível dor, por causa da fome. Enchi alguns copos de água, e levamos para o resto do grupo que estava todo reunido, com excessão da Britany.
— Alguma ideia? — perguntei, entregando-lhes os copos de água.
Britany vinha correndo quase sem fôlego dando gritinhos. Nos colocamos de pé imediatamente — porém sem as facas, já que haviam ficado no carro — todos tensos.
— BOAS NOTÍCIAS! — Gritou ela. — ADVINHA ONDE AGENTE, ESTÁ?
— Em um lugar, que quando se grita é a mesma coisa de dizer: Estou aqui esperando para ser devorada? — Falou Carol com arrogância.
— HA! HA! — Respondeu Britany. — Olhem para a parede à dua esquerda. — Todos olhamos, parecia normal, uma parede pintada de branca, com um porta retrato de tamanho grande fincado na parede com a imagem de um carro.
Olhamos para ela com uma expressão que dizia "Tá! E, daí?". Ela nos olhos como se fossemos mulas. E, foi para a frente do retrato.
— Estamos numa Loja de Carros.
Agora nos olhávamos como se realmente fossemos mulas, e começamos a rir histericamente. Estávamos numa mina de ouro o tempo todo e não sabíamos. Paramos de rir.
— Só tem um probleminha, — disse Samantha, cortando nosso barato. — Eles não deixam gasolina nos carros.
— Isso é verdade. — Falou Denny.
— Teremos que sair. — falou Felipe. — Eu, me voluntario...
Olhei para ele e falei:
— Eu também vou!
Pelo menos duas pessoas estavam dispostas a morrerem.
— Tem uma saída, pela lateral do prédio. — falou Britany. — Vocês podem levar o vasilhame da água e colocarem gasolina. Eu já tinha pensado nisso. Quando vocês saírem entrarão em um beco, vão pela direita, e daqui a uma quadra tem um posto de gasolina. Não se preocupem. A maioria dos mortos-vivos estão pela frente do prédio, nem notarão vocês. Nós iremos lá pra cima e tentaremos chamar a atenção deles para a frente, certo? — Respirou profundamente, pois falou isso tudo de uma só vez em um minuto.
— Tudo bem! — falamos.
— Então vamos lá pra cima, tentar chamar a atenção deles!
Todos saíram correndo em direção ao térreo pelas escadas, e eu e Felipe ficamos sozinhos respirando profundamente e nos preparando para o que estava prestes a acontecer.
— Então... Vamos lá. — disse ele.
— Certo.
Fomos na direção da porta lateral do prédio. Abri-a vagarosamente, e olhei para fora, parecia limpa aquela região. Sem mortos-vivos. Felipe correu e pegou o vasilhame de água e derramou-o no chão. Ouvimos alguns gritos. Então os outros já estavam fazendo sua parte no trabalho.
Felipe veio com o galão de água vazio. Saímos no corredor andando encostado pela parede. Devia ser 6:00h da manhã pois o sol já despontava no horizonte.
Começamos a correr. As ruas pareciam vazias. Chegamos ao posto. Felipe colocou o galão no chão e começou a colocar gasolina.
Virou-se para mim e perguntou:
— E, então? Como foi?
— Como foi o que?
— Transar no fim do mundo.
Dei uma risada seca.
— Foi como qualquer outras.
— Legal...
— Sabe... — disse. — Ela disse que estava afim de você!
Ele me olhou agora surpreso. Terminou de encher o galão.
— Ela é bonita! Na verdade já me masturbei vendo os vídeos dela.
Ri, e peguei o galão pesado. Voltamos o mais rápido que podíamos com o galão pesado em mãos. Estávamos perto da entrada. Olhei para o lado e vi que um morto-vivo sem um dos braços corriam na nossa direção. Entramos e fechamos a porta. Sentei-me para recuperar o fôlego.
— Sucesso! — Falou Felipe.
Dei uma risada apesar da exaustão.
— Vocês conseguiram! — Gritou Britany.
— Acho que sim... Disse pondo-me de pés.
Começamos a andar em direção dos carros. Escolhemos o maior. Um Ford F-150 preto.
Todos entraram no carro, com excessão de mim e Denny. Denny foi encher o motor, e eu foi pra o portão. Denny terminou o serviço e Felipe deu a partida. Destravei o portão, e comecei a empurrá-lo para cima. Empurrei o suficiente para que o carro passasse. E, corri para dentro. Felipe mal esperou eu fechar a porta e já foi acelerando passando por cima de um morto-vivo que entrara na nossa frente.
— Abrigo... — gritou Samantha. — Aí vamos nós.
* * *
A saída da cidade foi mais fácil do que esperávamos, as ruas pareciam vazias, e estávamos agora em uma pista enorme em rumo ao Abrigo. À nossa esquerda via-se apenas matas altas, e a direita não era diferente. Aquela área parecia isolada do mundo.
— Tão bonito! — exclamou Britany, com seus olhos verdes.
Britany realmente era uma garota legal, e de atitude.
— Para o carro. — Falei. — Preciso mijar!
— Eu também! — Falaram todos ao mesmo tempo.
Felipe deu uma risada pelo retrovisor e disse:
— Pensei que nunca pediriam.
Descemos do carro e fomos em direção à mata, as garotas para um lado e os garotos pelo outro. Parei junto à um tronco e abri o zíper e o botão do short e comecei a mijar. Alívio instantâneo.
Felipe e Denny estavam ao meu lado também mijando. Terminei. Fechei o zíper e o botão, a tempo de ouvir gritos vindo do outro lado da floresta.
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