Os Sete Segredos do Senhor da Morte
3 O Legado de Grindelwald
Notas iniciais

Harry, Rony e Hermione estavam no Ministério da Magia, na ala dos aurores. Já esperavam na saleta há mais de duas horas depois de chegarem do beco diagonal por aparatação, trazendo a outra Hermione. Kingsley, já nomeado Ministro da Magia, havia sido imediatamente avisado e em pouco tempo eles tinham acompanhado um grupo de aurores para a sala de interrogação, onde Kingsley entrou junto aos outros, deixando Harry e os amigos esperando do lado de fora.
— Quem pode ser? – Repetiu Hermione pela centésima vez, mais consigo que com os rapazes.
— Bem, poção polissuco, transfiguração ou algo do tipo, não é mesmo? – Falou Rony, inseguro — Você acha que alguém poderia ter arrumado um fio do seu cabelo, Hermione? Teria que ser alguém próximo...
— Não necessariamente, nós andamos no Beco Diagonal lotado, não seria difícil arrumar um fio de cabelo meu. Mas não acho que seja poção polissuco. Você também sabe porquê, não é Harry? – Perguntou, vendo ele pensativo ainda olhando para a porta da sala de interrogação.
— Ah, sim. – Disse, levantando a cabeça – Os olhos, são diferentes, são verdes.
— Ela pode ser uma metamorfa...
— Ou ele. – Acrescentou Hermione. – Mas para ficar tão parecida...
Então Kingsley abriu a porta de repente, Harry, Rony e Hermione se levantaram rápido, se aproximando dele, pressurosos. Kingsley levantou a mão às expressões deles e falou.
— Não sabemos quem é ainda, mas temos uma grande chance agora. Acho que vocês podem entrar.
Eles entraram e após passar pela pesada porta de aço se viram de frente a uma mesa em que a outra Hermione os encarava, com nada menos que medo e talvez raiva. Três aurores se postavam nos cantos da sala.
— Quem é você? – Perguntou Harry de um fôlego só.
— Já perguntamos isso de todas as formas, ela diz que seu nome é Hermione. Nós, claro, sabemos que não é. Cada bruxo tem uma marca única e o departamento de mistérios se encarrega de dizer quem é quem quando há alguma dúvida. O problema é que esta pessoa nunca foi registrada pela nossa magia. Não sabemos quem ela é. E ela parece também não saber.
— Eu sou Hermione Granger! – Gritou a garota pela primeira vez, com a mesma voz de Hermione, que a olhou sobressaltada.
— Não, você não é, eu sou! – Falou Hermione.
— Você nem parece comigo!- Gritou a outra olhando de nariz empinado,em um gesto característico de Hermione Granger.
— Você que deveria se parecer comigo!
E as duas começaram um bate-boca ferrenho, discutindo quem era Hermione. Rony e Harry olhavam aturdidos de uma para outra.
— Silencio— Ordenou Kingsley, apontando para a garota sentada, que cruzou os braços e pernas.
— Nós já testamos a presença de Poção Polissuco, transfiguração humana, metamorfose e magicas de ilusão, ela não está usando nada disso. O que torna tudo mais difícil. Nossa última chance por hora é uma confissão. –Disse Kingsley. Então Harry entendeu. – A poção Veritaserum.
Kingsley pegou um frasquinho de líquido cristalino das mãos do outro auror e pingou três gotas na boca da garota que não protestou. Passados alguns segundos perguntou.
— Quem é você?
— Eu sou Hermione Jean Granger – Respondeu a garota, sem emoção.
Todos se olharam, confusos. Kingsley continuou.
—Onde você mora?
—Eu nunca morei em um lugar só.
—Porque você atacou aquelas pessoas? – Harry perguntou, indignado.
—Meu pai disse que eu encontraria O Senhor da Morte, Harry Potter, no Beco Diagonal, mas alguém me atacou antes, e eu me assustei e tentei atacar de volta. Não quis ataca-lo nem a ninguém, mas quase nunca saí para lugares com muitas pessoas.
Rony, Kingsley e Hermione olharam para Harry, que havia sido o último e atual dono das Relíquias da Morte, e, portanto, Senhor da Morte.
— Quem é o seu pai?
— Gellert Grindelwald Júnior, filho daquele que foi derrotado por Alvo Dumbledore.
Todos olharam assustados e sem saber se aquilo era verdade ou a certeza de alguém louco. Pelo que se sabia, Gellert Grindelwald havia sido preso por Dumbledore sem deixar filhos, e a ideia de alguém como ele estar educando outras pessoas era terrível.
—Grindelwald não teve filhos. – Exclamou Rony – Nós saberíamos, não é mesmo?
— Ele manteve meu pai em segredo, assim como meu pai me manteve.
— Onde está o seu pai? – Perguntou Kingsley.
— Eu não sei.
— O que ele te ensinou? Como te manteve em segredo do ministério?
— Ele me ensinou tudo que se ensina em Hogwarts, magias, poções, encantamentos e feitiços. Eu nasci fora do país, para não ser detectada pelas magias que seu ministério impõe, tenho viajado constantemente para nunca ser encontrada.
—Por que você se parece tanto comigo? – Perguntou a Hermione do lado de Harry.
— Eu sempre fui assim, desde que me lembro.
— O que você faria quando encontrasse esse... Senhor da Morte? Mataria ele?
— Nada. Minha ordem era apenas encontra-lo. Não lembro de mais nada específico antes disso. Eu nunca quis machucar ninguém.
— Você matou ou machucou alguém mandada pelo seu pai?
— Não. Ele me mandava ferir as pessoas em certas ocasiões, mas sempre evitei e o enganei, porque tinha medo dele.
— Ele te machucava? – Perguntou Rony, com algo parecido com pena.
— Algumas vezes, quando eu tentava fugir. Mas não sei aparatar, nunca conseguia.
— E para onde você queria ir?
— Para Hogwarts, pedir ajuda, encontrar Harry Potter. Avisa-lo que meu pai sabe exatamente como destruí-lo, para enfraquecer as forças do ministério e promover uma revolta em massa e uma reorganização de todos aqueles que anseiam por uma nova ordem. Ele me disse que tem algo que nem Você-sabe-quem tinha, uma arma secreta, tão sutil e destruidora quanto a varinha de sabugueiro.
— Você está do lado dele? – Perguntou Kingsley, sério.
— Eu resolvi deixa-lo há muito tempo. – Respondeu. – Ele só me manteve viva após perceber que havia me revoltado por um motivo.
— Qual?
— Eu sou uma Horcrux dele. – Respondeu Hermione, com os olhos verdes brilhando, marejados, o efeito da Veritaserum finalmente acabando.
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